| Passamos a vida a tentar encontrar a felicidade mas, na verdade, aprendemos com muito mais facilidade a ser infelizes. Tentamos arrumar as várias dimensões da nossa existência em compartimentos estanques, quando todos eles têm corredores que se cruzam. Esforçamo-nos por rotular os acontecimentos como bons ou maus, em vez de os aceitarmos e enfrentarmos na sua essência. Skrimar Rao, uma nova estrela filosófica da gestão, explica como tudo pode ser simples, mesmo que não seja fácil POR HELENA OLIVEIRA As grandes empresas (grandes porque ainda se podem dar ao luxo de adjudicar um orçamento para motivar os seus empregados) desdobram-se em iniciativas, docoaching ao teambuilding, de retiros nos mais recônditos locais do planeta, passando por terapias do riso até à contratação dos já denominados coachers da felicidade. Tudo para animarem as hostes no local de trabalho. Este artigo conta a história de Skrimar Rao que, no presente século, tem um estatuto nos cursos de MBA equivalente ao de uma estrela de rock. A partir de um curso cujo programa foi inteiramente desenhado por ele e que se denomina “Criatividade e Mestria Pessoal”[Criativity and Personal Master y – CPM], o professor que em 1999 fazia um trabalho académico pouco estimulante numa universidade desconhecida, é agora convidado para partilhar os seus ensinamentos em algumas das melhores escolas de negócios do mundo, como é o caso da Columbia Business School, a London Business School ou a Haas Business School. E, onde quer que ensine, o Professor ganha ondas de entusiasmo genuíno e um sem número de testemunhos extraordinários por parte dos seus alunos que atestam a forma como uma disciplina, incluída num tradicional programa de MBA, pode mudar a visão que temos da vida. Mais um curso de auto-ajuda que, por acaso, já deu origem a dois best-sellers? Rao e o seu clube de seguidores garantem que não. Aliás, o CPM é o único programa específico de MBA que possui a sua própria associação de alumni e Rao é um céptico confesso de todos os cursos e livros que oferecem as curas para os males da vida. Como o próprio afirma, não inventou a roda, apenas olhou para ela de forma diferente. E, na base de todo o sucesso, reina um principio extremamente simples: o da gratidão. A falsa dicotomia Uma das premissas contra a qual Rao se esforça por lutar diz respeito ao facto de as pessoas passarem a maior parte das suas vidas a aprenderem a ser infelizes, mesmo quando lutam pelo seu inverso. E um dos factores responsáveis por esta propensão diz respeito à tendência que as pessoas têm para compartimentar as suas vidas: há uma vida no trabalho, outra pessoal e uma outra qualquer. Erro! A vida que temos é só uma é não é preciso ser-se um génio para se saber que quando um dos aspectos dessa vida una que se tem não está bem, as implicações nos demais são inevitáveis. Uma outra característica que distingue Rao é o facto de não acreditar no pensamento positivo, uma das modas que mais vendeu nos últimos dois anos. Em entrevista à Fast Company (e cuja editora que o entrevistou frequentou o seu CPM), Rao afirma que “o pensamento positivo é extremamente sobreavaliado e pode, muitas vezes, vir a ser prejudicial”. E o problema reside no próprio nome. Pensamento “positivo” implica que qualquer coisa que aconteça, e quando a consideramos como “má”, somos obrigados a exercitar o tal pensamento positivo para que dela retiremos algo de bom mesmo que seja o maior dos infortúnios. O que pode ser, de acordo com Rao, extremamente esgotante e, na maioria das vezes, não funciona nem serve de nada. E é também neste elemento que o professor chama a atenção para uma outra tendência que temos no decurso das nossas vidas: a de constantemente rotularmos as coisas como “más”. E dá um exemplo: imagine que é um engenheiro civil que precisa de construir uma estrada. E, no caminho, encontra um pântano. Que não é bom nem é mau, mas é simplesmente um pântano. O que o engenheiro tem de fazer é utilizar a sua energia para descobrir como é que vai ultrapassar esse terreno pantanoso e não lamentar a sua existência. Basicamente, não é bem a mesma coisa que utilizar o pensamento positivo, mas mais o criativo. O professor afirma ser útil transportar este exemplo para as demais áreas da nossa vida e que, a partir daí, lamentaremos muito menos os pântanos que nos vão aparecendo pela estrada fora. O que o Professor “obriga” os seus alunos a fazer é a desafiarem o statu quo, a olharem de forma diferente para as suas carreiras, para os seus desafios profissionais e para a vida no geral. E, afirma quem lhe bebeu as palavras que, terminado o curso, os alunos aprendem uma forma inteiramente nova de definir o sucesso e o fracasso. Se, até agora, nada do que foi escrito lhe parece longe das técnicas “eficazes” dos livros de auto-ajuda, a ideia é mesmo essa. Os conceitos parecem simples porque as verdades básicas também o são. “O maior ensinamento que retirei das aulas do Professor Rao foi que as coisas mais importantes da vida são simples, embora não necessariamente fáceis”, como testemunha, no site de Rao, um antigo aluno. E darmos graças, todos os dias, nem que seja por alguns segundos diários de felicidade que tenhamos tido, é meio caminho andado para encararmos a vida de outra maneira. Mais especificamente, o professor pede aos seus alunos que, todas as noites, identifiquem duas ou três coisas pelas quais se sintam gratos. Novos modelos mentais precisam-se Como escreve o próprio professor no seu website, este é um curso sobre “criatividade”, sobre a mente humana e o seu enorme potencial. Mas, mais do que tudo, este é um curso concebido para se descobrir o propósito da vida de cada um. O professor não mostra o caminho, mas ajuda a desenhar o mapa. E esta nova orientação é absolutamente necessária para aquilo que Rao acredita vir a ser a empresa do futuro. Para o Professor, esta será a que se dedicará a assegurar que todos os que tiverem qualquer tipo de contacto com ela poderão alcançar um potencial muito mais significativo do que até agora. O que inclui colaboradores, consumidores, fornecedores e a sociedade no seu todo. Não nos devemos esquecer que a nova geração que está agora a entrar no mercado de trabalho tem maiores níveis educacionais, é muito mais consciente das escolhas que pode fazer e muito menos permeável a receber ordens,principalmente aquelas com as quais não concorda. Os novos trabalhadores exigem também muito mais significado no trabalho que prestam, em detrimento dos grandes desafios aos quais, até agora, davam primazia. E, como alerta Rao, se as estruturas da gestão não se alterarem de forma a acomodar estas novas exigências, irão simplesmente transformar-se em migalhas até desaparecerem. É por isso que um dos objectivos do curso – não esquecendo que está integrado num programa de MBA – lida especificamente com questões como as do desenvolvimento dos valores pessoais, com a ética, a integridade e com o já mencionado alcançar desta mestria ou controlo pessoal. E, um dos enfoques prioritários é perceber e resolver os conflitos existentes entre valores pessoais e acções no local de trabalho. O que, convenhamos, nem sempre é fácil. Daí que as características entre o perfil normal de um MBA e a filosofia do curso de Rao sejam diametralmente opostas:
Para Rao, as escolas de negócio de topo da actualidade são mais instituições doutrinárias do que educacionais. Não encorajam os estudantes a questionar as noções básicas com as quais nos habituámos a viver durante longos anos, tais como se o consumo é assim tão benéfico ou se dar às pessoas múltiplas escolhas realmente aumenta a sua qualidade de vida. Será que sim? Para a nova estrela filosófica do mundo da gestão, as escolas de negócios precisam de encarar os seus estudantes enquanto seres humanos e não somente como meros dentes da roda da máquina que fornece talento fresco às grandes empresas. E só com uma crise ainda mais perturbadora do que a última – que Rao acredita que irá acontecer brevemente – é que finalmente se iniciará uma nova era de verdadeira mudança. Onde o propósito da vida terá de ser radicalmente repensado. (VER, 2010.07.17, coligido por ama) |
Padroeiros do blog: SÃO PAULO; SÃO TOMÁS DE AQUINO; SÃO FILIPE DE NÉRI; SÃO JOSEMARIA ESCRIVÁ
23/07/2010
A filosofia da simplicidade
Textos de Reflexão para 23 de Junho
Evangelho: Jo 15, 1-8
1 «Eu sou a videira verdadeira, e Meu Pai é o agricultor. 2 Todo o ramo que não dá fruto em Mim, Ele o cortará; e todo o que der fruto, podá-lo-á, para que dê mais fruto. 3 Vós já estais limpos em virtude da palavra que vos anunciei.4 Permanecei em Mim e Eu permanecerei em vós. Como o ramo não pode por si mesmo dar fruto se não permanecer na videira, assim também vós, se não permanecerdes em Mim. 5 Eu sou a videira, vós os ramos. Aquele que permanece em Mim e Eu nele, esse dá muito fruto, porque sem Mim nada podeis fazer. 6 Se alguém não permanecer em Mim, será lançado fora como o ramo, e secará; depois recolhê-lo-ão, lançá-lo-ão no fogo e arderá. 7 Se permanecerdes em Mim, e as Minhas palavras permanecerem em vós, pedireis tudo o que quiserdes e ser-vos-á concedido. 8 Nisto é glorificado Meu Pai: Em que vós deis muito fruto e sejais Meus discípulos.
Meditação:
Quando, Senhor, vieres vindimar nesta Tua vinha, encontrarás frutos maduros, cheios, generosos ou, pelo contrário, não acharás senão uns raros cachos meio secos e murchos com umas uvas que não prestam para nada? Talvez eu não tenha podado o que devia, sempre que necessário; é possível que tenha adiado os tratamentos devidos à vinha e as pragas atacaram-na sem resistência; talvez eu tenha adormecido e tenha vindo um ladrão que roubou os melhores cachos deixando apenas os que não prestam…
Ó meu Deus! Ajuda-me a ser diligente e trabalhador, a permanecer vigilante e atento a cuidar desta vinha como devo, e Tu, tens o direito de esperar porque Te pertence.
(ama, meditação sobre Jo 15, 1-8, 2009.07.23)
VIRTUDES 4
Recorda-te que as abelhas no tempo em que fazem o mel comem e sustentam-se de um mantimento muito amargo; e assim nós não podemos praticar actos de maior mansidão e paciência, nem compor o mel das melhores virtudes, senão quando comemos o pão da amargura e vivemos no meio das aflições.
(S. Francisco de Sales, Introducción a la vida devota, III, 3, trad. ama)
22/07/2010
Julgar os outros
É fácil não fazer juízos sobre os outros. Parece que faz parte da nossa natureza humana esta tendência para analisar, medir, avaliar aquele com que nos deparamos.
A visão dá-nos quase de imediato uma série de informações que se relacionam com a estatura, o aspecto, a apresentação. Instantaneamente processamos tudo isto estabelecendo comparações com imagens padrão que guardamos no subconsciente. Segue-se, quase sempre, a avaliação.
Tudo isto, porquê? Com que finalidade?
Bom, poder-se-ia dizer que é um “processo automático” e que, a finalidade é a tomada de decisão do: gosto, não gosto, é-me indiferente.
Os "processos automáticos" revelam uma vontade fraca que não comanda o pensamento, a emoção ou as respostas aos estímulos externos.
O sacerdote e o levita da parábola do samaritano deviam ter este defeito.
O de Samaria, ao invés, é um homem sem preconceitos, reage ao estímulo de solidariedade que lhe provoca o homem prostrado na vera do caminho, ferido e maltratado por bandidos. É um ser solidário que caminha na vida considerando os outros - todos - seus iguais, dignos da sua atenção e do seu crédito.
Poderá ser tripudiado na sua boa-fé, terá desilusões, facilmente convencido, levado a fazer o que não que deseja?
Nada mais falso; esta pessoa nunca é enganada porque o que faz pelos outros é sem pensar num possível retorno.
Jamais fará o que for contra a sua vontade porque sabe muito bem o que lhe convém querer e, muito menos, arrastado por outros porque sabe o seu caminho.
Os outros, não!
Passam pela vida sempre sozinhos porque gastam o tempo a avaliar, a julgar e, enquanto o fazem, a oportunidade perde-se e, muito provavelmente, não voltará a repetir-se.
Estes ficam sós o outro, terá, sempre, muitos amigos que nunca o abandonarão.
(ama, 2010.07.20)
Paternidade e Maternidade responsáveis
A paternidade e a maternidade não terminam com o nascimento; essa participação no poder de Deus, que é a faculdade de gerar, há-de prolongar-se na cooperação com o Espírito Santo, para que culmine com a formação de autênticos homens cristãos e autênticas mulheres cristãs.
Os pais são os principais educadores dos seus filhos, tanto no aspecto humano como no sobrenatural, e hão-de sentir a responsabilidade dessa missão, que exige deles compreensão, prudência, saber ensinar e, sobretudo, saber amar; e devem preocupar-se por dar bom exemplo. A imposição autoritária e violenta não é caminho acertado para a educação. O ideal para os pais é chegarem a ser amigos dos filhos; amigos a quem se confiam as inquietações, a quem se consulta sobre os problemas, de quem se espera uma ajuda eficaz e amável.
É necessário que os pais arranjem tempo para estar com os filhos e falar com eles. Os filhos são o que há de mais importante; mais importante do que os negócios, do que o trabalho, do que o descanso. Nessas conversas, convém escutá-los com atenção, esforçar-se por compreendê-los, saber reconhecer a parte de verdade – ou a verdade inteira – que possa haver em algumas das suas rebeldias. E, ao mesmo tempo, apoiar as suas aspirações, ensiná-los a ponderar as coisas e a raciocinar; não lhes impor uma conduta, mas mostrar-lhes os motivos, sobrenaturais e humanos, que a aconselham. Numa palavra, respeitar a sua liberdade, já que não há verdadeira educação sem responsabilidade pessoal, nem responsabilidade sem liberdade.
(S. josemaria, Cristo que passa, 27)
Textos de Reflexão para 22 de Julho
Evangelho: Jo 20, 1; 11-18
1 No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao sepulcro, de manhã, sendo ainda escuro, e viu a pedra retirada do sepulcro.
11 Entretanto, Maria estava da parte de fora do sepulcro a chorar. Enquanto chorava, inclinou-se para o sepulcro 12 e viu dois anjos vestidos de branco, sentados no lugar onde fora posto o corpo de Jesus, um à cabeceira e outro aos pés. 13 Eles disseram-lhe: «Mulher, porque choras?». Respondeu-lhes: «Porque levaram o meu Senhor e não sei onde O puseram». 14 Ditas estas palavras, voltou-se para trás e viu Jesus de pé, mas não sabia que era Jesus. 15 Jesus disse-lhe: «Mulher, porque choras? A quem procuras?». Ela, julgando que era o hortelão, disse-Lhe: «Senhor, se tu O levaste, diz-me onde O puseste; eu irei buscá-l'O». 16 Jesus disse-lhe: «Maria!». Ela, voltando-se, disse-Lhe em hebreu: «Rabboni!», 17 Jesus disse-lhe: «Não Me retenhas, porque ainda não subi para Meu Pai; mas vai a Meus irmãos e diz-lhes que subo para Meu Pai e vosso Pai, para Meu Deus e vosso Deus». 18 Foi Maria Madalena anunciar aos discípulos: «Vi o Senhor!», e as coisas que Ele lhe disse.
Meditação:
A primeira pessoa a preocupar-se com o Corpo do Senhor é a Madalena. Aquela que «muito amou e a quem muito foi perdoado» não descansa nem espera que o dia amanheça para ir ter com o Senhor. Muito se passou ontem e, a deposição no sepulcro, não a tranquiliza. Quer certificar-se que tudo está bem, que o cadáver de Jesus está convenientemente a salvo de eventuais – e previsíveis – profanações.
Nem se dá conta que é uma pobre mulher, sem grande força para resolver qualquer situação ou conflito.
Vai sozinha, não procura nem companhia nem apoio que a ajudem, conta consigo e com o seu enorme amor por Jesus. Os obstáculos, se os houver, há-de enfrentá-los e resolvê-los. E, de facto, o amor tudo resolve, tudo torna fácil.
O amor por Jesus é compensado, de forma magnífica, pelo próprio Senhor, que lhe fala, interpela e sossega.
Amor, com amor se paga mas, Jesus, paga o amor com um juro tão elevado que vale a pena arrostar qualquer dificuldade, fazer não importa que sacrifício.
(ama, meditação sobre Jo 20, 1; 11-18, 2010.06.16)
VIRTUDES 4
Recorda-te que as abelhas no tempo em que fazem o mel comem e sustentam-se de um mantimento muito amargo; e assim nós não podemos praticar actos de maior mansidão e paciência, nem compor o mel das melhores virtudes, senão quando comemos o pão da amargura e vivemos no meio das aflições.
(S. Francisco de Sales, Introducción a la vida devota, III, 3, trad. ama)
21/07/2010
Carta de um Sacerdote ao New York Times
A carta que se segue foi escrita pelo padre salesiano uruguaio Martín Lasarte, que trabalha em Angola, e endereçada a 6 de Abril ao jornal norte-americano The New York Times. Nela expressa a sua perplexidade diante da onda mediática despertada pelos abusos sexuais de alguns sacerdotes a par do desinteresse que o trabalho de milhares religiosos suscita nos meios de comunicação.
Eis a carta.
Querido irmão e irmã jornalista:
Sou um simples sacerdote católico. Sinto-me orgulhoso e feliz com a minha vocação. Há vinte anos que vivo em Angola como missionário. Sinto grande dor pelo profundo mal que pessoas, que deveriam ser sinais do amor de Deus, sejam um punhal na vida de inocentes. Não há palavras que justifiquem estes actos. Não há dúvida de que a Igreja só pode estar do lado dos mais frágeis, dos mais indefesos. Portanto, todas as medidas que sejam tomadas para a protecção e prevenção da dignidade das crianças será sempre uma prioridade absoluta.
Vejo em muitos meios de informação, sobretudo no vosso jornal, a ampliação do tema de forma excitante, investigando detalhadamente a vida de algum sacerdote pedófilo. Assim aparece um de uma cidade dos Estados Unidos, da década de 70, outro na Austrália dos anos 80 e assim por diante, outros casos mais recentes...
Certamente, tudo condenável! Algumas matérias jornalísticas são ponderadas e equilibradas, outras exageradas, cheias de preconceitos e até ódio.
É curiosa a pouca notícia e desinteresse por milhares de sacerdotes que consomem a sua vida no serviço de milhões de crianças, de adolescentes e dos mais desfavorecidos pelos quatro cantos do mundo
Penso que ao vosso meio de informação não interessa que eu precisei transportar, por caminhos minados, em 2002, muitas crianças desnutridas de Cangumbe a Lwena (Angola), pois nem o governo se dispunha a isso nem as ONG’s estavam autorizadas; que tive que enterrar dezenas de pequenos mortos entre os deslocados de guerra e os que retornaram; que tenhamos salvo a vida de milhares de pessoas no Muxico com apenas um único posto médico em 90.000 km2, assim como com a distribuição de alimentos e sementes; que tenhamos dado a oportunidade de educação nestes 10 anos e escolas para mais de 110.000 crianças...
Não é de interesse que, com outros sacerdotes, tivemos que socorrer a crise humanitária de cerca de 15.000 pessoas nos aquartelamentos da guerrilha, depois da sua rendição, porque os alimentos do Governo e da ONU não estavam chegando ao seu destino.
Não é notícia que um sacerdote de 75 anos, o padre Roberto, percorra, à noite, a cidade de Luanda curando os meninos de rua, levando-os para uma casa de acolhimento, para que se desintoxiquem da gasolina, que alfabetize centenas de presos; que outros sacerdotes, como o padre Stefano, tenham casas de passagem para os menores que sofrem maus tratos e até violências e que procuram um refúgio.
Tampouco que Frei Maiato com seus 80 anos, passe de casa em casa confortando os doentes e desesperados.
Não é notícia que mais de 60.000 dos 400.000 sacerdotes e religiosos tenham deixado sua terra natal e sua família para servir os seus irmãos numa gafaria[1], em hospitais, campos de refugiados, orfanatos para crianças acusadas de feitiçarias ou órfãos de pais que morreram com HIV, em escolas para os mais pobres, em centros de formação profissional, em centros de atenção a seropositivos... ou, sobretudo, em paróquias e missões dando motivações às pessoas para viver e amar.
Não é notícia que meu amigo, o padre Marcos Aurélio, por salvar jovens durante a guerra de Angola, os tenha transportado de Kalulo a Dondo, e ao voltar à sua missão tenha sido metralhado no caminho; que o irmão Francisco, com cinco senhoras catequistas, tenham morrido num acidente na estrada quando iam prestar ajuda nas áreas rurais mais recônditas; que dezenas de missionários em Angola tenham morrido de uma simples malária por falta de atendimento médico; que outros tenham saltado pelos ares por causa de uma mina, ao visitarem o seu pessoal. No cemitério de Kalulo estão os túmulos dos primeiros sacerdotes que chegaram à região... Nenhum passa dos 40 anos.
Não é notícia acompanhar a vida de um Sacerdote “normal” no seu dia-a-dia, nas suas dificuldades e alegrias consumindo sem ruído a sua vida a favor da comunidade que serve. A verdade é que não procuramos ser notícia, mas simplesmente levar a Boa-Notícia, essa notícia que sem estardalhaço começou na noite da Páscoa. Uma árvore que cai faz mais barulho do que uma floresta que cresce.
Não pretendo fazer uma apologia da Igreja e dos sacerdotes. O sacerdote não é nem um herói nem um neurótico. É um homem simples, que com sua humanidade procura seguir Jesus e servir os seus irmãos. Há misérias, pobrezas e fragilidades como em cada ser humano; e também beleza e bondade como em cada criatura...
Insistir de forma obsessiva e persecutória num tema perdendo a visão de conjunto cria verdadeiramente caricaturas ofensivas do sacerdócio católico na qual me sinto ofendido.
Só lhe peço, amigo jornalista, que procure a Verdade, o Bem e a Beleza. Isso tornará nobre na sua profissão.
Em Cristo,
Pe. Martín Lasarte, SDB.[2]
Textos de Reflexão para 21 de Julho
Evangelho: Mt 13, 1-9
1 Naquele dia, saindo Jesus de casa, sentou-Se à beira do mar. 2 E juntou-se em volta d'Ele uma grande multidão de gente, de tal modo que foi preciso entrar numa barca e sentar-Se nela; e toda a multidão estava em pé na praia. 3 E disse-lhes muitas coisas por parábolas: «Eis que um semeador saiu a semear. 4 Quando semeava, uma parte da semente caiu ao longo do caminho; e vieram as aves do céu e comeram-na. 5 Outra parte caiu em lugar pedregoso, onde não havia muita terra; e nasceu logo, porque não tinha profundidade de terra.6 Mas, saindo o sol, queimou-se; e, porque não tinha raiz, secou. 7 Outra parte caiu entre espinhos; e os espinhos cresceram e a sufocaram. 8 Outra parte, enfim, caiu em boa terra, e frutificou; uns grãos deram cem por um, outros sessenta, outros trinta. 9 Quem tem ouvidos para ouvir, oiça».
Meditação:
Neste Teu campo particular, que eu sou, semeia, Senhor, a semente da vida eterna, a única semente que verdadeiramente me interessa. Ajuda-me a colhe-la com amor e disponibilidade completa, para que frutifique e dê cem por um.
(AMA, comentário, meditação, Mt 13, 1-9)
VIRTUDES 3
Procurai viver as virtudes que, segundo julgais, faltam aos vossos irmãos e já não vereis os seus defeitos, porque não os tereis vós.
(St. Agostinho, Enarrationes in Psalmos, 30, 2, 7, trad. do castelhano por ama)
20/07/2010
Textos de Reflexão para 20 de Julho
Evangelho: Mt 12, 46-50
46 Estando Ele ainda a falar ao povo, eis que Sua mãe e Seus irmãos se achavam fora, desejando falar-Lhe. 47 Alguém disse-Lhe: «Tua mãe e Teus irmãos estão ali fora e desejam falar-Te». 48 Ele, porém, respondeu ao que falava: «Quem é a Minha mãe e quem são os Meus irmãos?» 49 E, estendendo a mão para os Seus discípulos, disse: «Eis Minha mãe e Meus irmãos. 50 Porque todo aquele que fizer a vontade de Meu Pai que está nos céus, esse é Meu irmão e Minha irmã e Minha mãe».
Meditação:
Quem cumpriu a Vontade de Deus em tudo? Onde a união mais perfeita entre Mãe e Filho? Quem com um coração completamente devotado melhor aceitou a Vontade de Deus? Onde o encontro entre o divino e a humanidade teve maior e mais completa expressão?
Foi a Virgem Maria, em Nazaré!
Por isso mesmo o Senhor diz que quem fizer como Ela é «Meu irmão e Minha irmã e Minha mãe».
(ama, meditação sobre Mt 12, 46-50, 2010.05.13)
VIRTUDES 2
Primeiro, as crianças na escola, aprendem a forma das letras; logo começam a distinguir as torcidas, e assim, passo a passo, acabam por aprender a ler.
Dividindo a virtude em partes, aprendamos primeiro, por exemplo, a não falar mal; logo, passando a outra letra, a não invejar ninguém, a não ser escravos do corpo em nenhuma situação, a não nos deixarmos levar pela gula... Logo, passando ás letras espirituais, estudemos a continência, a mortificação dos sentidos, a castidade, a justiça, o desprezo da vã glória; procuremos ser modestos, contritos de coração. Enlaçando umas virtudes com outras escrevemo-las na nossa alma. E temos de exercitar isto na nossa própria casa: com os amigos, com a mulher, com os filhos.
(S. João Crisóstomo, Homílias sobre los Salmos, 11, 8, trad. ama)
19/07/2010
Uma questão de educação
Só nos resta confiar nas qualidades de mulher e cidadã da senhora Ministra da Educação.
Estas as palavras com que o Sr. Prof. João César das Neves termina o seu excelente artigo com o nome em epígrafe.
Pela primeira vez encontro um ponto em que discordo do Ilustre Professor e, por ser coisa tão rara, achei que devia revelá-lo:
Terminaria assim:
A mim só me resta confiar nas qualidades e bom senso de mulheres, cidadãs e cristãs das minhas três filhas para saberem, em casa, orientar, re-orientar, educar e re-educar os meus nove netos, pondo-os, quanto possível, a recato dos assaltos desta ou de outra ministra qualquer e limpando e tratando as feridas que, na escola, lhes possam infligir.
Estas as palavras com que o Sr. Prof. João César das Neves termina o seu excelente artigo com o nome em epígrafe.
Pela primeira vez encontro um ponto em que discordo do Ilustre Professor e, por ser coisa tão rara, achei que devia revelá-lo:
Terminaria assim:
A mim só me resta confiar nas qualidades e bom senso de mulheres, cidadãs e cristãs das minhas três filhas para saberem, em casa, orientar, re-orientar, educar e re-educar os meus nove netos, pondo-os, quanto possível, a recato dos assaltos desta ou de outra ministra qualquer e limpando e tratando as feridas que, na escola, lhes possam infligir.
Textos de Reflexão para 19 de Julho
Evangelho: Mt 12, 38-42
38 Então replicaram-Lhe alguns dos escribas e fariseus, dizendo: «Mestre, nós desejávamos ver algum prodígio Teu».39 Ele respondeu-lhes: «Esta geração má e adúltera pede um prodígio, mas não lhe será dado outro prodígio senão o prodígio do profeta Jonas.40 Porque, assim como Jonas esteve no ventre da baleia três dias e três noites, assim estará o Filho do Homem três dias e três noites no seio da terra.41 Os habitantes de Nínive se levantarão no dia do juízo contra esta geração, e a condenarão, porque se converteram com a pregação de Jonas. Ora aqui está Quem é mais do que Jonas.42 A rainha do Meio-Dia levantar-se-á no dia do juízo contra esta geração e a condenará, porque veio dos confins da terra para ouvir a sabedoria de Salomão. Ora aqui está Quem é mais do que Salomão.
Meditação:
Eu, Senhor, não preciso de nenhum sinal para acreditar firmemente que, Tu, és O Cristo, O Filho do Deus Vivo. Toda a minha vida tem sido cheia de sinais eloquentes, indesmentíveis, da Tua presença, do teu Amor, da Tua Misericórdia… da Tua Divindade.
Pobre de mim, preciso antes, de seguir esses sinais, o que eles me indicam e apontam. A vida que levo e que devia levar, o caminho que ando e que deveria ser outro, aquilo que penso e que devia esquecer, as preocupações que sinto e que deveriam dar lugar à esperança, à confiança absoluta em Ti, meu senhor e Meu Deus, meu Amor, meu Tudo. (AMA, meditação sobre Mt 12, 38-42, Julho 2008)
VIRTUDES 1
Por mais louvável que pareça o domínio da alma sobre o corpo e o domínio da razão sobre os vícios, se tanto a alma como a razão não estão submetidas a Deus como Ele ordena que devem estar, de modo nenhum é correcto o domínio sobre o corpo e os vícios. (…) Mas até as virtudes que ela julga ter e pelas quais domina o corpo e os vícios, seja qual for o bem que ela se propõe adquirir ou conservar, se as não referir a Deus, até essas virtudes são mais vícios que virtudes.
(Stº Agostinho, A Cidade de Deus, Fund. C. Gulbenkian, Vol. III, Livro XIX, Cap. XXV, nr. 1959)
18/07/2010
Caminho de Crescimento
Vem-me a vontade de comentar o belíssimo escrito do Joaquim com o título acima, publicado em SPE DEUS. Não tenho nada a acrescentar - nem me atreveria, quem sou eu? - mas, ao contrário rever-me no que ele diz sobre o caminhar do homem ao encontro de Deus.
A mim parece-me sempre uma tremenda complicação em que a gente se mete quando envereda por tais caminhos.
Temos de analisar a nossa vida do principio ao fim, inverter os valores, rever prioridades, estabelecer novas normas de conduta, entrarmos numa espiral de esforço contínuo que nunca esmorece porque, por detrás de cada árvore que derrubamos aparece outra que não víamos porque estava escondida atrás da primeira e, assim, sucessivamente.
É como dizia, complicarmos a nossa vida de uma forma que não nos passava pela cabeça.
Por isso muitos, desistem ou, simplesmente não querem, meter-se por esses caminhos o que se compreende. Para quê complicar mais a nossa vida quando ela já se apresenta com tantas dificuldades e obstáculos?
Acrescentar mais um?
É de loucos!
E por tal, muitos nos tomam: loucos!
A meu ver, têm razão, porque o Amor a Deus é uma loucura que se instala na nossa vida e não nos larga.
Em nós nasce uma insatisfação "insatisfeita", quero dizer, achamos que estamos aquém do que podemos - e devemos - fazer para retribuir, de alguma forma, a LOUCURA QUE É O AMOR DE DEUS PELOS HOMENS!
E não há volta a dar: ou se ama com o coração inteiro, completo numa entrega sem peias nem condições ou, então, isso que possamos sentir não é amor, poderá ser uma intenção boa, um entusiasmo interessante mas... não é amor.
É por isso que eu Lhe digo, todos os dias:
Senhor, entrego-te o meu coração vazio de qualquer afecto que me prenda, assim poderás enchê-lo do Teu Amor e eu serei, sem dúvida feliz!
Textos de Reflexão para 18 de Julho
Domingo 18 Jul
Evangelho: Lc 10, 38-42
38 Indo em viagem, entrou numa aldeia, e uma mulher, chamada Marta, recebeu-O em sua casa. 39 Esta tinha uma irmã, chamada Maria que, sentada aos pés do Senhor, ouvia a Sua palavra. 40 Marta, porém, afadigava-se muito na contínua lida da casa. Aproximando-se, disse: «Senhor, não Te importas que a minha irmã me tenha deixado só com o serviço da casa? Diz-lhe, pois, que me ajude». 41 O Senhor respondeu-lhe: «Marta, Marta, tu afadigas-te e andas inquieta com muitas coisas 42 quando uma só coisa é necessária. Maria escolheu a melhor parte, que não lhe será tirada».
Comentário:
Esta página do Evangelho mostra-nos Jesus acolhido por Marta e Maria em sua casa, onde ele gostava de saborear a amizade, a intimidade, o repouso sereno.
Marta, como boa dona de casa, dispõe-se a preparar tudo para um acolhimento digno de tão estimado hóspede. Maria "sentada aos pés do Senhor, escutava a Sua palavra". Marta mostra-se agitada, inquieta, perturbada, ansiosa e impaciente pelas muitas coisas a fazer, e pede a Jesus que reprove o aparente desinteresse de Maria. E a resposta de Jesus soa como uma advertência afectuosa: "Marta, Marta, andas tão inquieta e perturbada, mas uma só coisa é necessária. Maria escolheu a melhor parte que não lhe será tirada".
Não se trata aqui de uma lição de cortesia, de boas maneiras. Jesus não é tão ingénuo que desconheça tudo o que é preciso fazer para receber bem um hóspede. A frase de Jesus constitui um pequeno "evangelho": é o anúncio da Palavra que pode preencher o coração, salvando-o da dispersão das muitas coisas. Quer salvar do perigo de perder o valor da Sua visita, da Sua presença, da Sua palavra sobre Deus e sobre o mistério da vida.
Os traços do carácter de Marta podem ser vistos no homem moderno: o homem frenético, doente da pressa e da ansiedade crónica, que cai num activismo sem profundidade, vazio de interioridade, com a ânsia de fazer muitas coisas. E corre o risco de perder o centro de gravidade, o sentido do essencial.
As muitas coisas impedem não só a escuta, mas também o verdadeiro serviço. Fazer muito é sinal de amor; mas também pode fazer morrer o amor, até na família, quando desvia a atenção para as coisas em detrimento das pessoas. Acolher não é só fazer ou dar coisas, mas, antes de mais, é dar atenção à pessoa, fazer companhia, dar tempo e espaço para escutar a Palavra.
Maria é o símbolo do discípulo e da Igreja à escuta de Cristo: abre-lhe o seu coração, deixa-o entrar na sua vida, cultiva a amizade pessoal com Ele, consciente de que "nem só de pão vive o homem, mas de toda a Palavra que sai da boca de Deus".
Também, nesta história, Aquele que é acolhido é o mesmo que vem para acolher, para dar uma Palavra de vida, de luz, de esperança, de alegria e de paz. Esta é a "parte melhor" que não será retirada: o que dá consistência e sentido à vida do discípulo, aquilo que permanece e não passa.
"Feliz aquele que escuta a Palavra e a põe em prática", diz Jesus, conjugando assim as atitudes do acolhimento completo: o coração disponível, à escuta, de Maria e as mãos serviçais de Marta. A Palavra acolhida é um dom que contém em si a vocação à missão, ao serviço, ao testemunho.
(D. António Marto, Bispo de Leiria-Fátima, Festa da Natividade de Nossa Senhora, 2007.09.08)
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