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13/01/2018

Apoiar-vos-eis uns aos outros

Se souberes querer aos outros e difundir, entre todos, esse carinho – caridade de Cristo, fina, delicada –, apoiar-vos-eis uns aos outros, e o que for a cair sentir-se-á amparado – e urgido – com essa fortaleza fraterna, para ser fiel a Deus. (Forja, 148)


Chega a plenitude dos tempos e, para cumprir essa missão, não aparece um génio filosófico, como Sócrates ou Platão; não se instala na terra um conquistador poderoso, como Alexandre Magno. Nasce um Menino em Belém. É o Redentor do mundo; mas, antes de começar a falar, demonstra o seu amor com obras. Não é portador de nenhuma fórmula mágica, porque sabe que a salvação que nos traz há-de passar pelo coração do homem. As suas primeiras acções são risos e choros de criança, o sono inerme de um Deus humanado; para que fiquemos tomados de amor, para que saibamos acolhê-Lo nos nossos braços.


Uma vez mais consciencializamos que isto é que é o Cristianismo. Se o cristão não ama com obras, fracassa como cristão, o que significa fracassar também como pessoa. Não podes pensar nos outros homens como se fossem números, ou degraus para tu subires; como se fossem massa, para ser exaltada ou humilhada, adulada ou desprezada, conforme os casos. Tens de pensar nos outros – antes de mais, nos que estão ao teu lado – vendo neles o que na verdade são: filhos de Deus, com toda a dignidade que esse título maravilhoso lhes confere.


Com os filhos de Deus, temos de comportar-nos como filhos de Deus: o nosso amor há-de ser abnegado, diário, tecido de mil e um pormenores de compreensão, de sacrifício calado, de entrega silenciosa. Este é o bonus odor Christi que arrancava uma exclamação aos que conviviam com os primeiros cristãos: Vede como se amam! (Cristo que passa, 36)


Confissões – 01

Confissões[i]

Empreender

Não, não se trata de fazer o quer que seja, utilizo apenas uma expressão muito típica da cozinheira de casa meus pais, onde esteve mais de quarenta anos.

'o menino não esteja praí a empreender' dizia ela, significando com isto: 'não se ponha a fazer juízos' (sobre qualquer coisa ou alguém).

Pois... dou por mim muitas vezes a "empreender" sobre algo que não entendo, uma atitude ou comportamento que me confunde.

Porquê?

Porque, eu, quero saber tudo, estar ao corrente do que acontece, porque tudo me diz respeito dada a minha importância e posição.

Concluo, tristemente, que sou um "convencido", que me considero digno de todas as preocupações e cuidados dos outros sem sequer me ocorrer que devo tantas atenções, carinho, solidariedade e interesse de tanta gente que me fala, telefona, escreve, se preocupa comigo.

Valha-me Deus!
Que ingrato!

(AMA, reflexões, 2017)



[i] Resolvi passar à escrita um conjunto de reflexões que têm como sub-título:  Confissões

Se se quiser, poderia chamar-se reflexões sobre mim ou, talvez exame pessoal.

Não sei qual será a utilidade para os eventuais leitores - nem isso me preocupa - mas dada a minha condição de viúvo vivendo sozinho, talvez que alguém encontre alguma "pista" de como lidar com situações peculiares.

Exponho-me, é verdade, mas tenho bem presente que 'não há nada escondido que não acabe por se saber ', e, assim, decidi.

Temas para reflectir e meditar

Conversão



O verdadeiro convertido continua persuadido que é um pecador.


(JAVIER ABAD GÓMEZ, Fidelidade, Quadrante 1989 pg. 150)



Evangelho e comentário

Tempo Comum


Evangelho: Mc 2, 13-17

13 Jesus saiu de novo para a beira-mar. Toda a multidão ia ao seu encontro, e Ele ensinava-os. 14 Ao passar, viu Levi, filho de Alfeu, sentado no posto de cobrança, e disse-lhe: «Segue-me.» E, levantando-se, ele seguiu Jesus. 15 Depois, quando se encontrava à mesa em casa dele, muitos cobradores de impostos e pecadores também se puseram à mesma mesa com Jesus e os seus discípulos, pois eram muitos os que o seguiam. 16 Mas os doutores da Lei do partido dos fariseus, vendo-o comer com pecadores e cobradores de impostos, disseram aos discípulos: «Porque é que Ele come com cobradores de impostos e pecadores?» 17 Jesus ouviu isto e respondeu: «Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas sim os enfermos. Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores.»

Comentário:


De tal forma que se reuniram à sua volta não só colegas de profissão, mas também, Doutores da Lei.
Não compreendem, não conseguem entender como é que o Mestre convive com tais pessoas.
Independentemente de quaisquer outros comentários, penso que o que merece maior destaque é a confirmação de que o Senhor não faz acepção de pessoas e, muito menos, pelos cargos ou lugares na sociedade que ocupam.

Mas, Ele, não os deixa sem resposta, lapidar e definitiva como sempre:

«Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas sim os enfermos. Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores.»

(AMA, comentário sobre Mc 2, 13-17, 28.09.2017)







Leitura espiritual

Jesus Cristo o Santo de Deus

Capítulo III

ACREDITAS?

A divindade de Cristo no Evangelho de S. João


2. Tu dás testemunho de Ti próprio

…/2

A característica da luz é ser luz para si própria, iluminar tudo, sem poder ser iluminada por nenhuma outra coisa. Pode somente resplandecer, na esperança de que haja olhos abertos para a receber.
«O verdadeiro sentido da resposta de Jesus é que a Sua afirmação encontra confirmação em si mesma.
Na realidade, a pretensão de ser luz não pode ser provada senão fazendo resplandecer a luz.
A finalidade de todo o Evangelho é precisamente esta: demostrar como a conduta de Cristo dá testemunho de si mesma; como as suas “obras” são luminosas» [i].
João Baptista dá testemunho da luz, sim, [ii] mas com uma pequena candeia que se tem acesa à espera da aurora e se retira logo que nasce o Sol.
E, de facto, ele retrai-se, dizendo:
«É necessário que Ele cresça e eu diminua» [iii].
Existe somente uma pessoa que pode dar testemunho de Jesus e que, de facto, Lho dá: o Pai.
Continuamente e de vários modos, o Pai dá testemunho de Cristo:
Com As Escrituras que falam dele; [iv]
Com as palavras que Lhe dá para proferir;
E as obras que Lhe dá para cumprir.
Mas tudo isto supõe uma condição para se poder tornar eficaz: Ter em Si a «palavra», ou «o amor do Pai», ou ser «de Deus», amar a luz, e querer fazer a Vontade de Deus. [v]
São todos modos variados de dizer a mesma coisa.

Todo o testemunho que vem de fora cairá no vazio, se não encontrar no coração alguma coisa capaz de o escutar e acolher.
A luz pode resplandecer quando queira, mas se os olhos que a devem receber se fecha diante dela, é como de facto se não resplandecesse.
Neste caso, o facto de haver alguém que não veja, não é sinal que a luz não existe, mas somente que esse alguém é cego.
Jesus pode mostrar a Sua divindade, a Sua origem vinda do alto; mas se faltar ou não funcionar o órgão que deve receber esta revelação, não haverá compreensão e não nascerá fé alguma.
Acontece como quando se fala com um estrangeiro que não conhece a linguagem de quem lhe fala.
As palavras chegam aos seus ouvidos, mas não têm sentido algum, não passando de meros sons.
Acontece o mesmo no contexto que Jesus pronunciou aquele «Eu Sou»; quase lutando contra esta situação de incomunibilidade que existe entre Ele e os Seus ouvintes, Ele diz:
«Porque não compreendeis a minha linguagem? É porque não sois capazes de ouvir a Minha palavra». [vi]

A resposta que emerge é sempre a mesma:
Alguns não têm em si a Palavra de Deus, e o sinal que não têm essa Palavra é precisamente o facto de não crerem. [vii]

Se fossem de Deus saberiam que Ele profere palavras de Deus.
É como se um homem, vindo de um país longínquo, encontrasse pessoas que dizem ter vindo daquele mesmo país.
Mas quando se dirige a essas pessoas, falando na linguagem pátria, eles não o compreendem.
É sinal evidente que mentiram e que não são do seu mesmo país; ora Ele sabe «de onde veio».

Essa mesma prova tiveram-na dolorosamente os Apóstolos depois da Páscoa. Diante da incredulidade do Sinédrio, Pedro declara:
«Somos testemunhas destes factos, nós e o Espírito Santo que Deus deu àqueles que Lhe obedecem». [viii]
Os Apóstolos chamam aqui «Espírito Santo» ao que Jesus chamava «a Palavra» ou «o amor do Pai», mas trata-se evidentemente da mesma realidade, ou seja, do correspondente íntimo de alguém que só pode permitir recolher o testemunho exterior, primeiramente de Jesus e agora dos Apóstolos.
O campo visual limita-se ao coração do homem; é aí que se decide quem será crente e quem não será crente.


3     «Como podeis vós acreditar?»

Mas, porque motivo não existe no nosso íntimo aquela «palavra» ou aquele Espírito que permite discernir que aquilo que Jesus diz de Si próprio é verdadeiro, e que Ele é verdadeiramente o Filhó de Deus?
É porventura Deus que nos discrimina e obceca, que predestina uns para a fé e outros para a incredulidade?
Sabemos que alguns, por exemplo Calvino, explicaram as coisas desse modo.
Mas, então, quem não crê, como poderia ser responsável e como poderia ser «julgado» pela Palavra de Jesus e pelas obras que pratica?
É verdade que o próprio São João escreve de alguns:
«Não podiam crer, pelo facto de Isaías ter dito: “Obcecou-lhes os olhos e endureceu-lhes o coração, para que não vejam com os olhos e não entendam com o coração, e se convertam e Eu os cure”» [ix]
Mas sabemos como são interpretados estes textos da Escritura; não no sentido de que Deus obceca ou endurece Ele próprios corações, mas que permite que o espírito seja obcecado e o coração empedernido, em consequência das livres opções e resistências do homem.
«Pois que – diz São Paulo – os homens não deram glória a Deus, mas desvaneceram-se nos seus pensamentos e desprezaram o conhecimento de Deus… por isso, Deus abandonou-os a um sentimento perverso» [x].

Quem é que obceca verdadeiramente o homem, é também São Paulo que o diz quando escreve:

«Se o nosso Evangelho permanece encoberto, isto é para aqueles que se perdem, aos quais o deus deste mundo cegou a mente incrédula para que não lhes resplandeça a luz do glorioso evangelho de Cristo que é imagem de Deus» [xi]

Também Santo Agostinho escreve que «Deus não abandona, se não for abandonado» [xii]

É claro que, com isto, resta sempre uma ponta de mistério no facto de que alguns creem e outros não, o que nos deve incutir um temor salutar.
Mas nós temos é que preocupar-nos com o que depende de nós, não com o que depende de Deus.
Sabemos, e isso nos basta, que Deus é sempre justo e recto naquilo que faz.

A propósito daquilo que depende de nós, o próprio Jesus apontou a raiz da qual nasce no homem a incredulidade, ou seja, porque é que o incrédulo «não pode crer:

«Como podeis crer – disse Ele – vós que recebeis a glória uns dos outros e não procurais a glória que vem só de Deus?» [xiii]
Ainda de outra vez, precisamente depois de ter recordado aquelas palavras de Isaías, o evangelista escreve:

«Apesar de tudo, creram nele também muitos dos chefes, mas não o confessavam abertamente por causa dos fariseus e para não serem expulsos da sinagoga; porque apreciavam mais a glória dos homens que a glória de Deus» [xiv]

Quem é, então, o inimigo da fé na divindade de Cristo?

A Razão?

Não, é o pecado e, precisamente, o pecado do orgulho, a procura da própria glória.
Quem está dominado pala procura da própria glória não pode crer, porque na fé não há lugar para a glória humana e não existe «originalidade».
Pelo contrário, para rer é preciso ajoelhar, obedecer a Deus, como dizia São Pedro [xv].
É verdade que quem crê «verá a glória de Deus» [xvi], mas é a glória de Deus e não a glória pessoal.
Crer é estar constantemente na dependência do absoluto, em constante avaliação do próprio nada.

Em consequência, a grande aliada da fé e o seu verdadeiro preambulum, é a humildade.
Deus escondeu a Sua divindade na humildade da carne e da Cruz.
Ninguém, portanto, a pode descobrir se não for humilde, se não se fizer pequeno.
É como se alguém procurasse uma coisa qualquer, tomando a direcção posta àquela em que ela está: nunca a encontrará.
Procurará em vão a divindade de Cristo todo aquele que não a procurar na humildade e com humildade.
O Pai – diz Jesus – escondeu estas coisas, e sobretudo o mistério da Sua Pessoa, aos sábios e entendidos e revelou-as aos pequeninos [xvii].

É preciso dizer que o orgulho tem um poderoso aliado nesta sua obra de obcecação, que é a impureza, a escravidão da matéria e, em geral, uma vida desordenada e indecorosa.
É o que afirma o Evangelista São João, recorrendo mais uma vez à imagem da luz:
«A luz veio ao mundo, mas os homens preferiram as trevas à luz, porque eram más as sua obras. Porque todo aquele que faz o mal odeia a luz e não vem para a luz, para que as suas obras não sejam reveladas» [xviii].
Não se fala aqui só da impureza da carne (luz é também o amor, e as trevas o ódio), mas certamente também se fala dela e é a experiência que o confirma.
A desordem moral apaga o Espírito, que é unicamente Quem permite discernir o testemunho exterior de Jesus e dos Apóstolos.
«Porque os instintos egoístas têm desejos contrários ao Espírito, e o Espírito contra os desejos egoístas.[xix]

(cont)

rainiero cantalamessa, Pregador da Casa Pontifícia.





[i] C. H. Dodd, A Interpretação do IV Evangelho, Brescia, 1974, p. 260.
[ii] Jo 1,8
[iii] Jo 3,30
[iv] Jo 1,8
[v] Jo 5,38;5,41;7,17;8,47
[vi] Jo 8,43
[vii] Jo 5,38
[viii] At 5,32
[ix] Jo 13,39-40; Is 9,9sss.
[x] Rm 1,21.28
[xi] 2Cor 4,3-4
[xii] Santo Agostinho, De Natura et Gratia, 26,29 (CSEI. 5,255): «Non deserit si non deseratur».
[xiii] Jo 5,44
[xiv] Jo 12,43-44
[xv] Act 5,32
[xvi] Jo 11,40
[xvii] Cfr. Mt 11,25
[xviii] Jo3,19-20
[xix] Gl 5,17

Hoy el reto del amor es que te dejes hidratar por Cristo

CRISTO SABE DE COSMÉTICA 


Ayer empezamos una Jornada Monástica, y una del grupo nos entregó unas bolsas con unos cuantos botes dentro.


Emocionada, nos habló de su contenido: ¡era un tratamiento completo para las manos! Nos enseñó todo con entusiasmo, poniendo un poco de cada producto sobre nuestras manos. Nos hizo experimentar la textura, el olor... Realmente convencía de que era lo mejor. Pero... el proceso eran tres pasos y eso... dado el tiempo del que disponemos, emplearlo para el uso de cosméticos no nos convencía mucho.


Cuando se fueron, razonamos todo lo que nos dijo, pues las circunstancias, el tiempo... eran factores adversos. ¡No entendíamos tener que echar una crema de manos en tres pasos! Pensamos que quizá si las mezclábamos y las hacíamos un solo producto, sería más rápido; que si nos saltábamos uno de los pasos que nos resultaba ilógico, daría igual...


Finalmente: cogimos las instrucciones. Y el primer paso resulta ser el hidratante; el segundo, exfoliante; y el tercero, el que daba suavidad a las manos, siendo todo el conjunto lo que daba el ¡resultado perfecto! Así sí que tenía su lógica.


Y así vimos el tratamiento de Cristo en nuestro corazón: Como Gema hizo con la crema sobre nuestras manos, así Cristo, cuando menos te lo esperas, se posa sobre ti y te deja sentir su olor, su textura, traducidos en Amor y Paz.


Así, el primer paso, en el que le experimentas vivo, cercano, te llena de tal manera que hidrata todas tus heridas, todo tu pasado, el momento duro por el que puedes estar pasando... sintiéndole así presente.


El segundo, el exfoliante, en el que dejas que entre Él en tu corazón, en tu intimidad, dejas que muera por todas aquellas heridas, quita de tu vida aquello que te hace daño y va limpiando todo.


Y ya por último, el tercero, en el que tu vida adquiere la suavidad del amor, un sentido nuevo, ¡el resultado perfecto!


Hoy el reto del amor es dejar que Cristo entre en tu corazón, limpie lo que te pesa y suavice tu vida: cuando vayas paseando, entra en una iglesia y déjate hidratar por Él.



VIVE DE CRISTO

Pequena agenda do cristão

SÁBADO



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Honrar a Santíssima Virgem.

A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador, porque pôs os olhos na humildade da Sua serva, de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações. O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas, santo é o Seu nome. O Seu Amor se estende de geração em geração sobre os que O temem. Manifestou o poder do Seu braço, derrubou os poderosos do seu trono e exaltou os humildes, aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias. Acolheu a Israel Seu servo, lembrado da Sua misericórdia, como tinha prometido a Abraão e à sua descendência para sempre.

Lembrar-me:

Santíssima Virgem Mãe de Deus e minha Mãe.

Minha querida Mãe: Hoje queria oferecer-te um presente que te fosse agradável e que, de algum modo, significasse o amor e o carinho que sinto pela tua excelsa pessoa.
Não encontro, pobre de mim, nada mais que isto: O desejo profundo e sincero de me entregar nas tuas mãos de Mãe para que me leves a Teu Divino Filho Jesus. Sim, protegido pelo teu manto protector, guiado pela tua mão providencial, não me desviarei no caminho da salvação.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?