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A tristeza é a escória do egoísmo

Que ninguém leia tristeza nem dor na tua cara, quando difundes pelo ambiente do mundo o aroma do teu sacrifício. Os filhos de Deus têm de ser sempre semeadores de paz e de alegria. (Sulco, 59)

E se somos filhos de Deus, por que havemos de estar tristes? A tristeza é a escória do egoísmo. Se queremos viver para Nosso Senhor, não nos faltará a alegria, mesmo que descubramos os nossos erros e as nossas misérias. A alegria entra na vida de oração de tal maneira que, a certa altura, não poderemos deixar de cantar: porque amamos, e cantar é próprio de apaixonados.

Se vivermos assim, realizaremos no mundo uma obra de paz; saberemos tornar amável aos outros o serviço a Nosso Senhor, porque Deus ama quem dá com alegria O cristão é uma pessoa igual às outras na sociedade; mas do seu coração transbordará a alegria de quem se propõe cumprir, com a ajuda constante da graça, a Vontade do Pai: e não se sente vítima, nem inferiorizado, nem coagido. Caminha de cabeça erguida, porque é homem e é filho de Deus.


A nossa fé dá todo o seu relevo a estas virtudes, que pessoa alguma deveria deixar de cultivar. Ninguém pode vencer o cristão em humanidade. Por isso, quem segue Cristo é capaz – não por mérito próprio, mas pela graça de Nosso Senhor – de comunicar aos que o rodeiam o que às vezes eles pressentem, embora não consigam compreender: que a verdadeira felicidade, o verdadeiro serviço ao próximo passa pelo Coração do Nosso Redentor; perfectus Deus, perfectus, homo. (Amigos de Deus, nn. 92–93)

Evangelho e comentário

Tempo Comum

São João Crisóstomo – Doutor da Igreja

Evangelho: Lc 6, 20-26

20 Erguendo os olhos para os discípulos, pôs-se a dizer: «Felizes vós, os pobres, porque vosso é o Reino de Deus. 21 Felizes vós, os que agora tendes fome, porque sereis saciados. Felizes vós, os que agora chorais, porque haveis de rir. 22 Felizes sereis, quando os homens vos odiarem, quando vos expulsarem, vos insultarem e rejeitarem o vosso nome como infame, por causa do Filho do Homem. 23 Alegrai-vos e exultai nesse dia, pois a vossa recompensa será grande no Céu. Era precisamente assim que os pais deles tratavam os profetas». 24 «Mas ai de vós, os ricos, porque recebestes a vossa consolação! 25 Ai de vós, os que estais agora fartos, porque haveis de ter fome! Ai de vós, os que agora rides, porque gemereis e chorareis! 26 Ai de vós, quando todos disserem bem de vós! Era precisamente assim que os pais deles tratavam os falsos profetas».

Comentário:


A verdade é que quanto Jesus diz se verificará: as perseguições de toda a ordem, as privações a que serão sujeitos e todo o tipo de inimizade, segregação e ataques à honra e ao bom-nome.

E é verdade, também, que, não obstante, a alegria dos cristãos será permanente bem como o gozo de sofrer pelo nome de Cristo.

(AMA, comentário sobre Lc 6, 20-26, 21.06.2017)








Fátima - Centenário - Oração diária,


Senhora de Fátima:

Neste ano do Centenário da tua vinda ao nosso País, cheios de confiança vimos pedir-te que continues a olhar com maternal cuidado por todos os portugueses.
No íntimo dos nossos corações instala-se alguma apreensão e incerteza em relação a este nosso País.

Sabes bem que nos referimos às diferenças de opinião que se transformam em desavenças, desunião e afastamento; aos casais desfeitos com todas as graves consequências; à falta de fé e de prática da fé; ao excessivo apego a coisas passageiras deixando de lado o essencial; aos respeitos humanos que se traduzem em indiferença e falta de coragem para arrepiar caminho; às doenças graves que se arrastam e causam tanto sofrimento.
Faz com que todos, sem excepção, nos comportemos como autênticos filhos teus e com a sinceridade, o espírito de compreensão e a humildade necessárias para, com respeito de uns pelos outros, sermos, de facto, unidos na Fé, santos e exemplo para o mundo.

Que nenhum de nós se perca para a salvação eterna.

Como Paulo VI, aqui mesmo em 1967, te repetimos:

Monstra te esse Matrem”, Mostra que és Mãe.

Isto te pedimos, invocando, uma vez mais, ao teu Dulcíssimo Coração, a tua protecção e amparo.


AMA, Fevereiro, 2017

Diálogos com o Senhor Deus (16)

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Senhor?

Sim, meu filho!

Precisava pedir-Te uma coisa.

Agora não tenho tempo, meu filho!

Mas, Senhor, como podes Tu não ter tempo se és o dono do tempo?

E não és tu também, meu filho, o dono do teu tempo? Não te dei eu liberdade total para usares o tempo que te pertence?

Sim, Senhor, isso é verdade. Mas não percebo o porquê dessas Tuas perguntas?

É simples, meu filho. Quando passas pelo pedinte, pelo solitário, pelo esfomeado, pelo sedente, pelo desprezado, pelo outro, e não o olhas, não o ajudas, não te preocupas sequer, não dizes tu no teu intimo, como desculpa, que “agora” não tens tempo?

Sim, Senhor, é verdade! Muitas vezes como desculpa para nada fazer, digo que não tenho tempo para olhar, ouvir ou ajudar o outro.

Pois, meu filho, mas quando não tens tempo para o outro, estás a dizer que não tens tempo para Mim!

Perdoa, Senhor, que sou fraco e pecador!

Está bem, meu filho! Diz lá então o que precisas, porque Eu tenho sempre tempo para ti!!!


Joaquim Mexia Alves, Marinha Grande, 9 de Setembro de 2017

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Tratado da vida de Cristo 173

Questão 57: Da Ascensão de Cristo

Em seguida devemos tratar da ascensão de Cristo.


E nesta questão discutem-se seis artigos:


Art. 1 — Se devia Cristo ascender ao céu.
Art. 2 — Se ascender ao céu convinha a Cristo enquanto de natureza divina.
Art. 3 — Se Cristo subiu por virtude própria.
Art. 4 — Se Cristo subiu acima de todos os céus.
Art. 5 — Se o corpo de Cristo subiu acima de todas as criaturas espirituais.
Art. 6 — Se a ascensão de Cristo é a causa da nossa salvação.

Art. 1 — Se devia Cristo ascender ao céu.

 O primeiro discute-se assim. — Parece que Cristo não devia ascender ao céu.

1. — Pois, segundo o Filósofo, os seres dotados da maior perfeição possível fruem bem próprio sem precisar mover-se. Ora, Cristo tinha a maior perfeição possível, por ser o sumo bem, em virtude da sua natureza divina, e ser, pela sua natureza humana soberanamente glorificado. Logo, fruía sem nenhum movimento a seu bem. Ora, a ascensão é um movimento. Logo, Cristo não devia ascender ao céu.

2. Demais. — Tudo o que se move visa um fim melhor. Ora a Cristo não era melhor estar no céu que na terra; pois, nenhum bem se lhe acrescentou por estar no céu, nem quanto à alma nem quanto ao corpo. Logo, parece que Cristo não devia subir ao céu.

3. Demais. — O Filho de Deus assumiu a natureza humana para a nossa salvação. Ora, seria melhor para a salvação dos homens que sempre se conservasse connosco na terra, e por isso ele próprio disse aos discípulos: Lá virá tempo que em vós desejareis ver um dia do Filho do homem e não no vereis. Parece, logo, que Cristo não devia subir ao céu.

4. Demais. — Como diz Gregório, o corpo de Cristo não sofreu nenhuma mudança depois da ressurreição. Ora, não subiu ao céu imediatamente depois da ressurreição; pois, ele próprio o disse depois dela: Ainda não subi a meu Pai. Logo, parece que nem depois dos quarenta dias devia subir ao céu.

Mas, em contrário, o Senhor diz: Vou para meu Pai e vosso Pai.

O lugar deve proporcionar-se ao que nele está colocado. Ora, Cristo depois da ressurreição entrou na sua vida imortal e incorruptível. Ora, a terra que habitamos é um lugar em que seres nascem e morrem; ao contrário, o céu é um lugar onde não há morte. Logo Cristo não devia, depois da ressurreição, permanecer na terra, mas devia subir ao céu.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJECÇÃO. — O ser soberanamente perfeito que possui o seu bem sem ter necessidade nenhuma de mover-se, é Deus: pois é absolutamente imutável, segundo a Escritura - Eu sou o Senhor e não mudo. Ao contrario, toda criatura é de certo modo mutável, como o adverte Agostinho. E como a natureza assumida pelo Filho de Deus permaneceu criatura, conforme do sobre dito se colige, não há inconveniência em lhe atribuir algum movimento.

RESPOSTA À SEGUNDA. — Por ter subido, ao céu nenhum bem se lhe acrescentou a Cristo, sua glória essencial, nem quanto ao corpo nem quanto à sua alma. Mas lhe constituiu um novo bem o esplendor da sua mansão gloriosa. Não que ao corpo lhe adviesse, do corpo celeste, maior perfeição ou conservação, senão só o conveniente esplendor. O que de certo modo lhe redundava em glória. E esse esplendor lhe causava alegria; não que começasse então a gozá-la, quando subiu ao céu; mas porque de novo modo gozou dele, como de um bem completo. Por isso, sobre o dito da Escritura — Deleites na tua direita para sempre, diz a Glosa: As minhas delícias e a minha alegria serão quando estiver sentado ao teu lado, longe dos olhares humanos.

RESPOSTA À TERCEIRA. — Embora da presença corporal de Cristo os fiéis ficassem privados pela ascensão, contudo têm a presença da sua divindade sempre eles, segundo o Evangelho: Eu estou convosco todos os dias, até à consumação do século. Pois, o que subiu aos céus não abandonou os seus filhos adoptivos, como diz Leão Papa.

Mas, a própria ascensão de Cristo ao céu, fazendo-nos ficar privados da sua presença corporal, nos foi mais útil que essa presença. — Primeiro, pelo aumento da fé, cujo objecto é o invisível. Por isso o próprio Senhor disse aos seus discípulos, que o Espírito Santo, quando vier, arguirá o mundo da justiça, isto é, dos que crêem; pois, a simples comparação dos fiéis com infiéis é a condenação a destes últimos. E por isso acrescenta: Porque vou para o Pai e vós não me vereis mais. Mas felizes são os que, não vendo, crêem. Será, pois, vossa a justiça, de que será o mundo arguido, por crerdes em mim, a quem não vedes. — Segundo, para fundar a nossa esperança. Por isso ele próprio o disse: Depois que eu for e vos aparelhar o lugar, virei outra vez e tomar-vos-ei para mim mesmo, para que onde eu estou estejais também. Elevando assim ao céu Cristo a natureza humana assumida, deu-nos a esperança de lá chegar: porque em qualquer lugar em que estiver o corpo, aí se hão de ajuntar também as águias. E por isso diz a Escritura: Ascende abrindo o caminho adiante deles. — Terceiro, a fim de elevar o afecto da caridade para os bens celestes. Donde o dizer o Apóstolo: Buscais as coisas que são lá de cima, onde Cristo está sentado à dextra de Deus; cuidai nas coisas que são lá de cima, não nas que há sobre a terra. Pois, na frase do Evangelho, onde está o teu tesouro aí está também o teu coração. E sendo o Espírito Santo o Amor que nos arrebata para os bens celestes, por isso o Senhor diz aos discípulos: A vós convém-vos que eu vá, porque se eu não for, não virá a vós o Consolador; mas se for vo-lo enviarei. O que Agostinho assim expõe: Não sois capazes de receber o Espírito, enquanto persistis em só conhecer a Cristo segundo a carne. Cristo, separando-se deles corporalmente, não somente o Espírito Santo, mas ainda o Pai e o Filho residiram neles espiritualmente.

RESPOSTA À QUARTA. — Embora o lugar conveniente a Cristo ressuscitado para a vida imortal fosse morada celeste, contudo diferiu a sua ascensão para que comprovasse a verdade da sua ressurreição. Por isso declara a Escritura: Depois da sua Paixão manifestou-se a si mesmo vivos os discípulos com muitas provas, por quarenta dias. Ao que uma certa glossa diz: Por ter estado morto durante quarenta horas, confirma que está vivo, durante quarenta dias. Ou podemos entender que esses quarenta dias são a imagem da vida presente, durante a qual Cristo reside na sua Igreja. Neste sentido, que o homem se compõe de quatro elementos e que a Igreja o educa para a observação do decálogo.

Nota: Revisão da versão portuguesa por ama.



Perguntas e respostas

A ALEGRIA - 1

A. A ALEGRIA E OS SEUS TIPOS.

1. O que é a alegria? A alegria, enquanto virtude, é o hábito de manter o ânimo elevado, independentemente das circunstâncias exteriores. Mas há outras formas de alegria.

2. Tipos de alegria?

Alegria falsa.- Unida a um prazer mau. Por exemplo: por vezes chama-se vida alegre a um comportamento folião, embebido de álcool, sexo e drogas. É uma triste vida ainda que transborde energia, prazeres e risos tontos. Chamemos as coisas pelos seus nomes; a selvajaria, as bebedeiras e os prazeres satisfeitos são o que essas palavras indicam e pouco têm a ver com a alegria.

Alegria superficial.- É o caso daquele que se ri por tudo e a quem nada importa. Não tem conhecimento das dificuldades e nada quer saber sobre os problemas. Passa por tudo, poderia dizer-se, fechando os olhos à realidade para continuar a rir. Talvez não necessite de folias e externamente parece alegre, mas falta-lhe conteúdo.

Alegria sentimental.- Consiste em estar o sentir-se satisfeitos. Acontece quando alguém se encontra bem, lhe acontecem as coisas como planeava, é acompanhado pelo triunfo, sabe tornar os momentos agradáveis. Diz: estou bem, estou contente. Desejamos estar assim, mas notamos que falta algo, vemos que esta alegria é transitória. Bem-vindos sejam os êxitos e sentimentos, mas o mais interessante é a virtude da alegria, pois procuramos não só estar alegres como também ser alegres.

Alegria-virtude.- É o hábito de manter o ânimo contente independentemente das circunstâncias externas. Esta qualidade não está subjugada ao álcool nem aos sentimentos, mas é uma atitude interior que se adquire com a repetição de actos, tal como acontece com todas as qualidades.


3. Actos de alegria? São actos da própria vontade que decide conservar o bom ânimo ainda que as coisas não corram bem. Não se trata de uma atitude voluntarista, mas de algo que possui um fundamento real. É um acto de vontade baseado em factos. Na medida que estes factos sejam elevados e duradouros, a alegria será firme e profunda.

Pequena agenda do cristão

Quarta-Feira



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)






Propósito:

Simplicidade e modéstia.


Senhor, ajuda-me a ser simples, a despir-me da minha “importância”, a ser contido no meu comportamento e nos meus desejos, deixando-me de quimeras e sonhos de grandeza e proeminência.


Lembrar-me:
Do meu Anjo da Guarda.


Senhor, ajuda-me a lembrar-me do meu Anjo da Guarda, que eu não despreze companhia tão excelente. Ele está sempre a meu lado, vela por mim, alegra-se com as minhas alegrias e entristece-se com as minhas faltas.

Anjo da minha Guarda, perdoa-me a falta de correspondência ao teu interesse e protecção, a tua disponibilidade permanente. Perdoa-me ser tão mesquinho na retribuição de tantos favores recebidos.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?