24/05/2015

O que pode ver em NUNC COEPI em 24 de Maio

São Josemaria – Textos

AMA - Meditações de Maio – 2015

A beleza de ser cristão (Ernesto Juliá), Ernesto Juliá Diaz, AMA - Comentários ao Evangelho Jo 17 11-19, Ernesto Juliá Diaz


Agenda Domingo

Mandamento novo

Com quanta insistência o Apóstolo S. João pregava o "mandatum novum"! "Amai-vos uns aos outros!". Pôr-me-ia de joelhos, sem fazer teatro – grita-mo o coração –, para vos pedir, por amor de Deus, que vos estimeis, que vos ajudeis, que vos deis a mão, que vos saibais perdoar. Portanto, vamos banir a soberba, ser compassivos, ter caridade; prestar-nos mutuamente o auxílio da oração e da amizade sincera. (Forja, 454)

Só por o filho voltar a Ele, depois de o atraiçoar, prepara um banquete. Que nos concederá, a nós, que procurámos ficar sempre ao Seu lado?

Longe da nossa conduta, portanto, a lembrança das ofensas que nos tenham feito, das humilhações que tenhamos padecido – por mais injustas, grosseiras e rudes que tenham sido – porque é impróprio de um filho de Deus ter um registo preparado para apresentar depois uma lista de ofensas. Não podemos esquecer o exemplo de Cristo. Não se muda a nossa fé cristã como quem muda um vestido: pode enfraquecer ou robustecer-se ou perder-se. Com esta vida sobrenatural revigora-se a fé e a alma aterra-se ao considerar a miserável nudez humana sem o auxílio divino. E perdoa e agradece: meu Deus, se contemplo a minha pobre vida não encontro nenhum motivo de vaidade e menos ainda de soberba; só encontro abundantes razões para viver sempre humilde e compungido. Sei bem que a melhor nobreza é servir.


Levantar-me-ei e percorrerei a cidade: pelas ruas e praças procurarei aquele que amo... E não apenas a cidade; correrei o mundo de lés a lés – por todas as nações, por todos os povos, por carreiros e atalhos – para conquistar a paz da minha alma. E descubro-a nas ocupações diárias, que não me servem de estorvo; que são – pelo contrário – o caminho e a ocasião de amar cada vez mais e de cada vez mais me unir a Deus. (Amigos de Deus, nn. 309–310)

Meditações de Maio 24



Entrego-me nas tuas mãos como um filho pequeno que não sabe a quem melhor recorrer em todas as ocasiões.

Quando estou alegre ou a saudade me amarfanha o coração;

Quando “tudo me corre bem” ou nuvens mais escuras se avolumam no horizonte próximo.

Aí – estou seguro – estás tu Mãe Santíssima pronta a acolher-me e a ajudar-me no que preciso.



(ama, meditações de Maio, 2015)

Evangelho, comentário, L. Espiritual (A beleza de ser cristão)


Pentecostess

Evangelho: Jo 17, 11-19.

11 Já não estou no mundo, mas eles estão no mundo, e Eu vou para Ti. Pai Santo, guarda em Teu nome aqueles que Me deste para que sejam um, assim como Nós. 12 Quando Eu estava com eles, os guardava em Teu nome. Conservei os que Me deste; nenhum deles se perdeu, excepto o filho da perdição, cumprindo-se a Escritura. 13 Mas agora vou para Ti e digo estas coisas, estando ainda no mundo, para que eles tenham em si mesmos a plenitude da Minha alegria. 14 Dei-lhes a Tua palavra, e o mundo odiou-os, porque não são do mundo, como também Eu não sou do mundo. 15 Não peço que os tires do mundo, mas que os guardes do mal. 16 Eles não são do mundo, como Eu também não sou do mundo. 17 Santifica-os na verdade. A Tua palavra é a verdade. 18 Assim como Tu Me enviaste ao mundo, também Eu os enviei ao mundo. 19 Por eles Eu santifico-Me a Mim mesmo, para que também sejam santificados na verdade.

Comentário:

O discurso da unidade!

Assim poderíamos chamar a este trecho de São João.

Mas também o discurso da santidade pessoal.

Esta sem dúvida que depende daquela e ambas da Verdade a única Verdade, aquela que Cristo - Ele próprio a Verdade - nos veio trazer com a Redenção operada na Cruz.

(ama, comentário sobre Jo 17, 11-19, 2015.05.10)


Leitura espiritual



a beleza de ser cristão

SEGUNDA PARTE

COMO SER CRISTÃOS

I A VIDA CRISTÃ PESSOAL



o ser «nova criatura»

…/3

       

disposições necessárias para crescer na fé



        Pela Fé sabemos que essa conversão se realizará: «Como o homem terreno, assim são os homens terrenos, como o homem celeste assim serão os homens celestes.
E do mesmo modo que revestimos a imagem do homem terreno revestiremos também a imagem do homem celeste» [1].
E que se levará a cabo paulatinamente num movimento da nossa liberdade que vive na liberdade do amor de Deus, na liberdade dos filhos de Deus.

        «Porque o Senhor é o Espírito e onde está o Espírito do Senhor aí está a liberdade.
Mas todos nós que com o rosto descoberto reflectimos como um espelho a glória do Senhor vamos transformando-nos nessa mesma imagem cada vez mais gloriosos conforme a acção do Senhor que é Espírito» [2].

        A Fé é que abre caminho e permite que o nosso espírito descubra que foram ditas para ele as palavras de São Paulo: «Pois o mesmo Deus que disse: ‘Do seio das trevas brilhe a luz e fez a luz brilhar nos nossos corações para irradiar o conhecimento da glória de Deus que está na face de Cristo» [3].

        O primeiro acto livre do homem em relação a Deus, ed para aceitar essa vida que se lhe oferece, é precisamente o acto de Fé.
Só é válido o acto de Fé feito em pleno exercício da liberdade pessoa.
O homem configura o acto de Fé no meio de uma certa obscuridade da sua inteligência.
A luz da Graça ilumina a inteligência sem a confundir nem a submeter.
Mais, prepara-a para que, em todo o esplendor da Fé, mova a vontade para que esteja em melhores condições de actuar em liberdade.
Na liberdade assim exercida o homem reafirma-se em saber que a sua pessoa, ele, é um «ser para a eternidade de Deus».

        E ao mesmo tempo o actuar do homem iluminado pela Fé requere o concurso e a participação da razão.
No acto de Fé o homem descobre e aprecia que tanto a inteligência como a Fé são «dons de Deus».

        «A pessoa humana participa da luz e da força do Espírito divino.
Pela razão de que é capaz de compreender a ordem das coisas estabelecidas pelo Criador.
Pela sua vontade é capaz de dirigir-se por si mesmo ao seu bem verdadeiro.
Encontra a sua perfeição na procura do amor da verdade e do bem» [4].

        O homem que de alguma forma se relaciona com Deus abre horizontes nunca suspeitados e ainda quando considera que essa relações são mais rotineiras que vividas, mais fruto do costume que de um verdadeiro e renovado acto de amor.
Para onde nos dirigem esses horizontes?
Ou melhor dizendo em que consistem esses horizontes quel é a sua verdadeira riqueza e mistério?

        Penetrar na mente de Deus, nos caminhos de Deus sobre o mundo, sobre a criação, é certamente difícil mas nem por isso devemos deixar de lado o esforço que implica conscientes para além do mais de que para esse fim fomos criados por Deus.
O homem e só se descobre incapaz para algumas coisas, para alguns voos da inteligência, do coração, quando se põe em contacto directamente com Deus.
Então torna-se-lhe evidente que o seu ser é limitado e que as suas capacidades estão encerradas nos estreitos limites do seu ser.

        Podemos dizer que a Fé é a luz divina na inteligência que mantém o homem aberto à perspectiva do infinito impulsionando a sua inteligência a perguntar-se a razão de tudo quanto existe.
O acto de Fé orienta o inquirir e permite vislumbrar o esplendor da verdade.

        O homem é consciente das dificuldades com que se encontra e das limitações que descobre ainda que mantendo viva a Fé na divindade de Jesus Cristo e na sua Ressurreição, desenvolver a capacidade espiritual que tem para se dirigir a Deus.

        A vida da Graça, e o desenvolvimento da «participação da natureza divina» que o cristão está chamado a viver comporta a actuação livre do homem.
Actuação livre desde o primeiro instante em que decide «viver em Cristo, com Cristo e por Cristo».
Entende-se que um viver livre só possível em união com a Graça e em cooperação livre em Cristo, com Deus, movidos pelo Espírito Santo.

        Já comentámos a acção do Espírito Santo nas almas que se manifesta nos Dons e nos Frutos.
Agora é o momento de sublinhar que a vida de Jesus Cristo sobre a terra, a acção de Deus Pai na Criação e na Providência do mundo só são possíveis de descobrir e saborear espiritualmente sob  aluz do Espírito Santo que torna possível que o crente não se deixe enganar pelas trevas em que o pecado envolve as obras de Deus.

        O homem há-de conseguir vislumbrar Deus, a verdade de Deus, a Jesus Cristo Filho de Deus feito homem sem se deixar dominar pelas trevas originadas na sua mente pelo pecado.
Além disso há-de sobrepor-se ao estado de desalento e desânimo que experimenta ao ser consciente do seu pecado, conseguir que a memória dos seus pecados não o abata nem o desespere e possa dizer com serenidade: «Sem cessar o meu pecado está diante de mim, contra ti e só contra ti pequei, cometi os mal aos teus olhos» [5].
E também necessita de recuperar um certo amor a Deus mas também a consciência de se saber querido e amado por Deus.

        Essa irradiação de luz coloca no cristão a convicção de ser chamado a uma vida de união com Deus, a uma vida já não somente compartilhada com Deus mas vivida em e por Cristo em Deus pelo Espírito Santo; essa vida é o que se chama a santidade da que estamos tratando nestas páginas.

        Deus não impõe esta chamada à santidade a nenhum ser humano, de forma semelhante como lhe impôs o acto de nascer, a vida natural.
A Fé descobre ao homem, esse anseio de Deus e Deus espera do homem uma resposta de aceitação.
«Deus espera-nos nesse instante decisivo, diz-nos Endokimov, espera da nossa fé um acto de afirmação de aceitação consciente do nosso destino (que é a santidade), e roga-nos que o assumamos livremente.
Ninguém pode fazê-lo em nosso lugar nem sequer Deus» [6].

        «Todos os fiéis cristãos, de qualquer condição e estado, fortalecidos com tantos e tão poderosos meios de salvação são chamados pelo Senhor cada um pelo seu caminho, à perfeição daquela santidade com que o próprio Pai é perfeito» [7].

        «Se bem que na Igreja nem todos vão pelo mesmo caminho, todavia todos estão chamados à santidade e alcançaram fé idêntica pela justiça de Deus» [8].

        »Convence-te bem: há muitos homens e mulheres no mundo e nem a um só deles o Mestre deixa de chamar.
Chama-os a uma vida cristã, a uma vida de santidade, a uma vida de eleição, a uma vida eterna» [9].

        Como consegue o homem começar esse caminhar que o levará à sua conversão a manter na sua alma sempre vivo  o desejo de ser «nova criatura» em Cristo, a aceitar que Deus o chame a ele pessoalmente a viver em santidade?

        O primeiro passo que manifesta o enraizamento da Fé no espírito e o homem andar para Deus é a oração.
A oração leva à vida sacramental e os sacramentos impelem o espírito para a oração.
Em suma, a oração é «tratar» a Quem recebemos nos sacramentos.

        Veremos em seguida o que é a oração e como vivê-la.
Agora adiantamos que é uma acção do homem em que confluem a Fé, a Esperança e a Caridade e para que o homem possa orar – vê-lo-emos com detalhe mais adiante – das três claras disposições que já mencionámos e que uma vez mais recordamos hão-de permanecer desperta e activas ao longo de toda a vida verdadeiramente cristã.

        Essas disposições são: de humildade na inteligência, de arrependimento no coração, de docilidade em toda a pessoa, para receber e acolher a Palavra de Deus, para acolher o próprio Jesus Cristo Nosso Senhor.



(cont)

ernesto juliá, La belleza de ser cristiano, trad. ama)







[1] 1 Cor 15, 48-49
[2] 2 Cor 3, 18
[3] 2 Cor 4, 6
[4] Catecismo n. 1704
[5] Sal 50
[6] Paul Eudokinov, Les âges de la vie spirituelle, Desclée de Brouver, Paris 1964, p. 67
[7] Lumen gentium, n. 11
[8] Lumen gentium, n. 32
[9] São Josemaria Escrivá, Forja, n. 13

Pequena agenda do cristão


DOMINGO


(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Viver a família.

Senhor, que a minha família seja um espelho da Tua Família em Nazareth, que cada um, absolutamente, contribua para a união de todos pondo de lado diferenças, azedumes, queixas que afastam e escurecem o ambiente. Que os lares de cada um sejam luminosos e alegres.

Lembrar-me:
Cultivar a Fé.

São Tomé, prostrado a Teus pés, disse-te: Meu Senhor e meu Deus!
Não tenho pena nem inveja de não ter estado presente. Tu mesmo disseste: Bem-aventurados os que crêem sem terem visto.
E eu creio, Senhor.
Creio firmemente que Tu és o Cristo Redentor que me salvou para a vida eterna, o meu Deus e Senhor a quem quero amar com todas as minhas forças e, a quem ofereço a minha vida. Sou bem pouca coisa, não sei sequer para que me queres mas, se me crias-te é porque tens planos para mim. Quero cumpri-los com todo o meu coração.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?

23/05/2015

O que pode ver em NUNC COEPI em 23 de Maio

São Josemaria - Textos

AMA - Meditações de Maio – 2015

A beleza de ser cristão (Ernesto Juliá), AMA - Comentários ao Evangelho Jo 21 20-25, Ernesto Juliá Diaz

Suma Teológica - Tratado da Vida de Cristo - Quest 27- Art 3,São Tomás de Aquino


Agenda Sábado

E, com esse convívio, gerar-se-á o Amor

O único meio de conhecer Jesus: privar com Ele! N'Ele encontrarás sempre um Pai, um Amigo, um Conselheiro e um Colaborador para todas as actividades honestas da tua vida quotidiana... E, com esse convívio, gerar-se-á o Amor. (Sulco, 662)

Se procuras meditar, o Senhor não te negará a sua assistência. Fé e obras de fé! Obras, porque o Senhor – tu já reparaste nisso desde o princípio e eu já to fiz notar a seu tempo – cada dia é mais exigente. Isto já é contemplação e união; e assim há-de ser a vida de muitos cristãos, avançando cada um pela sua própria via espiritual – são infinitas – no meio dos afazeres deste mundo, mesmo sem se darem conta disso.

Uma oração e uma conduta que não nos afastam das nossas actividades correntes, que nos conduzem a Nosso Senhor no meio dos nossos nobres empenhos terrenos. Ao elevar a Deus todas essas ocupações, a criatura diviniza o mundo. Tenho falado tantas vezes do mito do rei Midas que convertia em ouro tudo aquilo em que tocava! Podemos converter em ouro de méritos sobrenaturais tudo o que tocamos, apesar dos nossos erros pessoais.


Assim actua o Nosso Deus. Quando aquele filho regressa, depois de ter gasto o seu dinheiro, vivendo mal, depois – sobretudo – de se ter esquecido do pai, o pai diz: depressa, trazei aqui o vestido mais rico e vesti-lho e colocai-lhe um anel no dedo; calçai-lhe as sandálias. Tomai um vitelo gordo, matai-o e comamos e celebremos um banquete. O Nosso Pai, Deus, quando recorremos a Ele com arrependimento, tira riqueza da nossa miséria e força da nossa debilidade. Que preparará para nós, se não O abandonarmos, se O procurarmos todos os dias, se Lhe dirigirmos palavras carinhosas confirmadas pelas nossas acções, se Lhe pedirmos tudo, confiados na Sua omnipotência e na Sua misericórdia? (Amigos de Deus, nn. 308–309)

Evangelho, comentário L Espiritual (A beleza de ser cristão)



Semana VII da Páscoa

Evangelho: Jo 21 20-25

20 Pedro, tendo-Se voltado, viu que o seguia aquele discípulo que Jesus amava, aquele mesmo que na ceia estivera reclinado sobre o Seu peito e Lhe perguntara: «Senhor, quem é que Te vai entregar?». 21 Pedro, vendo-o, disse a Jesus: «Senhor, e deste, que será?» 22 Jesus disse-lhe: «Se quero que ele fique até que Eu venha, que tens com isso? Tu, segue-Me». 23 Correu então entre os irmãos que aquele discípulo não morreria. Jesus, porém, não disse a Pedro: «Não morrerá», mas: «Se quero que ele fique até que Eu venha, que tens com isso?». 24 Este é aquele discípulo que dá testemunho destas coisas e que as escreveu, e sabemos que o seu testemunho é verdadeiro. 25 Muitas outras coisas fez Jesus. Se se escrevessem uma por uma, creio que nem todo o mundo poderia conter os livros que seria preciso escrever.

Comentário:

Efectivamente como seria possível registrar por escrito tudo quanto ao longo de mais de mil dias O Senhor deve ter feito e dito!

E, mesmo assim, não fora o Espírito Santo e o que fica constante tampouco seria possível de assimilar de forma coerente.

São João declara sem dúvida alguma que assim é e ainda bem que o faz porque nos deixa na expectativa de saber mais e conhecer melhor a vida terrena do Redentor.

(ama, comentário sobre Jo 21, 20-25 2014.06.07)



Leitura espiritual



a beleza de ser cristão

SEGUNDA PARTE

COMO SER CRISTÃOS

I A VIDA CRISTÃ PESSOAL



o ser «nova criatura»

…/2

        A vida pessoal cristã leva consigo:

1. «Despojar-se do homem velho» adquire o seu verdadeiro sentido em preparar o espírito a «revestir-se do homem novo».
Além disso, «despojar-se» não é o primeiro passo nem «revestir-se» é o segundo: são duas palavras que exprimem duas acções diferentes que aplicadas ao processo de conversão cristã se convertem numa única acção com dois aspectos diferentes.
Ou seja, «despojar-se» e «revestir-se» são na realidade duas faces da mesma acção: despojar-se sem revestir-se não é nada e revestir-se sem despojar-se tampouco.
Ninguém «deita vinho novo em odres velhos».

        São Paulo expressa-o assim aos Colossenses: «Despojai-vos do homem velho com todas as suas obras e revesti-vos do homem novo que se vai renovando até alcançar um conhecimento perfeito segundo a imagem do seu Criador donde não há grego e judeu, circuncisão ou incircuncisão, bárbaro ou escita, escravo ou livre porque Cristo é tudo em todos» [1].

2. O ser «nova criatura» implica a necessidade de nos contermos e que toda a vida do cristão seja um conversão constante, principalmente no moral, mas entitativa: a redenção do pecado que a Graça opera na pessoa humana torna possível que toda a natureza humana se reajuste e esteja em condições de desenvolver todas as suas potencialidades pelos canais adequados.

São Paulo diz: «É Cristo quem vive em mim».
Pode Cristo chegar a viver plenamente em cada um de nós?
Vivendo enxertados em Cristo pelos sacramentos – como já vimos na Primeira Parte – o fruto da acção da Graça em nós é uma conversão que nunca se conclui.
A Graça jamais deixa de actuar no nosso espírito até, se não lhe colocamos obstáculo, toda a massa esteja fermentada.
Ou seja a acção da Graça acabará sendo também moral porque no cristão é entitativa, ontológica: o ser humano também chega à plenitude como homem em Cristo Jesus.

        Convém-nos, portanto, não esquecer que o homem é cristão pelo que é e não pelo que faz.
O que faz terá que manifestar o que é.
Por esta razão a acção da Graça no núcleo do ser pessoal começa o processo das conversões.

        Como uma luz descobre as sombras a conversão descobre a insuficiência e a inconsistência do presente, abre horizontes para um mundo novo e leva consigo o compromisso gozoso de todo o ser.

        3. Podemos resumir brevemente este processo da seguinte forma ao mesmo tempo que nos remetemos ao cap. X da Primeira Parte no qual já falámos do significado vital da Fé, da Esperança, da Caridade.

        Para que a conversão à Fé, à Esperança e à Caridade deite raízes no homem e se possa dizer de qualquer cristão que «vive da Fé» e para que no final do processo Cristo chegue a viver verdadeiramente no crente, requerem-se o que poderíamos chamar «conversões prévias», também frutos da acção da Graça e da cooperação livre do homem.

        A primeira e decisiva conversão é a de tomar consciência de ser criatura que leva a aceitar a criação do homem por Deus.
A primeira relação que Deus Pai estabelece com o homem.

        A segunda conversão é viver a consciência de ser pecador.
Esta conversão leva a aceitar a Encarnação, a Redenção e a estar convencidos de necessitar da Graça para vencer o pecado.
O homem, com esta conversão, responde à segunda relação que Deus Filho estabelece com o ser humano.

        A terceira conversão que logicamente pressupõe as duas anteriores, consiste em ansiar ser «nova criatura» e leva consigo aceitar a vinda do Espírito Santo à alma num Pentecostes constante.
Nesta conversão, o cristão descobre o gozo de viver como «nova criatura», de fé, de esperança, de caridade.
E aceita agradecido a terceira relação que Deus Espírito Santo estabeleceu com a criatura: a santificação.


disposições necessárias para crescer na fé


A essa tomada de consciência correspondem umas disposições no espírito do cristão que vão configurando a conversão.
Sem essas disposições vivas na alma a «nova criatura» nunca acabará de se formar.
Ao mesmo tempo essas disposições manifestam a liberdade com que o homem acolhe as luzes de Deus e quer secundar os seus planos.

        Estas disposições são fundamentalmente três:

        A primeira, a humildade, que torna possível que a Fé assente no homem, ao mesmo tempo que a humildade se origina na Fé.
Esta é a disposição do homem que se sabe «criatura de Deus» e agradece os dons recebidos: A Vida, a Graça.

        A humildade manifesta-se especialmente numa afirmação repetida de «não ser nada», de «não valer nada», mas no reconhecimento de tudo o que o ser humano tem de bom é «dom de Deus», «dom gratuito do amor de Deus».
É o canto do Magnificat da Santíssima Virgem Maria.
A Mãe de Deus expressa a humildade dando graças a Deus porque «fez coisas santas nela ao ver a humildade da sua escrava».
O humilde anseia sempre dar toda a glória a Deus.

        Em segundo lugar a docilidade sem a qual é impossível que a Caridade assente na alma e que, ao mesmo tempo, abre sempre novos horizontes à Caridade.
É a disposição do homem que se abre sem reservas à vida de Deus e pede a Deus que venha ao seu espírito e «faça nele morada».

        Também foi a Virgem Maria quem melhor expressou esta disposição da alma, ao abrir plenamente a sua pessoa à vontade de Deus.
«Faça-se em mim segundo a Tua palavra».

        A docilidade é o abandono na vontade amorosa de Deus que o homem nunca chega a conhecer totalmente, o cristão vive a docilidade porque sabe que de Deus, seu Pai amoroso, só pode vir o bem.

        É normal ver essa docilidade expressa com a frase bíblica: « como o barro nas mãos do oleiro» [2].
Se lemos a frase com perspectiva humana a docilidade pode ser entendida como quase escravidão e o homem converter-se-ia num brinquedo de Deus.
Se, pelo contrário, a lemos com perspectiva divina e a unimos à passagem da criação do homem quando Deus enche de espírito o barro da terra, compreenderemos que «as mãos do oleiro» dão vida ao barro, enchem-no de espírito.
Esse é o fruto da docilidade.

        A terceira disposição, o arrependimento que assenta na Esperança e que ao mesmo tempo possibilita que a Esperança renasça sempre no espírito do cristão.
É a disposição do homem que reconhece o seu pecado, não se esconde do olhar de Deus como Adão fez no Paraíso e solicita a Graça para renovar a amizade com Deus.

        O arrependimento permite ao homem nunca afastar o seu olhar da luz de Deus e assim recompor, enriquecido, o «manancial que salta até à vida eterna», a acção da Graça em nós.
E ao mesmo tempo recompor de tal forma a sua orientação vital que todo o seu existir fica de novo dirigido a Deus guiado pela luz de Deus.

        Logicamente estas disposições-conversões não têm uma ordem de sucessão temporal e não podem existir umas sem as outras.
É necessário que se deem conjuntamente num movimento complementar.
De facto, a humildade torna possível o arrependimento e é impossível sem a docilidade.
Por sua vez o arrependimento enriquece a humildade e faz crescer a docilidade.
A docilidade permite que o arrependimento cresça na alma e goze na humildade.

        Temos de lembrar que estamos falando de «vida cristã pessoal»
De uma vida que surge da acção conjunta da Graça divina e da vontade humana.
Entende-se que a Graça e a vontade não actuam como duas forças que confluem na acção, mas que a acção o viver a «vida cristã», o homem que actua surge da inserção da Graça na vontade, da vontade na Graça.

        Repetimos que este caminho de conversão nunca acaba pelo simples facto de nunca chegar a ser plenamente cristãos que a nossa pessoa seja e se torne totalmente «una com Cristo».
Nunca podemos chegar, por exemplo, a ser tão dóceis» ao Espírito Santo que alcancemos amar como Cristo ama.




(cont)

ernesto juliá, La belleza de ser cristiano, trad. ama)







[1] Col 3, 9-11
[2] Cfr. Is 29, 16; Jr 18, 6