Páginas

Pequena agenda do cristão


TeRÇa-Feira


(Coisas muito simples, curtas, objectivas)




Propósito:

Aplicação no trabalho.

Senhor, ajuda-me a fazer o que devo, quando devo, empenhando-me em fazê-lo bem feito para to poder oferecer.

Lembrar-me:
Os que estão sem trabalho.

Senhor, lembra-te de tantos e tantas que procuram trabalho e não o encontram, provê às suas necessidades, dá-lhes esperança e confiança.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?





Temas para reflectir e meditar


Formação humana e cristã – 54 

Mas, advoga-se, por exemplo, que devemos amar os nossos inimigos e, assim, como esperar retribuição?

Ponhamos as coisas claras:

Devemos amar não para ter retribuição, mas porque é o nosso dever de cristãos, até porque, se queremos imitar Cristo, temos de considerar o que aconteceria à humanidade, se Ele deixasse de amar os que não O amam!

Ao amar um inimigo estou, de certa forma, a encomendá-lo a Deus e esse amor será aplicado pela Sabedoria e Justiça divinas.

Ou seja, dito com palavras humanas, “saímos sempre a ganhar”!

Talvez pareça que tudo isso não passam de palavras mais ou menos bonitas e consoladoras  que, na prática são uma aspiração inatingível.

(AMA, reflexões)

Evangelho e comentário


Tempo comum


Evangelho: Lc 7, 11-17

11 Em seguida, dirigiu-se a uma cidade chama da Naim, indo com Ele os seus discípulos e uma grande multidão. 12 Quando estavam perto da porta da cidade, viram que levavam um defunto a sepultar, filho único de sua mãe, que era viúva; e, a acompanhá-la, vinha muita gente da cidade. 13 Vendo-a, o Senhor compadeceu-se dela e disse-lhe: «Não chores.» 14 Aproximando-se, tocou no caixão, e os que o transportavam pararam. Disse então: «Jovem, Eu te ordeno: Levanta-te!» 15 O morto sentou-se e começou a falar. E Jesus entregou-o à sua mãe. 16 O temor apoderou-se de todos, e davam glória a Deus, dizendo: «Surgiu entre nós um grande profeta e Deus visitou o seu povo!» 17 E a fama deste milagre espalhou-se pela Judeia e por toda a região.

Comentário:

Na sequência do trecho de ontem, a Liturgia apresenta-nos hoje outro portentoso milagre de Jesus.

Há algumas diferenças entre o milagre relatado ontem e o de hoje.

Sendo ambos actos extraordinários – por isso lhes chamamos milagres – de restituição da vida perdida existe, de facto, algo digno de nota:

Hoje assistimos à comoção pessoal, profundamente humana do Senhor.

De tal forma que não necessita que alguém Lhe peça que actue, Ele próprio, movido pelo Seu Coração Amantíssimo não pode deixar de consolar a pobre mãe pedindo-lhe que não chore e exercer o Seu poder divino ressuscitando o jovem.

Que Senhor!
Que Misericórdia!
Que carinho com que trata os Seus irmãos os homens!

(AMA, comentário sobre Lc 17, 11-17, 19.05.2018)





Se formos humildes, Deus não nos abandonará nunca


Essas depressões por veres ou por outros descobrirem os teus defeitos, não têm fundamento... Pede a verdadeira humildade. (Sulco, 262)

Quanto maior és, mais te deves humilhar em todas as coisas, e acharás graça diante de Deus. Se formos humildes, Deus não nos abandonará nunca. Ele humilha a altivez do soberbo, mas salva os humildes. Ele liberta o inocente, que pela pureza das suas mãos será resgatado. A infinita misericórdia do Senhor não tarda em vir socorrer quem o chama com humildade. E então actua como quem é: como Deus omnipotente. Ainda que haja muitos perigos, ainda que a alma pareça acossada, ainda que se encontre cercada por todos os lados pelos inimigos da sua salvação, não perecerá. E isto não é apenas tradição doutros tempos, pois continua a acontecer agora.
(…) Nós, sem manifestações espectaculares, com a normalidade da vida cristã corrente, com uma sementeira de paz e de alegria, temos também de destruir muitos ídolos: o da incompreensão, o da injustiça, o da ignorância, o da pretensa suficiência humana que volta com arrogância as costas a Deus.
Não vos assusteis nem temais nada, mesmo que as circunstâncias em que trabalheis sejam tremendas, piores que as de Daniel no fosso com aqueles animais vorazes. As mãos de Deus continuam a ser igualmente poderosas e, se fosse necessário, fariam maravilhas. (Amigos de Deus, 104)

Leitura espiritual


São Josemaria Escrivá


Cristo que passa  
90
          
Assim se entra no Canon, com a confiança filial que nos leva a chamar clementíssimo ao nosso Pai Deus.
Pedimos-Lhe pela Igreja e por todos os que estão na Igreja, pelo Papa, pela nossa família, pelos nossos amigos e companheiros. E o católico, como tem coração universal, pede por todo o mundo, porque o seu zelo entusiasta nada pode excluir.
E para que a petição seja acolhida, recordamos a nossa comunhão com a Santíssima Virgem e com um punhado de homens que foram os primeiros a seguir Cristo e por Ele morreram.

Quam oblationem...
Aproxima-se o momento da consagração.
Agora, na Santa Missa, é outra vez Cristo que actua, através do sacerdote: Isto é o meu Corpo.
Este é o cálice do meu Sangue.
Jesus está connosco!
Com a transubstanciação, renova-se a infinita loucura divina, ditada pelo Amor.
Quando hoje se repete esse momento, que saiba cada um de nós dizer ao Senhor, mesmo sem pronunciar quaisquer palavras, que nada nos poderá afastar d'Ele e que a sua disponibilidade de se deixar ficar - totalmente indefeso - nas aparências, tão frágeis, do pão e do vinho, nos converteu voluntariamente em escravos: praesta meae menti de te vivere et te illi semper dulce sapere, faz com que eu viva de Ti e saboreie sempre a doçura do teu amor.

Mais petições.
Nós, homens, estamos quase sempre inclinados a pedir.
Desta vez, é pelos nossos irmãos defuntos e por nós mesmos.
Por isso, aqui aparecem todas as nossas infidelidades e misérias. O peso da sua carga é muito grande, mas Ele quer levá-lo por nós e connosco.
O Canon vai terminar com outra invocação à Santíssima Trindade: per Ipsum, et cum Ipso, et in Ipso.... por Cristo, com Cristo e em Cristo, nosso Amor, a Ti, Deus Pai Todo Poderoso, na unidade do Espírito Santo, Te seja dada toda a honra e glória pelos séculos dos séculos.

91
         
Jesus é o Caminho, o Medianeiro.
N'Ele, tudo!
Fora d'Ele nada!
Em Cristo e ensinados por Ele, atrevemo-nos a chamar Pai Nosso ao Todo-Poderoso, a Ele, que fez o Céu e a Terra e que é esse Pai tão afectuoso que espera que voltemos para Ele continuamente, cada um de nós como novo e constante filho pródigo.

Ecce Agnus Dei... Domine, non sum dignus...
Vamos receber o Senhor.
Quando na Terra se recebem pessoas muito importantes, há luzes, música, trajes de gala.
Para albergar Cristo na nossa alma, como devemos preparar-nos?
Já teremos por acaso pensado como nos comportaríamos se só se pudesse comungar uma vez na vida?

Quando eu era criança, não estava ainda divulgada a prática da comunhão frequente.
Recordo-me de como se preparavam as pessoas para comungar.
Cuidavam com esmero a boa preparação da alma e até do corpo. Punham a melhor roupa, a cabeça bem penteada, o corpo fisicamente limpo e talvez mesmo um pouco de perfume...
Eram delicadezas próprias de quem estava apaixonado, de almas finas e rectas, que sabem pagar o Amor com amor.

Com Cristo na alma, termina a Santa Missa.
A bênção do Pai, do Filho e do Espírito Santo acompanha-nos durante toda a jornada, na nossa tarefa simples e normal de santificar todas as actividades nobres do homem.

Assistindo à Santa Missa, aprenderemos a falar, a privar com cada uma das Pessoas divinas: com o Pai, que gera o Filho, que é gerado pelo Pai; e com o Espírito Santo, que procede dos dois.
Habituando-nos a privar intimamente com qualquer uma das três Pessoas, privaremos com um único Deus.
E se falarmos com as três, com a Trindade, privaremos também com um só Deus, único e verdadeiro.
Amai a Santa Missa, meus filhos, amai a Santa Missa!
E que cada um de vós comungue com ardor, mesmo que se sinta gelado, mesmo que não haja correspondência por parte da emotividade. Comungai com fé, com esperança e com caridade inflamada.

92
         
Viver na intimidade com Jesus Cristo

Não ama Cristo quem não ama a Santa Missa e quem não se esforça no sentido de a viver com serenidade e sossego, com devoção e com carinho.
0 amor transforma aqueles que estão apaixonados em pessoas de sensibilidade fina e delicada.
Leva-os a descobrir, para que se não esqueçam de os pôr em prática, pormenores que são por vezes mínimos, mas que trazem a marca de um coração apaixonado.
É assim que devemos assistir à Santa Missa. Por este motivo, sempre pensei que aqueles que querem ouvir uma missa rápida e atabalhoada demonstram com essa atitude, já de si pouco elegante, que não conseguiram aperceber-se do significado do Sacrifício do altar.

O amor a Cristo, que se oferece por nós, anima-nos a saber encontrar, uma vez terminada a Santa Missa, alguns minutos de acção de graças pessoal e íntima, que prolonguem no silêncio do coração essa outra acção de graças que é a Eucaristia.
Como poderemos dirigir-nos a Ele, como falar-Lhe, como comportar-nos?

A vida cristã não está feita de normas rígidas, porque o Espírito Santo não dirige as almas massivamente, mas infundindo em cada uma delas propósitos, inspirações e afectos que ajudarão a captar e a cumprir a vontade do Pai. Penso, no entanto, que em muitas ocasiões o nervo do nosso diálogo com Cristo, na acção de graças depois da Santa Missa, pode ser a consideração de que o Senhor é para nós, Rei, Médico, Mestre e Amigo.

É Rei e anseia por reinar nos nossos corações de filhos de Deus.
Mas é preciso não imaginar reinados humanos neste caso, porque Cristo não domina nem procura impor-se, dado que não veio para ser servido, mas para servir.

93
         
O seu reino é a paz, a alegria, a justiça. Cristo, nosso Rei, não espera de nós raciocínios vãos, mas factos, porque nem todo o que Me diz: Senhor, Senhor, entrará no reino dos céus; mas o que faz a vontade de meu Pai que está nos céus, esse entrará no reino dos céus.

É Médico e cura o nosso egoísmo, se deixarmos que a sua graça penetre até ao fundo da nossa alma.
Jesus disse-nos que a pior doença é a hipocrisia, o orgulho que nos faz dissimular os nossos pecados.
Com o Médico, é imprescindível, pela nossa parte, uma sinceridade absoluta, explicar-lhe toda a verdade e dizer: Domine, si vis, potes me mundare, Senhor, se quiseres - e Tu queres sempre - podes curar-me. Tu conheces as minhas fraquezas, tenho estes sintomas e estas debilidades.
Mostramos-lhe também com toda a simplicidade as chagas e o pus, no caso de haver pus.
Senhor, Tu, que curaste tantas almas, faz com que, ao ter-Te no meu peito ou ao contemplar-Te no Sacrário, Te reconheça como Médico divino.

É mestre de uma ciência que só Ele possui, a do amor a Deus sem limites e, em Deus, a todos os homens.
Na escola de Cristo aprende-se que a nossa existência não nos pertence. Ele entregou a sua vida por todos os homens e, se O seguimos, necessitamos de compreender que não devemos apropriar-nos de maneira egoísta da nossa vida sem compartilhar as dores dos outros.
A nossa vida é de Deus.
Temos de gastá-la ao seu serviço, preocupando-nos generosamente com as almas e demonstrando, com a palavra e com o exemplo, a profundidade das exigências cristãs.

Jesus espera que alimentemos o desejo de adquirir essa ciência, para nos repetir: se alguém tem sede, venha a Mim e beba.
E respondemos: ensina-nos a esquecermo-nos de nós mesmos, para pensarmos em Ti e em todas as almas.
Deste modo, o Senhor far-nos-á progredir com a sua graça, como quando começávamos a escrever (lembrais-vos daqueles traços que fazíamos, guiados pela mão do professor?) e assim começaremos a saborear a dita de manifestar a nossa fé, que é já de si outra dádiva de Deus, também com traços inequívocos de uma conduta cristã, onde todos possam descobrir as maravilhas divinas.

É Amigo, o Amigo: vos autem dixi amicos, diz-nos Ele.
Chama-nos amigos e foi Ele quem deu o primeiro passo, pois amou-nos primeiro.
Contudo, não impõe o seu carinho: oferece-o. E prova-o com o sinal mais evidente da amizade: ninguém tem maior amor que o daquele que dá a vida pelos seus amigos.
Era amigo de Lázaro e chorou por ele quando o viu morto. E ressuscitou-o.
Por isso, se nos vir frios, desalentados, talvez com a rigidez de uma vida interior que se está a extinguir, o seu pranto será vida para nós: Eu te ordeno, meu amigo, levanta-te e anda, deixa essa vida mesquinha, que não é vida!

(cont)