27/11/2010

Bom Dia! 59




Erradamente e com frequência confunde-se critério com escrúpulo.
Quando se diz que determinada pessoa não tem escrúpulos o que na maioria dos casos se deveria dizer é que não tem critério.

O escrúpulo é uma forma de pensar que leva à inibição de fazer uma determinada coisa, levar a cabo uma acção específica que por alguma razão repugna a quem se lhe depara.

Ora este sentimento só é possível se existir critério. 
Por outras palavras poderíamos dizer que o escrúpulo é uma consequência da avaliação de qualquer coisa feita pelo critério.
Evidentemente que o que é mau para uma determinada pessoa pode não o ser tanto ou mesmo de todo, para outra.

O facto de alguém considerar perigoso e, portanto evitar, envolver-se com um louco pode ser uma atitude recorrente para um profissional qualificado.
Não se pode estabelecer como que uma 'tabela' única de comportamento aplicável a qualquer pessoa a não ser que se trate de princípios da Lei Natural.

Não roubar, por exemplo, aplica-se a qualquer um, é da Lei Natural, e, portanto, não tem excepções nem prevê que alguém seja a que título for, esteja isento de a cumprir.

Já trabalhar que é - deve ser - uma obrigação comum a todo o ser humano, tem uma infinidade de particularidades que dependem das características pessoais e das circunstâncias em que se encontra.

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Tema para breve reflexão - 2010.11.27

Aumenta a nossa Fé

«Senhor, aumenta a nossa fé» (Lc 17, 5). Meditemos nas palavras de Cristo e convençamo-nos de que, se não permitirmos que a nossa fé se torne morna ou mesmo fria, que perca a sua força dispersando-se por pensamentos fúteis, deixaremos de dar importância às coisas deste mundo e concentrá-la-emos num cantinho da nossa alma.
Então, depois de termos arrancado todas as ervas daninhas do jardim do nosso coração, semeá-la-emos como o grão de mostarda, e o rebento crescerá. Com uma firme confiança na palavra de Deus, removeremos uma montanha de aflições; ao passo que, se a nossa fé fosse hesitante, não deslocaria nem um montículo de toupeira. Para finalizar esta dissertação, digo-vos que, uma vez que toda a consolação espiritual pressupõe uma base de fé – e só Deus a pode dar –, devemos pedir-lha sem cessar.

S. Tomás Moro, «Dialog of Comfort Against Tribulation», trad ama)

Textos de Reflexão para 27 de Novembro

Sábado 27 Nov

Evangelho: Lc 21, 34-36

34 «Velai, pois, sobre vós, para que não suceda que os vossos corações se tornem pesados com o excesso do comer e do beber e com os cuidados desta vida, e para que aquele dia não vos apanhe de improviso; 35 porque ele virá como uma armadilha sobre todos os que habitam a superfície de toda a terra. 36 Vigiai, pois, orando sem cessar, a fim de que vos torneis dignos de evitar todos estes males que devem suceder, e de aparecer com confiança diante do Filho do Homem».

Comentário:

Vigiar é a recomendação constante e final de Cristo. Vigiar com diligência, não deixando ao acaso ou para uma qualquer data posterior o que rtemmos de fazer hoje e agaora. Este é o tempo justo e conveniente para a preparação que nos é sugerida. Não teremos outro. Há que aproveitá-lo sem desperdício nem dilações. 

(ama, comentário sobre Lc 21, 34-36, 2010.10.28)

Tema: Novíssimos – Juízo 7

Estar preparado para Juízo Particular que ocorre logo a pós a nossa morte é uma atitude várias vezes recomendada por Jesus Cristo na Sua pregação: «Vigiai e orai; estai preparados porque não sabeis o dia nem a hora...» querendo com isto dizer-nos que é agora, hoje, e não depois, amanhã ou noutro tempo qualquer que temos de nos preparar. Sem temor, sem medo, receio ou inquietação, mas com verdadeiro espírito previdente e avisado

(ama, comentário sobre Juízo 7, 2010.10.25)

Doutrina: CCIC – 572: Porque é que a oração é um combate?
                   CIC – 2725

A oração é um dom da graça, mas pressupõe sempre uma resposta decidida da nossa parte, porque o que reza combate contra si mesmo, contra o ambiente e sobretudo contra o Tentador, que faz tudo para retirá-lo da oração. O combate da oração é inseparável do progresso da vida espiritual. Reza-se como se vive, porque se vive como se reza.

26/11/2010

Estar vivo!

ESTAR VIVO
 
Tenho um amigo que já passou há muito a barreira da idade a que se convencionou chamar “a terceira” e que sempre me responde, quando lhe pergunto como está, “Estou vivo”. Este facto, evidente e por isso não merecedor de ser posto em destaque, é, para ele (e para os seus amigos) motivo de júbilo; é com muita alegria que afirma “Estou vivo!”.
 
Vem isto a propósito de um banal conhecimento, ou seja, o de que a vida é o valor mais alto que existe, por ser o primeiro e a condição necessária para a existência dos outros valores. De facto, a felicidade, a dignidade, a liberdade, a verdade, a coragem, a justiça e tantos outros valores universalmente reconhecidos como fontes de uma vida moral – não poderiam existir se não servissem de luz e farol a quem está vivo. A vida é, reconhecidamente, o primeiro e o mais importante valor e bem. Poucas verdades terão tão ampla, e universal concordância: todos aceitamos esta evidência e quer o ordenamento político das nações, através das respectivas Constituições, quer as instâncias supranacionais (tais como as Nações Unidas, a União Europeia e o Conselho da Europa) reconhecem expressamente o valor único da vida, ao preceituarem o direito à vida (como lapidarmente afirma a Constituição da República Portuguesa, no artigo 25, “a vida humana é inviolável”).
 
Infelizmente, e contra toda a lógica, esta formidável fortaleza da protecção e do respeito pela vida humana, abriu fendas consideráveis nos últimos anos. Em Portugal, como em outros países, a lei autorizou o abortamento em determinadas e restritivas condições, assistindo-se ao estranho malabarismo jurídico – intelectual de um Tribunal Constitucional chegar à conclusão (por maioria de um voto) de que a legalização do abortamento não ofendia a norma constitucional. A teoria do plano inclinado, segundo a qual o que se permite excepcionalmente rapidamente se torna usual, aplica-se claramente ao abortamento: inicialmente tolerado em situações especiais, tornou-se acessível a qualquer mulher nas primeiras dez semanas (e já há quem clame por um alongamento deste período) e viu alargados os prazos nas chamadas indicações.
 
No outro extremo da vida humana, na velhice, há sinais que levam a admitir como provável a proposta de leis que legalizem a eutanásia e o suicídio assistido (que para já apenas são tolerados em 2 países e 1 estado americano). O testamento vital, já em discussão na Assembleia da República, pode ser o cavalo de Tróia que permita a disfarçada introdução da eutanásia por omissão na nossa realidade nacional.
 
Assim, a vida, supremo valor, como tal reconhecida por todos, começa a ser ofendida, desprestigiada, negada. É indispensável, é necessário que todas as pessoas de boa vontade examinem estes problemas e se proclamem defensoras da vida, independentemente das suas convicções políticas ou da presença ou ausência de um credo religioso. Só assim podemos garantir a vida, a saúde, a dignidade, o bem das nossas crianças e dos nossos velhos. Para que possamos afirmar, em plena alegria, que estamos vivos.
 
 
Walter Osswald, Professor catedrático aposentado (da Faculdade de Medicina do Porto) - Conselheiro do Instituto de Bioética da Universidade Católica Portuguesa

Bom Dia! 58


Fujamos à tentação fácil de culpar as pessoas que procedem mal, procuremos antes as verdadeiras causas porque assim procedem. 
Talvez na geração – ou gerações – anteriores resida a chave, esteja a raiz do problema o que, talvez nos leve à conclusão, de que, de facto, nada é novo no comportamento humano, o que hoje se faz sempre se fez e, talvez, pior. 
A única diferença está em que, nos dias de hoje, o secretismo ou a privacidade quase não existe e a mediatização assume proporções cada vez mais evidentes.
Em várias cartas que escreveu há dois mil anos, São Paulo insurgia-se contra e punha a nu os comportamentos de algumas comunidades da época, comportamentos em tudo semelhantes aos que hoje assistimos, desde o desregramento dos costumes morais, à apropriação indevida de bens, ao laxismo, à corrupção, etc.
O prazer é sempre efémero, sabe-se, mas, mesmo assim, exerce uma atracção fortíssima sobre as pessoas e as comunidades e se não existe critério no uso desses prazeres cai-se com facilidade no uso e abuso dos mesmos, sem pensar nas consequências futuras para o próprio e para a sociedade.
Quando de quer algo a qualquer preço ou a condição que for, é muito natural que se ceda à tentação de o obter o mais rapidamente possível e, então, parece que a vida gira em torno desse objectivo e, como se sabe, haverá sempre alguém interessado em proporcionar o seu alcance.
Daqui nasce o fenómeno da corrupção que parece estar instalado de forma inamovível na sociedade hodierna.
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Tema para breve reflexão - 2010.11.26


Atitude perante Deus

Esta bem poderia ser a nossa postura, a nossa atitude interior: colocarmo-nos como o homem hidrópico (cfr. Lc 14, 1-6): pormo-nos assim diante de Jesus. Colocarmo-nos assim, com a nossa hidropisia, com a nossa miséria pessoal. Com os nossos pecados... Ante Deus, ante o olhar compassivo de Deus. Podemos ter absoluta segurança de que Ele nos tomará pela mão e nos curará.

(I. Dominguez, El Tercer Envangelio, Rialp, Madrid, 1989, nr. 205, trad ama)

Textos de Reflexão para 26 de Novembro

 Sexta 26 Nov

Evangelho: Lc 21, 29-33

29 Acrescentou esta comparação: «Vede a figueira e todas as árvores. 30 Quando começam a desabrochar, conheceis que está perto o Verão. 31 Assim, também, quando virdes que acontecem estas coisas, sabei que está próximo o reino de Deus. 32 Em verdade vos digo que não passará esta geração sem que todas estas coisas se cumpram. 33 Passará o céu e a terra, mas as Minhas palavras não hão-de passar.

Comentário:

O que Jesus afirma sabemo-lo já pela Fé. Deus não engana nem pode enganar-se e tudo quanto Jesus diz se há-de verificar sem alteração ou mudança no quer que for. Esta certeza deve encher-nos de alegria porque, estando próximo o Reino de Deus estará também próxima a nossa salvação eterna. 

(ama, comentário sobre Lc 21, 29-33, 2010.10.27)

Tema: Novíssimos – Morte 7

Pensemos bem nisto: enquanto vivemos esta vida terrena, vivemos para morrer ou para viver?
Se vivemos em Cristo, vivemos para viver, porque em Cristo não há morte, nem Ele nos deixa morrer. 

(jma, sobre Morte 7, 2010.10.26)

Doutrina: CCIC – 571: O que é a oração contemplativa?
                   CIC – 2709-2719; 2724; 2739-2741

A oração contemplativa é um simples olhar sobre Deus no silêncio e no amor. É um dom de Deus, um momento de fé pura durante o qual o orante procura Cristo, se entrega à vontade amorosa do Pai e concentra o seu ser sob a acção do Espírito. Santa Teresa de Ávila define-a como uma íntima relação de amizade, «em que muitas vezes dialogamos a sós com Deus, por Quem sabemos ser amados».

25/11/2010

Bom Dia! 57


Na verdade o que falta em grande medida à sociedade é critério. ([i])

Se por critério entendemos, na filosofia, como uma regra que permite a fundamentação racional de uma escolha, decisão, deliberação, crença ou afirmação já vemos a grande carência desta regra na sociedade actual.
Ter um fundamento racional sólido para o que se faz, pensa ou diz, parece não ser importante para muitas pessoas que se comportam como simples reactores a estímulos ou oportunidades que a vida lhes vai proporcionando, sem nenhuma preocupação de – pelo menos tentar – saber se a acção que se propõem levar a cabo tem licitude, razão de ser e, sobretudo, se é a melhor em cada caso.
Afirmava, com actualidade impressionante, um conhecido autor e guia espiritual:
O critério implica maturidade, firmeza de convicções, conhecimento suficiente da doutrina, delicadeza de espírito, educação da vontade.” (…) são necessárias (…) “criaturas carecidas de juízo próprio, que não se limitam a executar materialmente o que outrem lhe disse.” ([ii])
Evidentemente que, o critério, só pode ser emergente de uma educação com princípios sólidos e bem alicerçados em que, como já vimos, a formação do individuo foi progressivamente acompanhada por pessoas capazes – no seio da família ou na escola – dando as bases e os princípios pelos quais se deve reger qualquer membro activo da sociedade.
E como, voltamos a afirmar, ninguém pode dar o que não tem, é impossível pedir a quem não recebeu essa formação que actue de forma correctamente coerente.
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[i]Um critério pode ser uma forma ou uma condição. É ter capacidade, autoridade para criticar (discernimento).
[ii] S. josemaria escrivá, Questões actuais do Cristianismo, 93

Tema para breve reflexão - 2010.11.25

Amor a Deus e aos outros 4

A resposta ao amor de Deus é o amor aos outros.

(P. rainiero cantalamessa, prática na XXV Assembleia do Movimento Carismático da Diocese do Porto, 2010.04.17)

Textos de Reflexão para 25 de Novembro

 Quinta 25 Nov

Evangelho: Lc 21, 20-28

20 «Mas quando virdes que Jerusalém é sitiada por exércitos, então sabei que está próxima a sua desolação. 21 Os que então estiverem na Judeia, fujam para os montes; os que estiverem no meio da cidade, retirem-se; os que estiverem nos campos, não entrem nela; 22 porque estes são dias de vingança, para que se cumpram todas as coisas que estão escritas.23 Ai das mulheres grávidas, e das que amamentarem naqueles dias!, porque haverá grande angústia sobre a terra e ira contra este povo.24 Cairão ao fio da espada, serão levados cativos a todas as nações e Jerusalém será calcada pelos gentios, até se completarem os tempos dos gentios. 25 «Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas. Na terra haverá consternação dos povos pela confusão do bramido do mar e das ondas, 26 morrendo os homens de susto, na expectativa do que virá sobre toda a terra, porque as próprias forças celestes serão abaladas. 27 Então verão o Filho do Homem vir sobre uma nuvem com grande poder e majestade. 28 Quando começarem, pois, a suceder estas coisas, erguei-vos e levantai as vossas cabeças, porque está próxima a vossa libertação».

Comentário:

O segredo destas palavras de Jesus contém-se no último versículo. A libertação do homem da sua “prisão” humana, sujeita às vicissitudes e perigos do mundo. Ficaremos definitivamente libertos e prontos para gozar eternamente da presença de Deus. O fim para que, afinal, fomos criados. Não teremos de ter medo ou receio mas antes esperança e confiança. (ama, comentário sobre Lc 21, 20-28, 2010.10.26)

Tema: Novíssimos – Paraíso 6
A alma passa a fazer parte da “família” Divina, num estado de grandeza, impassibilidade e felicidade totais, gozando para todo o sempre da presença de Deus na companhia da Santíssima Virgem dos Anjos e de todos os Santos. 

(ama, comentário sobre Paraíso 6, 2010.10.20)

Doutrina: CCIC – 570: O que é a meditação?
                   CIC – 2705-2708; 2723


A meditação é uma reflexão orante, que parte sobretudo da Palavra de Deus na Bíblia. Mobiliza a inteligência, a imaginação, a emoção, o desejo, para aprofundar a nossa fé, suscitar a conversão do nosso coração e fortalecer a nossa vontade de seguir a Cristo. É uma etapa preliminar em direcção à união de amor com o Senhor.

24/11/2010

Bom Dia! 56

“Em Hebereu (Mishnaic e em Aramaico o termo MAMON aplicava-se a  um ídolo que personificava "riquezas".
Ou seja, como ídolo, era algo parecido com uma divindade a quem se prestaria culto.
Parece, este tempo, tempo de idolatria?
Não, dizem-me, estamos no século XXI, idolatria... sim... talvez exista lá, no meio de selvagens que vivem nos confins do mundo onde a brilhante civilização hodierna aida não chegou.
Isto porque, idolatria, significará, para muitos, prestar homenagem a um manipanço qualquer colocado no alto de um poste ou guardado numa palhota perdida numa selva impenetrável.

Pois, a mim, parece-me que não!

Na floresta - penetrável - das nossas cidades, é evidente a idolatria, o culto de mamon.
Basta ver como se persegue a riqueza, o dinheiro, o poder que ele proporciona, desafiando todas as regras do bom convívio social, atropelando princípios elementares de conduta ética e moral.
Ser "rico" a qualquer preço, custe o que custar, faça-se o que tenha de se fazer, comprando influências, corrompendo pessoas, traficando informações confidenciais, revelando segredos íntimos, pressionanso, compelindo, acicatando, tecendo teias cuja enorme complexidade tornam quase impossível saber onde começam e onde acabam.
Por analogia, estes - e parece serem muitos - que de que constantemente nos dão notícia, não passam de uns idólatras, logo, semelhantes àqueles tais, incivilizados e incultos que vivem nas profundezas de um mundo onde a civilização ainda não chegou.
Sendo assim, como podem ser levados a sério, desempenhar cargos  importantes - públicos ou privados - ter credibilidade ou, sequer, serem chamados de "doutores", "engenheiros" ou qualificados com outro título qualquer que não seja SELVAGENS!” ([i])
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[i] Publicado em NUNC COEPI


Textos de Reflexão para 24 de Novembro

Quarta 24 Nov

Evangelho: Lc 21, 12-19

12 Mas antes de tudo isto, lançar-vos-ão as mãos e vos perseguirão, entregando-vos às sinagogas e às prisões e vos levarão à presença dos reis e dos governadores por causa do Meu nome. 13 Isto vos será ocasião de dardes testemunho. 14 Gravai, pois, nos vossos corações o não premeditar como vos haveis de defender, 15 porque Eu vos darei uma linguagem e uma sabedoria à qual não poderão resistir, nem contradizer, todos os vossos inimigos. 16 Sereis entregues por vossos pais, irmãos, parentes e amigos, e farão morrer muitos de vós; 17 e sereis odiados de todos por causa do Meu nome; 18 mas não se perderá um só cabelo da vossa cabeça.19 Pela vossa perseverança salvareis as vossas almas.

Comentário:

O Senhor nunca deixará sós, aqueles que nele confiam. Sejam quais forem as dificuldades que possamos ter de enfrentar, contaremos sempre com Ele. Não se impõe – nunca – mas está disponível a ajudar-nos na defesa da fé, das nossas convicções e, por mais forte que possam ser as tentações, dar-nos-á a graça suficiente para as vencermos. 

(ama, comentário sobre Lc 21, 12-19, 2010.10.26)

Tema: Novíssimos – Inferno 6

Ter medo do Inferno? Não se compreende porquê.
De facto quem acredita, em vez de temer o Inferno anseia pelo Céu. Para quem não crê, será indiferente. 

(ama, sobre Inferno 6, 2010.10.25)

Doutrina: CCIC – 569: Como se caracteriza a oração vocal?
                   CIC – 2700-2704; 2722

A oração vocal associa o corpo à oração interior do coração. Mesmo a mais interior das orações não poderia prescindir da oração vocal. Em todo o caso, ela deve brotar duma fé pessoal. Com o Pai Nosso, Jesus ensinou-nos uma fórmula perfeita de oração vocal.

Tema para breve reflexão - 2010.11.24

Amor a Deus e aos outros 3

Damos mais importância ao nosso amor a Deus que em ser amados por Ele.

(P. rainiero cantalamessa, prática na XXV Assembleia do Movimento Carismático da Diocese do Porto, 2010.04.17)

23/11/2010

Para sempre!

Que quer isto dizer: para sempre!

A nossa natureza não consegue entender o verdadeiro significado, para sempre - por exemplo - amar-te-ei sempre - tem subjacente uma ideia de finito, de temporal, amar-te-ei até um de nós morrer é o que realmente significa.

O homem não é intemporal e, logo, não pode assumir uma intemporalidade como significa: para sempre, algo que, a partir de um começo num tempo determinado, não terá fim nunca.

Por princípio só conseguimos processar conceitos temporais sabemos quando começam e embora desconheçamos, exactamente quando acabam temos a certeza que hão-de terminar. É o que chamamos vida, ou seja, vida é esse espaço de tempo, breve ou longo, que as pessoas ou coisas servem o seu propósito determinado quando começaram a existir.

O interessante está em considerar o homem como um ser dotado de uma alma – por isso se chama homem – que tendo sido criada directamente por Deus, enquanto o corpo o foi com o concurso dos progenitores, esta é de facto imortal porque sendo um espírito se assemelha ao próprio Deus e, logo, não pode morrer.

Sempre é, pois, uma relatividade. Por isso é tão difícil ao homem compreender Deus que não começou e, por isso não pode acabar. Só o que nasceu pode morrer, o que foi criado pode desaparecer, o feito pode ser esquecido e assim sucessivamente.
Eternidade sendo um círculo completo, não tem princípio nem fim e, isto é Deus. Ou seja, Deus existe exactamente porque nele engloba tudo o que pode existir, agora, num futuro qualquer ou no passado mais remoto. Vida, por isso mesmo, só é possível no círculo, em Deus, portanto, desta forma, parece evidente, que Deus é a própria vida.

Não se trata de filosofia mas sim geometria, quer dizer, evidência. A demonstração faz-se com evidências e não com teorias. Neste caso, porém, para o conhecimento ser completo - não total mas completo - é fundamental que Deus se revele tal qual é aos olhos dos homens, só que, essa revelação será sempre pessoal, de Deus ao homem individual no segredo e intimidade do Criador e do criado, do divino e do humano. Sem a ajuda fundamental necessária, imprescindível da fé, porém, nada disto é possível. Fé surge assim como um filtro tradutor da nossa intimidade com Deus. 

Sem ela, esse ‘filtro tradutor' não entenderemos coisa alguma do que Deus queira revelar-nos e, por outro lado não sentiremos necessidade de comunicar com Ele.

(AMA, Divagação, 2009.11.02)

Bom Dia! 55


Quando reparto com outros o muito ou o pouco que tenho esta acção resulta de uma atitude interior de desapego, desprendimento. 

As coisas ou os bens, podem ser muito ou pouco importantes, o que vale realmente, é o valor intrínseco que têm para nós. Se lhes queremos muito o mais provável de acontecer, é que, se por qualquer motivo, os perdermos, considerarmos essa perda como irreparável e sofrermos bastante com isso.


Ora, sofrer por causa de bens que se perderam ou não se têm, pode ser um facto bem real e aceitável, o que já não se aceita é que isso se transforme numa tragédia de proporções por vezes desmedidas que condicionam a nossa vida e a nossa felicidade.

Sim, a nossa felicidade porque quem tem aos bens esse apego, por vezes insano, só é feliz – melhor, só se julga feliz – se, ou enquanto, os tiver ou quando conseguir vir a tê-los.
De facto, hoje em dia, cada vez mais se assiste a novos tipos de idolatria. Parece que é quase ofensiva esta afirmação já que, quase sempre, associamos idolatria a um estado de civilização inferior ou, pelo menos atrasada.
Já alguma vez se publicou na NET algo sobre este tema:
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[i] S. Josemaría, Amigos de Deus, 123

Textos de Reflexão para 23 de Novembro

Terça 23 Nov
  
Evangelho: Lc 21, 5-11

5 Dizendo alguns, a respeito do templo, que estava ornado de belas pedras e de ricas ofertas, Jesus disse: 6 «De tudo isto que vedes, virão dias em que não ficará pedra sobre pedra que não seja derrubada». 7 Então interrogaram-n'O: «Mestre, quando acontecerão estas coisas, e que sinal haverá de que estão para acontecer?». 8 Ele respondeu: «Vede, não vos deixeis enganar; porque muitos virão em Meu nome, dizendo: Sou eu, está próximo o tempo. Não os sigais. 9 Quando ouvirdes falar de guerras e de tumultos, não vos assusteis; estas coisas devem suceder primeiro, mas não será logo o fim». 10 Depois disse-lhes: «Levantar-se-á nação contra nação e reino contra reino. 11 Haverá grandes terramotos por várias partes, pestes e fomes; aparecerão coisas espantosas e extraordinários sinais no céu.

Comentário:

No final do ano litúrgico, a Igreja deseja chamar-nos a atenção para as realidades da vida. Uma dessas realidades é, sem dúvida, a morte. Vida e morte são, assim, o que temos de enfrentar todos os seres humanos. Viver a vida não em função da morte mas vivê-la tendo muito em conta essa realidade inexorável. O que acontece agora é o que nos deve importar, não o que já passou e não voltará a repetir-se, nem tão pouco o dia de amanhã que, a existir, trará as suas próprias realidades. Viver o momento presente com a preocupação de o viver correctamente porque poderá muito bem ser, o último que tenhamos. 

(ama, comentário sobre Lc 21, 5-11, 2010.10.26)

Tema: Novíssimos – Juízo 6

Este “Juízo Particular” pode ter “recurso” no Juízo Final?
Não, o Juízo Final não fará mais que confirmar a sentença que Jesus Cristo deu à nossa alma. Talvez que, a grande diferença esteja na “assistência” já que será, também, um Juízo Universal onde estarão presentes todas as almas criadas por Deus desde o princípio dos tempos. 

(ama, comentário sobre Juízo 6, 2010.10.25)

Doutrina: CCIC – 568:  Quais as expressões da vida de oração?
                    CIC -  2697 – 2699

A tradição cristã conservou três modos para expressar e viver a oração: a oração vocal, a meditação e a oração contemplativa. Têm em comum o recolhimento do coração.

Tema para breve reflexão - 2010.11.23

Amor a Deus e aos outros 2

E preciso amar aquele que nos ultrapassa na auto-estrada.

(P. rainiero cantalamessa, prática na XXV Assembleia do Movimento Carismático da Diocese do Porto, 2010.04.17)

22/11/2010

Bento XVI e a Doutrina sobre preservativos

Papa Bento XVI não mudou a doutrina da Igreja sobre os preservativos, precisa porta voz vaticano

.- Em uma nota divulgada ontem, o Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Pe. Federico Lombardi, explicou que o Papa Bento XVI não mudou a visão católica sobre o uso do preservativo. Este, reiterou, não resolve o problema da AIDS: o que deve ser feito é trabalhar para erradicar a banalização da sexualidade para humanizá-la.

No texto que responde a diversas tergiversações dos meios de comunicação que informaram erroneamente que o Papa tinha "aceito a camisinha" no livro-entrevista "Luz do mundo", de Peter Seewald, que será apresentado esta terça-feira 23 de novembro no Vaticano, o Pe. Lombardi explica que no final do 11º capítulo do livro, o Papa responde a duas perguntas sobre a luta contra a AIDS e o uso dos preservativos, questões que dizem respeito à discussão que se seguiu após algumas palavras pronunciadas pelo Papa sobre o assunto durante a sua viagem à África em 2009.

Naquela oportunidade Bento XVI expressou claramente, sendo também tergiversado pelos meios, que a AIDS não se resolve com o preservativo mas com a humanização da sexualidade e uma proximidade especial a quem sofre.

A nota do Pe. Lombardi assinala que nesta ocasião "o Papa reafirma claramente que então, ele não quis tomar posição sobre a questão dos preservativos em geral, mas ele queria afirmar com força que o problema da AIDS não pode ser resolvido apenas com a distribuição de preservativos, porque é necessário fazer muito mais: prevenir, educar, ajudar, aconselhar, estar ao lado das pessoas, seja para que não fiquem doentes, seja no caso em que já estejam doentes".

Seguidamente assinala que "o Papa observa que também no âmbito não eclesial se desenvolveu uma consciência análoga, como resulta da chamada teoria ABC (Abstinence – Be Faithful – Condom) (Abstinência - Ser Fiel - Preservativo), na qual os dois primeiros elementos (abstinência e fidelidade) são muito mais determinantes e fundamentais na luta contra a AIDS, enquanto o preservativo aparece em último lugar como uma escapatória, quando faltam os outros dois. Deve, portanto, ser evidente que o preservativo não é a solução para o problema".

«O Papa amplia o seu olhar e insiste no fato que se concentrar apenas no preservativo equivale a banalizar a sexualidade, que perde o seu significado como expressão do amor entre pessoas e torna-se como uma “droga”. Lutar contra a banalização da sexualidade é “parte do grande esforço para que a sexualidade seja vista positivamente e possa exercer o seu efeito positivo sobre o ser humano na sua totalidade’», prossegue.

O sacerdote indica ademais que "à luz desta visão ampla e profunda da sexualidade humana e da sua problemática de hoje, o Papa reafirma que “naturalmente a Igreja não considera os preservativos como a solução autêntica e moral’ do problema da AIDS".

Com isto, acrescenta o porta voz, "o Papa não reforma ou altera o ensinamento da Igreja, mas o reafirma colocando-se na perspectiva do valor e da dignidade da sexualidade humana como expressão de amor e responsabilidade ".

Ao mesmo tempo, continua o porta voz vaticano, "o Papa considera uma situação excepcional na que a prática sexual represente um verdadeiro risco para a vida do outro. Neste caso, o Papa não justifica moralmente o exercício desordenado da sexualidade, mas acredita que o uso de preservativos para reduzir o risco de contágio seja “um primeiro ato de responsabilidade, um primeiro passo na estrada para uma sexualidade mais humana, do que não usá-lo, expondo o outro ao perigo de vida".

"Nesse sentido, o raciocínio do Papa não pode ser definido como uma reviravolta revolucionária" precisa o jesuíta diretor da Sala Stampa.

Muitos teólogos morais e destacadas personalidades eclesiásticas, diz logo o Pe. Lombardi, "apoiaram e defenderem posições semelhantes; é verdade, porém, que ainda não tínhamos ouvido com tanta clareza da boca de um Papa, mesmo se em uma forma coloquial e não magisterial".

Finalmente a nota assinala que o Papa Bento XVI "dá-nos, então, com coragem, uma importante contribuição para o esclarecimento e aprofundamento sobre uma questão muito debatida. É uma contribuição original, porque de um lado mantém a fidelidade aos princípios morais e demonstra lucidez ao rejeitar um caminho ilusório como a “confiança no preservativo”; do outro, mostra, no entanto, uma visão compreensiva e de longo alcance, atenta a descobrir os pequenos passos - apesar de iniciais e ainda meio confusos – de uma humanidade espiritual e culturalmente muitas vezes muito pobre, em direção de um exercício mais humano e responsável da sexualidade".