15/03/2017


Fátima: Centenário - Oração jubilar de consagração


Salve, Mãe do Senhor,
Virgem Maria, Rainha do Rosário de Fátima!
Bendita entre todas as mulheres,
és a imagem da Igreja vestida da luz pascal,
és a honra do nosso povo,
és o triunfo sobre a marca do mal.

Profecia do Amor misericordioso do Pai,
Mestra do Anúncio da Boa-Nova do Filho,
Sinal do Fogo ardente do Espírito Santo,
ensina-nos, neste vale de alegrias e dores,
as verdades eternas que o Pai revela aos pequeninos.

Mostra-nos a força do teu manto protector.
No teu Imaculado Coração,
sê o refúgio dos pecadores
e o caminho que conduz até Deus.

Unido/a aos meus irmãos,
na Fé, na Esperança e no Amor,
a ti me entrego.
Unido/a aos meus irmãos, por ti, a Deus me consagro,
ó Virgem do Rosário de Fátima.

E, enfim, envolvido/a na Luz que das tuas mãos nos vem,
darei glória ao Senhor pelos séculos dos séculos.


Ámen.

Fátima: Centenário - Oração diária


Senhora de Fátima:

Neste ano do Centenário da tua vinda ao nosso País, cheios de confiança vimos pedir-te que continues a olhar com maternal cuidado por todos os portugueses.
No íntimo dos nossos corações instala-se alguma apreensão e incerteza em relação a este nosso País.

Sabes bem que nos referimos às diferenças de opinião que se transformam em desavenças, desunião e afastamento; aos casais desfeitos com todas as graves consequências; à falta de fé e de prática da fé; ao excessivo apego a coisas passageiras deixando de lado o essencial; aos respeitos humanos que se traduzem em indiferença e falta de coragem para arrepiar caminho; às doenças graves que se arrastam e causam tanto sofrimento.
Faz com que todos, sem excepção, nos comportemos como autênticos filhos teus e com a sinceridade, o espírito de compreensão e a humildade necessárias para, com respeito de uns pelos outros, sermos, de facto, unidos na Fé, santos e exemplo para o mundo.

Que nenhum de nós se perca para a salvação eterna.

Como Paulo VI, aqui mesmo em 1967, te repetimos:

“Monstra te esse Matrem”, Mostra que és Mãe.

Isto te pedimos, invocando, uma vez mais, ao teu Dulcíssimo Coração, a tua protecção e amparo.


AMA, Fevereiro, 2017

Sê o apoio da minha debilidade

Quando o receberes, diz-lhe: - Senhor, espero em Ti; adoro-te, amo-te, aumenta-me a fé. Sê o apoio da minha debilidade, Tu, que ficaste na Eucaristia, inerme, para remediar a fraqueza das criaturas. (Forja, 832)


Creio que não vou dizer nada de novo, se afirmar que alguns cristãos têm uma visão muito pobre da Santa Missa e que ela é para muitos um mero rito exterior, quando não um convencionalismo social. Isto acontece, porque os nossos corações, de si tão mesquinhos, são capazes de viver com rotina a maior doação de Deus aos homens.


Na Santa Missa, nesta Missa que agora celebramos, intervém de um modo especial, repito, a Trindade Santíssima. Para corresponder a tanto amor, é preciso que haja da nossa parte uma entrega total do corpo e da alma, pois vamos ouvir Deus, falar com Ele, vê-Lo, saboreá-Lo. E se as palavras não forem suficientes, poderemos cantar, incitando a nossa língua – Pange, lingua! – a que proclame, na presença de toda a Humanidade, as grandezas do Senhor.



Viver a Santa Missa é manter-se em oração contínua, convencermo-nos de que, para cada um de nós, este é um encontro pessoal com Deus, em que O adoramos, O louvamos, Lhe pedimos, Lhe damos graças, reparamos os nossos pecados, nos purificamos e nos sentimos uma só coisa em Cristo com todos os cristãos. (Cristo que passa, nn. 87-88)

Evangelho e comentário

Tempo da Quaresma


Evangelho: Mt 20, 17-28

Naquele tempo, enquanto Jesus subia para Jerusalém, chamou à parte os Doze e durante o caminho disse-lhes: «Vamos subir a Jerusalém e o Filho do homem vai ser entregue aos príncipes dos sacerdotes e aos escribas, que O condenarão à morte e O entregarão aos gentios, para ser por eles escarnecido, açoitado e crucificado. Mas ao terceiro dia Ele ressuscitará». Então a mãe dos filhos de Zebedeu aproximou-se de Jesus com os filhos e prostrou-se para Lhe fazer um pedido. Jesus perguntou-lhe: «Que queres?» Ela disse-Lhe: «Ordena que estes meus dois filhos se sentem no teu reino um à tua direita e outro à tua esquerda». Jesus respondeu: «Não sabeis o que estais a pedir. Podeis beber o cálice que Eu hei-de beber?» Eles disseram: «Podemos». Então Jesus declarou-lhes: «Haveis de beber do meu cálice. Mas sentar-se à minha direita e à minha esquerda não pertence a Mim concedê-lo; é para aqueles a quem meu Pai o designou». Os outros dez, que tinham escutado, indignaram-se com os dois irmãos. Mas Jesus chamou-os e disse-lhes: «Sabeis que os chefes das nações exercem domínio sobre elas e os grandes fazem sentir sobre elas o seu poder. Não deve ser assim entre vós. Quem entre vós quiser tornar-se grande seja vosso servo e quem entre vós quiser ser o primeiro seja vosso escravo. Será como o Filho do homem, que não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida pela redenção dos homens».

Comentário:

Posso beber o Teu cálice?

Ah, Senhor, não sei se sou capaz!

Pobre de mim que, repugnando-me tanto o meu, como vou beber o Teu?

Queria tanto dizer-te, do fundo do meu coração: Posso!

Só me atrevo a dizê-lo porque sei que me ajudarás e a Tua Graça não me há-de faltar.

(ama, comentário sobre Mt 20, 17-28, 2009.03.11)






Leitura espiritual

A Cidade Deus
A CIDADE DE DEUS 


Vol. 2

LIVRO X

CAPÍTULO V

Sacrifícios que Deus não pretende, mas que aceita apenas com o símbolo dos que pretende.

Quem será tão falho de senso que julgue que Deus tem necessidade das coisas que nos sacrifícios se lhe oferecem? A Sa­grada Escritura apresenta-nos vários testemunhos. Para não nos alon­garmos bastará recordar esta breve passagem de um salmo:

Eu disse ao Senhor: Tu és o meu Deus, porque não tens necessidade dos meus bens.

Tem-se, portanto, de acreditar que Deus não tem necessidade nem de gados, nem seja de que bem corruptível e terrestre for, nem mesmo da justiça dos homens: todo o culto legítimo que se lhe presta, aproveita ao homem, que não a Deus. Ninguém pretenderá prestar um serviço à fonte quando bebe, ou à luz quando vê! Nos sacrifícios em que os patriarcas imolavam animais e que hoje o povo de Deus relê nas Escrituras sem os praticar, convém que se veja apenas a figura das obras que se cumpriam entre nós tendo por fim unirmo-nos a Deus e levarmos para Ele o nosso próximo. O sacrifício visível é, pois, o sacramento, isto é, o sinal sagrado do sacrifício invisível. Por isso o penitente referido no profeta ou o próprio profeta, procurando para os seus pecados a benevolência de Deus, diz-lhe:

Se quisesses um sacrifício eu oferecer-to-ia; mas não te comprazes nos holocaustos. O sacrifício para Deus é um espírito contrito: um coração contrito e humilhado Deus não desprezará [i].

Vejamos como Deus, onde diz que não quer sacrifí­cios, aí mesmo mos­tra que os quer: recusa o sacrifício dos animais abatidos, mas quer o sacrifício de um coração contrito. Assim, segundo o profeta, o que Deus recusa é a figura do que quer. Deus, diz ele, não os quer da maneira que os estultos julgam que Ele quer: pelo prazer que neles acharia. Realmente, se não quisesse que os sacrifícios que pede (e que se reduzem a um só — o coração humilhado e contrito pela dor do arrependimento) fossem figurados pelos sacrifícios pretensamente desejados para o seu prazer, com cer­teza que não teria prescrito a sua celebração na antiga Lei. Eles deveriam, pois, ser substituídos em tempo oportuno e determinado, para que se não pensasse que eram desejados pelo próprio Deus ou aceitáveis por nós próprios, em vez de ser desejado o que neles se significa. Daí as palavras de um outro Salmo:

Se tenho fome, não to. direi, porque é meu o orbe da terra e tudo o que o enche. Porventura comerei a came dos touros ou beberei o sangue dos bodes [ii]?

Com o se dissesse: mesmo que estes bens me fossem necessários eu não tos pediria, porque os tenho em meu poder. Depois acrescenta para explicar estas palavras:

Oferece a Deus um sacrifício de louvor e cumpre os teus votos ao Altíssimo. Invoca-me no dia da tribulação e eu te libertarei e tu me glorificarás [iii].

Da mesma forma, em outro profeta diz:
Com que é que me apresentarei ao Senhor e me inclinarei pe­rante o Altíssimo Deus meu? Apresentar-me-ei diante dele com holocaustos, com reses de um ano? Agradará ao Senhor o sacrifício de milhares de carneiros, de dezenas de milhares de gordos bodes? Em compensação da minha impiedade dar-lhe-ei os meus primogénitos, o fruto das minhas entranhas em compensação do pecado da minha alma? Homem! não te foi já explicado o que é bom? Que te poderá o Senhor exigir senão que pratiques a justiça, que ames a misericórdia e que estejas preparado para caminhar com o Senhor teu Deus? [iv]

Estas palavras do profeta distinguem e mostram claramente duas coi­sas: que Deus não reclama os sacrifícios por si mesmos, e que eles são a figura dos que ele reclama. Diz-se na Epístola escrita para os hebreus:

Não vos esqueçais de fazer o bem e de ser generosos, porque é por tais sacrifícios que se agrada a Deus.[v]

Por isso é que este texto

prefiro a misericórdia ao sacrifício.[vi]

significa apenas que é preciso preferir um certo sacrifício a um outro sacrifício. Porque aquilo a que todos chamam sacrifício é o sinal do verdadeiro sacrifício. A misericórdia é que é o verdadeiro sacrifício; daí a palavra que acabo de citar:

porque é por tais sacrifícios que se agrada a Deus [vii].

Todas estas prescrições divinas da escritura, respeitantes aos sacrifícios do tabernáculo ou do templo, são, portanto, figuras que se referem ao amor de Deus e do próximo. Realmente, com o está escrito, é «nestes dois mandamentos que se resumem toda a lei e os profetas».

CAPÍTULO VI

O verdadeiro e perfeito sacrifício.

O verdadeiro sacrifício é, pois, toda a obra que contribui para nos unir a Deus numa santa sociedade, isto é, toda a obra destinada a esse bem supremo graças ao qual podemos ser verdadeiramente felizes. E por isso que a própria misericórdia que nos leva a socorrer o nosso semelhante, se não é praticada por amor de Deus, não é um sacrifício. Porque, em bora cumprido ou oferecido pelo homem, o sacrifício nem por isso deixa de ser um a coisa divina. E por isso que os antigos latinos lhe davam também esse nome. Consequentemente, o homem consagrado em nome de Deus e a Deus oferecido, é ele mesmo um sacrifício, na medida em que morre para o mundo a fim de viver para Deus. De facto, isto também respeita à misericórdia que cada um pra­tica para consigo mesmo. Por isso está escrito:

Tem piedade da tua alma, tomando-te agradável a Deus [viii].

Também o nosso corpo, quando o mortificamos pela temperança, é um sacrifício se, como deve ser, o fazemos por Deus, sem fazermos dos nossos membros armas de iniquidade para o pecado, mas sim armas de justiça para Deus. A isso nos exortando, diz o Apóstolo:

Suplico-vos, irmãos, pela misericórdia de Deus, que ofereçais os vossos corpos como hóstia viva, santa, agradável a Deus, como homenagem racional vossa [ix].

Se, pois, o corpo, ser inferior de que a alma se utiliza com o de um servidor ou de um instrumento, é um sacrifí­cio quando o seu uso bom e recto se refere a Deus, — quanto mais não será a própria alma um sacrifício quando se refere a Deus, para que, inflamada do fogo do seu amor, largue a forma de concupiscência do século e se reforme, submetendo-se a Deus, forma imutável — tornando-se-lhe assim agradável pelos reflexos que recebe da sua beleza. Como conclusão, o mesmo Apóstolo acrescenta:

E não queirais amoldar-vos a este século, mas reformai-vos, renovando a vossa mentalidade para reconhecerdes qual é a vontade de Deus, o que é bom, o que é agradável, o que é perfeito[x].

Os verdadeiros sacrifícios são, portanto, as obras de misericórdia quer para connosco quer para com o próximo, e referidas a Deus. As obras de misericórdia não se praticam com outro fim que não seja: libertarmo-nos da infelicidade e seguidamente conseguirmos a felicidade — o que não se obtém senão graças ao bem supremo de que
está escrito:

Para mim o bem é unir-me a Deus [xi].

Daqui se conclui com segurança que toda esta cidade resgatada, isto é, a assembleia e a sociedade dos santos, é oferecida a Deus com o um sacrifício universal pelo Magno Sacerdote que, para de nós fazer o corpo de uma tal cabeça, a si mesmo se ofereceu por nós na sua paixão sob a forma de escravo. Foi, efectivamente, esta a forma que Ele ofe­receu, foi nela que Ele se ofereceu, porque é graças a ela que Ele é mediador, é nela que é sacerdote, é nela que é sacrifício. Por isso nos exortou o Apóstolo a que ofereçamos os nossos corpos como hóstia viva, santa, agradável a Deus, como homenagem racional; a não nos amoldarmos a este século, mas a irmo-nos transformando com a nova mentalidade; e — para mostrar-nos qual é a vontade de Deus, o que é bom, o que lhe é agradável, o que é perfeito, porque o sacrifício na sua totalidade somos nós próprios — o Apóstolo continua:

O que realmente, em virtude da graça divina que me foi concedida, eu digo a quem quer que se encontre no meio de vós, é isto: não sinta a seu próprio respeito mais do que convém sentir, mas sinta de maneira que seja moderado o seu sentir, cada um segundo o grau de fé que Deus lhe atribuiu. Pois, como em um só corpo nós temos muitos membros, — e nem todos os membros têm a mesma função — assim nós, que muitos somos, constituímos em Cristo um só corpo, sendo individualmente membros uns dos outros, possuindo dons diferentes conforme a graça que nos foi concedida [xii].

Tal é o sacrifício dos cristãos

muitos somos um só corpo em Cristo [xiii].

E este sacrifício a Igreja não cessa de o reproduzir no Sacramento do altar bem conhecido dos fiéis: nele se mostra que ela própria é oferecida no que oferece.

(cont)

(Revisão da versão portuguesa por ama)





[i] Salmo, 18-19.
[ii] Salmo, XLIX, 12-13.
[iii] Salmo, XLIX, 14-15.
[iv] Miq.,VI,6 e sss.
[v] Heb., XIII, 16.
[vi] Oseias, VI, 6,
[vii] Ibid.
[viii] Ecles., XXX, 24.
[ix] Rom., XII, 1.
[x] Rom., XII, 2.
[xi] Salmo LXXII, 28.
[xii] Rom., XII, 3 e ss.
[xiii] Ibid.

Epístolas de São Paulo – 15

Epístola de São Paulo aos Romanos

II. CULTO DE ACORDO COM O EVANGELHO (12,1-15,13)

 Capítulo 14

Os «fortes» e os «fracos»

1Àquele que é fraco na fé, acolhei-o, sem cair em discussões sobre as suas maneiras de pensar. 2Enquanto a fé de um lhe permite comer de tudo, o que é fraco só come legumes. 3Quem come não despreze aquele que não come; e quem não come não julgue aquele que come, porque Deus o acolheu.
4Quem és tu para julgares o criado de um outro? Se está de pé ou se cai, isso é lá com o seu patrão. Há-de, aliás, ficar de pé, porque o Senhor tem poder para o segurar. 5Além disso, enquanto um julga que há dias e dias, há quem julgue que os dias são todos iguais. Tenha um e outro plena convicção daquilo que pensa. 6Quem guarda alguns dias, é em honra do Senhor que os guarda; quem come de tudo, é em honra do Senhor que come, pois dá graças a Deus; e quem não come, é em honra do Senhor que não come, e também ele dá graças a Deus. 7De facto, nenhum de nós vive para si mesmo e nenhum morre para si mesmo. 8Se vivemos, é para o Senhor que vivemos; e se morremos, é para o Senhor que morremos. Ou seja, quer vivamos quer morramos, é ao Senhor que pertencemos. 9Pois foi para isto que Cristo morreu e voltou à vida: para ser Senhor tanto dos mortos como dos vivos.
10Mas tu, porque julgas o teu irmão? E tu, porque desprezas o teu irmão? De facto, todos havemos de comparecer diante do tribunal de Deus, 11pois está escrito:
Tão certo como Eu vivo, diz o Senhor, todo o joelho se dobrará diante de mime toda a língua dará a Deus glória e louvor.
12Portanto, cada um de nós terá de dar contas de si mesmo a Deus.

Unidos no amor

13Deixemos, pois, de nos julgar uns aos outros. Tomai de preferência esta decisão: não ser para o irmão causa de tropeço ou de escândalo. 14Sei e estou convencido, no Senhor Jesus, de que nada é impuro em si mesmo. Uma coisa é impura só para aquele que a considera como impura. 15Se, por tomares um alimento, entristeces o teu irmão, então não estás a proceder de acordo com o amor. Não faças, com o teu alimento, com que se perca aquele por quem Cristo morreu.
16Que não seja, pois, motivo de blasfémia o bem que há em vós. 17É que o Reino de Deus não é uma questão de comer e beber, mas de justiça, paz e alegria no Espírito Santo. 18E quem deste modo serve a Cristo é agradável a Deus e estimado pelos homens.
19Procuremos, portanto, aquilo que leva à paz e à edificação mútua. 20Não destruas a obra de Deus, por uma questão de alimento. Todas as coisas são puras, certamente, mas tornam-se más para aquele que, ao comê-las, encontra nisso causa de tropeço. 21O que é bom é não comer carne nem beber vinho, nada em que o teu irmão possa tropeçar.

22Guarda para ti, diante de Deus, a convicção de fé que tens. Feliz de quem não se condena a si mesmo, devido às decisões que toma. 23Mas quem sente escrúpulos por aquilo que come fica culpado, por não agir de acordo com a sua convicção de fé. Tudo o que não é feito a partir da convicção de fé é pecado.

A propósito da ideologia do género

Carta Pastoral da Conferência Episcopal Portuguesa

3. Os pressupostos da ideologia do género

Esta teoria parte da distinção entre sexo e género, forçando a oposição entre natureza e cultura. O sexo assinala a condição natural e biológica da diferença física entre homem e mulher. O género baliza a construção histórico-cultural da identidade masculina e feminina. Mas, partindo da célebre frase de Simone de Beauvoir, «uma mulher não nasce mulher, torna-se mulher», a ideologia do género considera que somos homens ou mulheres não na base da dimensão biológica em que nascemos, mas nos tornamos tais de acordo com o processo de socialização (da interiorização dos comportamentos, funções e papéis que a sociedade e cultura nos distribui). Papéis que, para estas teorias, são injustos e artificiais. Por conseguinte, o género deve sobrepor-se ao sexo e a cultura deve impor-se à natureza.

Como, para esta ideologia, o género é uma construção social, este pode ser desconstruído e reconstruído. Se a diferença sexual entre homem e mulher está na base da opressão desta, então qualquer forma de definição de uma especificidade feminina é opressora para a mulher. Por isso, para os defensores do gender, a maternidade, como especificidade feminina, é sempre uma discriminação injusta. Para superar essa opressão, recusa-se a diferenciação sexual natural e reconduz-se o género à escolha individual. O género não tem de corresponder ao sexo, mas pertence a uma escolha subjetiva, ditada por instintos, impulsos, preferências e interesses, o que vai para além dos dados naturais e objetivos.

O gender sustenta a irrelevância da diferença sexual na construção da identidade e, por consequência, também a irrelevância dessa diferença nas relações interpessoais, nas uniões conjugais e na constituição da família. Se é indiferente a escolha do género a nível individual, podendo escolher-se ser homem ou mulher independentemente dos dados naturais, também é indiferente a escolha de se ligar a pessoas de outro ou do mesmo sexo. Daqui a equiparação entre uniões heterossexuais e homossexuais. Ao modelo da família heterossexual sucedem-se vários tipos de família, tantos quantas as preferências individuais, para além de qualquer modelo de referência. Deixa de se falar em família e passa a falar-se em famílias. Privilegiar a união heterossexual afigura-se-lhe uma forma de discriminação. Igualmente, deixa de se falar em paternidade e maternidade e passa a falar-se, exclusivamente, em parentalidade, criando um conceito abstrato, pois desligado da geração biológica.


(cont)

Doutrina - 240

CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA

Compêndio


PRIMEIRA PARTE: A PROFISSÃO DA FÉ
PRIMEIRA SECÇÃO: «EU CREIO» – «NÓS CREMOS»

CAPÍTULO SEGUNDO: DEUS VEM AO ENCONTRO DO HOMEM

A SAGRADA ESCRITURA

20. O que é o cânone das Escrituras?



O Cânone das Escrituras é a lista completa dos escritos sagrados, que a Tradição Apostólica levou a Igreja a discernir. O Cânone compreende 46 escritos do Antigo Testamento e 27 do Novo.

Pequena agenda do cristão

Quarta-Feira



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)






Propósito:

Simplicidade e modéstia.


Senhor, ajuda-me a ser simples, a despir-me da minha “importância”, a ser contido no meu comportamento e nos meus desejos, deixando-me de quimeras e sonhos de grandeza e proeminência.


Lembrar-me:
Do meu Anjo da Guarda.


Senhor, ajuda-me a lembrar-me do meu Anjo da Guarda, que eu não despreze companhia tão excelente. Ele está sempre a meu lado, vela por mim, alegra-se com as minhas alegrias e entristece-se com as minhas faltas.

Anjo da minha Guarda, perdoa-me a falta de correspondência ao teu interesse e protecção, a tua disponibilidade permanente. Perdoa-me ser tão mesquinho na retribuição de tantos favores recebidos.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?







14/03/2017

NUNC COEPI Publicações em14.03.2017


História verdadeira – Os sinais

Hoje dia 13 de Março - ao princípio da tarde, quando regressava do Centro de Saúde onde tinha ido fazer o tratamento da “costura” da cirurgia a que fui sujeito hás duas semanas, vinha pensando comigo mesmo que “tinha muito pouca sorte”, a coisa estava melhor, mas não lhe adivinhava o fim… um contratempo, uma maçada...

Ouvi, então, alguém que me chamava: 'Senhor Manuel! Senhor Manuel!'

Eu não me chamo Manuel, mas, isso não interessava porque eu reconhecia a voz que me interpelava.

(Trata-se de uma pobre mulher de quarenta e poucos anos, que teria sido bonita e, talvez, vistosa, mas que, de há uns anos para cá, era como que um destroço humano. Devastada pelo uso de drogas e uma vida desregrada. A Fernandinha conheci-a bem, falava com ela, oferecia-lhe o pequeno almoço na leitaria próxima, e o certo é que, a pobre foi deixando as drogas até conseguir libertar-se completamente. Mas, o mal estava feito e sem emprego nem recursos, por ali anda na busca de uma ajuda para, pelo menos, comer alguma coisa. Eu também falava – e falo - com ela, aproveitando sempre para lhe incutir coragem levá-la a ter fé e esperança em Deus, a frequentar a Igreja próxima.
Na semana passada andava de muletas. Tinha sido sujeita a uma cirurgia de transplante numa perna. Dei-lhe umas moedas, como sempre.)

Pois, quem me chamava por Senhor Manuel era ela, a Isabel, de seu nome.
Não me apeteceu falar com ela, estava à volta com os meus magnos problemas e, embora se travasse alguma luta interior, desculpei-me a mim mesmo porque não me chamo Manuel.

Só que, a Isabel, continuava a chamar o Senhor Manuel com insistência e angústia e percebi que vinha atrás de mim o que deveria ser, para ela, um enorme sacrifício com as muletas.

Bom… está bem… mas, eu, não me chamo Manuel, continuava eu resistindo ao apelo dramático que persistia atrás de mim.

De repente, oiço: Senhor António! Senhor António!

Parei de chofre e voltei-me para ela como se só então tivesse entendido que era eu – António – que era interpelado.

Com lágrimas nos olhos disse-me: ‘Desculpe não me lembrava do seu nome’.

Fiquei envergonhado, revoltado comigo mesmo.

Queria uma ajuda para ir de autocarro ao hospital…

Mais vergonha e revolta.

Dei-lhe a “extraordinária” quantia de cinco euros, pedi-lhe que enxugasse as lágrimas, dei-lhe um abraço.

Regressando ao meu caminho para casa pensei, tive absoluta certeza, que o Anjo da Guarda da Isabel lhe lembrara o meu nome.

Graças a este “sinal” pude redimir-me e, agora em casa, penso como me sentiria se não o tivesse entendido tão claramente.

Sinto-me muito bem e muito grato.

AMA, reflexões, 13.03.2017