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11/03/2018

Tempo de Quaresma

Entramos no tempo da Quaresma: tempo de penitência, de purificação, de conversão. Não é fácil tarefa. O cristianismo não é um caminho cómodo; não basta estar na Igreja e deixar que os anos passem. Na nossa vida, na vida dos cristãos, a primeira conversão – esse momento único, que cada um de nós recorda, em que advertimos claramente tudo o que o Senhor nos pede – é importante; mas ainda mais importantes e mais difíceis são as conversões sucessivas. É preciso manter a alma jovem, invocar o Senhor, saber ouvir, descobrir o que corre mal, pedir perdão, para facilitarmos o trabalho da graça divina nessas sucessivas conversões.


Haverá melhor maneira de começar a Quaresma? Renovamos a Fé, a Esperança, a Caridade. Esta é a fonte do espírito de penitência, do desejo de purificação. A Quaresma não é apenas uma ocasião de intensificar as nossas práticas externas de mortificação; se pensássemos que era isso apenas, escapar-nos-ia o seu sentido profundo na vida cristã, porque esses actos externos são, repito, fruto da Fé, da Esperança e do Amor. (Cristo que passa, 57)


A Quaresma coloca-nos agora perante estas perguntas fundamentais: Avanço na minha fidelidade a Cristo? Em desejos de santidade? Em generosidade apostólica na minha vida diária, no meu trabalho quotidiano entre os meus companheiros de profissão? (Cristo que passa, 58)


Não podemos considerar esta Quaresma como uma época mais, repetição cíclica do tempo litúrgico; este momento é único; é uma ajuda divina que é necessário aproveitar. Jesus passa ao nosso lado e espera de nós – hoje, agora – uma grande mudança. (Cristo que passa, 59)


Temas para meditar e reflectir

Justa crucem

Porque Nossa Senhora não se afastou do Calvário?

No fim e ao cabo, nada podia fazer, e a sua presença não evitava nem aliviava as dores do seu Filho nem a Sua humilhação.

E não o fez pela mesma razão que uma mãe permanece junto ao leito do seu filho agonizante em lugar de se afastar e distrair-se, já que não pode fazer nada para que continue vivendo ou deixe de sofrer.

A Virgem solidarizou-se com o seu Filho; o seu amor levou-a sofrer com Ele.



(FEDERICO SUÁREZ, A Virgem Nossa Senhora, pg. 294)


Evangelho e comentário

Tempo de Quaresma

Evangelho: Jo 3, 14-21

14 Assim como Moisés ergueu a serpente no deserto, assim também é necessário que o Filho do Homem seja erguido ao alto, 15 a fim de que todo o que nele crê tenha a vida eterna. 16 Tanto amou Deus o mundo, que lhe entregou o seu Filho Unigénito, a fim de que todo o que nele crê não se perca, mas tenha a vida eterna. 17 De facto, Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele. 18 Quem nele crê não é condenado, mas quem não crê já está condenado, por não crer no Filho Unigénito de Deus. 19 E a condenação está nisto: a Luz veio ao mundo, e os homens preferiram as trevas à Luz, porque as suas obras eram más. 20 De facto, quem pratica o mal odeia a Luz e não se aproxima da Luz para que as suas acções não sejam desmascaradas. 21 Mas quem pratica a verdade aproxima-se da Luz, de modo a tornar-se claro que os seus actos são feitos segundo Deus.»

Comentários:

A Bíblia relata que Deus mandara Moisés colocar no alto de um poste uma serpente de bronze de modo a que quantos fossem mordidos por serpentes a olhassem e ficassem curados.
Aqui, Jesus Cristo faz como que uma analogia entre este episódio e a Sua própria crucificação.
«Et ego, si exaltatus fuero a terra, omnia traham ad meipsum.» [i]

O Crucificado atrai o olhar de toda a humanidade, contemplar a Cruz de Cristo onde nos salvou e redimiu é um acto de fé e de amor, de gratidão e confiança, é como que o “emblema” que o cristão transporta consigo onde quer que vá, onde quer que esteja.

Tal como a tradição refere, “com este sinal… vencerás”, é o estandarte que nos guiará sempre à vitória final que é a conquista do Reino dos Céus.

(AMA, comentário sobre Jo 3, 14-21, 07.12.2017)






[i] Cfr. Jo 12,32

Leitura espiritual

RESUMOS DA FÉ CRISTÃ

TEMA 19 A Eucaristia (I) 

A Eucaristia é o memorial da Páscoa de Cristo, a actualização do seu único sacrifício, na liturgia da Igreja.

1. Natureza sacramental da Santíssima Eucaristia

1.1. O que é a Eucaristia?

A Eucaristia é o sacramento que torna presente, na celebração litúrgica da Igreja, a Pessoa de Jesus Cristo (Cristo total: Corpo, Sangue, Alma e Divindade) e o seu sacrifício redentor, na plenitude do Mistério Pascal, da sua paixão, morte e ressurreição. Esta presença não é estática ou passiva (como a de um objecto num lugar), mas activa, porque o Senhor Se torna presente com o dinamismo do seu amor salvador: na Eucaristia Ele convida-nos a acolher a salvação que nos oferece e a receber o dom do seu Corpo e do seu Sangue como alimento de vida eterna, permitindo-nos entrar em comunhão com Ele – com a sua Pessoa e o seu sacrifício – e em comunhão com todos os membros do seu Corpo Místico que é a Igreja. Com efeito, como afirma o Concílio Vaticano II, «O nosso Salvador instituiu na última Ceia, na noite em que foi entregue, o Sacrifício eucarístico do seu Corpo e do seu Sangue para perpetuar pelo decorrer dos séculos, até Ele voltar, o Sacrifício da cruz, confiando à Igreja, sua esposa amada, o memorial da sua morte e ressurreição: sacramento de piedade, sinal de unidade, vínculo de caridade, banquete pascal em que se recebe Cristo, a alma se enche de graça e nos é concedido o penhor da glória futura» [i].

1.2. Os nomes com que se designa este sacramento

A Eucaristia é denominada, tanto pela Sagrada Escritura como pela Tradição da Igreja, com diversos nomes, que reflectem os múltiplos aspectos deste sacramento e expressam a sua incomensurável riqueza, mas nenhum esgota o seu sentido. Vejamos os mais significativos:
a) Alguns nomes recordam a origem do rito: Eucaristia [ii], Fracção do Pão, Memorial da paixão, morte e ressurreição do Senhor, Ceia do Senhor.
b) Outros sublinham o carácter sacrificial da Eucaristia: Santo Sacrifício, Santo Sacrifício da Missa, Sacramento do Altar, Hóstia (=Vítima imolada).
c) Outros tentam expressar a realidade da presença de Cristo sob as espécies consagradas: Sacramento do Corpo e do Sangue de Cristo, Pão do Céu (cf. Jo 6, 32-35; Jo 6, 51-58), Santíssimo Sacramento (porque contém o Santo dos Santos, a própria santidade de Deus encarnado).
d) Outros referem-se aos efeitos causados pela Eucaristia em cada fiel e em toda a Igreja: Pão da Vida, Pão dos Filhos, Cálice de Salvação, Viático (para que não desfaleçamos no caminho para Casa), Comunhão. Este último nome indica que mediante a Eucaristia nos unimos a Cristo (comunhão pessoal com Cristo) e a todos os membros do seu Corpo Místico (comunhão eclesial em Jesus Cristo). e) Outros designam toda a celebração eucarística com o termo que indica, no rito latino, a despedida dos fiéis depois da comunhão: Missa, Santa Missa. Entre todos estes nomes o termo Eucaristia é o que tem prevalecido cada vez mais na Igreja do Ocidente, até se tornar a expressão comum com que se designa tanto a acção litúrgica da Igreja, que celebra o memorial do Senhor, como o sacramento do Corpo e do Sangue de Cristo. No Oriente a celebração eucarística, sobretudo a partir do século X, é designada habitualmente pela expressão Santa e Divina Liturgia.

1.3. A Eucaristia na ordem sacramental da Igreja

«O amor da Trindade pelos homens faz com que, da presença de Cristo na Eucaristia, nasçam para a Igreja e para a humanidade todas as graças» [iii].

A Eucaristia é o sacramento mais excelso, porque nele «está contido todo o tesouro espiritual da Igreja, isto é, o próprio Cristo, a nossa Páscoa e o pão vivo que dá aos homens a vida mediante a sua carne vivificada e vivificadora pelo Espírito Santo» [iv].

Os outros sacramentos, embora possuam uma virtude santificadora que provém de Cristo, não são como a Eucaristia, que torna verdadeiramente presente, real e substancialmente a própria Pessoa de Cristo – o Filho encarnado e glorificado do Pai Eterno –, com a potência salvífica do seu amor redentor, para que os homens possam entrar em comunhão com Ele e vivam por Ele e n'Ele (cf. Jo 6, 56, 57). Além disso, a Eucaristia constitui o cume para o qual convergem todos os outros sacramentos em ordem ao crescimento espiritual de cada um dos crentes e de toda a Igreja. Neste sentido, o Concílio Vaticano II afirma que a Eucaristia é «fonte e centro de toda a vida cristã», o centro da vida da Igreja [v].

Todos os outros sacramentos e todas as obras da Igreja ordenam-se à Eucaristia porque o seu fim é conduzir os fiéis à união com Cristo, presente neste sacramento (cf. Catecismo, 1324). Embora contenha Cristo, fonte através da qual a vida divina chega à humanidade, e ainda sendo o fim para o qual se ordenam os outros sacramentos, a Eucaristia não substitui nenhum deles (nem o Baptismo, nem a Confirmação, nem a Penitência, nem a Unção dos Doentes), e só pode ser consagrada por um ministro validamente ordenado. Cada sacramento tem o seu papel no conjunto sacramental e na vida da própria Igreja. Neste sentido, a Eucaristia considera-se o terceiro sacramento da iniciação cristã. Desde os primeiros séculos do cristianismo que o Baptismo e a Confirmação foram considerados como preparação para a participação na Eucaristia, como disposições para se poder entrar em comunhão sacramental com o Corpo de Cristo e o seu sacrifício, e para inserir-se mais vitalmente no mistério de Cristo e da sua Igreja.

2. A promessa da Eucaristia e a sua instituição por Jesus Cristo

2.1. A promessa

O Senhor anunciou a Eucaristia durante a sua vida pública, na Sinagoga de Cafarnaum, perante aqueles que O tinham seguido depois de serem testemunhas do milagre da multiplicação dos pães, com que saciou a multidão (cf. Jo 6, 1-13). Jesus aproveitou aquele sinal para revelar a sua identidade e a sua missão, e para prometer a Eucaristia: «"Em verdade, em verdade vos digo: Não foi Moisés que vos deu o pão do Céu, mas é o meu Pai quem vos dá o verdadeiro pão do Céu, pois o pão de Deus é aquele que desce do Céu e dá a vida ao mundo." Disseram-lhe então: “Senhor, dá-nos sempre desse pão!" Respondeu-lhes Jesus: “Eu sou o pão da vida… Eu sou o pão vivo, o que desceu do Céu: se alguém comer deste pão, viverá eternamente; e o pão que Eu hei-de dar é a minha carne, pela vida do mundo… Quem realmente come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna e Eu hei-de ressuscitá-lo no último dia, porque a minha carne é uma verdadeira comida e o meu sangue, uma verdadeira bebida. Quem realmente come a minha carne e bebe o meu sangue fica a morar em mim e Eu nele. Assim como o Pai que me enviou vive e Eu vivo pelo Pai, também quem de verdade me come viverá por mim"» (cf. Jo 6, 32-35, 51, 54-57).

2.2. A instituição e o seu contexto pascal

Jesus Cristo instituiu este sacramento na Última Ceia. Os três Evangelhos sinópticos (cf. Mt 26, 17-30; Mc 14, 12-26; Lc 22, 7-20) e S. Paulo (cf. 1 Cor 11, 23-26) transmitiram-nos o relato da sua instituição. Eis aqui a síntese da narração que o Catecismo da Igreja Católica nos oferece: «Veio o dia dos Ázimos, em que devia imolar-se a Páscoa. [Jesus] enviou então a Pedro e a João, dizendo: "Ide preparar-nos a Páscoa, para que a possamos comer" [...]. Partiram pois, [...] e prepararam a Páscoa. Ao chegar a hora, Jesus tomou lugar à mesa, e os Apóstolos com Ele. Disse-lhes então: "Tenho desejado ardentemente comer convosco esta Páscoa, antes de padecer. Pois vos digo que não voltarei a comê-la, até que ela se realize plenamente no Reino de Deus". [...] Depois, tomou o pão e, dando graças, partiu-o, deu-lho e disse-lhes: "Isto é o Meu corpo, que vai ser entregue por vós. Fazei isto em memória de Mim". No fim da ceia, fez o mesmo com o cálice e disse: "Este cálice é a Nova Aliança no meu sangue, que vai ser derramado por vós"» (Catecismo, 1339). Jesus celebrou pois a Última Ceia no contexto da Páscoa judaica, mas a Ceia do Senhor possui uma novidade absoluta: no centro não se encontra o cordeiro da Antiga Páscoa, mas o próprio Cristo, o seu Corpo entregue (oferecido em sacrifício ao Pai, a favor dos homens)… e o seu Sangue derramado por muitos para a remissão dos pecados (cf. Catecismo, 1339). Podemos pois dizer que Jesus, mais do que celebrar a Antiga Páscoa, anunciou e realizou – antecipando-a sacramentalmente – a Nova Páscoa.

2.3. Significado e conteúdo do mandato do Senhor

O preceito explícito de Jesus: «fazei isto em memória de mim» [como meu memorial] (Lc 22, 19; 1 Cor 11, 24-25), evidencia o carácter propriamente institucional da Última Ceia. Com este mandato, pede-nos que correspondamos ao seu dom e que o sacramentalmente (que o voltemos a realizar, que reiteremos a sua presença: a presença do seu Corpo entregue e do seu Sangue derramado, ou seja, do seu sacrifício em remissão dos nossos pecados). - «Fazei isto». Deste modo designou aqueles que poderiam celebrar a Eucaristia (os Apóstolos e os seus sucessores no sacerdócio), confiou-lhes a potestade de a celebrar e determinou os elementos fundamentais do rito: os mesmos que Ele empregou. Assim, na celebração da Eucaristia é necessária a presença do pão e do vinho, da oração de acção de graças e de bênção, da consagração dos dons no Corpo e Sangue do Senhor, da distribuição e comunhão deste Santíssimo Sacramento. - «Em memória de mim» [como meu memorial]. Deste modo, Cristo ordenou aos Apóstolos (e neles aos seus sucessores no sacerdócio), que celebrassem um novo “memorial", que substituísse o da Antiga Páscoa. Este rito memorial tem uma particular eficácia: não só ajuda a “recordar" à comunidade crente o amor redentor de Cristo, as suas palavras e gestos durante a Última Ceia, mas que, além disso, como sacramento da Nova Lei, torna objectivamente presente a realidade significada: Cristo “Nossa Páscoa" (1 Cor 5, 7), e o seu sacrifício redentor.

3. A celebração litúrgica da Eucaristia

A Igreja, obediente ao mandato do Senhor, celebrou a seguir a Eucaristia em Jerusalém (cf. Act 2, 42-48), em Tróade (cf. Act 20, 7-11) em Corinto (cf. 1 Cor 10, 14, 21; 1 Cor 11, 2034), e em todos os lugares onde haveria de chegar o cristianismo. «Era sobretudo “no primeiro dia da semana", isto é, no dia de domingo, dia da ressurreição de Jesus, que os cristãos se reuniam “para partir o pão" (Act 20, 7). Desde esses tempos até aos nossos dias, a celebração da Eucaristia perpetuou-se, de maneira que hoje a encontramos em toda a parte na Igreja com a mesma estrutura fundamental» (Catecismo, 1343).

3.1. A estrutura fundamental da celebração

Fiel ao mandato de Jesus, a Igreja, guiada pelo «Espírito de Verdade» (Jo 16, 13), que é o Espírito Santo, quando celebra a Eucaristia não faz outra coisa senão conformar-se com o rito realizado pelo Senhor na Última Ceia. Os elementos essenciais das sucessivas celebrações eucarísticas não podem ser outros senão os da Eucaristia originária, ou seja:
a) A assembleia dos discípulos de Cristo, por Ele convocada e reunida à sua volta.
b) A realização do novo rito memorial. A assembleia eucarística logo nos começos da vida da Igreja, a assembleia cristã que celebra a Eucaristia manifesta-se hierarquicamente estruturada: normalmente é constituída pelo bispo ou por um presbítero (que preside sacerdotalmente à celebração eucarística e actua in persona Christi Capitis Ecclesiae), pelo diácono, por outros ministros e pelos fiéis, unidos pelo vínculo da fé e do baptismo. Todos os membros desta assembleia são chamados a participar consciente, devota e activamente na liturgia eucarística, cada um segundo o seu modo próprio: o sacerdote celebrante, o diácono, os leitores, «os que trazem as oferendas, os que distribuem a comunhão e todo o povo cujo Ámen manifesta a participação» (Catecismo, 1348). Assim, cada um deverá cumprir o que é próprio do seu ministério, sem que haja confusão entre o sacerdócio ministerial, o sacerdócio comum dos fiéis, o ministério do diácono e de outros possíveis ministros. O papel do sacerdócio ministerial na celebração da Eucaristia é essencial. Só o sacerdote validamente ordenado pode consagrar a Santíssima Eucaristia, pronunciando in in persona Christi (quer dizer, na identificação específica sacramental com o Sumo e Eterno Sacerdote, Jesus Cristo), as palavras da consagração (cf. Catecismo, 1369). Por outro lado, nenhuma comunidade cristã tem capacidade para se atribuir por si só o ministério ordenado. «Este é um dom que ela recebe através da sucessão episcopal que remonta aos Apóstolos. É o Bispo que constitui, pelo sacramento da Ordem, um novo presbítero, conferindo-lhe o poder de consagrar a Eucaristia» [vi].

O desenrolar da celebração A acção do rito memorial desenrola-se, desde as origens da Igreja, em dois grandes momentos, que formam um só acto de culto: a “Liturgia da Palavra" (que compreende a proclamação e a escuta-acolhimento da Palavra de Deus) e a “Liturgia Eucarística" (que compreende a apresentação do pão e do vinho, a anáfora ou oração eucarística – com as palavras da consagração – e a comunhão. Estas duas partes principais estão delimitadas pelos ritos de introdução e de conclusão (cf. Catecismo, 1349-1355). Ninguém pode tirar ou acrescentar a seu bel-prazer nada do que foi estabelecido pela Igreja na Liturgia da Santa Missa [vii].

A constituição do signo sacramental Os elementos essenciais e necessários para constituir o signo sacramental da Eucaristia são: por um lado, o pão de farinha de trigo  [viii] e o vinho de uvas [ix]; e, por outro lado, as palavras consecratórias, que o celebrante pronuncia in persona Christi, no contexto da «Oração Eucarística». Graças à virtude das palavras do Senhor e à potência do Espírito Santo, o pão e o vinho convertem-se em signos eficazes, com plenitude ontológica e não apenas de significado, da presença do “Corpo entregue" e do “Sangue derramado" de Cristo, ou seja, da sua Pessoa e do seu sacrifício redentor (cf. Catecismo, 1333 e 1375).

ÁNGEL GARCÍA IBÁÑEZ

Bibliografia Básica
- Catecismo da Igreja Católica, 1322-1355. - S. João Paulo II, Enc. Ecclesia de Eucharistia, 17-IV-2003, nn. 11-20; 47-52. - Bento XVI, Ex. ap. Sacramentum Caritatis, 22-II-2007, nn. 6-13; 16-29; 34-65. - Congregação para o Culto Divino e a disciplina dos Sacramentos, Instrução Redemptionis Sacramentum, 25-III-2004, nn. 48-79.

Notas




[i] Concílio Vaticano II, Const. Sacrosanctum Concilium, 47.
[ii] O termo eucaristia significa acção de graças, e remete para as palavras de Jesus Cristo na Última Ceia: «Tomou, então, o pão e, depois de dar graças [quer dizer, pronunciou uma oração eucarística e de louvor a Deus Pai], partiu-o e distribuiu-o por eles, dizendo…» (Lc 22, 19; cf. 1 Cor 11, 24).
[iii] S. Josemaria, Cristo que Passa, 86.
[iv] Concílio Vaticano II, Presbyterorum Ordinis, 5.
[v] Cf. Concílio Vaticano II, Lumen Gentium, 11.
[vi] S. João Paulo II, Enc. Ecclesia Eucharistia, 29.
[vii] Cf. Concílio Vaticano II, Const. Sacrosanctum Concilium, 22; Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, Instrução Redemptionis Sacramentum, 14-18.
[ix] Cf. Missal Romano, Instituto generalis, n. 319. Na Igreja latina, ao vinho acrescenta-se um pouco de água; cf. Ibidem. As palavras que o sacerdote pronuncia ao deitar água no vinho, manifestam o sentido deste rito: «Pelo mistério desta água e deste vinho sejamos participantes da divindade d'Aquele que assumiu a nossa humanidade» (missal Romano, Ofertório). Para os Padres da Igreja este rito significa também a união da Igreja com Cristo no sacrifício eucarístico; cf. S. Cipriano, Ep. 63, 13: CSEL 3, 711.

Tratado da vida de Cristo 194

Os sacramentos em geral

Questão 61: Da necessidade dos Sacramentos.

Art. 2 — Se antes do pecado os sacramentos eram necessários ao homem.

O segundo discute-se assim. — Parece que antes do pecado os sacramentos eram necessários ao homem.

1. — Pois, como se disse, os sacramentos são necessários para o homem alcançar a graça. Ora, mesmo no estado de inocência o homem precisava da graça, como se estabeleceu na Primeira Parte. Logo, também nesse estado lhe eram necessários os sacramentos.

2. Demais. — Os sacramentos são necessários ao homem em virtude da condição da natureza humana como se disse. Ora, a natureza do homem é a mesma tanto antes como depois do pecado. Logo, parece que também antes do pecado precisava dos sacramentos.

3. Demais. — O matrimónio é um sacramento, segundo o Apóstolo: este sacramento é grande, mas eu digo em Cristo e na Igreja. Ora, o matrimónio foi instituído antes do pecado, como o refere a Escritura. Logo, os sacramentos eram necessários ao homem antes do pecado.

Mas, em contrário; o remédio não é necessário senão ao doente, segundo o Evangelho: Os sãos não têm necessidade de médico. Ora, os sacramentos são uns remédios espirituais aplicados contra os males causados pelo pecado. Logo, não eram necessários antes do pecado.

No estado de inocência, antes do pecado, os sacramentos não eram necessários. E a razão disso podemos descobri-la na rectidão desse estado, em que o inferior, longe de reger o superior, era governado por este; assim como a razão estava sujeita a Deus, assim lhe estavam sujeitas a ela as potências inferiores da alma; e à alma, o corpo. Ora, iria contra essa ordem se a alma se aperfeiçoasse, quer quanto à ciência, quer quanto à graça, por algum meio material, como é o caso nos sacramentos. Donde, no estado de inocência o homem não precisava de sacramentos, considerados estes não só como ordenados a serem remédio contra o pecado, mas ainda enquanto ordenados à perfeição da alma.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJECÇÃO. — O homem, no estado de inocência, precisava da graça; não, porém, que a conseguisse por quaisquer sinais sensíveis, mas espiritual e indivisivelmente.

RESPOSTA À SEGUNDA. — A natureza do homem é a mesma tanto antes como depois do pecado; mas o estado da natureza não é o mesmo. Pois, após o pecado, a alma, ainda na sua parte superior, precisa apoiar-se nos seres materiais, para conseguir a sua perfeição; o que não era necessário ao homem no seu estado primeiro.

RESPOSTA À TERCEIRA. — O matrimónio foi instituído no estado de inocência, não como sacramento, mas como função da natureza. Mas, por consequência, significava algo que havia de dar-se relativamente a Cristo e à Igreja; como foi o caso de tudo o que precedeu a Cristo e o figurava.


Nota: Revisão da versão portuguesa por ama.



Pequena agenda do cristão

DOMINGO



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Viver a família.

Senhor, que a minha família seja um espelho da Tua Família em Nazareth, que cada um, absolutamente, contribua para a união de todos pondo de lado diferenças, azedumes, queixas que afastam e escurecem o ambiente. Que os lares de cada um sejam luminosos e alegres.

Lembrar-me:
Cultivar a Fé

São Tomé, prostrado a Teus pés, disse-te: Meu Senhor e meu Deus!
Não tenho pena nem inveja de não ter estado presente. Tu mesmo disseste: Bem-aventurados os que crêem sem terem visto.
E eu creio, Senhor.
Creio firmemente que Tu és o Cristo Redentor que me salvou para a vida eterna, o meu Deus e Senhor a quem quero amar com todas as minhas forças e, a quem ofereço a minha vida. Sou bem pouca coisa, não sei sequer para que me queres mas, se me crias-te é porque tens planos para mim. Quero cumpri-los com todo o meu coração.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?