17/01/2017

O amor manifesta-se com factos

Vai até Belém, aproxima-te do Menino, baila com Ele, diz-lhe muitas coisas vibrantes, aperta-o contra o coração... Não estou a falar de infantilidades: falo de amor! E o amor manifesta-se com factos: na intimidade da tua alma, bem o podes abraçar! (Forja, 345)


É preciso ver o Menino, nosso Amor, no seu berço. Olhar para Ele, sabendo que estamos perante um mistério. Precisamos de aceitar o mistério pela fé, aprofundar o seu conteúdo. Para isso necessitamos das disposições humildes da alma cristã: não pretender reduzir a grandeza de Deus aos nossos pobres conceitos, às nossas explicações humanas, mas compreender que esse mistério, na sua obscuridade, é uma luz que guia a vida dos homens.


Ao falar diante do presépio sempre procurei ver Cristo Nosso Senhor desta maneira, envolto em paninhos sobre a palha da manjedoura, e, enquanto ainda menino e não diz nada, vê-Lo já como doutor, como mestre. Preciso de considerá-Lo assim, porque tenho de aprender d'Ele. E para aprender d'Ele é necessário conhecer a sua vida: ler o Santo Evangelho, meditar no sentido divino do caminho terreno de Jesus.


Na verdade, temos de reproduzir na nossa, a vida de Cristo, conhecendo Cristo à força de ler a Sagrada Escritura e de a meditar, à força de fazer oração, como agora estamos fazendo diante do presépio.



É preciso entender as lições que nos dá Jesus já desde menino, desde recém-nascido, desde que os seus olhos se abriram para esta bendita terra dos homens. Jesus, crescendo e vivendo como um de nós, revela-nos que a existência humana, a vida corrente e ordinária, tem um sentido divino. (Cristo que passa, nn. 13–14)

Temas para meditar - 685

Milagres


O milagre da cura (Cf. Jo 4, 53) é força convincente que atrai à fé aquele homem e com ele toda a sua família. 

Todo o bom pai de família deve aproveitar os episódios domésticos para procurar que os seus acedam à fé. 


(Bíblia Sagrada Fac. Teol. Univ. Navarra Coment. Jo 4 53)

Evangelho e comentário

Tempo comum

Evangelho: Mc 2, 23-28

23 Sucedeu também que, caminhando Jesus em dia de sábado, por entre campos de trigo, os discípulos começaram a colher espigas, enquanto caminhavam.24 Os fariseus diziam-Lhe: «Como é que fazem ao sábado o que não é permitido?». 25 Ele respondeu: «Nunca lestes o que fez David, quando se viu necessitado, e teve fome, ele e os que com ele estavam? 26 Como entrou na casa de Deus, sendo sumo-sacerdote Abiatar, e comeu os pães da proposição, dos quais não era permitido comer, senão aos sacerdotes, e deu também aos que o acompanhavam?». 27 E acrescentou: «O sábado foi feito para o homem e não o homem para o sábado.28 Por isso o Filho do Homem é Senhor também do sábado».

Comentário:

Nenhum pai impõe aos seus filhos regras de conduta cuja não obser­vância implica castigo severo sem qualquer outra consideração.

Cumprir o que está determinado é o que se espera, sem dúvida, mas sempre dentro do contexto e nas circunstâncias normais e correntes.

(ama, comentário sobre Mc 2, 23-28, 2010.11.05)





Leitura espiritual


Leitura espiritual


A Cidade de Deus 



Vol. 1

LIVRO III

CAPÍTULO XXVI

Diversos géneros de guerra que seguiram depois da dedicação de um templo à Concórdia.

Excelente obstáculo às sedições, na verdade, esse templo da Concór­dia, testemunha da chacina e do suplício dos Gracos, que os Romanos acharam que deviam opor aos oradores. Quanto com isso aproveitaram mostra-no-lo a sequência de acontecimentos ainda piores. Porque, desde então, os oradores esforçaram-se, não por evitar o exemplo dos Gracos mas por superar os seus projectos. Assim, o tribuno da plebe Lúcio Saturnino, o pretor Gaio Servílio e, muito depois, Marcos Druso primeiro provocaram, todos eles, por suas rebeliões, massacres já de si muito graves; depois, atiçaram as guerras sociais que desolaram profundamente a Itália e a reduziram a um impressionante deserto despovoado. Sucederam-lhe em breve a guerra dos escravos e as guerras civis. Quantas batalhas se travaram! Quanto sangue derramado! Ao ponto de quase todos os povos de Itália sobre os quais o Império Romano exercia a mais poderosa autoridade, estarem submetidos como que a uma cruel barbárie! Logo a seguir, de poucos gladiadores, menos de setenta, originou-se a guerra dos escravos —, e de que maneira! — a que número e a que arrojo e ferocidade chegaram! Os generais do Povo Romano que eles venceram! Que cidades e regiões devastaram e de que maneira! Dificilmente o puderam explicar cabalmente os que escreveram a história. E não ficou por aqui a guerra dos escravos: assolaram — primeiro, a província da Macedónia, depois, a Sicília e a orla marítima. Quem poderá relatar em toda a sua magnitude os horrí­veis males que se cometeram: primeiro os latrocínios e, depois, as violentas guerras dos piratas?

CAPÍTULO XXVII

As guerras civis de Mário e de Sula.

Quando Mário, já de facto manchado pelo sangue dos cidadãos fugiu vencido da Urbe, depois de ter imolado muitos dos seus adversários de partido, a cidade como que respirou um pouco mas, usando as palavras de Túlio:

Venceu depois Cina com Mário. Extinguiram-se então, com a exe­cução dos mais ilustres varões, as luzes da cidade. Sula vingou a seguir esta cruel vitória — nem há necessidade de dizer à custa de quantas vidas de cidadãos e de quanta desgraça para o Estado [i].

Acerca desta vingança, que foi mais perniciosa do que se se deixassem impunes os crimes que até aí se puniram, diz Lucano:
O remédio excedeu a medida e a mão seguiu de muito longe as marcas da doença. Os culpados morreram; mas quando já só podiam restar culpados [ii].

Nesta guerra de Mário e Sula, sem contar com os que morreram em combate, também, na própria Urbe romana, as ruas, as praças, o Foram, os teatros, os templos ficaram juncados de cadáveres. Era difícil dizer quando é que os vencedores fizeram mais vítimas: se antes, para vencerem, ou se depois, por terem vencido. Quando da primeira vitória de Mário, quando, regressado do exílio, se recompõe — sem falar dos massacres cometidos por toda a parte, a cabeça do cônsul Octávio foi exposta nos rostros [iii]; os Césares foram trucidados nas suas casas por Fímbria; os dois Crassos, pai e filho, foram assassinados à vista um do outro: Bébio e Numitório, arrastados por um gancho, pereceram com as entranhas derramadas; Catulo subtraiu-se às mãos dos inimigos tomando veneno; Mérula, flâmine Dial [iv], abriu as veias e ofereceu a Júpiter o próprio sangue em libação; à vista de Mário em pessoa mataram sem delongas cidadãos aos quais ele não queria estender a mão quando o saudavam.

CAPÍTULO XXVIII

Vitória de Sula, vingadora da crueldade de Mário.

Segue-se porém a vitória de Sula, vingadora, claro, das crueldades daquele, conquistada à custa de tanto sangue dos cidadãos. Apenas terminada a guerra, os ódios, que ainda estavam vivos, tom aram a paz ainda mais cruel. Aos primeiros e recentíssimos massacres de Má­rio Velho, juntaram Mário o Jovem e Carbão, do mesmo partido de Mário, outros mais cruéis. Receando a vitória de Sula e também pela sua própria salvação, tudo encheram de cadáveres, dos seus como dos outros. Porque, além dos inúmeros morticínios cometidos por toda a parte, cercaram o Senado e tiraram os senadores da Cúria como que de uma prisão, levando-os à morte pelo gládio. No templo de Vesta, o mais sagrado dos lugares entre os Romanos, Múcio Cévola foi degolado abraçado ao próprio altar — e pouco faltou para o seu sangue extinguir o togo que sempre ardia mercê do cuidado perpétuo das virgens.

Depois em Roma, onde entrou como vencedor, numa Vila Pública, levado, não pela crueldade da guerra, mas da paz, Sula, sem combate mas com uma simples ordem, mandou degolar sete mil prisioneiros — inermes, evidentemente. Houve tantas vítimas, que não toi possível contá-las. Até que alguém sugeriu a Sula que deixasse alguns viverem para que os vencedores tivessem sobre quem mandar. Deteve-se então este anárquico e furibundo desregramento de degolar e foi afixada uma lista, acolhida com grande satisfação, com os nomes de dois mil cidadãos das duas mais ilustres ordens — equestre e senatorial — que deviam ser executados ou proscritos. O número causava tristeza, mas o limite consolava. Não era tanta a amargura de ver tantas vitimas quanto o regozijo de se pensar que os outros já nada mais tinham a temer. Mas a própria segurança dos salvos, aliás bem cruel, não deixou de se afligir com todo o género de refinados tormentos impostos a alguns daqueles cuja morte tinha sido ordenada. A um deles despedaçaram, sem ferro de cortar, com as mãos. Alguns homens esquartejaram um homem vivo mais ferozmente do que as feras costumam despedaçar o cadáver que lhes atiram. A um outro arrancaram os olhos e foram-lhe cortando os membros um a um — e assim teve de viver, ou antes, teve de ir morrendo longamente no meio de atrozes sofrimentos.

Duas famosas cidades foram postas em hasta pública como se se tra­tasse de uma granja. Uma delas foi toda ela condenada à morte como um só réu que se conduzisse ao suplício. E tudo isto se fez na paz, depois da guerra — não para acelarar a vitória, a aliança, mas para que não fosse menosprezada depois de alcançada. A paz rivalizou e até venceu a guerra em crueldade. Esta abateu homens armados; aquela, homens desarmados. Na guerra, o que feria podia ser atingido pelo ferido; mas na paz não se permitia ao sobrevivente que vivesse — antes era obrigado a morrer sem resistência.

CAPÍTULO XXIX

Comparação da invasão dos Godos com as calamidades que os Romanos suportaram da parte dos Gauleses ou dos autores das guerras civis.

Que raiva de povos estrangeiros, que ferocidade dos bárbaros pode ser comparada a esta vitória de cidadãos sobre outros cidadãos? Que é que Roma viu de mais funesto, de mais tétrico, de mais amargo? Seria outrora a invasão dos Gauleses? Ou, recentemente, a dos Godos? Seria a ferocidade de um Mário, dum Sula, doutros chefes afamados dos seus partidos, que eram como que os luminares de todo o partido? É certo que os Gauleses trucidaram a quantos membros do Senado encontraram por toda a cidade, salvo os que estavam na cidadela do Capitólio, que se defendeu sozinha como pôde. Mas permitiram aos que se acolheram a essa colina que resgatassem a preço de ouro as suas vidas, que bem poderiam, se não arrebatar pelo ferro, pelo menos extinguir pelo assédio. Os Godos, esses pouparam tantos senadores que o que mais surpreendeu foi terem matado alguns apenas.

Pelo contrário, Sula, quando ainda era vivo Mário, instalou-se como vencedor no Capitólio, que tinha sido salvo dos Gauleses, para daí decretar a matança. E, como Mário se pôs em fuga — para voltar mais feroz e sedento de sangue —, aquele, no Capitólio, por um senatus-consulto privou muitos cidadãos das suas vidas e dos seus bens. Mas, quando Sula estava ausente, que é que de sagrado, de digno de ser poupado houve para os partidários de Mário, pois nem sequer poupa­ram a Múcio, cidadão, senador, pontífice, quando abraçava mal-aventuradamente o altar onde repousavam, como se dizia, os destinos de Roma? Pondo de parte outras inúmeras mortes, a última lista de Sula degolava mais senadores do que os que os Godos puderam espoliar.

CAPÍTULO XXX

Sequência de guerras que, em grande número e gravidade, precederam a vinda de Cristo.

Com que cara, com que coração, com que impudência, com que tolice ou melhor com que demência não imputam aqueles males aos seus deuses e imputam os de agora ao nosso Cristo? As cruéis guerras civis foram mais amargas, como confessam os seus historiadores, do que todas as guerras com os inimigos estranhos. Julgaram eles que elas tinham não só apoquentado a República mas até a tinham de todo perdido. E eclodiram muito antes da vinda de Cristo. Um a sequência de aceleradas causas liga as guerras de Mário e de Sula às guerras de Sertório e de Catilina (o primeiro proscrito e o segundo sustentado por Sula); liga estas às guerras de Lépido e de Catulo (dos quais um pretendia derrogar e o outro manter a política de Sula); liga estas às de Pompeio e de César (dos quais o primeiro, partidário de Sula, lhe igualava e até ultrapassava o poderio, e o segundo, não podendo suportar o poderio do seu rival, apenas porque o não possuía, adquiriu um maior ainda pela derrota e a morte de Pompeio); liga estas a um outro César, posteriormente apelidado de Augusto, sob cujo império nasceu Cristo.

O próprio Augusto sustentou guerras civis com numerosos adversários. Nelas morreram muitos e muito ilustres homens, entre os quais Cícero, esse tão eloquente artífice da condução da República. O vencedor de Pompeio, Gaio César, cultivou a sua vitória civil com clemência, conservou a vida e as dignidades aos seus adversários. Mas, sob o pretexto de que ele aspirava à realeza, alguns senadores de elevada estirpe conjurados assassinaram-no na própria Cúria, pretendendo assim salvar a liberdade republicana. Depois António, de costumes totalmente diferentes, manchado e corrompido por todos os vícios, pa­rece ter ambicionado o poderio de César. Cícero resistiu-lhe com veemência em nome da mesma pretensa liberdade da pátria. Foi então que surgiu o outro César, jovem de maravilhosa índole, filho adoptivo de Gaio César e posteriormente, como disse, apelidado de Augusto. Cícero favoreceu este jovem César para excitar o seu poderio contra António, esperando que ele, repelido e abatido o domínio de António, restaurasse a liberdade da República. Mas foi bem cego e incapaz de prever o futuro: o jovem cujo prestígio e poderio favorecia, permitiu a António a morte de Cícero, como que num pacto de reconciliação, e apoderou-se, em seu proveito, da liberdade da República a favor da qual tanto e tão alto tinha Cícero clamado.

(cont)

(Revisão da versão portuguesa por ama)





[i] Cicero, In Catii, III, 10
[ii] Lucano, Farsália, II, 142-144 (a). Migne acrescenta o seguinte: “Foi então dada liberdade aos ódios e, liberto do freio das leis, o rancor atirou-se para a frente”. Lucano, Farsália, II, 142-146.
[iii] Os Rostros (Rostra) eram as tribunas destinadas aos oradores no Forum. Eram assim chamadas essas tribunas por estarem adornadas de esporões (Rostra) de ferro retirados aos maiores navios inimigos apresados e por terem a forma de bico das aves (Rostra).
[iv] Dial era o nome dado ao flâmine de Júpiter.

Actos dos Apóstolos

Actos dos Apóstolos

II. EXPANSÃO DA IGREJA FORA DE JERUSALÉM [i]

Capítulo 12
Execução de Tiago. Prisão de Pedro

1Por esse tempo, o rei Herodes maltratou alguns membros da Igreja. 2Mandou matar à espada Tiago, irmão de João, 3e, vendo que tal procedimento agradara aos judeus, mandou também prender Pedro. Decorriam os dias dos Ázimos.

4Depois de o mandar prender, meteu-o na prisão, entregando-o à guarda de quatro piquetes, de quatro soldados cada um, na intenção de o fazer comparecer perante o povo, a seguir à Páscoa. 5Enquanto Pedro estava encerrado na prisão, a Igreja orava a Deus, instantemente, por ele.

6Na noite anterior ao dia em que Herodes contava fazê-lo comparecer, Pedro estava a dormir entre dois soldados, bem preso por duas correntes, e diante da porta estavam sentinelas de guarda à prisão. 7De repente, apareceu o Anjo do Senhor e a masmorra foi inundada de luz. O anjo despertou Pedro, tocando-lhe no lado e disse-lhe: «Ergue-te depressa!» E as correntes caíram-lhe das mãos. 8O anjo prosseguiu: «Põe o cinto e calça as sandálias.» Pedro assim fez. Depois, disse-lhe: «Cobre-te com a capa e segue-me.»

9Pedro saiu e seguiu-o. Não se dava conta da realidade da intervenção do anjo, pois julgava que era uma visão. 10Depois de atravessarem o primeiro e o segundo posto da guarda, chegaram à porta de ferro que dá para a cidade, a qual se abriu por si mesma. Saíram, avançando por uma rua, e logo o anjo se retirou de junto dele. 11Pedro, voltando a si, exclamou: «Agora sei que o Senhor enviou o seu anjo e me arrancou das mãos de Herodes e de tudo o que o povo judeu esperava.»

12E, depois de reflectir, dirigiu-se a casa de Maria, mãe de João, de sobrenome Marcos, onde numerosos fiéis estavam reunidos a orar. 13Bateu à porta da entrada, e uma serva chamada Rode veio atender. 14Reconheceu a voz de Pedro e, com alegria, em vez de abrir, correu a anunciar que Pedro se encontrava em frente da porta. 15«Estás louca!» disseram eles. Como ela afirmava, sem hesitar, que era verdade, disseram: «É o seu anjo.» 16Pedro, entretanto, continuava a bater à porta. Eles abriram e, ao vê-lo, ficaram estupefactos. 17Fazendo-lhes sinal com a mão para se calarem, contou-lhes como o Senhor o tinha tirado da prisão e acrescentou: «Mandai dizer tudo isto a Tiago e aos irmãos.» Depois, retirou-se dali e foi para outro lugar.

18Ao romper do dia, grande foi o alvoroço entre os soldados. Que seria feito de Pedro? 19Como Herodes o tivesse mandado buscar e não o encontrassem, submeteu os guardas a um interrogatório e mandou-os matar. Herodes deixou, em seguida, a Judeia, desceu para Cesareia e por ali se demorou.



[i] (6,8-12,25)

Remédios para acabar com a tristeza - 1

Primeiro remédio: fazer algo agradável

É como se o teólogo, há sete séculos, já tivesse intuído a ideia moderna de que o chocolate é um antidepressivo.
Pode parecer uma visão materialista, mas é evidente que um dia cheio de amarguras pode acabar bem graças a uma cerveja, um bom filme ou um jantar com seu prato favorito, por exemplo.

Este não é um materialismo incompatível com o Evangelho: sabemos que o Senhor Jesus participou com prazer de refeições e banquetes, antes e depois da ressurreição, e aproveitou muitas coisas boas da vida.

Há também um salmo que afirma que o vinho alegra o coração do homem – mas é preciso lembrar que a Bíblia condena a embriaguez, claro!


(cont.)


(Cinco Remédios de são tomás de aquino para acabar com a tristeza)


(Revisão da versão portuguesa por ama)

Jesus Cristo e a Igreja – 141

Celibato eclesiástico: História e fundamentos teológicos

IV. O CELIBATO NA DISCIPLINA DAS IGREJAS ORIENTAIS

A fragmentação do sistema disciplinar no Oriente

…/22

A Legislação do II Concílio Trullano.

…/16

O facto de haver conservado para os bispos da Igreja Oriental a mesma severa disciplina sobre a continência que se praticou sempre em toda a Igreja, pode ser considerada como um resíduo na legislação trullana de uma tradição que sempre considerou unidos a todos os graus da Ordem Sagrada numa mesma obrigação de completa continência.


Também não se compreende porque se conservou, com todo rigor, na Igreja Oriental a condição de admitir um único matrimónio entre os candidatos ao sacerdócio casados. Como já vimos (e veremos mais detalhadamente) essa condição tem só um significado razoável em função de um empenho definitivo na continência completa.


É ainda pouco compreensível a proibição absoluta de se contrair matrimónio depois da sagrada Ordenação, que se mantém ainda quando aos ministros sagrados, desde o sacerdote até abaixo, lhes está permitido o uso do matrimónio.



(Cont)

Pequena agenda do cristão




TeRÇa-Feira


(Coisas muito simples, curtas, objectivas)


Propósito:
Aplicação no trabalho.

Senhor, ajuda-me a fazer o que devo, quando devo, empenhando-me em fazê-lo bem feito para to poder oferecer.

Lembrar-me:
Os que estão sem trabalho.

Senhor, lembra-te de tantos e tantas que procuram trabalho e não o encontram, provê às suas necessidades, dá-lhes esperança e confiança.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?




16/01/2017

Dar é próprio dos apaixonados

O teu talento, a tua simpatia, as tuas condições... perdem-se; não te deixam aproveitá-las. – Pensas bem nestas palavras de um autor espiritual: "Não se perde o incenso que se oferece a Deus. – Mais se honra o Senhor com o abatimento dos teus talentos do que com o seu uso vão". (Caminho, 684)


E, abrindo os seus tesouros, ofereceram-lhe presentes de ouro, incenso e mirra. Detenhamo-nos um pouco para entender este passo do Santo Evangelho. Como é possível que nós, que nada somos e nada valemos, ofereçamos alguma coisa a Deus? Diz a Escritura: toda a dádiva e todo o dom perfeito vem do alto. O homem não consegue descobrir plenamente a profundidade e a beleza dos dons do Senhor: se tu conhecesses o dom de Deus... – responde Jesus à mulher samaritana. Jesus Cristo ensinou-nos a esperar tudo do Pai, a procurar antes de mais o Reino de Deus e a sua justiça, porque tudo o resto se nos dará por acréscimo e Ele conhece bem as nossas necessidades.


Na economia da salvação, o nosso Pai cuida de cada alma com amor e delicadeza: cada um recebeu de Deus o seu próprio dom; uns de um modo, outros de outro. Portanto, podia parecer inútil cansarmo-nos, tentando apresentar ao Senhor algo de que Ele precise; dada a nossa situação de devedores que não têm com que saldar as dívidas, as nossas ofertas assemelhar-se-iam às da Antiga Lei, que Deus já não aceita: Tu não quiseste os sacrifícios, as oblações e os holocaustos pelo pecado, nem te são agradáveis as coisas que se oferecem segundo a Lei.



Mas o Senhor sabe que o dar é próprio dos apaixonados e Ele próprio nos diz o que deseja de nós. Não lhe interessam riquezas, nem frutos, nem animais da terra, do mar ou do ar, porque tudo isso lhe pertence. Quer algo de íntimo, que havemos de lhe entregar com liberdade: dá-me, meu filho, o teu coração. Vedes? Se compartilha, não fica satisfeito: quer tudo para si. Repito: não pretende o que é nosso; quer-nos a nós mesmos. Daí – e só daí – advêm todas as outras ofertas que podemos fazer ao Senhor. (Cristo que passa, 35)

Evangelho e comentário

 Tempo comum

Evangelho: Mc 2, 18-22

18 Os discípulos de João e os fariseus estavam a jejuar. Foram ter com Jesus, e disseram-Lhe: «Porque jejuam os discípulos de João e os fariseus, e os Teus discípulos não jejuam?». 19 Jesus respondeu-lhes: «Podem porventura jejuar os companheiros do esposo, enquanto o esposo está com eles? Enquanto têm consigo o esposo não podem jejuar. 20 Mas virão dias em que lhes será tirado o esposo e, então, nesses dias, jejuarão. 21 Ninguém cose um remendo de pano novo num vestido velho; pois o remendo novo arranca parte do velho, e o rasgão torna-se maior. 22 Ninguém deita vinho novo em odres velhos; de contrário, o vinho fará arrebentar os odres, e perder-se-á o vinho e os odres; mas, para vinho novo, odres novos».

Comentário:

O jejum é uma das práticas de mortificação voluntária mais comuns praticadas em diversas religiões que não só a cristã.

Enquanto numas atinge proporções dignas de nota e, até, aparatosas, noutras, como na Igreja Católica, segue-se uma prática, ligeira, discreta e privada, aliás como o próprio Jesus Cristo recomendou.

Não obstante, alguns que se afirmam cristãos opõem-se ou criticam tenazmente a prática do jejum aduzindo que se trata de algo “do passado”, ou se destina apenas a alguns como, por exemplo, às pessoas consagradas.

Evidentemente que não têm qualquer razão ou crédito; muitas destas pessoas fazem com frequência sacrifícios incríveis – que incluem jejuns violentíssimos – por questões de mera preocupação com o aspecto ou bem-estar físico.

(ama, Comentário sobre Mc 2, 18-22, 2016.01.18)



Leitura espiritual


Leitura espiritual


A Cidade de Deus 

Vol. 1

LIVRO III

CAPÍTULO XXI

Quão ingrata foi a cidade de Roma para com Cipião, seu libertador! Costumes que ela praticava no tempo em que Salústio a descrevia como a melhor.

Ora, entre a segunda e a última guerra contra os Cartagineses, quando, como declara Salústio, os Romanos viviam nos melhores costumes e na maior concórdia (aliás ponho de parte muitos acontecimentos, pensando nos limites do trabalho empreendido) — numa época de óptimos costumes e da maior concórdia, Cipião, o libertador de Roma e da Itália, que de uma forma gloriosa e admirável pôs termo à Segunda Guerra Púnica, tão horrível, tão destruidora, tão perigosa — Cipião, o vencedor de Aníbal e domador de Cartago, cuja vida nos é descrita como votada aos deuses desde a adolescência e alimentada nos templos, foi vítima das acusações dos inimigos e exilado da pátria que tinha salvo e libertado com coragem, e passou e acabou o resto da vida na cidade de Linterno, não mostrando o menor desejo, depois do seu insigne triunfo, de rever Roma, chegando mesmo, diz-se, a ordenar que na sua ingrata pátria não lhe prestassem honras fúnebres [i]. Desde então, por intermédio do procônsul Gneu Mânlio, vencedor dos Galo-gregos, pela primeira vez, o luxo asiático, pior que todo o inimigo, se introduziu em Roma. Efectivamente foi então que apareceram os leitos de bronze, os tapetes preciosos; foi então que nos banquetes se introduziram as tangedoras de cítara e outras licenciosas perversidades. Mas, por agora, propus-me falar dos males que os homens suportam contra vontade e não dos que eles gostosamente criam. É por isso que o caso que referi de Cipião, vítima dos seus inimigos e morrendo longe da pátria por ele liberta, mais interessa à presente discussão, porque as divindades romanas, de cujos templos ele afastou Aníbal, e que se veneram unicamente com vista à felicidade terrena, não lhe retribuíram essa paga. Mas, porque Salústio disse que os costumes desse tempo eram óptimos, julguei conveniente lembrar a invasão do luxo asiático para fazer compreender que Salústio louva essa época em comparação com outros tempos em que os costumes foram os piores no meio de gravíssimas discórdias.

Foi então, isto é, entre a segunda e a terceira guerra púnicas, que foi promulgada a Lei Vorónia proibindo que se instituísse herdeira a mulher mesmo que fosse filha única. Ignoro o que se poderá dizer ou pensar de mais iníquo que esta lei. Todavia, durante todo o intervalo das duas guerras púnicas, a desgraça de Roma foi mais tolerável. Apenas no exterior o exército era castigado por guerras, mas era compensado pelas vitórias; no interior nenhumas discórdias grassavam como há pouco. Mas, durante a última guerra púnica — em que, num só ataque do segundo Cipião, que por isso também recebeu o cognome de Africano, a rival do Império Romano foi destruída de raiz — a República Romana foi esmagada por tal cúmulo de males que, devido à demasiada corrupção dos costumes resultante da prosperidade e segurança, Cartago fez-lhe então mais mal com a sua rápida queda do que antes com a sua longa hostilidade.

Durante todo este tempo até César Augusto — que parece ter tirado por completo a liberdade aos Romanos (liberdade essa que eles próprios já não consideravam gloriosa mas facciosa, funesta, debilitada, lânguida) para concentrar tudo no arbítrio próprio de um rei e restaurar, regenerar a República Romana debilitada por doença e por velhice — durante todo este tempo omitirei os repetidos desastres militares devido ora a uma ora a outra causa e o tratado maculado de repulsiva ignomínia concluído com Numância. Os frangos tinham voado da gaiola — o que constituiu um mau presságio para o cônsul Mancino, dizem; com o se, durante tantos anos em que esta pequena cidade esteve sitiada, mantendo sob ameaça o exército romano e começando já a ser o terror da República, a tivessem atacado os outros generais sob augúrios diferentes!

CAPÍTULO XXII

Édito de Mitrídates ordenando que se matassem todos os cidadãos romanos que se encontrassem na Ásia.

Disse que omitia esses acontecimentos; todavia não calarei a ordem de Mitrídates, rei da Ásia, para que matassem num só dia todo o cidadão romano que se encontrasse em qualquer parte da Ásia (e grande número deles aí tratava dos seus negócios) — ordem que foi cumprida. Quão digno de dó era aquele espectáculo! Subitamente, por toda a parte, onde quer que se encontrasse um — no campo, no caminho, na cidade; em casa, na aldeia, na praça; no templo, no leito, à mesa — é inopinada e impiedosamente trucidado! Que gemidos dos que morriam! Que lágrimas dos que assistiam, talvez até dos que feriam! Que dura obrigação a dos hospedeiros, não só de verem estes nefandos morticínios em suas casas, mas até de os cometerem! Os seus rostos despojam-se de repente da sua grandiosa e sorridente humanidade, para, em plena paz, cometerem um acto de guerra e desferirem, direi, mútuos golpes: porque a vítima era ferida no seu corpo e o assassino era-o na alma.

Será que todos estes tinham também desprezado os augúrios? Não tinham eles deuses domésticos e públicos que consultassem quando partiram de suas casas para esta viagem de onde não podiam voltar? Se assim é, não têm, nesta questão, razão para se queixarem dos nossos tempos. De há muito que os Romanos desprezam estas práticas.

CAPÍTULO XXIII

Males internos que agitaram a República Romana depois de terem sido precedidos de um prodígio: a raiva de que foram atacados os animais domésticos.

Mas recordemos já, com rapidez, aqueles males que foram tanto mais deploráveis quanto mais internos: as discórdias civis, ou antes incivis, que já não foram sedições mas verdadeiras guerras urbanas; em que tanto sangue foi derramado; em que as paixões dos partidos se desencadearam, não já por dissensões de assembleia nem por recíprocas invectivas de toda a espécie, mas abertamente pelo ferro e pelas armas — guerras sociais, guerras servis, guerras civis. Quanto sangue romano derramaram! Quantas devastações e deserções fizeram em Itália!

Efectivamente, ainda antes que a guerra social levantasse o Lácio contra Roma, todos os animais sujeitos aos serviços humanos — cães, cavalos, burros, bois e outros animais que estavam sob o domínio dos homens, tomaram- -se subitamente ferozes, esqueceram a mansidão doméstica e, saindo dos estábulos, vagueavam soltos, de ninguém se deixavam aproximar, nem mesmo dos donos, sem um desfecho fatal ou sem perigo para o audacioso que de perto lhes fosse no encalço. De que mal foi sinal — se é que foi um sinal — isto que foi tamanho mal mesmo sem ser sinal? Se isto tivesse acontecido nos nossos tempos, vê-los-íamos mais raivosos do que aqueles seus animais contra eles.

CAPÍTULO XXIV

Conflitos civis provocados pelas sedições dos Gracos.

 O início dos males civis foram as sedições dos Gracos provocadas pelas leis agrárias. Queriam, na verdade, distribuir pelo povo os campos que a nobreza possuía injustamente. Mas ousar extirpar uma já vetusta iniquidade revelou-se tarefa não só muito perigosa como extremamente perniciosa, como os factos o demonstraram. Que carnificina a cometida quando o Graco mais velho foi assassinado! E também a cometida quando, não muito tempo depois, mataram o outro, seu irmão! Não era em nome das leis e por ordem das autoridades que nobres e plebeus se matavam; era pelas turbas em conflitos armados. Depois do assassínio do segundo Graco, o cônsul Lúcio Opímio, que, na cidade, contra ele tinha pegado em armas e, depois de o ter a ele e aos seus partidários atacado e abatido, fez uma ingente matança de cidadãos, — perseguiu o resto do partido por via judiciária e, após inquérito, imolou, diz-se, três mil homens.

Disto se pode ver quão grande multidão de mortos pôde custar o desordenado choque das armas quando uma instrução judiciária dita regular pôde fazer tantas vítimas. O assassino de Graco vendeu a cabeça deste ao cônsul a peso de ouro. Tinham feito este contrato antes da matança. Nela foi também morto com seus filhos o consular Marco Fúlvio.

CAPÍTULO XXV

O templo da Concórdia erigido por um senatus-consulto no sítio em que tiveram lugar as sedições e as matanças.

Por senatus-consulto, sem dúvida oportuno, ordenou- -se que, no próprio lugar do mortífero tumulto em que tombaram tantos cidadãos de todas as ordens, se levantasse um templo à Concórdia para que este, testemunha do castigo dos Gracos, ferisse os olhos dos oradores e lhes impressionasse a memória. Mas que outra coisa não foi senão uma zombaria dos deuses a construção de um templo em honra de uma deusa que, se estivesse presente, não teria permitido a ruína da cidade, dilacerada por tantas dissensões? A não ser talvez que a deusa Concórdia, ré de tal crime porque deixou ao abandono os ânimos dos cidadãos, merecia ser encerrada naquele templo como que num cárcere! Porque é que, caso quisessem estar de acordo com os acontecimentos, não levantaram antes um templo à Discórdia? Haverá alguma razão para que a Concórdia seja uma deusa e o não seja a Discórdia, aliás conforme a distinção de Labeão: a primeira seria uma deusa boa e a segunda uma deusa má? Parece que este não apresentou senão esta razão — ter notado que em Roma foi erigido um templo em honra da Febre e outro em honra da Saúde. De igual modo, portanto, se deveria ter erigido um em honra da Discórdia e outro em honra da Concórdia. Assim foi perigosamente que os Romanos decidiram viver sob a férula de uma tão má deusa — e se esqueceram de que a sua cólera deu origem à destruição de Tróia. Efectivamente, porque não fora convidada para o banquete dos deuses, imaginou a tramoia de lançar a maçã de ouro para pôr à briga as três deusas. Daí a rixa entre as três deusas, a vitória de Vénus, o rapto de Helena e a destruição de Tróia. Foi por isso que — talvez indignada porque não mereceu, como os demais deuses, ter na Urbe um templo — perturbava já a cidade com tão graves tumultos. Quanto mais terrível não deve ter sido a sua ira quando, no próprio lugar da carnificina, isto é, no lugar do seu próprio trabalho, viu levantar-se um templo em honra da sua rival!

Os doutos e sapientes azedam-se quando nos rimos destas fatuidades. Todavia, os adoradores destas boas e más divindades não escapam a este dilema da Concórdia e da Discórdia: quer porque puseram de parte o culto destas duas deusas, preferindo o culto de Febre e de Belona, às quais outrora dedicaram santuários, quer porque também àquelas prestaram culto mas a Concórdia abandonou-os e a Discórdia vinga-se arrastando-os à guerra civil.


(cont)

(Revisão da versão portuguesa por ama)





[i] Segundo a tradição, Cipião teria mandado gravar na pedra tumular, sob a qual ficou a jazer o seu corpo, a seguinte inscrição: Ingrata patria ossa mea non possidebis — Ingrata pátria, não possuirás os meus ossos.

Diálogos apostólicos

Diálogos apostólicos II Parte
27 - [1]

Fiquei esclarecido!

Então… faria a primeira pergunta:

Qual a principal razão da Igreja para se preocupar tanto com uma “Doutrina Social”?

Respondo:

A Igreja continua a interpelar todos os povos e todas as nações, porque somente no nome de Cristo a salvação é dada ao homem.
A salvação, que o Senhor Jesus nos conquistou por um “alto preço” [i], realiza-se na vida nova que espera os justos após a morte, mas abrange também este mundo [ii] nas realidades da economia e do trabalho, da sociedade e da política, da técnica e da comunicação, da comunidade internacional e das relações entre as culturas e os povos.



[1] Nota: Normalmente, estes “Diálogos apostólicos”, são publicados sob a forma de resumos e excertos de conversas semanais. Hoje, porém, dado o assunto, pareceu-me de interesse publicar quase na íntegra.




[i] cf. 1Cor 6, 20; 1Pd 1, 18-19
[ii] cf. 1Cor 7, 31

Actos dos Apóstolos

Actos dos Apóstolos

II. EXPANSÃO DA IGREJA FORA DE JERUSALÉM [i]

Capítulo 11

Caridade dos primeiros cristãos

27Nesses dias, uns profetas desceram de Jerusalém a Antioquia. 28Um deles, chamado Agabo, ergueu-se e, sob a inspiração do Espírito, predisse que haveria uma grande fome por toda a terra. Foi a que sobreveio no reinado de Cláudio. 29Os discípulos, cada qual segundo as suas posses, resolveram então enviar socorros aos irmãos da Judeia, 30o que fizeram, mandando-os aos anciãos, por intermédio de Barnabé e de Saulo.



[i] (6,8-12,25)