17/05/2017

Fátima: Centenário - Oração jubilar de consagração


Salve, Mãe do Senhor,
Virgem Maria, Rainha do Rosário de Fátima!
Bendita entre todas as mulheres,
és a imagem da Igreja vestida da luz pascal,
és a honra do nosso povo,
és o triunfo sobre a marca do mal.

Profecia do Amor misericordioso do Pai,
Mestra do Anúncio da Boa-Nova do Filho,
Sinal do Fogo ardente do Espírito Santo,
ensina-nos, neste vale de alegrias e dores,
as verdades eternas que o Pai revela aos pequeninos.

Mostra-nos a força do teu manto protector.
No teu Imaculado Coração,
sê o refúgio dos pecadores
e o caminho que conduz até Deus.

Unido/a aos meus irmãos,
na Fé, na Esperança e no Amor,
a ti me entrego.
Unido/a aos meus irmãos, por ti, a Deus me consagro,
ó Virgem do Rosário de Fátima.

E, enfim, envolvido/a na Luz que das tuas mãos nos vem,
darei glória ao Senhor pelos séculos dos séculos.


Ámen.

Fátima: Centenário - Oração diária


Senhora de Fátima:

Neste ano do Centenário da tua vinda ao nosso País, cheios de confiança vimos pedir-te que continues a olhar com maternal cuidado por todos os portugueses.
No íntimo dos nossos corações instala-se alguma apreensão e incerteza em relação a este nosso País.

Sabes bem que nos referimos às diferenças de opinião que se transformam em desavenças, desunião e afastamento; aos casais desfeitos com todas as graves consequências; à falta de fé e de prática da fé; ao excessivo apego a coisas passageiras deixando de lado o essencial; aos respeitos humanos que se traduzem em indiferença e falta de coragem para arrepiar caminho; às doenças graves que se arrastam e causam tanto sofrimento.
Faz com que todos, sem excepção, nos comportemos como autênticos filhos teus e com a sinceridade, o espírito de compreensão e a humildade necessárias para, com respeito de uns pelos outros, sermos, de facto, unidos na Fé, santos e exemplo para o mundo.

Que nenhum de nós se perca para a salvação eterna.

Como Paulo VI, aqui mesmo em 1967, te repetimos:

Monstra te esse Matrem”, Mostra que és Mãe.

Isto te pedimos, invocando, uma vez mais, ao teu Dulcíssimo Coração, a tua protecção e amparo.


AMA, Fevereiro, 2017

Doutrina – 302


CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA

Compêndio


PRIMEIRA PARTE: A PROFISSÃO DA FÉ

SEGUNDA SECÇÃO: A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

CAPÍTULO SEGUNDO

CREIO EM JESUS CRISTO, O FILHO UNIGÉNITO DE DEUS
«E EM JESUS CRISTO, SEU ÚNICO FILHO, NOSSO SENHOR»


81. Que significa o nome «Jesus»?


Dado pelo Anjo no momento da Anunciação, o nome «Jesus» significa «Deus salva».
Exprime a sua identidade e a sua missão, «porque é Ele que salvará o seu povo dos seus pecados» [i].
Pedro afirma que «não existe debaixo do céu outro Nome dado aos homens pelo qual possamos ser salvos» [ii].




[i] Mt 1,21
[ii] Act 4,12

Leitura espiritual

A CIDADE DE DEUS 

Vol. 2

LIVRQ XIV

CAPÍTULO III

A causa do pecado está na alma e não na carne — e a corrupção contraída pelo pecado não é um pecado, mas um castigo.

Se alguém disser que a carne é a causa de todos os vícios porque a alma revestida de carne vive nos maus costumes, mostra claramente que não presta atenção a toda a natureza do homem. Certamente que,

na realidade, o corpo corruptível entorpece a alma.[i]

É por isso que o mesmo Apóstolo, ao falar deste corpo corruptível de que, pouco antes, tinha dito:

Embora o nosso homem exterior se corrompa,[ii]

acrescenta:

Sabemos que, se a nossa casa terrestre de habitação for destruída, Deus nos dará nos céus uma morada eterna que não é feita pelas mãos do homem. E certo que nesta gememos e desejamos taparmo-nos numa casa que vem do céu, na certeza de que ao abandonarmos a presente, não ficaremos destapados, mas abrigados. Enquanto nos mantivermos na presente habitação, gemeremos acabrunhados porque não queremos dela ser espoliados mas abrigados, para que o que   é mortal seja absorvido pela vida.[iii]


Somos, pois, sobrecarregados pelo corpo corruptível e sabendo que a causa desta carga não é a natureza e a substância do corpo, mas a sua corrupção, nós não queremos ser despojados do corpo, mas revestidos da sua imortalidade. Ele permanecerá então, mas, porque já não é corruptível, não nos sobrecarregará. Agora, pois,

o corpo corruptível entorpece a alma e a terrena casa de habitação acabrunha a mente ao peso de múltiplos pensamentos.[iv]

Estão, por conseguinte, em erro todos os que pensam que todos os males da alma provêm do corpo.

Embora, de facto, pareça que Vergílio exprimiu o pensamento platónico ao dizer nestes elegantes versos:

Têm um vigor de fogo e uma origem celeste
Enquanto de nocivos corpos cativos não estão
E terrenas articulações e membros destinados a morrer não os embotam,[v]

e, querendo dar a entender que todas estas perturbações tão conhecidas da alma — o desejo, o temor, a alegria e a tristeza — , a bem dizer como fonte de todos os vícios e pecados, procedem do corpo, acrescente:

Por isso desejam, padecem e gozam, por isso não vêem a luz do Céu, encerradas nas trevas de negro cárcere.[vi]

- todavia, a nossa fé comporta-se de forma diferente. É que a corrupção do corpo que entorpece a alma não é a causa, mas sim o castigo do primeiro pecado. E não foi a carne corruptível que tornou pecadora a alma, mas foi a alma pecadora que tornou o corpo corruptível.

Embora existam, procedentes da carne, certos impulsos para o vício e até desejos viciosos — não se devem apesar disso atribuir à carne todos os vícios de um a vida iníqua, não se deve limpar de todos eles o Diabo, que não tem carne. Não há dúvida de que se não podem atribuir ao Diabo a fornicação, a embriagues e outros males semelhantes que tenham relação com os prazeres da carne, mesmo quando é ele o conselheiro e o instigador oculto de tais pecados. Todavia, é, no mais alto grau, orgulhoso e invejoso. E a tal ponto esta perversidade dele se assenhoreou que, por causa dela, foi destinado ao suplício eterno nas prisões do ar tenebroso.

Estes vícios que prevalecem no Diabo, atribui-os o Apóstolo à carne que o Diabo com certeza não tem. Diz, efectivamente, que as inimizades, as dissensões, as emulações, as animosidades, as invejas, são obras da carne. Mas a origem e cabeça de todos estes males é a soberba que sem a carne impera no Diabo. Quem mais do que ele é inimigo dos santos? Quem contra eles é mais obstinado, mais animoso e mais hostil e mais invejoso? Sem ter carne possui todos os vícios. Porque serão então obras da carne senão porque são obras do homem a quem, como disse, ele dá o nome de «carne»? Não é, pois, por ter um a carne (que o Diabo não tem), mas por ter querido viver em conformidade consigo próprio, isto é, conforme o homem, que o homem se tornou semelhante ao Diabo. Também este quis viver em conformidade consigo próprio quando se não manteve na verdade, de forma que, ao mentir, não falou da parte de Deus, mas de si, que não é apenas mentiroso, mas também pai da mentira. Foi o primeiro a mentir e, sendo o primeiro a pecar, foi o primeiro a mentir.


(cont)

(Revisão da versão portuguesa por ama)





[i] Sab. Salomão, IX, 15.
[ii] II Corínt., IV, 16.
[iii] II Corínt., V, 1-4.
[iv] Sab. Salomão, IX, 15.
[v] Vergílio, Eneida, VI, 730-732.
[vi] Vergílio, Eneida, VI, 733-734.

Epístolas de São Paulo – 78


1ª Carta a Timóteo - cap 3

Qualidades do bispo

- 1É digna de fé esta palavra: se alguém aspira ao episcopado, deseja um excelente ofício. 2Mas é necessário que o bispo seja irrepreensível, marido de uma só mulher, sóbrio, ponderado, de bons costumes, hospitaleiro, capaz de ensinar; 3que não seja dado ao vinho, nem violento, mas condescendente, pacífico, desinteressado; 4que governe bem a própria casa, mantendo os filhos submissos, com toda a dignidade. 5Pois, se alguém não sabe governar a própria casa, como cuidará ele da igreja de Deus? 6Que não seja neófito, para que não se ensoberbeça e caia na mesma condenação do diabo. 7Mas é necessário também que ele goze de boa reputação entre os de fora, para não cair no descrédito e nas ciladas do diabo.

Qualidades do diácono

- 8Do mesmo modo, os diáconos sejam pessoas dignas, sem duplicidade, não inclinados ao excesso de vinho, nem ávidos de lucros desonestos. 9Guardem o mistério da fé numa consciência pura. 10Sejam também eles, primeiro, postos à prova e só depois, se forem irrepreensíveis, exerçam o diaconado. 11Do mesmo modo, as mulheres sejam dignas, não maldizentes, sóbrias, fiéis em tudo. 12Os diáconos sejam maridos de uma só mulher, capazes de dirigir bem os filhos e a própria casa. 13Pois aqueles que cumprirem bem o diaconado adquirem para si uma posição honrosa e autoridade em questões de fé, em Cristo Jesus.

O mistério da piedade

- 14Escrevo-te estas coisas, na esperança de ir ter contigo em breve. 15Porém, eu quero que saibas como deves proceder na casa de Deus, esta Igreja do Deus vivo, coluna e sustentáculo da verdade. 16Grande é - todos o confessam - o mistério da piedade:

Aquele que foi manifestado na carne, foi justificado no Espírito, apresentado aos anjos, anunciado às nações, acreditado no mundo, exaltado na glória.

Evangelho e comentário


Tempo de Páscoa


Evangelho: Jo 15, 1-8

1«Eu sou a videira verdadeira e o meu Pai é o agricultor. 2Ele corta todo o ramo que não dá fruto em mim e poda o que dá fruto, para que dê mais fruto ainda. 3Vós já estais purificados pela palavra que vos tenho anunciado. 4Permanecei em mim, que Eu permaneço em vós. Tal como o ramo não pode dar fruto por si mesmo, mas só permanecendo na videira, assim também acontecerá convosco, se não permanecerdes em mim. 5Eu sou a videira; vós, os ramos. Quem permanece em mim e Eu nele, esse dá muito fruto, pois, sem mim, nada podeis fazer. 6Se alguém não permanece em mim, é lançado fora, como um ramo, e seca. Esses são apanhados e lançados ao fogo, e ardem. 7Se permanecerdes em mim e as minhas palavras permanecerem em vós, pedi o que quiserdes, e assim vos acontecerá. 8Nisto se manifesta a glória do meu Pai: em que deis muito fruto e vos comporteis como meus discípulos.»

Comentário:

É bem de ver que podar as videiras é uma tarefa absolutamente necessária para não só manter a saúde e o vigor das plantas como para garantir frutos abundantes e de bom calibre.

Abandonada a videira continuará a dar frutos, mas, em pouco tempo estes tornam-se enfezados e sem qualquer préstimo e a própria videira crescerá sem forma num emaranhado de ramos e folhas que acabarão por abafar as outras plantas que estiverem próximo.

Assim connosco os cristãos temos de "podar" quanto não presta ou está a mais na nossa vida, mantendo o vigor e a saúde da nossa alma para que as obras sejam boas, dêem os frutos que o Senhor legitimamente espera colher.

Por vezes pode custar esse corte, essa "limpeza" desses inúmeros "ramos" que são os desejos de ter, os atilhos que nos prendem a coisas supérfluas, o lastro que vamos acumulando que nos pesa e tolhe.

Mas vale a pena!


(AMA, comentário sobre Jo 15, 1-8, Malta, 27.04.2016)






Uma Mãe que nunca nos abandona

Não estás sozinho. Nem tu nem eu podemos encontrar-nos sozinhos. E, menos ainda, se vamos a Jesus por Maria, pois é uma Mãe que nunca nos abandona. (Forja, 249)


É a hora de recorreres à tua Mãe bendita do Céu, para que te acolha nos seus braços e te consiga do seu Filho um olhar de misericórdia. E procura depois fazer propósitos concretos: corta de uma vez, ainda que custe, esse pormenor que estorva e que é bem conhecido de Deus e de ti. A soberba, a sensualidade, a falta de sentido sobrenatural aliar-se-ão para te sussurrarem: isso? Mas se se trata de uma circunstância tonta, insignificante! Tu responde, sem dialogar mais com a tentação: entregar-me-ei também nessa exigência divina! E não te faltará razão: o amor demonstra-se especialmente em coisas pequenas. Normalmente, os sacrifícios que o Senhor nos pede, os mais árduos, são minúsculos, mas tão contínuos e valiosos como o bater do coração.


Quantas mães conheceste como protagonistas de um acto heróico, extraordinário? Poucas, muito poucas. E contudo, mães heróicas, verdadeiramente heróicas, que não aparecem como figuras de nada espectacular, que nunca serão notícia – como se diz – tu e eu conhecemos muitas: vivem sacrificando-se a toda a hora, renunciando com alegria aos seus gostos e passatempos pessoais, ao seu tempo, às suas possibilidades de afirmação ou de êxito, para encher de felicidade os dias dos seus filhos. (Amigos de Deus, nn 134–135)

Fátima: Centenário - Música


Centenário das aparições da Santíssima Virgem em Fátima

Louvando a Santíssima Virgem - Bing Crosby




Neste mês de Maio a ti excelsa Mãe de Deus e nossa Mãe, te repetiremos sem cessar:

Ave Maria, gratia plena, Dominus tecum, benedicta tu in mullieribus et benedictus fructis ventris tui, Jesus.













Santa Maria, Mater Dei, ora pro nobis pecatoribus, nunc et in hora mortis nostra. Ámen.

Pequena agenda do cristão


Quarta-Feira



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)






Propósito:

Simplicidade e modéstia.


Senhor, ajuda-me a ser simples, a despir-me da minha “importância”, a ser contido no meu comportamento e nos meus desejos, deixando-me de quimeras e sonhos de grandeza e proeminência.


Lembrar-me:
Do meu Anjo da Guarda.


Senhor, ajuda-me a lembrar-me do meu Anjo da Guarda, que eu não despreze companhia tão excelente. Ele está sempre a meu lado, vela por mim, alegra-se com as minhas alegrias e entristece-se com as minhas faltas.

Anjo da minha Guarda, perdoa-me a falta de correspondência ao teu interesse e protecção, a tua disponibilidade permanente. Perdoa-me ser tão mesquinho na retribuição de tantos favores recebidos.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?







16/05/2017

Mãe! – Chama-a bem alto

Mãe! – Chama-a bem alto. – Ela, a tua Mãe Santa Maria, escuta-te, vê-te em perigo talvez, e oferece-te, com a graça do seu Filho, o consolo do seu regaço, a ternura das suas carícias. E encontrar-te-ás reconfortado para a nova luta. (Caminho, 516)

Intimidade com Maria

De uma maneira espontânea, natural, surge em nós o desejo de conviver com a Mãe de Deus, que é também nossa mãe; de conviver com Ela como se convive com uma pessoa viva, porque sobre Ela não triunfou a morte; está em corpo e alma junto a Deus Pai, junto a seu Filho, junto ao Espírito Santo.

Para compreendermos o papel que Maria desempenha na vida cristã, para nos sentirmos atraídos por Ela, para desejar a sua amável companhia com filial afecto, não são precisas grandes especulações, embora o mistério da Maternidade divina tenha uma riqueza de conteúdo sobre a qual nunca reflectiremos bastante.

Temos de amar a Deus com o mesmo coração com que amamos os nossos pais, os nossos irmãos, os outros membros da nossa família, os nossos amigos ou amigas. Não temos outro coração. E com esse mesmo coração havemos de querer a Maria.


Como se comporta um filho ou uma filha normal com a sua Mãe? De mil maneiras, mas sempre com carinho e confiança. Com um carinho que se manifestará em cada caso de determinadas formas, nascidas da própria vida, e que nunca são algo de frio, mas costumes muito íntimos de família, pequenos pormenores diários que o filho precisa de ter com a sua mãe e de que a mãe sente falta, se o filho alguma vez os esquece: um beijo ou uma carícia ao sair ou ao voltar a casa, uma pequena delicadeza, umas palavras expressivas... (Cristo que passa, 142)

Fátima: Centenário - Música


Centenário das aparições da Santíssima Virgem em Fátima

Louvando a Santíssima Virgem - Lucile Bílá



Neste mês de Maio a ti excelsa Mãe de Deus e nossa Mãe, te repetiremos sem cessar:

Ave Maria, gratia plena, Dominus tecum, benedicta tu in mullieribus et benedictus fructis ventris tui, Jesus.

Santa Maria, Mater Dei, ora pro nobis pecatoribus, nunc et in hora mortis nostra. Ámen.












Fátima :Centenário - Oração diária


Senhora de Fátima:

Neste ano do Centenário da tua vinda ao nosso País, cheios de confiança vimos pedir-te que continues a olhar com maternal cuidado por todos os portugueses.
No íntimo dos nossos corações instala-se alguma apreensão e incerteza em relação a este nosso País.

Sabes bem que nos referimos às diferenças de opinião que se transformam em desavenças, desunião e afastamento; aos casais desfeitos com todas as graves consequências; à falta de fé e de prática da fé; ao excessivo apego a coisas passageiras deixando de lado o essencial; aos respeitos humanos que se traduzem em indiferença e falta de coragem para arrepiar caminho; às doenças graves que se arrastam e causam tanto sofrimento.
Faz com que todos, sem excepção, nos comportemos como autênticos filhos teus e com a sinceridade, o espírito de compreensão e a humildade necessárias para, com respeito de uns pelos outros, sermos, de facto, unidos na Fé, santos e exemplo para o mundo.

Que nenhum de nós se perca para a salvação eterna.

Como Paulo VI, aqui mesmo em 1967, te repetimos:

Monstra te esse Matrem”, Mostra que és Mãe.

Isto te pedimos, invocando, uma vez mais, ao teu Dulcíssimo Coração, a tua protecção e amparo.


AMA, Fevereiro, 2017

Reflectindo 251

Sonhar

Pode-se sonhar estando acordado?
Pois claro que se pode.

E é bom?
Acho que sim porque independentemente que se sonha tal significa que não se desiste de viver.

Com o avançar da idade talvez tenhamos a tendência para considerar que não vale a pena.
Deixar tudo como está, fazendo os "ajustes" mínimos e indispensáveis e... ficar por aí.

Não concordo!

Sem sonhos a vida não passará de uma rotina patética, sem futuro diferente do dia de hoje.

Só que, o futuro tem de ser diferente sob pena não se passar de tentar prolongar um presente o que, isso sim, é uma patetice.

Eu sonho muito com o que faria se as circunstâncias o permitissem.

Mas... e se isso que sonho seja utópico ou pelo menos, sem sentido prático?

Isso não me importa, sonhos na mesma.
Bem sei que estes sonhos giram à volta de mim mesmo, sou a pedra angular dos sonhos e, o que sonho é pessoal e para minha auto-satisfação.
Mas não sonho isolado, quer dizer, não sonho para viver melhor.

Não!

Sonho como Pai e como Avô que reúne à sua volta toda a família.

Isto não será orgulho, amor-próprio, egoísmo?


(ama, reflexões, 2016.11,28)

Temas para meditar - 709


Faltas


Deus detesta as faltas, porque são faltas.

Mas, por outro lado, ama, em certo sentido, as faltas enquanto Lhe dão azo a mostrar a Sua misericórdia e a nós de permanecer humildes e também a compreender e compadecer-nos com as faltas do próximo.


(SÃO JOÃO PAULO II, Audiência geral 1978.09.20)

Fátima: Centenário - Oração jubilar de consagração


Salve, Mãe do Senhor,
Virgem Maria, Rainha do Rosário de Fátima!
Bendita entre todas as mulheres,
és a imagem da Igreja vestida da luz pascal,
és a honra do nosso povo,
és o triunfo sobre a marca do mal.

Profecia do Amor misericordioso do Pai,
Mestra do Anúncio da Boa-Nova do Filho,
Sinal do Fogo ardente do Espírito Santo,
ensina-nos, neste vale de alegrias e dores,
as verdades eternas que o Pai revela aos pequeninos.

Mostra-nos a força do teu manto protector.
No teu Imaculado Coração,
sê o refúgio dos pecadores
e o caminho que conduz até Deus.

Unido/a aos meus irmãos,
na Fé, na Esperança e no Amor,
a ti me entrego.
Unido/a aos meus irmãos, por ti, a Deus me consagro,
ó Virgem do Rosário de Fátima.

E, enfim, envolvido/a na Luz que das tuas mãos nos vem,
darei glória ao Senhor pelos séculos dos séculos.


Ámen.

Evangelho e comentário


Tempo de Páscoa


Evangelho: Jo 14, 27-31

27 «Deixo-vos a paz; dou-vos a minha paz. Não é como a dá o mundo, que Eu vo-la dou. Não se perturbe o vosso coração nem se acobarde. 28 Ouvistes o que Eu vos disse: ‘Eu vou, mas voltarei a vós.’ Se me tivésseis amor, havíeis de alegrar-vos por Eu ir para o Pai, pois o Pai é mais do que Eu. 29 Digo-vo-lo agora, antes que aconteça, para crerdes quando isso acontecer. 30 Já não falarei muito convosco, pois está a chegar o dominador deste mundo; ele nada pode contra mim, 31 mas o mundo tem de saber que Eu amo o Pai e actuo como o Pai me mandou. Levantai-vos, vamo-nos daqui!» 

Comentário:

O que quer o Senhor dizer com 'dominador deste mundo'?

Refere-se ao momento em que o demónio alcança uma vitória, para ele, inesperada: a morte de Cristo na Cruz.

Inesperada porque de facto só nos derradeiros momentos saberá que quem pende do madeiro é o Filho de Deus, até então nunca o Senhor permitiu que tivesse absoluta certeza de Quem era e nem sequer permitia que falasse.

Por várias vezes tinha sido expulso e relegado para fora do domínio dos homens e, naturalmente que teria - falando humanamente - suspeitas, que aliás terão começado nas tentações no deserto quando Cristo o despede: 'está escrito não tentarás o Senhor teu Deus', mas nunca Jesus lhe disse Eu Sou Cristo.

No mistério da salvação dá-se esta luta por um domínio ou melhor, pela conservação de um domínio que até então exercia, aliás não há propriamente luta porque Jesus Cristo não combate o demónio, mas antes salva a humanidade do seu domínio ao instaurar o Reino de Deus, dá aos homens os meios necessários e suficientes para negarem o demónio e as suas obras e optarem definitivamente pela Salvação Eterna.


(AMA, comentário sobre Jo 14, 27-31, Malta, 2016.04.26)






Leitura espiritual

A CIDADE DE DEUS 

Vol. 2

LIVRQ XIV

Agostinho trata de novo do pecado do primeiro homem, origem da vida carnal e dos afectos viciosos. Mas procura demonstrar que a pena resultante da desobediência é principalmente a lascívia que nos envergonha e indaga como é que o homem, se não tivesse pecado, geraria filhos sem lascívia.


CAPÍTULO I

Pela desobediência do primeiro homem, se a graça de Deus a muitos não libertasse, todos seríamos arrastados para a perpetuidade da segunda morte.

Já nos livros precedentes dissemos com o Deus, querendo não só unir os homens num a única sociedade pela semelhança da natureza, mas também, mercê dos laços do parentesco, juntá-los numa harmoniosa unidade no vínculo da paz, institui a humanidade a partir de um só homem. Esta humanidade em cada um dos seus membros não devia morrer se os dois primeiros homens, um tirado do nada e a outra do primeiro, não o tivessem merecido pela sua desobediência. Tão grande foi o pecado por eles cometido que a natureza humana ficou deteriorada e com ela se transmitiu aos descendentes a sujeição do pecado e a necessidade da morte. Todavia, o reino da morte dominou de tal forma os homens que um merecido castigo a todos precipitaria na segunda morte, que não tem fim, se uma graça de Deus, não merecida, disso não libertasse um certo número. E por isso aconteceu que, entre tantos e tão grandes povos espalhados por toda a Terra, apesar da diversidade dos usos e costumes, da imensa variedade de línguas, armas e vestuário, não se encontram senão dois tipos de sociedades humanas que nós podemos à vontade, segundo as nossas Escrituras, chamar as duas Cidades — uma, a dos homens que querem viver segundo a carne, e a outra, a dos que pretendem seguir o espírito, conseguindo cada uma viver na paz do seu género quando eles conseguem o que pretendem.


CAPÍTULO II

A vida carnal procede não só dos vícios do corpo, mas também dos da alma.

Vejamos, pois, em primeiro lugar, em que consiste viver segundo a carne e viver segundo o espírito. De facto, quem lançar um simples olhar sobre o que escrevemos, sem se lembrar nem prestar a devida atenção à linguagem da Sagrada Escritura, poderá julgar que os epicuristas vivem conforme a carne pois colocam o bem supremo do homem na volúpia do corpo, e com eles todos os demais filósofos que, de algum modo, consideram o bem do corpo como o bem supremo do homem, assim como toda essa multidão dos que, sem professarem
nenhum sistema filosófico desse género, seguem as suas tendências para o prazer e não sabem experimentar outros prazeres que não sejam os dos seus sentidos corporais. Quanto aos estoicos que põem na alma o supremo bem do homem, esses viveriam segundo o espírito: de facto, que outra coisa é, senão espírito, a alma do homem?

Mas, na maneira de dizer da Sagrada Escritura, uns e outros mostram que vivem segundo a carne. Efectivamente, ela não chama carne apenas ao corpo de um vivente terrestre e mortal (como quando diz:

Nem toda a carne é a mesma carne: uma é a carne de homem, outra a de animal; uma a das aves, outra a dos peixes.[i]

mas emprega-se ainda este termo em sentidos bem diferentes. Entre outros ela chama muitas vezes carne ao próprio homem, isto é, à natureza humana, tom ando a parte pelo todo. Assim diz-se nela:

        Nenhuma carne será justificada pelas obras da lei.[ii]

Que quis ela, na verdade, significar senão o homem? É o que ela, pouco depois, refere mais claramente:

        Ninguém se justifica na lei. [iii]

e na Epístola aos Gálatas:

       Mas cientes de que o homem se não justifica pelas obras da lei.[iv]

Neste sentido se deve entender:

E o Verbo fez-se carne,[v]

isto é, fez-se «homem». Alguns, não fazendo uma interpretação correcta, julgam que a Cristo faltava a alma humana
[vi]. Também, de facto, se toma a parte pelo todo nestas palavras de Maria Madalena referidas no Evangelho:

Levaram o meu Senhor e não sei onde o puseram,[vii]

quando falava apenas da carne de Cristo, que ela julgava tirada do sepulcro onde tinha sido sepultada. E assim, nos textos que acima citámos, a carne é tomada pelo homem todo.

A Sagrada Escritura em prega, portanto, «came» em múltiplos sentidos que levaria tempo a coligir e a examinar Para podermos indagar o que seja viver segundo a carne (o que de certo não é um mal, pois que a própria natureza da carne não é um mal), examinemos com cuidado aquela passagem da Epístola que o apóstolo Paulo escreveu aos Gálatas onde diz:

Manifestas são as obras da came que são: fornicações, impudicícia, luxúria, culto dos ídolos, envenenamentos, inimizades, dissensões, rivalidades, animosidades, intrigas, heresias, invejas, embriaguez, comezainas, e outras que tais. Digo-vos, como já disse os que tais obras praticam não possuirão o Reino de Deus.[viii]

Toda esta passagem da epistolo apostólica, considerada em quanto parece interessar à presente questão, poderia resolver o que se entende por «viver segundo a carne». De facto, entre as obras da carne que o Apóstolo considera «manifestas» e que enumera para as condenar, há as que respeitam ao prazer carnal, tais como as fornicações, as impudicícias, a luxúria, a embriaguez, as comezainas; mas também as que denotam vícios da alma, estranhos ao prazer carnal. Quem é que não compreende que são vícios mais da alma do que da carne o culto dos ídolos, o envenenamento, as inimizades, as dissensões, as animosidades, as intrigas, as heresias, as invejas? Pode até acontecer que a idolatria ou a heresia constitua um motivo para nos abstermos dos prazeres do corpo. Mas mesmo então, embora parecendo conter e refrear as suas paixões camais, o homem é convencido por esta autoridade apostólica de que vive segundo a carne — e na sua abstinência dos prazeres da carne ele mostra que se entrega às obras condenáveis da carne. Quem há que sinta inimizade sem ser na alma? Quem diria a um seu inimigo, ou como tal considerado: «Tens má carne contra mim!», em vez de: «Tens mau ânimo contra mim»? Enfim — ninguém hesitaria em atribuir à carne as «carnalidades» (passe o termo), com o ninguém hesitaria, se ouvisse falar em «animosidades» em as atribuir ao ânimo (alma). Porque é que o «doutor das nações» chama então a estes vícios, e a outros que tais «obras da carne» senão porque quer, usando a figura que toma a parte pelo todo, dar a entender o homem todo pela palavra «carne»?


(cont)

(Revisão da versão portuguesa por ama)





[i] I Corint., XV, 39.
[ii] Rom., III, 20.
[iii] Gál., III, 11.
[iv] Gál., II, 16.
[v] Jo I, 14.
[vi] Santo Agostinho refere-se a Apolinário e aos apolinaristas, segundo os quais, como já antes afirmaram os arianos, em Cristo a alma humana era substituída pelo Verbo.
[vii] Jo XX, 13.
[viii] Gálat., V, 19-22.