05/04/2018

Si no tengo ganas, no es auténtico?




Temas para meditar e reflectir

O que deve interessar a um cristão? [i]

1.  
Não interessa pensar no passado, está resolvido!

Demos graças a Deus.


2.   Interessa pensar no presente, está a resolver-se.

Peçamos ao Senhor que nos ajude.


3.   Não interessa preocupar-nos com o futuro porque O senhor dirá:

Faltei-te no passado?

Falto-te agora?

Porque haveria de te faltar no futuro?



(ama, reflexões, 19.11.2016)



[i] Ouvido a Mons. António Barbosa numa recolecção no Porto em 19.11.2016)

Evangelho e comentário

Tempo de Páscoa

Evangelho: Lc 24, 35-48

35 E eles contaram o que lhes tinha acontecido pelo caminho e como Jesus se lhes dera a conhecer, ao partir o pão. 36 Enquanto isto diziam, Jesus apresentou-se no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco!» 37 Dominados pelo espanto e cheios de temor, julgavam ver um espírito. 38 Disse-lhes, então: «Porque estais perturbados e porque surgem tais dúvidas nos vossos corações? 39 vede as minhas mãos e os meus pés: sou Eu mesmo. Tocai-me e olhai que um espírito não tem carne nem ossos, como verificais que Eu tenho.» 40 Dizendo isto, mostrou-lhes as mãos e os pés. 41 E como, na sua alegria, não queriam acreditar de assombrados que estavam, Ele perguntou-lhes: «Tendes aí alguma coisa que se coma?» 42 Deram-lhe um bocado de peixe assado; 43 e, tomando-o, comeu diante deles. 44 Depois, disse-lhes: «Estas foram as palavras que vos disse, quando ainda estava convosco: que era necessário que se cumprisse tudo quanto a meu respeito está escrito em Moisés, nos Profetas e nos Salmos.» 45 Abriu-lhes então o entendimento para compreenderem as Escrituras 46 e disse-lhes: «Assim está escrito que o Messias havia de sofrer e ressuscitar dentre os mortos, ao terceiro dia; 47 que havia de ser anunciada, em seu nome, a conversão para o perdão dos pecados a todos os povos, começando por Jerusalém. 48 Vós sois as testemunhas destas coisas.

Comentário:

Esta parece ser a primeira aparição de Jesus aos Seus discípulos reunidos.
Quero crer que, antes e em primeiro lugar, terá visitado a Sua Santíssima Mãe e mal podemos imaginar a alegria e comoção deste encontro.
As sucessivas aparições de Jesus aos Apóstolos que os Evangelistas nos irão narrar neste tempo de Páscoa, não terão sido as únicas nem tão breves quanto as descrições deixam perceber.
Haveria muito a dizer ainda, o Senhor desejaria que os Seus mais próximos, sobretudo os que seriam as colunas da Sua Igreja, ficassem de tal forma confirmados na Fé que todos os obstáculos que enfrentariam e perseguições de que seriam alvo fossem vencidos e ultrapassadas com toda a segurança e coragem.
Sublinho apenas a preocupação que tem que eles percebessem que tudo venceriam sem lutas nem confrontos, mas com a verdadeira paz que Ele próprio personificava.


(ama, comentário sobre Lc 24, 35-48, 20.04.2017)

Leitura espiritual

TEMA 35. O quinto mandamento do Decálogo

A vida humana é sagrada, porque é fruto da acção criadora de Deus e permanece continuamente numa especial relação com o Criador.
 
1. «Não matarás»

«A vida humana é sagrada porque, desde a sua origem, postula a acção criadora de Deus e mantém-se para sempre numa relação especial com o Criador, seu único fim. Só Deus é senhor da vida, desde o seu começo até ao seu termo: ninguém, em circunstância alguma, pode reivindicar o direito de dar a morte directamente a um ser humano inocente» (Catecismo, 2258). O homem é alguém muito singular: é a única criatura deste mundo que Deus ama por si mesma[1]. Foi destinado a conhecer e a amar a Deus eternamente, a sua vida é sagrada. Foi criado à imagem e semelhança de Deus (cf. Gn 1, 26-27), e é este o fundamento último da dignidade humana e do mandamento «não matarás». O livro de Génesis apresenta o abuso contra a vida humana como consequência do pecado original. Yahvé manifesta-se sempre como protector da vida: mesmo da de Caim após de ter morto o seu irmão Abel, sangue do seu sangue, imagem de todo o homicídio. Ninguém deve fazer justiça pela sua própria mão, e ninguém pode advogar o direito de dispor da vida do próximo (cf. Gn 4, 13-15). 
Este mandamento refere-se aos seres humanos. É legítimo servir-se dos animais para obter alimento, vestuário, etc. Deus colocou-os na terra para que estivessem ao serviço do homem. A conveniência de matá-los ou maltratá-los provém da desordem que pode implicar nas paixões humanas, ou de um dever de justiça (se são propriedade de outro) (cf. Catecismo, 2417). Alem disso, não se deve esquecer que o homem não é “dono” da Criação, mas administrador, portanto tem a obrigação de respeitar e cuidar da natureza, da qual necessita para a sua própria existência e desenvolvimento (cf. Catecismo, 2418).
2. Plenitude deste mandamento

O mandamento de salvaguardar a vida do homem «tem a sua dimensão mais profunda na exigência de veneração e amor por toda a pessoa e sua vida»[2]. A misericórdia e o perdão são próprios de Deus; e na vida dos filhos de Deus também deve estar presente a misericórdia, que nos faz compadecermo-nos da miséria alheia: «Bem-aventurados os misericordiosos porque alcançarão misericórdia» (Mt 5, 7)[3]. É igualmente necessário aprender a perdoar as ofensas (cf. Mt 5, 22). Ao receber uma ofensa, há que evitar encolerizar-se, nem permitir que a ira invada o coração. Mais ainda no Pai Nosso – a oração que Jesus nos deixou como oração dominical –, o Senhor liga o seu perdão – o perdão acerca das ofensas que cometemos – ao nosso perdão sobre os que nos ofenderam (cf. Mt 6, 9-13; Lc 11, 2-4). Nesta luta, ajudar-nos-á contemplar a Paixão de Nosso Senhor, que nos perdoou e redimiu com amor e paciência as nossas injustiças; considerar que ninguém deve ser para um cristão um estranho ou inimigo (cf. Mt 5, 44-45); pensar no juízo após a nossa morte, em que seremos julgados pelo amor dedicado ao próximo; recordar que um cristão deve vencer o mal com o bem (cf. Rm 12, 21); e considerar as injúrias como ocasião para a própria purificação.
3. O respeito pela vida humana

O quinto preceito manda não matar. Condena também golpear, ferir ou provocar qualquer dano injusto a si mesmo e ao próximo no corpo, quer seja por si mesmo ou através de outros; bem como ofendê-lo com palavras injuriosas ou desejar-lhe o mal. Neste mandamento proíbe-se igualmente ocasionar a morte a si próprio (suicídio).
3.1. O homicídio voluntário

«O quinto mandamento proíbe, como gravemente pecaminoso, o homicídio directo e voluntário. O assassino e quantos voluntariamente colaboram no assassinato cometem um pecado que brada ao céu» (cf. Gn 4, 19)» (Catecismo, 2268)[4]. A encíclica Evangelium Vitae formulou de forma definitiva e infalível a seguinte norma negativa: «com a autoridade que Cristo conferiu a Pedro e aos seus Sucessores, em comunhão com os Bispos da Igreja Católica, confirmo que a morte directa e voluntária de um ser humano inocente é sempre gravemente imoral. Esta doutrina, fundada naquela lei não-escrita que todo o homem, pela luz da razão, encontra no próprio coração (cf. Rm 2, 1415), é confirmada pela Sagrada Escritura, transmitida pela Tradição da Igreja e ensinada pelo Magistério ordinário e universal»[5]. Assim, o homicídio que é sem excepção gravemente imoral é aquele que corresponde a uma escolha deliberada e se dirige a uma pessoa inocente. Por conseguinte, a legítima defesa e a pena de morte não se incluem nesta formulação absoluta, pois são objecto de tratamento específico[6]. Colocar a vida nas mãos do homem implica um poder de disposição, que acarreta saber administrá-lo como uma colaboração com Deus. Isto exige atitude de amor e de serviço, e não de domínio arbitrário: trata-se de um domínio não absoluto, mas ministerial, reflexo concreto do domínio único e infinito de Deus[7].
3.2. O aborto

«A vida humana deve ser respeitada e protegida, de modo absoluto, a partir do momento da concepção» (Catecismo, 2270). Não é admissível nenhuma discriminação, nem sequer a fundada nas diferentes fases do desenvolvimento da vida. Em situações conflituosas, é determinante a pertença natural à espécie biológica humana. Com isto não se impõe à investigação biomédica limites diferentes dos que a dignidade humana estabelece para qualquer outro campo da actividade do homem. «O aborto directo, isto é, querido como fim ou como meio, constitui sempre uma desordem moral grave enquanto morte deliberada de um ser humano inocente»[8]. A expressão como fim ou como meio compreende as duas modalidades da voluntariedade directa: neste caso, o que actua quer conscientemente matar, e por isso realiza tal acção.
«Nenhuma circunstância, nenhum fim, nenhuma lei no mundo poderá jamais tornar lícito um acto que é intrinsecamente ilícito, porque contrário à Lei de Deus, inscrita no coração de cada homem, reconhecível pela própria razão, e proclamada pela Igreja»[9]. O respeito pela vida deve ser reconhecido como o limite que nenhuma actividade individual ou estatal pode ultrapassar. O direito inalienável da pessoa humana inocente à vida é elemento constitutivo da sociedade civil e da sua legislação e, como tal, deve ser reconhecido e respeitado tanto por parte da sociedade como da autoridade política (cf. Catecismo, 2273)[10]. Assim, podemos afirmar que «a autoridade é exigência da ordem moral e promana de Deus, caso os governantes legislarem ou prescreverem algo contra essa ordem e, portanto, contra a vontade de Deus, essas leis e essas prescrições não podem obrigar a consciência dos cidadãos», mais ainda, «a própria autoridade deixa de existir, degenerando em abuso do poder»[11]. Tanto assim é que «leis deste tipo não só não criam obrigação alguma para a consciência, como, ao contrário, geram uma grave e precisa obrigação de opor-se a elas através da objecção de consciência»[12] . «Uma vez que deve ser tratado como pessoa desde a concepção, o embrião terá de ser defendido na sua integridade, tratado e curado, na medida do possível, como qualquer outro ser humano» (Catecismo, 2274).
3.3. A eutanásia

«Por eutanásia, em sentido verdadeiro e próprio, deve-se entender uma acção ou uma omissão que, por sua natureza e nas intenções, provoca a morte com o objectivo de eliminar o sofrimento (…). A eutanásia é uma violação grave da Lei de Deus, enquanto morte deliberada moralmente inaceitável de uma pessoa humana (…). A eutanásia comporta, segundo as circunstâncias, a malícia própria do suicídio ou do homicídio»[13]. Trata-se de uma das consequências, gravemente contrárias à dignidade humana, a que pode conduzir o hedonismo e a perda do sentido cristão da dor. «A cessação de tratamentos médicos onerosos, perigosos, extraordinários ou desproporcionados aos resultados esperados, pode ser legítima. É a rejeição do “encarniçamento terapêutico”. Não que assim se pretenda dar a morte; simplesmente se aceita o facto de a não poder impedir» (Catecismo, 2278)[14].
Pelo contrário, «mesmo que a morte seja considerada iminente, os cuidados habitualmente devidos a uma pessoa doente não podem ser legitimamente interrompidos» (Catecismo, 2279)[15]. A alimentação e a hidratação artificiais são, em princípio, cuidados ordinários devidos a qualquer doente[16].
3.4. O suicídio

«Nós somos administradores e não proprietários da vida que Deus nos confiou; não podemos dispor dela» (Catecismo, 2280). «O suicídio contraria a inclinação natural do ser humano para conservar e perpetuar a sua vida. É gravemente contrário ao justo amor de si mesmo. Ofende igualmente o amor do próximo, porque quebra injustamente os laços de solidariedade com as sociedades familiar, nacional e humana, em relação às quais temos obrigações a cumprir. O suicídio é contrário ao amor do Deus vivo» (Catecismo, 2281)[17]. Preferir a própria morte para salvar a vida de outro não é suicídio, antes pelo contrário, pode constituir um acto de extrema caridade.
3.5. A legítima defesa

A proibição de causar a morte não suprime o direito de impedir que um injusto agressor provoque dano[18]. A legítima defesa pode ser mesmo um dever grave para quem é responsável pela vida de outro ou do bem comum (cf. Catecismo, 2265).
3.6. A pena de morte

Defender o bem comum da sociedade exige que se coloque o agressor em situação de não poder provocar danos. Por isso, a autoridade legítima pode infligir penas proporcionais à gravidade dos delitos. As penas têm como fim compensar a desordem introduzida pela falta, preservar a ordem pública, a segurança das pessoas e a emenda do culpado (cf. Catecismo, 2266). «Para bem conseguir todos estes fins, a medida e a qualidade da pena hão-de ser atentamente ponderadas e decididas, não se devendo chegar à medida extrema da execução do réu senão em casos de absoluta necessidade, ou seja, quando a defesa da sociedade não fosse possível de outro modo. Mas, hoje, graças à organização cada vez mais adequada da instituição penal, esses casos são já muito raros, senão mesmo praticamente inexistentes»[19]. 
4. O respeito pela dignidade das pessoas 4.1. O respeito pela alma do próximo: o escândalo

Os cristãos estão obrigados a procurar a vida e a saúde sobrenatural da alma do próximo, além da do corpo. O escândalo é o contrário: «é a atitude ou comportamento que leva outrem a fazer o mal. O escandaloso transforma-se em tentador do seu próximo (…). O escândalo constitui uma falta grave se, por acção ou omissão, levar deliberadamente outra pessoa a cometer uma falta grave» (Catecismo, 2284). Pode-se causar escândalo por comentários injustos, pela promoção de espectáculos, livros e revistas imorais, por seguir modas contrárias ao pudor, etc. «O escândalo reveste-se duma gravidade particular conforme a autoridade dos que o causam ou a fraqueza dos que dele são vítimas» (Catecismo, 2285): «se alguém escandalizar um destes pequeninos que crêem em mim, seria preferível que lhe suspendessem do pescoço a mó de um moinho e o lançassem nas profundezas do mar» (Mt 18, 6)[20].
4.2. O respeito pela saúde do corpo

O respeito pelo próprio corpo é uma exigência da caridade, pois o corpo é templo do Espírito Santo (cf. 1 Cor 6, 19; 3, 16 seg.; 2 Cor 6, 16), e somos responsáveis – no que de nós depende – por procurar a saúde corporal, que é um meio para servir a Deus e os homens. Mas a vida corporal não é um valor absoluto: a moral cristã opõe-se à concepção neopagã que promove o culto do corpo, e que pode conduzir à perversão das relações humanas (cf. Catecismo, 2289). «A virtude da temperança leva a evitar toda a espécie de excessos, o abuso da comida, da bebida, do tabaco e dos medicamentos. Aqueles que, em estado de embriaguez ou por gosto imoderado da velocidade, põem em risco a segurança dos outros e a sua própria, nas estradas, no mar ou no ar, tornam-se gravemente culpados» (Catecismo, 2290). O uso de estupefacientes é uma falta grave pelos danos que causa à saúde e pela fuga à responsabilidade pelos actos praticados sob a sua influência. A produção clandestina e o tráfico de drogas são práticas imorais (cf. Catecismo, 2291). A investigação científica não pode legitimar actos que em si mesmos são contrários à dignidade das pessoas e à lei moral. Nenhum ser humano pode ser tratado como meio para o progresso da ciência (cf. Catecismo, 2295). Atentam contra este princípio as práticas como a procriação artificial substitutiva ou o uso de embriões com fins experimentais.
4.3. O transplante de órgãos

A doação de órgãos para transplante é legítima e pode ser um acto de caridade, se a doação é plenamente livre e gratuita[21], e se respeita a ordem da justiça e da caridade. «Uma pessoa só pode doar alguma coisa de que se possa privar sem perigo sério ou dano para a sua própria vida ou identidade pessoal, e por uma razão justa e proporcionada. É óbvio que os órgãos vitais só podem ser doados depois da morte»[22]. É preciso que o doador ou os seus representantes tenham dado de forma consciente o seu consentimento (cfr. Catecismo, 2296). Esta doação, «embora seja legítima em si mesma, pode chegar a ser ilícita, se viola os direitos e sentimentos de terceiros aos quais compete a tutela do cadáver: os parentes próximos em primeiro lugar, mas poderia mesmo tratar-se de outras pessoas em virtude de direitos públicos ou privados[23].
4.4. O respeito pela liberdade física e a integridade corporal

Os sequestros e a posse de reféns são moralmente ilícitos: é tratar as pessoas apenas como meios para obter diversos fins, privando-os injustamente da liberdade. Também gravemente contrários à justiça e à caridade, o terrorismo e a tortura. «A não ser por indicações médicas de ordem estritamente terapêutica, as amputações, mutilações ou esterilizações directamente voluntárias de pessoas inocentes, são contrárias à lei moral» (Catecismo, 2297). Portanto, não são contrárias à lei moral aquelas que derivam da acção terapêutica necessária para o bem do corpo considerado na sua totalidade, e que não se querem nem como fim nem como meio, mas que se sofrem e toleram.
4.5. O respeito pelos mortos

«Os corpos dos defuntos devem ser tratados com respeito e caridade, na fé e esperança da ressurreição. Enterrar os mortos é uma obra de misericórdia corporal (cf. Tb 1, 16-18) que honra os filhos de Deus, templos do Espírito Santo» (Catecismo, 2300). «A Igreja recomenda vivamente que se conserve o piedoso costume de sepultar os corpos dos defuntos; mas não proíbe a cremação, a não ser que tenha sido preferida por razões contrárias à doutrina cristã» (CDC, cân. 1176).
5. A defesa da paz

«Bem-aventurados os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus» (Mt 5, 8). Característica do espírito de filiação divina é serem semeadores de paz e alegria[24]. «A paz não é possível na terra sem a salvaguarda dos bens das pessoas, a livre comunicação entre os seres humanos, o respeito pela dignidade das pessoas e dos povos e a prática assídua da fraternidade (…). É “obra da justiça” (Is 32, 17) e efeito da caridade» (Catecismo, 2304). «Por causa dos males e injustiças que toda a guerra traz consigo, a Igreja exorta instantemente a todos para que orem e actuem para que a Bondade divina nos livre da antiga escravidão da guerra (cf. Concílio do Vaticano II, Const. past. Gaudium et Spes, 81, 4)» (Catecismo, 2307). Existe a «legítima defesa pela força das armas». Mas «a gravidade duma tal decisão submete-a a condições rigorosas de legitimidade moral» (Catecismo, 2309)[25]. «As injustiças, as excessivas desigualdades de ordem económica ou social, a inveja, a desconfiança e o orgulho que grassam entre os homens e as nações, são uma constante ameaça à paz e provocam as guerras. Tudo o que se fizer para superar estas desordens contribui para edificar a paz e evitar a guerra» (Catecismo, 2317). «Ama a tua pátria: o patriotismo é uma virtude cristã. Mas, se o patriotismo se converte num nacionalismo que leva a encarar outros povos, outras nações, com desinteresse, com desprezo – sem caridade cristã nem justiça –, é um pecado»[26].

PAU AGULLES SIMÓ
Bibliografia básica
- Catecismo da Igreja Católica, 2258-2330. - S. João Paulo II, Enc. Evangelium Vitae, 25-III-95, cap. III.
Leituras recomendadas
- L. Ciccone, La vita umana, Ares, Milano 2000. L. Melina, Corso di Bioetica. Il Vangelo della Vita, Piemme, Casale Monferrato 1996.
Notas

[1]João XXIII, Enc. Pacem in Terris, 11-IV-63, 51. [2]S. João Paulo II, Enc. Evangelium Vitae, 25-III-95, 41. [3]«As obras de misericórdia são as acções caridosas pelas quais vamos em ajuda do nosso próximo, nas suas necessidades corporais e espirituais» (Catecismo, 2447). [4]Também «proíbe fazer seja o que for com a intenção de provocar indirectamente a morte duma pessoa. A lei moral proíbe expor alguém, sem razão grave, a um perigo mortal, assim como negar assistência a uma pessoa em perigo» (Catecismo, 2269). [5]S. João Paulo II, Enc. Evangelium Vitae, 25-III-95, 57. [6]Cf. Ibidem, 55-56. [7]Cf. Ibidem, 52. [8]Ibidem, 62. [9]Ibidem, 62. É tal a gravidade do crime do aborto, que a Igreja sanciona este delito com a pena canónica de excomunhão latae sententiae (cf. Catecismo, 2272). [10]Estes «direitos do homem não dependem nem dos indivíduos singularmente, nem dos pais e tampouco representam uma concessão da sociedade e do Estado. Eles pertencem à natureza humana e são inerentes à pessoa por força do acto criador do qual ela se origina (…). No momento em que uma lei positiva priva uma categoria de seres humanos da protecção que a legislação civil deveria conceder-lhes, o Estado nega a igualdade de todos perante a lei. Quando o Estado não põe a sua força ao serviço dos direitos de cada um dos cidadãos, e, particularmente, de quem é mais fraco, são ameaçados os próprios fundamentos de um Estado de direito». (Congregação para a Doutrina da Fé, Instr. Donum Vitae, 22-II-87, 3). [11]João XXIII, Enc. Pacem in Terris, 11-IV-63, 51. [12]S. João Paulo II, Enc. Evangelium Vitae, 25-III-95, 73. [13]Ibidem, 65 [14]«As decisões devem ser tomadas pelo paciente, se para isso tiver competência e capacidade; de contrário, por quem para tal tenha direitos legais, respeitando sempre a vontade razoável e os interesses legítimos do paciente» (Catecismo, 2278). [15]«O uso dos analgésicos para aliviar os sofrimentos do moribundo, mesmo correndo-se o risco de abreviar os seus dias, pode ser moralmente conforme com a dignidade humana, se a morte não for querida, nem como fim nem como meio, mas somente prevista e tolerada como inevitável. Os cuidados paliativos constituem uma forma excepcional da caridade desinteressada; a esse título, devem ser encorajados» (Catecismo, 2279). [16]Cf. S. João Paulo II, Discurso aos participantes no Congresso Internacional sobre “o tratamento de sostegno vitale e o estado vegetativo. Progressos científicos e dilemas éticos”, 20-III-2004, n. 4; cf. Também Conselho Pontifício da Pastoral ppara os Doentes Sanitários, Carta dos Agentes da Saúde, n. 120; Congregação para a Doutrina da Fé, Respostas a algumas perguntas da Conferência Episcopal dos Estados Unidos da América sobre a alimentação e hidratação artificiais, 1-VIII-2007. [17]No entanto «não se deve desesperar da salvação eterna das pessoas que se suicidaram. Deus pode, por caminhos que só Ele conhece, oferecer-lhes a ocasião de um arrependimento salutar. A Igreja ora pelas pessoas que atentaram contra a própria vida» (Catecismo, 2283). [18]«O amor para consigo mesmo permanece um princípio fundamental de moralidade. E, portanto, legítimo fazer respeitar o seu próprio direito à vida. Quem defende a sua vida não é réu de homicídio, mesmo que se veja constrangido a desferir sobre o agressor um golpe mortal» (Catecismo, 2264; cf. S. João Paulo II, Enc. Evangelium Vitae, 55): neste caso, o homicídio do agressor não constitui objecto directo da vontade do que se defende, mas que o objecto moral consiste em remover uma ameaça iminente contra a própria vida. [19]S. João Paulo II, Enc. Evangelium Vitae, 56; cf. Catecismo, 2267. [20]«Tornam-se culpados de escândalo os que estabelecem leis ou estruturas sociais conducentes à degradação dos costumes e à corrupção da vida religiosa, ou a “condições sociais que, voluntária ou involuntariamente, tornam difícil e praticamente impossível uma conduta cristã conforme aos mandamentos” (Pio XII. Mensagem radiofónica, 1 de Junho de 1941)» (Catecismo, 2286). [21]Cf. S. João Paulo II, Discurso, 22-VI-1991, 3; Catecismo, 2301. [22]Ibidem, 4. [23]PIO XII, Discurso à Associação Italiana de doadores de córnea, 14-V-1956. [24]Cf. S. Josemaria, Cristo que Passa, 124[25]«É necessário, ao mesmo tempo: - que o prejuízo causado pelo agressor à nação ou comunidade de nações seja duradouro, grave e certo; - que todos os outros meios de lhe pôr fim se tenham revelado impraticáveis ou ineficazes; - que estejam reunidas condições sérias de êxito; - que o emprego das armas não traga consigo males e desordens mais graves do que o mal a eliminar. O poder dos meios modernos de destruição tem um peso gravíssimo na apreciação desta condição. - Estes são os elementos tradicionalmente apontados na doutrina da chamada “guerra justa”. - A apreciação destas condições de legitimidade moral pertence ao juízo prudencial daqueles que têm o encargo do bem comum» (Catecismo, 2309). Além disso, «é-se moralmente obrigado a resistir às ordens para praticar um genocídio» (Catecismo, 2313). - «A corrida aos armamentos não garante a paz. Longe de eliminar as causas da guerra, corre o risco de as agravar. O dispêndio de fabulosas riquezas na preparação de armas sempre novas impede que se auxiliem as populações indigentes, e trava o desenvolvimento dos povos» (Catecismo, 2315). «A corrida aos armamentos é um terrível flagelo para a humanidade e prejudica os pobres dum modo intolerável» (Concílio Vaticano II, Const. Gaudium et Spes, 81). As autoridades têm o direito e o dever de regulamentar a produção e o comércio de armas (cf. Catecismo, 2316). [26]S. Josemaria, Sulco, 315. Cf. S. Josemaria, Forja, 879; Caminho, 525.

El reto del amor


Hoy el reto del amor es mirar más allá.


VIVE DE CRISTO®Dominicas de Lerma

Pequena agenda do cristão

Quinta-Feira



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Participar na Santa Missa.


Senhor, vendo-me tal como sou, nada, absolutamente, tenho esta percepção da grandeza que me está reservada dentro de momentos: Receber o Corpo, o Sangue, a Alma e a Divindade do Rei e Senhor do Universo.
O meu coração palpita de alegria, confiança e amor. Alegria por ser convidado, confiança em que saberei esforçar-me por merecer o convite e amor sem limites pela caridade que me fazes. Aqui me tens, tal como sou e não como gostaria e deveria ser.
Não sou digno, não sou digno, não sou digno! Sei porém, que a uma palavra Tua a minha dignidade de filho e irmão me dará o direito a receber-te tal como Tu mesmo quiseste que fosse. Aqui me tens, Senhor. Convidaste-me e eu vim.


Lembrar-me:
Comunhões espirituais.


Senhor, eu quisera receber-vos com aquela pureza, humildade e devoção com que Vos recebeu Vossa Santíssima Mãe, com o espírito e fervor dos Santos.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?






04/04/2018

Fazer da sua vida diária um testemunho de Fé

Muitas realidades materiais, técnicas, económicas, sociais, políticas, culturais..., abandonadas a si mesmas, ou nas mãos de quem carece da luz da nossa fé, convertem-se em obstáculos formidáveis à vida sobrenatural: formam como que um couto cerrado e hostil à Igreja. Tu, por seres cristão – investigador, literato, cientista, político, trabalhador... –, tens o dever de santificar essas realidades. Lembra-te de que o universo inteiro – escreve o Apóstolo – está a gemer como que em dores de parto, esperando a libertação dos filhos de Deus. (Sulco, 311)

Já falámos muito deste tema noutras ocasiões, mas permiti-me insistir de novo na naturalidade e na simplicidade da vida de S. José, que não se distinguia da dos seus vizinhos nem levantava barreiras desnecessárias.

Por isso, ainda que possa ser conveniente nalguns momentos ou em algumas situações, habitualmente não gosto de falar de operários católicos, de engenheiros católicos, de médicos católicos, etc., como se se tratasse de uma espécie dentro dum género, como se os católicos formassem um grupinho separado dos outros, dando assim a sensação de que existe um fosso entre os cristãos e o resto da humanidade. Respeito a opinião oposta, mas penso que é muito mais correcto falar de operários que são católicos, ou de católicos que são operários; de engenheiros que são católicos ou de católicos que são engenheiros. Porque o homem que tem fé e exerce uma profissão intelectual, técnica ou manual, está e sente-se unido aos outros, igual aos outros, com os mesmos direitos e obrigações, com o mesmo desejo de melhorar, com o mesmo empenho de se enfrentar com os problemas comuns e de lhes encontrar a solução.


O católico, assumindo tudo isto, saberá fazer da sua vida diária um testemunho de Fé, de Esperança e de Caridade; testemunho simples, normal, sem necessidade de manifestações aparatosas, pondo de manifesto – com a coerência da sua vida – a presença constante da Igreja no mundo, visto que todos os católicos são, eles mesmos, Igreja, pois são membros, com pleno direito, do único Povo de Deus. (Cristo que passa, 53)

Evangelho e comentário

Tempo de Páscoa

Evangelho: Lc 24, 13-35

13 Nesse mesmo dia, dois dos discípulos iam a caminho de uma aldeia chamada Emaús, que ficava a cerca de duas léguas de Jerusalém; 14 e conversavam entre si sobre tudo o que acontecera. 15 Enquanto conversavam e discutiam, aproximou-se deles o próprio Jesus e pôs-se com eles a caminho; 16 os seus olhos, porém, estavam impedidos de o reconhecer. 17 Disse-lhes Ele: «Que palavras são essas que trocais entre vós, enquanto caminhais?» Pararam entristecidos. 18 E um deles, chamado Cléofas, respondeu: «Tu és o único forasteiro em Jerusalém a ignorar o que lá se passou nestes dias!» 19 Perguntou-lhes Ele: «Que foi?» Responderam-lhe: «O que se refere a Jesus de Nazaré, profeta poderoso em obras e palavras diante de Deus e de todo o povo; 20 como os sumos sacerdotes e os nossos chefes o entregaram, para ser condenado à morte e crucificado. 21 Nós esperávamos que fosse Ele o que viria redimir Israel, mas, com tudo isto, já lá vai o terceiro dia desde que se deram estas coisas. 22 É verdade que algumas mulheres do nosso grupo nos deixaram perturbados, porque foram ao sepulcro de madrugada 23 e, não achando o seu corpo, vieram dizer que lhes apareceram uns anjos, que afirmavam que Ele vivia. 24 Então, alguns dos nossos foram ao sepulcro e encontraram tudo como as mulheres tinham dito. Mas, a Ele, não o viram.» 25 Jesus disse-lhes, então: «Ó homens sem inteligência e lentos de espírito para crer em tudo quanto os profetas anunciaram! 26 Não tinha o Messias de sofrer essas coisas para entrar na sua glória?» 27 E, começando por Moisés e seguindo por todos os Profetas, explicou-lhes, em todas as Escrituras, tudo o que lhe dizia respeito. 28 Ao chegarem perto da aldeia para onde iam, fez menção de seguir para diante. 29 Os outros, porém, insistiam com Ele, dizendo: «Fica connosco, pois a noite vai caindo e o dia já está no ocaso.» Entrou para ficar com eles. 30 E, quando se pôs à mesa, tomou o pão, pronunciou a bênção e, depois de o partir, entregou-lho. 31 Então, os seus olhos abriram-se e reconheceram-no; mas Ele desapareceu da sua presença. 3 2Disseram, então, um ao outro: «Não nos ardia o coração, quando Ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras?» 33 Levantando-se, voltaram imediatamente para Jerusalém e encontraram reunidos os Onze e os seus companheiros, 34 que lhes disseram: «Realmente o Senhor ressuscitou e apareceu a Simão!» 35 E eles contaram o que lhes tinha acontecido pelo caminho e como Jesus se lhes dera a conhecer, ao partir o pão.

Comentário:

Este acontecimento deve ter sido de tal forma marcante que os de Emaús não puderam fazer outra coisa que voltar sobre o andado ao encontro dos companheiros.

É o que sempre acontece quando uma grande alegria nos inunda o coração, temos de a partilhar com os mais próximos, os que de alguma forma se sintonizam connosco.

Assim a alegria dos filhos de Deus temos de comunicá-la todos com quem nos encontramos para que também eles tenham e pos­sam gozá-la.


(ama, comentário sobre Lc 24 13-35 2016.03.30)

Leitura espiritual

Tema 29. A graça e as virtudes

A graça é a fonte da santificação; cura e eleva a natureza tornando-nos capazes de agir como filhos de Deus.
  
1. A graça

Deus chamou o homem a participar na vida da Santíssima Trindade. «Esta vocação para a vida eterna é sobrenatural» (Catecismo, 1998)[1]. Para nos conduzir a este fim último sobrenatural, concede-nos já nesta terra um início dessa participação que será plena no céu. Este dom é a graça santificante, que consiste num «começo da glória»[2]. Portanto, a graça santificante: - «é dom gratuito que Deus nos faz da sua vida, infundida pelo Espírito Santo na nossa alma, para a curar do pecado e a santificar» (Catecismo, 1999); - «é uma participação na vida de Deus» (Catecismo, 1997; cf. 2 Pe 1, 4) que nos diviniza (cf. Catecismo, 1999); - é, portanto, uma nova vida, sobrenatural; como um novo nascimento pelo qual somos constituídos filhos de Deus por adopção, participantes da filiação natural do Filho: «filhos no Filho»[3]; - introduz-nos, assim, na intimidade da vida trinitária. Como filhos adoptivos, podemos chamar «Pai» a Deus, em união com o Filho único (cf. Catecismo, 1997); - É “graça de Cristo”, porque na situação presente – quer dizer, depois do pecado e da Redenção operada por Jesus Cristo – a graça chega-nos como participação da graça de Cristo (Catecismo, 1997): «Da sua plenitude todos recebemos graça sobre graça”»(Jo 1, 16). A graça configura-nos com Cristo (cf. Rm 8, 29): - é «graça do Espírito Santo», porque é infundida na alma pelo Espírito Santo[4]. - À graça santificante chama-se também graça habitual porque é uma disposição estável que aperfeiçoa a alma pela infusão das virtudes, para torná-la capaz de viver com Deus, de actuar por seu amor (cf. Catecismo, 2000)[5].
2. A justificação

A primeira obra da graça em nós é a justificação (cf. Catecismo, 1989). Chama-se justificação à passagem do estado de pecado ao estado da graça (ou “de justiça”, porque a graça nos faz “justos”)[6]. Esta tem lugar no Baptismo, e cada vez que Deus perdoa os pecados mortais e infunde a graça santificante (ordinariamente no sacramento da penitência)[7]. A justificação «é a obra mais excelente do amor de Deus» (Catecismo, 1994; cf. Ef 2, 4-5).
3. A santificação

Deus não nega a ninguém a sua graça, porque quer que todos os homens se salvem (1 Tm 2, 4); todos estão chamados à santidade (cf. Mt 5, 48)[8]. A graça «é, em nós, a nascente da obra de santificação» (Catecismo, 1999); sara e eleva a nossa natureza tornando-nos capazes de actuar como filhos de Deus[9], e de reproduzir à imagem de Cristo (cf. Rm 8, 29): quer dizer, de ser, cada um, alter Christus, outro Cristo. Esta semelhança com Cristo manifesta-se nas virtudes. A santificação é o progresso em santidade; consiste na união cada vez mais íntima com Deus (cf. Catecismo, 2014), até chegar a ser não só outro Cristo mas ipse Christus, o próprio Cristo[10]; quer dizer, uma só coisa com Cristo, como membro seu (cf. 1 Cor 12, 27). Para crescer em santidade é necessário cooperar livremente com a graça, e isto requer esforço, luta, por causa da desordem introduzida pelo pecado (o fomes peccati). «Não há santidade sem renúncia e combate espiritual» (Catecismo, 2015)[11]. 
Consequentemente, para vencer na luta ascética, antes de mais é preciso pedir a Deus a graça mediante a oração e a mortificação – «a oração dos sentidos»[12] – e recebê-la nos sacramentos[13]. A união com Cristo só será definitiva no Céu. É necessário pedir a Deus a graça da perseverança final: quer dizer, o dom de morrer na graça de Deus (cf. Catecismo, 2016 e 2849).
4. As virtudes teologais

Em geral, «a virtude é uma disposição habitual e firme para praticar o bem» (Catecismo, 1803)[14]. «As virtudes teologais referem-se directamente a Deus e dispõem os cristãos para viverem em relação com a Santíssima Trindade» (Catecismo, 1812). «São infundidas por Deus na alma dos fiéis para os tornar capazes de proceder como filhos seus» (Catecismo, 1813)[15]. As virtudes teologais são três: fé, esperança e caridade (cf. 1 Cor 13, 13). A fé «é a virtude teologal pela qual cremos em Deus e em tudo o que Ele nos disse e revelou, e que a santa Igreja nos propõe para acreditarmos» (Catecismo, 1814). Pela fé «o homem entrega-se completa e livremente a Deus»[16], e esforça-se por conhecer e fazer a vontade de Deus (cf. Rm 1, 17)[17]. - «O discípulo de Cristo, não somente deve guardar a fé e viver dela, como também professá-la, dar testemunho dela e propagá-la» (Catecismo, 1816; cf. Mt 10, 32-33). «A esperança é a virtude teologal pela qual desejamos o Reino dos céus e a vida eterna como nossa felicidade, pondo toda a nossa confiança nas promessas de Cristo e apoiandonos, não nas nossas forças, mas no socorro da graça do Espírito Santo» (Catecismo 1817)[18]. «A caridade é a virtude teologal pela qual amamos a Deus sobre todas as coisas por Ele mesmo, e ao nosso próximo como a nós mesmos, por amor de Deus (Catecismo, 1822). Este é o mandamento novo de Jesus Cristo: «que vos ameis com eu vos amei» (Jo 15, 12)[19].
5. As virtudes humanas

«As virtudes humanas são atitudes firmes, disposições estáveis, perfeições habituais da inteligência e da vontade, que regulam os nossos actos, ordenam as nossas paixões e guiam o nosso procedimento segundo a razão e a fé. Conferem facilidade, domínio e alegria para se levar uma vida moralmente boa. O Homem virtuoso é aquele que livremente pratica o bem» (Catecismo, 1804). Estas adquirem-se mediante as forças humanas e são os frutos e germes de actos moralmente bons» (Catecismo, 1804)[20]. Entre as virtudes humanas há quatro chamadas cardeais, porque todas as outras se agrupam à volta delas. São a prudência, a justiça, a fortaleza e a temperança (cf. Catecismo, 1805). - «A prudência é a virtude que dispõe a razão prática para discernir, em qualquer circunstância, o nosso verdadeiro bem e para escolher os justos meios de o atingir» (Catecismo, 1806). É a «norma recta da acção»[21]. - «A justiça é a virtude moral que consiste na constante e firme vontade de dar a Deus e ao próximo o que lhes é devido» (Catecismo 1807)[22]. - «A fortaleza é a virtude moral que, no meio das dificuldades, assegura a firmeza e a constância na prossecução do bem. Torna firme a decisão de resistir às tentações e de superar os obstáculos na vida moral. A virtude da fortaleza dá capacidade para vencer o medo, mesmo da morte, e enfrentar a provação e as perseguições. Dispõe a ir até à renúncia e ao sacrifício da própria vida, na defesa duma causa justa» (Catecismo, 1808)[23]. - «A temperança a virtude moral que modera a atracção dos prazeres e proporciona o equilíbrio no uso dos bens criados. Assegura o domínio da vontade sobre os instintos e mantém os desejos nos limites da honestidade»[…] A pessoa temperante orienta para o bem os apetites sensíveis, guarda uma sã discrição e não se deixa arrastar pelas paixões do coração. A temperança é muitas vezes louvada no Antigo Testamento: “Não te deixes levar pelas tuas más inclinações e refreia os teus apetites” (Sir 18, 30). No Novo Testamento, é chamada “moderação”, ou “sobriedade”» (Catecismo, 1809). A respeito das virtudes morais, afirma-se que in médio virtus. Isto significa que a virtude moral consiste no meio entre um defeito e um excesso[24]. In médio virtus não é uma chamada à mediocridade. A virtude não é o termo médio entre dois ou mais vícios, mas a rectidão da vontade que, como num cume, se opõe a todos os abismos que são os vícios[25].
6. As virtudes e a graça. As virtudes cristãs

As feridas deixadas pelo pecado original na natureza humana dificultam a aquisição e o exercício das virtudes humanas (cf. Catecismo, 1811)[26]. Para adquiri-las e praticá-las, o cristão conta com a graça de Deus que sara a natureza humana.
Além disso, a graça, ao elevar a natureza humana a participar da natureza divina, eleva essas virtudes ao plano sobrenatural (cf. Catecismo, 1810), levando a pessoa humana a actuar segundo a recta razão iluminada pela fé: numa palavra, a imitar Cristo. Deste modo, as virtudes humanas tornam-se virtudes cristãs[27]
7. Os dons e os frutos do Espírito

«A vida moral dos cristãos é sustentada pelos dons do Espírito Santo. Estes são disposições permanentes que tornam o homem dócil aos impulsos do Espírito Santo» (Catecismo, 1830)[28]. Os sete dons do Espírito Santo são (cf. Catecismo, 1831): 1º - Sabedoria: para compreender e julgar com acerto acerca dos desígnios divinos. 2º - Entendimento: para penetrar na verdade sobre Deus. 3º - Conselho: para julgar e secundar nas acções singulares os desígnios divinos. 4º - Fortaleza: para acometer as dificuldades na vida cristã. 5º - Ciência: para conhecer a ordenação das coisas criadas por Deus. 6º - Piedade: para nos comportarmos como filhos de Deus e como irmãos dos nossos irmãos os homens, sendo outros Cristos. 7º - Temor de Deus: para repudiar tudo o que possa ofender a Deus, como um filho repudia, por amor, o que possa ofender o seu pai. «Os frutos do Espírito Santo são perfeições que o Espírito Santo forma em nós, como primícias da glória eterna» (Catecismo, 1832). São actos que a acção do Espírito Santo produz habitualmente na alma. A tradição da Igreja enumera doze: «caridade, gozo, paz, paciência, longanimidade, bondade, benignidade, mansidão, fidelidade, modéstia, continência, castidade» (Gl 5, 22-23).
8. Influência das paixões na vida moral

Pela união substancial da alma e do corpo, a nossa vida espiritual – o conhecimento intelectual e o livre querer da vontade – encontra-se sob o influxo (para o bem ou para o mal) da sensibilidade. Este influxo manifesta-se nas paixões que são «emoções ou movimentos da sensibilidade, que inclinam a agir, ou a não agir, em vista do que se sentiu ou imaginou como bom ou como mau» (Catecismo 1763). As paixões são movimentos do apetite sensível (irascível e concupiscível). Podem chamar-se também, em sentido amplo, “sentimentos” ou “emoções”[29
Por exemplo, são paixões o amor, a ira, o temor, etc. «A mais fundamental é o amor, provocado pela atracção do bem. O amor causa o desejo do bem ausente e a esperança de o alcançar. Este movimento tem o seu termo no prazer e na alegria do bem possuído. A apreensão pelo mal causa o ódio, a aversão e o receio do mal futuro; este movimento termina na tristeza pelo mal presente ou na cólera que a ele se opõe» (Catecismo, 1765). As paixões influem muito na vida moral «Em si mesmas, as paixões não são nem boas nem más» (Catecismo, 1767). «São moralmente boas quando contribuem para uma acção boa, e más, no caso contrário» (Catecismo 1768)[30]. Pertence à perfeição humana que as paixões estejam reguladas pela razão e dominadas pela vontade[31]. Depois do pecado original, as paixões não se encontram submetidas ao império da razão, e com frequência inclinam a levar a cabo o que não é bom[32]. Para as encaminhar habitualmente para o bem necessita-se da ajuda da graça, que sara as feridas do pecado, e da luta ascética. A vontade, se é boa, utiliza as paixões ordinariamente para o bem[33]. Pelo contrário, a má vontade que segue o egoísmo, sucumbe às paixões desordenadas ou usa-as para o mal (cf. Catecismo, 1768).

PAUL O’CALLAGHAN
Bibliografia básica
- Catecismo da Igreja Católica, 1762-1770, 1803-1832 e 1987-2005.
Leituras recomendadas
- São Josemaria, Homilia «Virtudes humanas», em Amigos de Deus, 73-92.
Notas

[1] Esta vocação «depende inteiramente da iniciativa gratuita de Deus, porque só Ele pode revelar-Se e dar-Se a si mesmo. E ultrapassa as capacidades da inteligência e as forças da vontade humana, como de qualquer criatura (cf. 1 Cor 2, 7-9” (Catecismo, 1998). [2]S. Tomás de Aquino, Summa Theologica, II-II, q. 24, a. 3, ad 2. [3]Concílio Vaticano II, Const. Gaudium et Spes, 22. Cf. Rm 8, 14-17; Gl 4, 5-6, 1 Jo 3, 1. [4]Qualquer dom criado procede do Dom incriado, que é o Espírito Santo. «O amor de Deus derramou-se nos nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado» (Rm 5, 5; cf. Gl 4, 6). [5]Deve-se distinguir entre graça habitual e graças Actuais, «que designam intervenções divinas que estão na origem da conversão ou no decorrer da obra da santificação» (cf. Ibidem). [6]«A justificação envolve o perdão dos pecados, a santificação e a renovação interior» (Concílio de Trento: DS 1528). [7]Nos adultos, esta passagem é fruto da moção de Deus (graça actual) e da liberdade do homem, «Sob a moção da graça, o homem volta-se para Deus e desvia-se do pecado, acolhendo assim o perdão e a justiça do Alto» (Catecismo, 1989). [8]Deus quis recordar esta verdade com especial força e novidade, por meio dos ensinamentos de São Josemaria a partir do dia 2 de Outubro de 1928. A Igreja proclamou no Concílio Vaticano II (1962-65): «Todos os fiéis, de qualquer estado ou regime de vida, são chamados à plenitude da vida cristã e à perfeição da caridade» (Concílio Vaticano II, Const. Lumen Gentium, 40). [9]Cf. S. Tomás de Aquino, Summa Theologiae, III, q. 2, a. 12, c. [10]Cf. São Josemaria, Cristo que Passa, n. 104 [11]Mas a graça «não faz concorrência de modo nenhum, à nossa liberdade, quando esta corresponde ao sentido da verdade e do bem que Deus colocou no coração do homem» (Catecismo, 1742). Pelo contrário, «a graça corresponde às aspirações profundas da liberdade humana» (Catecismo, 2022). [12]São Josemaria, Cristo que Passa, 9 [13]Para alcançar a graça de Deus contamos com a intercessão da nossa Mãe Maria Santíssima, Medianeira de todas as graças, e também com a de S. José, dos Anjos e dos Santos. [14]Pelo contrário, os vícios são hábitos morais que se seguem às obras más e inclinam a repeti-las e a piorar. [15]Tal como a alma humana opera através das suas potências (entendimento e vontade), o cristão em graça de Deus opera através das virtudes teologais, que são como as potências da “nova natureza” elevada pela graça. [16]Concílio Vaticano II, Const. Dei Verbum, 5. [17]A fé manifesta-se pelas obras: a fé viva «actua pela caridade» (Gl 5, 6), enquanto que «a fé sem obras está morta» (Tg 2, 26), mesmo que o dom da fé permaneça em quem não pecou directamente contra ela (cf. Concílio de Trento: DS 1545). [18]Cf. Heb 10, 23; Tt 3, 6-7. «A virtude da esperança corresponde ao desejo de felicidade que Deus colocou no coração de todo o homem» (Catecismo, 1818), purificao e eleva-o; protege-o do desalento; dilata-lhe o coração na espera da bem-aventurança eterna; preserva-o do egoísmo e condu-lo à alegria (cf. Ibidem). [19]A caridade é superior a todas as virtudes (cf. 1 Cor 13, 13). «Se não tivesse caridade nada seria nada» (1 Cor 13, 3). - «O exercício de todas as virtudes é animado e inspirado pela caridade» (Catecismo, 1827). É a forma de todas as virtudes: “informa-as” ou vivifica-as”, porque as orienta o amor de Deus; sem caridade, as outras virtudes estão mortas. - A caridade purifica a nossa faculdade humana de amar e eleva-a à perfeição sobrenatural do amor divino (cf. Catecismo, 1827). Há uma ordem na caridade. A caridade manifesta-se também na correcção fraterna (cf. Catecismo 1829). [20]O cristão desenvolve as virtudes com a ajuda da graça de Deus que, ao sarar a natureza humana, dá força para as praticar e ordena-as a um fim mais elevado. [21]Conduz a julgar rectamente sobre o modo de agir: sem retrair da acção (cf. S. Tomás de Aquino, Summa Theologiae, II-II, q. 47, a. 2). «Não se confunde, nem com a timidez ou o medo, nem com a duplicidade ou dissimulação. É chamada “auriga virtutum – condutor das virtudes, ” porque guia as outras virtudes, indicando-lhes a regra e a medida. É a prudência que guia imediatamente o juízo da consciência. O homem prudente decide e ordena a sua conduta segundo este juízo. Graças a esta virtude, aplicamos sem erro os princípios morais aos casos particulares e ultrapassamos as dúvidas sobre o bem a fazer e o mal a evitar» (Catecismo, 1806). [22]O homem não pode dar a Deus o que Lhe deve ou o justo em sentido estrito. Por isso, a justiça para com Deus chama-se mais propriamente “virtude da religião”, «dado que a Deus Lhe basta que cumpramos à medida das nossas possibilidades» (S. Tomás de Aquino, Summa Theologica, II-II, q. 57, a. 1, ad 3). [23]«No mundo tereis tribulação. Mas confiai: Eu venci o mundo» (Jo 16, 33). [24]Por exemplo, a laboriosidade consiste em trabalhar tudo o que se deve, que é um meio entre um menos e um mais. Opõe-se à laboriosidade trabalhar menos devido, perder o tempo, etc. E também se opõe trabalhar sem medida, sem respeitar outras coisas que também se devem fazer (deveres de piedade, de caridade, etc.). [25]O princípio in médio virtus é válido somente para as virtudes morais, as quais têm por objecto os meios para alcançar o fim, e nesses meios há sempre uma medida. Pelo contrário, não é válido no caso das virtudes teologais, porque estas virtudes (fé, esperança e caridade) têm directamente a Deus por objecto. Por isso, não é possível um excesso: “crer demasiado”, “esperar demasiado” em Deus” ou “amá-Lo em excesso”. [26]A natureza humana está ferida pelo pecado. Por isso, tem inclinações que não são naturais como consequência do pecado. Do mesmo modo que não é natural coxear, devido à consequência de alguma doença, como não seria natural mesmo que toda a gente coxeasse, nem sequer são naturais as feridas que deixou o pecado original e os pecados pessoais na alma: a tendência para a soberba, a preguiça, a sensualidade, etc. Com a ajuda da graça e com esforço pessoal, estas feridas podem-se ir curando, de modo que o homem seja e se comporte como corresponde à sua natureza e condição de filho de Deus. Esta saúde consegue-se por meio das virtudes. De modo semelhante, a doença agrava-se com os vícios. [27]Assim, há uma prudência que é virtude humana, bem como uma prudência que é sobrenatural, infundida por Deus na alma, juntamente com a graça. Para que uma virtude sobrenatural possa produzir fruto – actos bons – precisa da correspondente virtude humana. Por exemplo e no caso das outras virtudes cardeais: a virtude sobrenatural da justiça, exige a virtude humana da justiça; e o mesmo acontece com a fortaleza e a temperança. Dito doutra maneira, a perfeição cristã – a santidade – exige e compreende a perfeição humana. [28]Para compreender melhor a função dos Dons do Espírito Santo na vida moral, pode-se acrescentar a seguinte explicação clássica: assim como a natureza humana tem algumas potências (inteligência e vontade) que permitem realizar as operações de entender e querer, assim a natureza elevada pela graça tem potências que lhe permitem realizar actos sobrenaturais. Estas potências são as virtudes teologais (fé, esperança e caridade). São como os remos de um barco, que permitem avançar em direcção ao fim sobrenatural. No entanto, este fim supera-nos de tal modo, que não bastam as virtudes teologais para o alcançar. Deus concede, juntamente com a graça, os dons do Espírito Santo, que são novas perfeições da alma que permitem que seja movida pelo mesmo Espírito Santo. São como a vela de um barco, que lhe permite avançar com o sopro do vento. Os dons aperfeiçoam-nos em ordem a tornarmo-nos mais dóceis à acção do Espírito Santo, que se converte assim em motor da nossa actuação. [29]É preciso ter em conta que também se fala de “sentimentos” ou “emoções” supersensíveis ou espirituais que não são propriamente “paixões” porque não estão sujeitos aos movimentos do apetite sensível. [30]Por exemplo, há uma ira boa, que se indigna perante o mal, e também há uma ira má descontrolada ou que move ao mal (como acontece na vingança); há temor bom e há temor mau, que paralisa para fazer o bem; etc. [31]Cf. S. Tomás de Aquino, Summa Theologica, I-II, q. 24, aa. 1 e 3. [32]Em certas ocasiões podem dominar de tal modo a pessoa, que a responsabilidade moral se reduz ao mínimo. [33]«A perfeição moral consiste em que o homem não seja movido para o bem só pela vontade, mas também pelo seu apetite sensível, segundo esta palavra do Salmo: “O meu coração e a minha carne exultam no Deus vivo” (Sl 84, 3)» (Catecismo, 1770). «As paixões são más se o amor for mau, boas se for bom» (Santo Agostinho, De Civitate Dei, 14, 7)

Reto del amor





VIVE DE CRISTO®Dominicas de Lerma

Pequena agenda do cristão

Quarta-Feira



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)






Propósito:

Simplicidade e modéstia.


Senhor, ajuda-me a ser simples, a despir-me da minha “importância”, a ser contido no meu comportamento e nos meus desejos, deixando-me de quimeras e sonhos de grandeza e proeminência.


Lembrar-me:
Do meu Anjo da Guarda.


Senhor, ajuda-me a lembrar-me do meu Anjo da Guarda, que eu não despreze companhia tão excelente. Ele está sempre a meu lado, vela por mim, alegra-se com as minhas alegrias e entristece-se com as minhas faltas.

Anjo da minha Guarda, perdoa-me a falta de correspondência ao teu interesse e protecção, a tua disponibilidade permanente. Perdoa-me ser tão mesquinho na retribuição de tantos favores recebidos.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?