Padroeiros do blog: SÃO PAULO; SÃO TOMÁS DE AQUINO; SÃO FILIPE DE NÉRI; SÃO JOSEMARIA ESCRIVÁ
05/04/2018
Temas para meditar e reflectir
1.
Não interessa
pensar no passado, está resolvido!
Demos graças a
Deus.
2.
Interessa
pensar no presente, está a resolver-se.
Peçamos ao
Senhor que nos ajude.
3.
Não interessa
preocupar-nos com o futuro porque O senhor dirá:
Faltei-te no
passado?
Falto-te agora?
Porque haveria
de te faltar no futuro?
Evangelho e comentário
Evangelho: Lc 24, 35-48
35
E eles contaram o que lhes tinha acontecido pelo caminho e como Jesus se lhes
dera a conhecer, ao partir o pão. 36 Enquanto isto diziam, Jesus apresentou-se
no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco!» 37 Dominados pelo espanto
e cheios de temor, julgavam ver um espírito. 38 Disse-lhes, então: «Porque
estais perturbados e porque surgem tais dúvidas nos vossos corações? 39 vede as
minhas mãos e os meus pés: sou Eu mesmo. Tocai-me e olhai que um espírito não
tem carne nem ossos, como verificais que Eu tenho.» 40 Dizendo isto,
mostrou-lhes as mãos e os pés. 41 E como, na sua alegria, não queriam acreditar
de assombrados que estavam, Ele perguntou-lhes: «Tendes aí alguma coisa que se
coma?» 42 Deram-lhe um bocado de peixe assado; 43 e, tomando-o, comeu diante
deles. 44 Depois, disse-lhes: «Estas foram as palavras que vos disse, quando
ainda estava convosco: que era necessário que se cumprisse tudo quanto a meu
respeito está escrito em Moisés, nos Profetas e nos Salmos.» 45 Abriu-lhes
então o entendimento para compreenderem as Escrituras 46 e disse-lhes: «Assim
está escrito que o Messias havia de sofrer e ressuscitar dentre os mortos, ao
terceiro dia; 47 que havia de ser anunciada, em seu nome, a conversão para o
perdão dos pecados a todos os povos, começando por Jerusalém. 48 Vós sois as
testemunhas destas coisas.
Comentário:
Esta parece ser a primeira
aparição de Jesus aos Seus discípulos reunidos.
Quero crer que, antes e em
primeiro lugar, terá visitado a Sua Santíssima Mãe e mal podemos imaginar a
alegria e comoção deste encontro.
As sucessivas aparições de Jesus
aos Apóstolos que os Evangelistas nos irão narrar neste tempo de Páscoa, não
terão sido as únicas nem tão breves quanto as descrições deixam perceber.
Haveria muito a dizer ainda, o
Senhor desejaria que os Seus mais próximos, sobretudo os que seriam as colunas
da Sua Igreja, ficassem de tal forma confirmados na Fé que todos os obstáculos
que enfrentariam e perseguições de que seriam alvo fossem vencidos e
ultrapassadas com toda a segurança e coragem.
Sublinho apenas a preocupação
que tem que eles percebessem que tudo venceriam sem lutas nem confrontos, mas
com a verdadeira paz que Ele próprio personificava.
(ama, comentário sobre Lc 24, 35-48,
20.04.2017)
Leitura espiritual
A vida humana é sagrada,
porque é fruto da acção criadora de Deus e permanece continuamente numa
especial relação com o Criador.
1.
«Não matarás»
«A vida humana é sagrada
porque, desde a sua origem, postula a acção criadora de Deus e mantém-se para
sempre numa relação especial com o Criador, seu único fim. Só Deus é senhor da
vida, desde o seu começo até ao seu termo: ninguém, em circunstância alguma,
pode reivindicar o direito de dar a morte directamente a um ser humano
inocente» (Catecismo, 2258). O homem é alguém muito singular: é a única
criatura deste mundo que Deus ama por si mesma[1]. Foi destinado a conhecer e a
amar a Deus eternamente, a sua vida é sagrada. Foi criado à imagem e semelhança
de Deus (cf. Gn 1, 26-27), e é este o fundamento último da dignidade humana e
do mandamento «não matarás». O livro de Génesis apresenta o abuso contra a vida
humana como consequência do pecado original. Yahvé manifesta-se sempre como
protector da vida: mesmo da de Caim após de ter morto o seu irmão Abel, sangue
do seu sangue, imagem de todo o homicídio. Ninguém deve fazer justiça pela sua
própria mão, e ninguém pode advogar o direito de dispor da vida do próximo (cf.
Gn 4, 13-15).
Este mandamento refere-se
aos seres humanos. É legítimo servir-se dos animais para obter alimento,
vestuário, etc. Deus colocou-os na terra para que estivessem ao serviço do
homem. A conveniência de matá-los ou maltratá-los provém da desordem que pode
implicar nas paixões humanas, ou de um dever de justiça (se são propriedade de
outro) (cf. Catecismo, 2417). Alem disso, não se deve esquecer que o homem não
é “dono” da Criação, mas administrador, portanto tem a obrigação de respeitar e
cuidar da natureza, da qual necessita para a sua própria existência e
desenvolvimento (cf. Catecismo, 2418).
2.
Plenitude deste mandamento
O mandamento de salvaguardar
a vida do homem «tem a sua dimensão mais profunda na exigência de veneração e
amor por toda a pessoa e sua vida»[2]. A misericórdia e o perdão são próprios
de Deus; e na vida dos filhos de Deus também deve estar presente a
misericórdia, que nos faz compadecermo-nos da miséria alheia: «Bem-aventurados
os misericordiosos porque alcançarão misericórdia» (Mt 5, 7)[3]. É igualmente
necessário aprender a perdoar as ofensas (cf. Mt 5, 22). Ao receber uma ofensa,
há que evitar encolerizar-se, nem permitir que a ira invada o coração. Mais
ainda no Pai Nosso – a oração que Jesus nos deixou como oração dominical –, o
Senhor liga o seu perdão – o perdão acerca das ofensas que cometemos – ao nosso
perdão sobre os que nos ofenderam (cf. Mt 6, 9-13; Lc 11, 2-4). Nesta luta,
ajudar-nos-á contemplar a Paixão de Nosso Senhor, que nos perdoou e redimiu com
amor e paciência as nossas injustiças; considerar que ninguém deve ser para um
cristão um estranho ou inimigo (cf. Mt 5, 44-45); pensar no juízo após a nossa
morte, em que seremos julgados pelo amor dedicado ao próximo; recordar que um
cristão deve vencer o mal com o bem (cf. Rm 12, 21); e considerar as injúrias
como ocasião para a própria purificação.
3.
O respeito pela vida humana
O quinto preceito manda não
matar. Condena também golpear, ferir ou provocar qualquer dano injusto a si
mesmo e ao próximo no corpo, quer seja por si mesmo ou através de outros; bem
como ofendê-lo com palavras injuriosas ou desejar-lhe o mal. Neste mandamento
proíbe-se igualmente ocasionar a morte a si próprio (suicídio).
3.1.
O homicídio voluntário
«O quinto mandamento proíbe,
como gravemente pecaminoso, o homicídio directo e voluntário. O assassino e
quantos voluntariamente colaboram no assassinato cometem um pecado que brada ao
céu» (cf. Gn 4, 19)» (Catecismo, 2268)[4]. A encíclica Evangelium Vitae
formulou de forma definitiva e infalível a seguinte norma negativa: «com a
autoridade que Cristo conferiu a Pedro e aos seus Sucessores, em comunhão com
os Bispos da Igreja Católica, confirmo que a morte directa e voluntária de um
ser humano inocente é sempre gravemente imoral. Esta doutrina, fundada naquela
lei não-escrita que todo o homem, pela luz da razão, encontra no próprio
coração (cf. Rm 2, 1415), é confirmada pela Sagrada Escritura, transmitida pela
Tradição da Igreja e ensinada pelo Magistério ordinário e universal»[5]. Assim,
o homicídio que é sem excepção gravemente imoral é aquele que corresponde a uma
escolha deliberada e se dirige a uma pessoa inocente. Por conseguinte, a
legítima defesa e a pena de morte não se incluem nesta formulação absoluta,
pois são objecto de tratamento específico[6]. Colocar a vida nas mãos do homem
implica um poder de disposição, que acarreta saber administrá-lo como uma
colaboração com Deus. Isto exige atitude de amor e de serviço, e não de domínio
arbitrário: trata-se de um domínio não absoluto, mas ministerial, reflexo
concreto do domínio único e infinito de Deus[7].
3.2.
O aborto
«A vida humana deve ser
respeitada e protegida, de modo absoluto, a partir do momento da concepção»
(Catecismo, 2270). Não é admissível nenhuma discriminação, nem sequer a fundada
nas diferentes fases do desenvolvimento da vida. Em situações conflituosas, é
determinante a pertença natural à espécie biológica humana. Com isto não se
impõe à investigação biomédica limites diferentes dos que a dignidade humana
estabelece para qualquer outro campo da actividade do homem. «O aborto directo,
isto é, querido como fim ou como meio, constitui sempre uma desordem moral
grave enquanto morte deliberada de um ser humano inocente»[8]. A expressão como
fim ou como meio compreende as duas modalidades da voluntariedade directa:
neste caso, o que actua quer conscientemente matar, e por isso realiza tal
acção.
«Nenhuma circunstância,
nenhum fim, nenhuma lei no mundo poderá jamais tornar lícito um acto que é
intrinsecamente ilícito, porque contrário à Lei de Deus, inscrita no coração de
cada homem, reconhecível pela própria razão, e proclamada pela Igreja»[9]. O
respeito pela vida deve ser reconhecido como o limite que nenhuma actividade
individual ou estatal pode ultrapassar. O direito inalienável da pessoa humana
inocente à vida é elemento constitutivo da sociedade civil e da sua legislação
e, como tal, deve ser reconhecido e respeitado tanto por parte da sociedade
como da autoridade política (cf. Catecismo, 2273)[10]. Assim, podemos afirmar
que «a autoridade é exigência da ordem moral e promana de Deus, caso os
governantes legislarem ou prescreverem algo contra essa ordem e, portanto,
contra a vontade de Deus, essas leis e essas prescrições não podem obrigar a
consciência dos cidadãos», mais ainda, «a própria autoridade deixa de existir,
degenerando em abuso do poder»[11]. Tanto assim é que «leis deste tipo não só
não criam obrigação alguma para a consciência, como, ao contrário, geram uma
grave e precisa obrigação de opor-se a elas através da objecção de
consciência»[12] . «Uma vez que deve ser tratado como pessoa desde a concepção,
o embrião terá de ser defendido na sua integridade, tratado e curado, na medida
do possível, como qualquer outro ser humano» (Catecismo, 2274).
3.3.
A eutanásia
«Por eutanásia, em sentido
verdadeiro e próprio, deve-se entender uma acção ou uma omissão que, por sua
natureza e nas intenções, provoca a morte com o objectivo de eliminar o
sofrimento (…). A eutanásia é uma violação grave da Lei de Deus, enquanto morte
deliberada moralmente inaceitável de uma pessoa humana (…). A eutanásia
comporta, segundo as circunstâncias, a malícia própria do suicídio ou do
homicídio»[13]. Trata-se de uma das consequências, gravemente contrárias à
dignidade humana, a que pode conduzir o hedonismo e a perda do sentido cristão
da dor. «A cessação de tratamentos médicos onerosos, perigosos, extraordinários
ou desproporcionados aos resultados esperados, pode ser legítima. É a rejeição
do “encarniçamento terapêutico”. Não que assim se pretenda dar a morte;
simplesmente se aceita o facto de a não poder impedir» (Catecismo, 2278)[14].
Pelo contrário, «mesmo que a
morte seja considerada iminente, os cuidados habitualmente devidos a uma pessoa
doente não podem ser legitimamente interrompidos» (Catecismo, 2279)[15]. A
alimentação e a hidratação artificiais são, em princípio, cuidados ordinários
devidos a qualquer doente[16].
3.4.
O suicídio
«Nós somos administradores e
não proprietários da vida que Deus nos confiou; não podemos dispor dela»
(Catecismo, 2280). «O suicídio contraria a inclinação natural do ser humano
para conservar e perpetuar a sua vida. É gravemente contrário ao justo amor de
si mesmo. Ofende igualmente o amor do próximo, porque quebra injustamente os
laços de solidariedade com as sociedades familiar, nacional e humana, em
relação às quais temos obrigações a cumprir. O suicídio é contrário ao amor do
Deus vivo» (Catecismo, 2281)[17]. Preferir a própria morte para salvar a vida
de outro não é suicídio, antes pelo contrário, pode constituir um acto de
extrema caridade.
3.5.
A legítima defesa
A proibição de causar a
morte não suprime o direito de impedir que um injusto agressor provoque dano[18].
A legítima defesa pode ser mesmo um dever grave para quem é responsável pela
vida de outro ou do bem comum (cf. Catecismo, 2265).
3.6.
A pena de morte
Defender o bem comum da
sociedade exige que se coloque o agressor em situação de não poder provocar
danos. Por isso, a autoridade legítima pode infligir penas proporcionais à
gravidade dos delitos. As penas têm como fim compensar a desordem introduzida
pela falta, preservar a ordem pública, a segurança das pessoas e a emenda do
culpado (cf. Catecismo, 2266). «Para bem conseguir todos estes fins, a medida e
a qualidade da pena hão-de ser atentamente ponderadas e decididas, não se
devendo chegar à medida extrema da execução do réu senão em casos de absoluta
necessidade, ou seja, quando a defesa da sociedade não fosse possível de outro
modo. Mas, hoje, graças à organização cada vez mais adequada da instituição
penal, esses casos são já muito raros, senão mesmo praticamente
inexistentes»[19].
4.
O respeito pela dignidade das pessoas 4.1. O respeito pela alma do próximo: o
escândalo
Os cristãos estão obrigados
a procurar a vida e a saúde sobrenatural da alma do próximo, além da do corpo.
O escândalo é o contrário: «é a atitude ou comportamento que leva outrem a
fazer o mal. O escandaloso transforma-se em tentador do seu próximo (…). O
escândalo constitui uma falta grave se, por acção ou omissão, levar
deliberadamente outra pessoa a cometer uma falta grave» (Catecismo, 2284).
Pode-se causar escândalo por comentários injustos, pela promoção de espectáculos,
livros e revistas imorais, por seguir modas contrárias ao pudor, etc. «O
escândalo reveste-se duma gravidade particular conforme a autoridade dos que o
causam ou a fraqueza dos que dele são vítimas» (Catecismo, 2285): «se alguém
escandalizar um destes pequeninos que crêem em mim, seria preferível que lhe
suspendessem do pescoço a mó de um moinho e o lançassem nas profundezas do mar»
(Mt 18, 6)[20].
4.2.
O respeito pela saúde do corpo
O respeito pelo próprio
corpo é uma exigência da caridade, pois o corpo é templo do Espírito Santo (cf.
1 Cor 6, 19; 3, 16 seg.; 2 Cor 6, 16), e somos responsáveis – no que de nós
depende – por procurar a saúde corporal, que é um meio para servir a Deus e os
homens. Mas a vida corporal não é um valor absoluto: a moral cristã opõe-se à
concepção neopagã que promove o culto do corpo, e que pode conduzir à perversão
das relações humanas (cf. Catecismo, 2289). «A virtude da temperança leva a
evitar toda a espécie de excessos, o abuso da comida, da bebida, do tabaco e
dos medicamentos. Aqueles que, em estado de embriaguez ou por gosto imoderado
da velocidade, põem em risco a segurança dos outros e a sua própria, nas
estradas, no mar ou no ar, tornam-se gravemente culpados» (Catecismo, 2290). O
uso de estupefacientes é uma falta grave pelos danos que causa à saúde e pela
fuga à responsabilidade pelos actos praticados sob a sua influência. A produção
clandestina e o tráfico de drogas são práticas imorais (cf. Catecismo, 2291). A
investigação científica não pode legitimar actos que em si mesmos são
contrários à dignidade das pessoas e à lei moral. Nenhum ser humano pode ser
tratado como meio para o progresso da ciência (cf. Catecismo, 2295). Atentam
contra este princípio as práticas como a procriação artificial substitutiva ou
o uso de embriões com fins experimentais.
4.3.
O transplante de órgãos
A doação de órgãos para
transplante é legítima e pode ser um acto de caridade, se a doação é plenamente
livre e gratuita[21], e se respeita a ordem da justiça e da caridade. «Uma
pessoa só pode doar alguma coisa de que se possa privar sem perigo sério ou
dano para a sua própria vida ou identidade pessoal, e por uma razão justa e
proporcionada. É óbvio que os órgãos vitais só podem ser doados depois da
morte»[22]. É preciso que o doador ou os seus representantes tenham dado de
forma consciente o seu consentimento (cfr. Catecismo, 2296). Esta doação,
«embora seja legítima em si mesma, pode chegar a ser ilícita, se viola os
direitos e sentimentos de terceiros aos quais compete a tutela do cadáver: os
parentes próximos em primeiro lugar, mas poderia mesmo tratar-se de outras
pessoas em virtude de direitos públicos ou privados[23].
4.4.
O respeito pela liberdade física e a integridade corporal
Os sequestros e a posse de
reféns são moralmente ilícitos: é tratar as pessoas apenas como meios para
obter diversos fins, privando-os injustamente da liberdade. Também gravemente
contrários à justiça e à caridade, o terrorismo e a tortura. «A não ser por
indicações médicas de ordem estritamente terapêutica, as amputações, mutilações
ou esterilizações directamente voluntárias de pessoas inocentes, são contrárias
à lei moral» (Catecismo, 2297). Portanto, não são contrárias à lei moral
aquelas que derivam da acção terapêutica necessária para o bem do corpo considerado
na sua totalidade, e que não se querem nem como fim nem como meio, mas que se
sofrem e toleram.
4.5.
O respeito pelos mortos
«Os corpos dos defuntos
devem ser tratados com respeito e caridade, na fé e esperança da ressurreição.
Enterrar os mortos é uma obra de misericórdia corporal (cf. Tb 1, 16-18) que
honra os filhos de Deus, templos do Espírito Santo» (Catecismo, 2300). «A
Igreja recomenda vivamente que se conserve o piedoso costume de sepultar os
corpos dos defuntos; mas não proíbe a cremação, a não ser que tenha sido
preferida por razões contrárias à doutrina cristã» (CDC, cân. 1176).
5.
A defesa da paz
«Bem-aventurados os
pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus» (Mt 5, 8). Característica do
espírito de filiação divina é serem semeadores de paz e alegria[24]. «A paz não
é possível na terra sem a salvaguarda dos bens das pessoas, a livre comunicação
entre os seres humanos, o respeito pela dignidade das pessoas e dos povos e a
prática assídua da fraternidade (…). É “obra da justiça” (Is 32, 17) e efeito
da caridade» (Catecismo, 2304). «Por causa dos males e injustiças que toda a
guerra traz consigo, a Igreja exorta instantemente a todos para que orem e
actuem para que a Bondade divina nos livre da antiga escravidão da guerra (cf. Concílio
do Vaticano II, Const. past. Gaudium et Spes, 81, 4)» (Catecismo, 2307). Existe
a «legítima defesa pela força das armas». Mas «a gravidade duma tal decisão
submete-a a condições rigorosas de legitimidade moral» (Catecismo, 2309)[25].
«As injustiças, as excessivas desigualdades de ordem económica ou social, a
inveja, a desconfiança e o orgulho que grassam entre os homens e as nações, são
uma constante ameaça à paz e provocam as guerras. Tudo o que se fizer para
superar estas desordens contribui para edificar a paz e evitar a guerra»
(Catecismo, 2317). «Ama a tua pátria: o patriotismo é uma virtude cristã. Mas,
se o patriotismo se converte num nacionalismo que leva a encarar outros povos,
outras nações, com desinteresse, com desprezo – sem caridade cristã nem justiça
–, é um pecado»[26].
PAU
AGULLES SIMÓ
Bibliografia
básica
-
Catecismo da Igreja Católica, 2258-2330. - S. João Paulo II, Enc. Evangelium
Vitae, 25-III-95, cap. III.
Leituras
recomendadas
-
L. Ciccone, La vita umana, Ares, Milano 2000. L. Melina, Corso di Bioetica. Il
Vangelo della Vita, Piemme, Casale Monferrato 1996.
Notas
[1]João
XXIII, Enc. Pacem in Terris, 11-IV-63, 51. [2]S. João Paulo II, Enc. Evangelium
Vitae, 25-III-95, 41. [3]«As obras de misericórdia são as acções caridosas
pelas quais vamos em ajuda do nosso próximo, nas suas necessidades corporais e
espirituais» (Catecismo, 2447). [4]Também «proíbe fazer seja o que for com a
intenção de provocar indirectamente a morte duma pessoa. A lei moral proíbe expor
alguém, sem razão grave, a um perigo mortal, assim como negar assistência a uma
pessoa em perigo» (Catecismo, 2269). [5]S. João Paulo II, Enc. Evangelium
Vitae, 25-III-95, 57. [6]Cf. Ibidem, 55-56. [7]Cf. Ibidem, 52. [8]Ibidem, 62.
[9]Ibidem, 62. É tal a gravidade do crime do aborto, que a Igreja sanciona este
delito com a pena canónica de excomunhão latae sententiae (cf. Catecismo,
2272). [10]Estes «direitos do homem não dependem nem dos indivíduos
singularmente, nem dos pais e tampouco representam uma concessão da sociedade e
do Estado. Eles pertencem à natureza humana e são inerentes à pessoa por força
do acto criador do qual ela se origina (…). No momento em que uma lei positiva
priva uma categoria de seres humanos da protecção que a legislação civil deveria
conceder-lhes, o Estado nega a igualdade de todos perante a lei. Quando o
Estado não põe a sua força ao serviço dos direitos de cada um dos cidadãos, e,
particularmente, de quem é mais fraco, são ameaçados os próprios fundamentos de
um Estado de direito». (Congregação para a Doutrina da Fé, Instr. Donum Vitae,
22-II-87, 3). [11]João XXIII, Enc. Pacem in Terris, 11-IV-63, 51. [12]S. João
Paulo II, Enc. Evangelium Vitae, 25-III-95, 73. [13]Ibidem, 65 [14]«As decisões
devem ser tomadas pelo paciente, se para isso tiver competência e capacidade;
de contrário, por quem para tal tenha direitos legais, respeitando sempre a
vontade razoável e os interesses legítimos do paciente» (Catecismo, 2278).
[15]«O uso dos analgésicos para aliviar os sofrimentos do moribundo, mesmo
correndo-se o risco de abreviar os seus dias, pode ser moralmente conforme com
a dignidade humana, se a morte não for querida, nem como fim nem como meio, mas
somente prevista e tolerada como inevitável. Os cuidados paliativos constituem
uma forma excepcional da caridade desinteressada; a esse título, devem ser
encorajados» (Catecismo, 2279). [16]Cf. S. João Paulo II, Discurso aos
participantes no Congresso Internacional sobre “o tratamento de sostegno vitale
e o estado vegetativo. Progressos científicos e dilemas éticos”, 20-III-2004,
n. 4; cf. Também Conselho Pontifício da Pastoral ppara os Doentes Sanitários,
Carta dos Agentes da Saúde, n. 120; Congregação para a Doutrina da Fé,
Respostas a algumas perguntas da Conferência Episcopal dos Estados Unidos da
América sobre a alimentação e hidratação artificiais, 1-VIII-2007. [17]No
entanto «não se deve desesperar da salvação eterna das pessoas que se
suicidaram. Deus pode, por caminhos que só Ele conhece, oferecer-lhes a ocasião
de um arrependimento salutar. A Igreja ora pelas pessoas que atentaram contra a
própria vida» (Catecismo, 2283). [18]«O amor para consigo mesmo permanece um
princípio fundamental de moralidade. E, portanto, legítimo fazer respeitar o
seu próprio direito à vida. Quem defende a sua vida não é réu de homicídio,
mesmo que se veja constrangido a desferir sobre o agressor um golpe mortal»
(Catecismo, 2264; cf. S. João Paulo II, Enc. Evangelium Vitae, 55): neste caso,
o homicídio do agressor não constitui objecto directo da vontade do que se
defende, mas que o objecto moral consiste em remover uma ameaça iminente contra
a própria vida. [19]S. João Paulo II, Enc. Evangelium Vitae, 56; cf. Catecismo,
2267. [20]«Tornam-se culpados de escândalo os que estabelecem leis ou
estruturas sociais conducentes à degradação dos costumes e à corrupção da vida
religiosa, ou a “condições sociais que, voluntária ou involuntariamente, tornam
difícil e praticamente impossível uma conduta cristã conforme aos mandamentos”
(Pio XII. Mensagem radiofónica, 1 de Junho de 1941)» (Catecismo, 2286). [21]Cf.
S. João Paulo II, Discurso, 22-VI-1991, 3; Catecismo, 2301. [22]Ibidem, 4.
[23]PIO XII, Discurso à Associação Italiana de doadores de córnea, 14-V-1956.
[24]Cf. S. Josemaria, Cristo que Passa, 124[25]«É necessário, ao mesmo tempo: -
que o prejuízo causado pelo agressor à nação ou comunidade de nações seja
duradouro, grave e certo; - que todos os outros meios de lhe pôr fim se tenham
revelado impraticáveis ou ineficazes; - que estejam reunidas condições sérias de
êxito; - que o emprego das armas não traga consigo males e desordens mais
graves do que o mal a eliminar. O poder dos meios modernos de destruição tem um
peso gravíssimo na apreciação desta condição. - Estes são os elementos
tradicionalmente apontados na doutrina da chamada “guerra justa”. - A
apreciação destas condições de legitimidade moral pertence ao juízo prudencial
daqueles que têm o encargo do bem comum» (Catecismo, 2309). Além disso, «é-se
moralmente obrigado a resistir às ordens para praticar um genocídio»
(Catecismo, 2313). - «A corrida aos armamentos não garante a paz. Longe de
eliminar as causas da guerra, corre o risco de as agravar. O dispêndio de
fabulosas riquezas na preparação de armas sempre novas impede que se auxiliem
as populações indigentes, e trava o desenvolvimento dos povos» (Catecismo,
2315). «A corrida aos armamentos é um terrível flagelo para a humanidade e
prejudica os pobres dum modo intolerável» (Concílio Vaticano II, Const. Gaudium
et Spes, 81). As autoridades têm o direito e o dever de regulamentar a produção
e o comércio de armas (cf. Catecismo, 2316). [26]S. Josemaria, Sulco, 315. Cf.
S. Josemaria, Forja, 879; Caminho, 525.
Pequena agenda do cristão
(Coisas muito simples, curtas, objectivas)
Propósito:
Participar na Santa Missa.
Senhor, vendo-me tal como sou, nada, absolutamente, tenho esta percepção da grandeza que me está reservada dentro de momentos: Receber o Corpo, o Sangue, a Alma e a Divindade do Rei e Senhor do Universo.
O meu coração palpita de alegria, confiança e amor. Alegria por ser convidado, confiança em que saberei esforçar-me por merecer o convite e amor sem limites pela caridade que me fazes. Aqui me tens, tal como sou e não como gostaria e deveria ser.
Não sou digno, não sou digno, não sou digno! Sei porém, que a uma palavra Tua a minha dignidade de filho e irmão me dará o direito a receber-te tal como Tu mesmo quiseste que fosse. Aqui me tens, Senhor. Convidaste-me e eu vim.
Lembrar-me:
Comunhões espirituais.
Senhor, eu quisera receber-vos com aquela pureza, humildade e devoção com que Vos recebeu Vossa Santíssima Mãe, com o espírito e fervor dos Santos.
Pequeno exame:
Cumpri o propósito que me propus ontem?
04/04/2018
Fazer da sua vida diária um testemunho de Fé
Muitas realidades materiais, técnicas,
económicas, sociais, políticas, culturais..., abandonadas a si mesmas, ou nas
mãos de quem carece da luz da nossa fé, convertem-se em obstáculos formidáveis
à vida sobrenatural: formam como que um couto cerrado e hostil à Igreja. Tu,
por seres cristão – investigador, literato, cientista, político, trabalhador...
–, tens o dever de santificar essas realidades. Lembra-te de que o universo
inteiro – escreve o Apóstolo – está a gemer como que em dores de parto,
esperando a libertação dos filhos de Deus. (Sulco, 311)
Já falámos muito deste tema noutras ocasiões,
mas permiti-me insistir de novo na naturalidade e na simplicidade da vida de S.
José, que não se distinguia da dos seus vizinhos nem levantava barreiras desnecessárias.
Por isso, ainda que possa ser conveniente
nalguns momentos ou em algumas situações, habitualmente não gosto de falar de
operários católicos, de engenheiros católicos, de médicos católicos, etc., como
se se tratasse de uma espécie dentro dum género, como se os católicos formassem
um grupinho separado dos outros, dando assim a sensação de que existe um fosso
entre os cristãos e o resto da humanidade. Respeito a opinião oposta, mas penso
que é muito mais correcto falar de operários que são católicos, ou de católicos
que são operários; de engenheiros que são católicos ou de católicos que são engenheiros.
Porque o homem que tem fé e exerce uma profissão intelectual, técnica ou
manual, está e sente-se unido aos outros, igual aos outros, com os mesmos
direitos e obrigações, com o mesmo desejo de melhorar, com o mesmo empenho de
se enfrentar com os problemas comuns e de lhes encontrar a solução.
O católico, assumindo tudo isto, saberá fazer
da sua vida diária um testemunho de Fé, de Esperança e de Caridade; testemunho
simples, normal, sem necessidade de manifestações aparatosas, pondo de
manifesto – com a coerência da sua vida – a presença constante da Igreja no
mundo, visto que todos os católicos são, eles mesmos, Igreja, pois são membros,
com pleno direito, do único Povo de Deus. (Cristo que passa, 53)
Evangelho e comentário
Evangelho: Lc 24, 13-35
13
Nesse mesmo dia, dois dos discípulos iam a caminho de uma aldeia chamada Emaús,
que ficava a cerca de duas léguas de Jerusalém; 14 e conversavam entre si sobre
tudo o que acontecera. 15 Enquanto conversavam e discutiam, aproximou-se deles
o próprio Jesus e pôs-se com eles a caminho; 16 os seus olhos, porém, estavam
impedidos de o reconhecer. 17 Disse-lhes Ele: «Que palavras são essas que
trocais entre vós, enquanto caminhais?» Pararam entristecidos. 18 E um deles,
chamado Cléofas, respondeu: «Tu és o único forasteiro em Jerusalém a ignorar o
que lá se passou nestes dias!» 19 Perguntou-lhes Ele: «Que foi?»
Responderam-lhe: «O que se refere a Jesus de Nazaré, profeta poderoso em obras
e palavras diante de Deus e de todo o povo; 20 como os sumos sacerdotes e os
nossos chefes o entregaram, para ser condenado à morte e crucificado. 21 Nós
esperávamos que fosse Ele o que viria redimir Israel, mas, com tudo isto, já lá
vai o terceiro dia desde que se deram estas coisas. 22 É verdade que algumas
mulheres do nosso grupo nos deixaram perturbados, porque foram ao sepulcro de
madrugada 23 e, não achando o seu corpo, vieram dizer que lhes apareceram uns
anjos, que afirmavam que Ele vivia. 24 Então, alguns dos nossos foram ao
sepulcro e encontraram tudo como as mulheres tinham dito. Mas, a Ele, não o
viram.» 25 Jesus disse-lhes, então: «Ó homens sem inteligência e lentos de
espírito para crer em tudo quanto os profetas anunciaram! 26 Não tinha o
Messias de sofrer essas coisas para entrar na sua glória?» 27 E, começando por
Moisés e seguindo por todos os Profetas, explicou-lhes, em todas as Escrituras,
tudo o que lhe dizia respeito. 28 Ao chegarem perto da aldeia para onde iam,
fez menção de seguir para diante. 29 Os outros, porém, insistiam com Ele,
dizendo: «Fica connosco, pois a noite vai caindo e o dia já está no ocaso.»
Entrou para ficar com eles. 30 E, quando se pôs à mesa, tomou o pão, pronunciou
a bênção e, depois de o partir, entregou-lho. 31 Então, os seus olhos
abriram-se e reconheceram-no; mas Ele desapareceu da sua presença. 3 2Disseram,
então, um ao outro: «Não nos ardia o coração, quando Ele nos falava pelo
caminho e nos explicava as Escrituras?» 33 Levantando-se, voltaram
imediatamente para Jerusalém e encontraram reunidos os Onze e os seus
companheiros, 34 que lhes disseram: «Realmente o Senhor ressuscitou e apareceu
a Simão!» 35 E eles contaram o que lhes tinha acontecido pelo caminho e como
Jesus se lhes dera a conhecer, ao partir o pão.
Comentário:
Este
acontecimento deve ter sido de tal forma marcante que os de Emaús não puderam
fazer outra coisa que voltar sobre o andado ao encontro dos companheiros.
É o que sempre acontece quando uma grande alegria nos inunda o coração, temos de a partilhar com os mais próximos, os que de alguma forma se sintonizam connosco.
Assim a alegria dos filhos de Deus temos de comunicá-la todos com quem nos encontramos para que também eles tenham e possam gozá-la.
(ama, comentário
sobre Lc 24 13-35 2016.03.30)
Leitura espiritual
A
graça é a fonte da santificação; cura e eleva a natureza tornando-nos capazes
de agir como filhos de Deus.
1. A graça
Deus
chamou o homem a participar na vida da Santíssima Trindade. «Esta vocação para
a vida eterna é sobrenatural» (Catecismo, 1998)[1]. Para nos conduzir a este
fim último sobrenatural, concede-nos já nesta terra um início dessa
participação que será plena no céu. Este dom é a graça santificante, que
consiste num «começo da glória»[2]. Portanto, a graça santificante: - «é dom
gratuito que Deus nos faz da sua vida, infundida pelo Espírito Santo na nossa
alma, para a curar do pecado e a santificar» (Catecismo, 1999); - «é uma
participação na vida de Deus» (Catecismo, 1997; cf. 2 Pe 1, 4) que nos diviniza
(cf. Catecismo, 1999); - é, portanto, uma nova vida, sobrenatural; como um novo
nascimento pelo qual somos constituídos filhos de Deus por adopção, participantes
da filiação natural do Filho: «filhos no Filho»[3]; - introduz-nos, assim, na
intimidade da vida trinitária. Como filhos adoptivos, podemos chamar «Pai» a
Deus, em união com o Filho único (cf. Catecismo, 1997); - É “graça de Cristo”,
porque na situação presente – quer dizer, depois do pecado e da Redenção
operada por Jesus Cristo – a graça chega-nos como participação da graça de
Cristo (Catecismo, 1997): «Da sua plenitude todos recebemos graça sobre
graça”»(Jo 1, 16). A graça configura-nos com Cristo (cf. Rm 8, 29): - é «graça
do Espírito Santo», porque é infundida na alma pelo Espírito Santo[4]. - À
graça santificante chama-se também graça habitual porque é uma disposição
estável que aperfeiçoa a alma pela infusão das virtudes, para torná-la capaz de
viver com Deus, de actuar por seu amor (cf. Catecismo, 2000)[5].
2. A justificação
A
primeira obra da graça em nós é a justificação (cf. Catecismo, 1989). Chama-se
justificação à passagem do estado de pecado ao estado da graça (ou “de
justiça”, porque a graça nos faz “justos”)[6]. Esta tem lugar no Baptismo, e
cada vez que Deus perdoa os pecados mortais e infunde a graça santificante
(ordinariamente no sacramento da penitência)[7]. A justificação «é a obra mais
excelente do amor de Deus» (Catecismo, 1994; cf. Ef 2, 4-5).
3. A santificação
Deus
não nega a ninguém a sua graça, porque quer que todos os homens se salvem (1 Tm
2, 4); todos estão chamados à santidade (cf. Mt 5, 48)[8]. A graça «é, em nós,
a nascente da obra de santificação» (Catecismo, 1999); sara e eleva a nossa
natureza tornando-nos capazes de actuar como filhos de Deus[9], e de reproduzir
à imagem de Cristo (cf. Rm 8, 29): quer dizer, de ser, cada um, alter Christus,
outro Cristo. Esta semelhança com Cristo manifesta-se nas virtudes. A santificação
é o progresso em santidade; consiste na união cada vez mais íntima com Deus
(cf. Catecismo, 2014), até chegar a ser não só outro Cristo mas ipse Christus,
o próprio Cristo[10]; quer dizer, uma só coisa com Cristo, como membro seu (cf.
1 Cor 12, 27). Para crescer em santidade é necessário cooperar livremente com a
graça, e isto requer esforço, luta, por causa da desordem introduzida pelo
pecado (o fomes peccati). «Não há santidade sem renúncia e combate espiritual»
(Catecismo, 2015)[11].
Consequentemente,
para vencer na luta ascética, antes de mais é preciso pedir a Deus a graça
mediante a oração e a mortificação – «a oração dos sentidos»[12] – e recebê-la
nos sacramentos[13]. A união com Cristo só será definitiva no Céu. É necessário
pedir a Deus a graça da perseverança final: quer dizer, o dom de morrer na
graça de Deus (cf. Catecismo, 2016 e 2849).
4. As virtudes teologais
Em
geral, «a virtude é uma disposição habitual e firme para praticar o bem»
(Catecismo, 1803)[14]. «As virtudes teologais referem-se directamente a Deus e
dispõem os cristãos para viverem em relação com a Santíssima Trindade»
(Catecismo, 1812). «São infundidas por Deus na alma dos fiéis para os tornar
capazes de proceder como filhos seus» (Catecismo, 1813)[15]. As virtudes teologais
são três: fé, esperança e caridade (cf. 1 Cor 13, 13). A fé «é a virtude
teologal pela qual cremos em Deus e em tudo o que Ele nos disse e revelou, e
que a santa Igreja nos propõe para acreditarmos» (Catecismo, 1814). Pela fé «o
homem entrega-se completa e livremente a Deus»[16], e esforça-se por conhecer e
fazer a vontade de Deus (cf. Rm 1, 17)[17]. - «O discípulo de Cristo, não
somente deve guardar a fé e viver dela, como também professá-la, dar testemunho
dela e propagá-la» (Catecismo, 1816; cf. Mt 10, 32-33). «A esperança é a
virtude teologal pela qual desejamos o Reino dos céus e a vida eterna como
nossa felicidade, pondo toda a nossa confiança nas promessas de Cristo e
apoiandonos, não nas nossas forças, mas no socorro da graça do Espírito Santo»
(Catecismo 1817)[18]. «A caridade é a virtude teologal pela qual amamos a Deus
sobre todas as coisas por Ele mesmo, e ao nosso próximo como a nós mesmos, por
amor de Deus (Catecismo, 1822). Este é o mandamento novo de Jesus Cristo: «que
vos ameis com eu vos amei» (Jo 15, 12)[19].
5. As virtudes humanas
«As
virtudes humanas são atitudes firmes, disposições estáveis, perfeições
habituais da inteligência e da vontade, que regulam os nossos actos, ordenam as
nossas paixões e guiam o nosso procedimento segundo a razão e a fé. Conferem
facilidade, domínio e alegria para se levar uma vida moralmente boa. O Homem
virtuoso é aquele que livremente pratica o bem» (Catecismo, 1804). Estas
adquirem-se mediante as forças humanas e são os frutos e germes de actos moralmente
bons» (Catecismo, 1804)[20]. Entre as virtudes humanas há quatro chamadas
cardeais, porque todas as outras se agrupam à volta delas. São a prudência, a
justiça, a fortaleza e a temperança (cf. Catecismo, 1805). - «A prudência é a
virtude que dispõe a razão prática para discernir, em qualquer circunstância, o
nosso verdadeiro bem e para escolher os justos meios de o atingir» (Catecismo,
1806). É a «norma recta da acção»[21]. - «A justiça é a virtude moral que
consiste na constante e firme vontade de dar a Deus e ao próximo o que lhes é
devido» (Catecismo 1807)[22]. - «A fortaleza é a virtude moral que, no meio das
dificuldades, assegura a firmeza e a constância na prossecução do bem. Torna
firme a decisão de resistir às tentações e de superar os obstáculos na vida
moral. A virtude da fortaleza dá capacidade para vencer o medo, mesmo da morte,
e enfrentar a provação e as perseguições. Dispõe a ir até à renúncia e ao
sacrifício da própria vida, na defesa duma causa justa» (Catecismo, 1808)[23].
- «A temperança a virtude moral que modera a atracção dos prazeres e
proporciona o equilíbrio no uso dos bens criados. Assegura o domínio da vontade
sobre os instintos e mantém os desejos nos limites da honestidade»[…] A pessoa
temperante orienta para o bem os apetites sensíveis, guarda uma sã discrição e
não se deixa arrastar pelas paixões do coração. A temperança é muitas vezes
louvada no Antigo Testamento: “Não te deixes levar pelas tuas más inclinações e
refreia os teus apetites” (Sir 18, 30). No Novo Testamento, é chamada
“moderação”, ou “sobriedade”» (Catecismo, 1809). A respeito das virtudes
morais, afirma-se que in médio virtus. Isto significa que a virtude moral
consiste no meio entre um defeito e um excesso[24]. In médio virtus não é uma
chamada à mediocridade. A virtude não é o termo médio entre dois ou mais
vícios, mas a rectidão da vontade que, como num cume, se opõe a todos os
abismos que são os vícios[25].
6. As virtudes e a graça. As virtudes
cristãs
As
feridas deixadas pelo pecado original na natureza humana dificultam a aquisição
e o exercício das virtudes humanas (cf. Catecismo, 1811)[26]. Para adquiri-las
e praticá-las, o cristão conta com a graça de Deus que sara a natureza humana.
Além
disso, a graça, ao elevar a natureza humana a participar da natureza divina,
eleva essas virtudes ao plano sobrenatural (cf. Catecismo, 1810), levando a
pessoa humana a actuar segundo a recta razão iluminada pela fé: numa palavra, a
imitar Cristo. Deste modo, as virtudes humanas tornam-se virtudes cristãs[27]
7. Os dons e os frutos do Espírito
«A
vida moral dos cristãos é sustentada pelos dons do Espírito Santo. Estes são
disposições permanentes que tornam o homem dócil aos impulsos do Espírito
Santo» (Catecismo, 1830)[28]. Os sete dons do Espírito Santo são (cf.
Catecismo, 1831): 1º - Sabedoria: para compreender e julgar com acerto acerca
dos desígnios divinos. 2º - Entendimento: para penetrar na verdade sobre Deus.
3º - Conselho: para julgar e secundar nas acções singulares os desígnios
divinos. 4º - Fortaleza: para acometer as dificuldades na vida cristã. 5º -
Ciência: para conhecer a ordenação das coisas criadas por Deus. 6º - Piedade:
para nos comportarmos como filhos de Deus e como irmãos dos nossos irmãos os
homens, sendo outros Cristos. 7º - Temor de Deus: para repudiar tudo o que
possa ofender a Deus, como um filho repudia, por amor, o que possa ofender o
seu pai. «Os frutos do Espírito Santo são perfeições que o Espírito Santo forma
em nós, como primícias da glória eterna» (Catecismo, 1832). São actos que a
acção do Espírito Santo produz habitualmente na alma. A tradição da Igreja
enumera doze: «caridade, gozo, paz, paciência, longanimidade, bondade,
benignidade, mansidão, fidelidade, modéstia, continência, castidade» (Gl 5,
22-23).
8. Influência das paixões na vida moral
Pela
união substancial da alma e do corpo, a nossa vida espiritual – o conhecimento
intelectual e o livre querer da vontade – encontra-se sob o influxo (para o bem
ou para o mal) da sensibilidade. Este influxo manifesta-se nas paixões que são
«emoções ou movimentos da sensibilidade, que inclinam a agir, ou a não agir, em
vista do que se sentiu ou imaginou como bom ou como mau» (Catecismo 1763). As
paixões são movimentos do apetite sensível (irascível e concupiscível). Podem
chamar-se também, em sentido amplo, “sentimentos” ou “emoções”[29
Por
exemplo, são paixões o amor, a ira, o temor, etc. «A mais fundamental é o amor,
provocado pela atracção do bem. O amor causa o desejo do bem ausente e a
esperança de o alcançar. Este movimento tem o seu termo no prazer e na alegria
do bem possuído. A apreensão pelo mal causa o ódio, a aversão e o receio do mal
futuro; este movimento termina na tristeza pelo mal presente ou na cólera que a
ele se opõe» (Catecismo, 1765). As paixões influem muito na vida moral «Em si
mesmas, as paixões não são nem boas nem más» (Catecismo, 1767). «São moralmente
boas quando contribuem para uma acção boa, e más, no caso contrário» (Catecismo
1768)[30]. Pertence à perfeição humana que as paixões estejam reguladas pela
razão e dominadas pela vontade[31]. Depois do pecado original, as paixões não
se encontram submetidas ao império da razão, e com frequência inclinam a levar
a cabo o que não é bom[32]. Para as encaminhar habitualmente para o bem
necessita-se da ajuda da graça, que sara as feridas do pecado, e da luta
ascética. A vontade, se é boa, utiliza as paixões ordinariamente para o
bem[33]. Pelo contrário, a má vontade que segue o egoísmo, sucumbe às paixões
desordenadas ou usa-as para o mal (cf. Catecismo, 1768).
PAUL
O’CALLAGHAN
Bibliografia
básica
-
Catecismo da Igreja Católica, 1762-1770, 1803-1832 e 1987-2005.
Leituras
recomendadas
-
São Josemaria, Homilia «Virtudes humanas», em Amigos de Deus, 73-92.
Notas
[1]
Esta vocação «depende inteiramente da iniciativa gratuita de Deus, porque só
Ele pode revelar-Se e dar-Se a si mesmo. E ultrapassa as capacidades da
inteligência e as forças da vontade humana, como de qualquer criatura (cf. 1
Cor 2, 7-9” (Catecismo, 1998). [2]S. Tomás de Aquino, Summa Theologica, II-II,
q. 24, a. 3, ad 2. [3]Concílio Vaticano II, Const. Gaudium et Spes, 22. Cf. Rm
8, 14-17; Gl 4, 5-6, 1 Jo 3, 1. [4]Qualquer dom criado procede do Dom incriado,
que é o Espírito Santo. «O amor de Deus derramou-se nos nossos corações pelo
Espírito Santo que nos foi dado» (Rm 5, 5; cf. Gl 4, 6). [5]Deve-se distinguir
entre graça habitual e graças Actuais, «que designam intervenções divinas que
estão na origem da conversão ou no decorrer da obra da santificação» (cf.
Ibidem). [6]«A justificação envolve o perdão dos pecados, a santificação e a
renovação interior» (Concílio de Trento: DS 1528). [7]Nos adultos, esta
passagem é fruto da moção de Deus (graça actual) e da liberdade do homem, «Sob
a moção da graça, o homem volta-se para Deus e desvia-se do pecado, acolhendo
assim o perdão e a justiça do Alto» (Catecismo, 1989). [8]Deus quis recordar
esta verdade com especial força e novidade, por meio dos ensinamentos de São
Josemaria a partir do dia 2 de Outubro de 1928. A Igreja proclamou no Concílio
Vaticano II (1962-65): «Todos os fiéis, de qualquer estado ou regime de vida,
são chamados à plenitude da vida cristã e à perfeição da caridade» (Concílio
Vaticano II, Const. Lumen Gentium, 40). [9]Cf. S. Tomás de Aquino, Summa
Theologiae, III, q. 2, a. 12, c. [10]Cf. São Josemaria, Cristo que Passa, n.
104 [11]Mas a graça «não faz concorrência de modo nenhum, à nossa liberdade,
quando esta corresponde ao sentido da verdade e do bem que Deus colocou no
coração do homem» (Catecismo, 1742). Pelo contrário, «a graça corresponde às
aspirações profundas da liberdade humana» (Catecismo, 2022). [12]São Josemaria,
Cristo que Passa, 9 [13]Para alcançar a graça de Deus contamos com a
intercessão da nossa Mãe Maria Santíssima, Medianeira de todas as graças, e
também com a de S. José, dos Anjos e dos Santos. [14]Pelo contrário, os vícios
são hábitos morais que se seguem às obras más e inclinam a repeti-las e a
piorar. [15]Tal como a alma humana opera através das suas potências
(entendimento e vontade), o cristão em graça de Deus opera através das virtudes
teologais, que são como as potências da “nova natureza” elevada pela graça.
[16]Concílio Vaticano II, Const. Dei Verbum, 5. [17]A fé manifesta-se pelas
obras: a fé viva «actua pela caridade» (Gl 5, 6), enquanto que «a fé sem obras
está morta» (Tg 2, 26), mesmo que o dom da fé permaneça em quem não pecou
directamente contra ela (cf. Concílio de Trento: DS 1545). [18]Cf. Heb 10, 23;
Tt 3, 6-7. «A virtude da esperança corresponde ao desejo de felicidade que Deus
colocou no coração de todo o homem» (Catecismo, 1818), purificao e eleva-o;
protege-o do desalento; dilata-lhe o coração na espera da bem-aventurança
eterna; preserva-o do egoísmo e condu-lo à alegria (cf. Ibidem). [19]A caridade
é superior a todas as virtudes (cf. 1 Cor 13, 13). «Se não tivesse caridade
nada seria nada» (1 Cor 13, 3). - «O exercício de todas as virtudes é animado e
inspirado pela caridade» (Catecismo, 1827). É a forma de todas as virtudes:
“informa-as” ou vivifica-as”, porque as orienta o amor de Deus; sem caridade,
as outras virtudes estão mortas. - A caridade purifica a nossa faculdade humana
de amar e eleva-a à perfeição sobrenatural do amor divino (cf. Catecismo,
1827). Há uma ordem na caridade. A caridade manifesta-se também na correcção
fraterna (cf. Catecismo 1829). [20]O cristão desenvolve as virtudes com a ajuda
da graça de Deus que, ao sarar a natureza humana, dá força para as praticar e
ordena-as a um fim mais elevado. [21]Conduz a julgar rectamente sobre o modo de
agir: sem retrair da acção (cf. S. Tomás de Aquino, Summa Theologiae, II-II, q.
47, a. 2). «Não se confunde, nem com a timidez ou o medo, nem com a duplicidade
ou dissimulação. É chamada “auriga virtutum – condutor das virtudes, ” porque
guia as outras virtudes, indicando-lhes a regra e a medida. É a prudência que
guia imediatamente o juízo da consciência. O homem prudente decide e ordena a
sua conduta segundo este juízo. Graças a esta virtude, aplicamos sem erro os
princípios morais aos casos particulares e ultrapassamos as dúvidas sobre o bem
a fazer e o mal a evitar» (Catecismo, 1806). [22]O homem não pode dar a Deus o
que Lhe deve ou o justo em sentido estrito. Por isso, a justiça para com Deus
chama-se mais propriamente “virtude da religião”, «dado que a Deus Lhe basta
que cumpramos à medida das nossas possibilidades» (S. Tomás de Aquino, Summa
Theologica, II-II, q. 57, a. 1, ad 3). [23]«No mundo tereis tribulação. Mas
confiai: Eu venci o mundo» (Jo 16, 33). [24]Por exemplo, a laboriosidade
consiste em trabalhar tudo o que se deve, que é um meio entre um menos e um
mais. Opõe-se à laboriosidade trabalhar menos devido, perder o tempo, etc. E
também se opõe trabalhar sem medida, sem respeitar outras coisas que também se
devem fazer (deveres de piedade, de caridade, etc.). [25]O princípio in médio
virtus é válido somente para as virtudes morais, as quais têm por objecto os
meios para alcançar o fim, e nesses meios há sempre uma medida. Pelo contrário,
não é válido no caso das virtudes teologais, porque estas virtudes (fé,
esperança e caridade) têm directamente a Deus por objecto. Por isso, não é
possível um excesso: “crer demasiado”, “esperar demasiado” em Deus” ou “amá-Lo
em excesso”. [26]A natureza humana está ferida pelo pecado. Por isso, tem
inclinações que não são naturais como consequência do pecado. Do mesmo modo que
não é natural coxear, devido à consequência de alguma doença, como não seria
natural mesmo que toda a gente coxeasse, nem sequer são naturais as feridas que
deixou o pecado original e os pecados pessoais na alma: a tendência para a
soberba, a preguiça, a sensualidade, etc. Com a ajuda da graça e com esforço
pessoal, estas feridas podem-se ir curando, de modo que o homem seja e se
comporte como corresponde à sua natureza e condição de filho de Deus. Esta
saúde consegue-se por meio das virtudes. De modo semelhante, a doença agrava-se
com os vícios. [27]Assim, há uma prudência que é virtude humana, bem como uma
prudência que é sobrenatural, infundida por Deus na alma, juntamente com a
graça. Para que uma virtude sobrenatural possa produzir fruto – actos bons –
precisa da correspondente virtude humana. Por exemplo e no caso das outras
virtudes cardeais: a virtude sobrenatural da justiça, exige a virtude humana da
justiça; e o mesmo acontece com a fortaleza e a temperança. Dito doutra
maneira, a perfeição cristã – a santidade – exige e compreende a perfeição
humana. [28]Para compreender melhor a função dos Dons do Espírito Santo na vida
moral, pode-se acrescentar a seguinte explicação clássica: assim como a
natureza humana tem algumas potências (inteligência e vontade) que permitem
realizar as operações de entender e querer, assim a natureza elevada pela graça
tem potências que lhe permitem realizar actos sobrenaturais. Estas potências
são as virtudes teologais (fé, esperança e caridade). São como os remos de um
barco, que permitem avançar em direcção ao fim sobrenatural. No entanto, este
fim supera-nos de tal modo, que não bastam as virtudes teologais para o
alcançar. Deus concede, juntamente com a graça, os dons do Espírito Santo, que
são novas perfeições da alma que permitem que seja movida pelo mesmo Espírito
Santo. São como a vela de um barco, que lhe permite avançar com o sopro do
vento. Os dons aperfeiçoam-nos em ordem a tornarmo-nos mais dóceis à acção do
Espírito Santo, que se converte assim em motor da nossa actuação. [29]É preciso
ter em conta que também se fala de “sentimentos” ou “emoções” supersensíveis ou
espirituais que não são propriamente “paixões” porque não estão sujeitos aos
movimentos do apetite sensível. [30]Por exemplo, há uma ira boa, que se indigna
perante o mal, e também há uma ira má descontrolada ou que move ao mal (como
acontece na vingança); há temor bom e há temor mau, que paralisa para fazer o
bem; etc. [31]Cf. S. Tomás de Aquino, Summa Theologica, I-II, q. 24, aa. 1 e 3.
[32]Em certas ocasiões podem dominar de tal modo a pessoa, que a
responsabilidade moral se reduz ao mínimo. [33]«A perfeição moral consiste em
que o homem não seja movido para o bem só pela vontade, mas também pelo seu
apetite sensível, segundo esta palavra do Salmo: “O meu coração e a minha carne
exultam no Deus vivo” (Sl 84, 3)» (Catecismo, 1770). «As paixões são más se o
amor for mau, boas se for bom» (Santo Agostinho, De Civitate Dei, 14, 7)
Pequena agenda do cristão
(Coisas muito simples, curtas, objectivas)
Propósito:
Simplicidade e modéstia.
Senhor, ajuda-me a ser simples, a despir-me da minha “importância”, a ser contido no meu comportamento e nos meus desejos, deixando-me de quimeras e sonhos de grandeza e proeminência.
Lembrar-me:
Do meu Anjo da Guarda.
Senhor, ajuda-me a lembrar-me do meu Anjo da Guarda, que eu não despreze companhia tão excelente. Ele está sempre a meu lado, vela por mim, alegra-se com as minhas alegrias e entristece-se com as minhas faltas.
Anjo da minha Guarda, perdoa-me a falta de correspondência ao teu interesse e protecção, a tua disponibilidade permanente. Perdoa-me ser tão mesquinho na retribuição de tantos favores recebidos.
Pequeno exame:
Cumpri o propósito que me propus ontem?
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