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05/05/2016

Antigo testamento / Génesis

Génesis 43

A segunda viagem ao Egipto

1 A fome continuava rigorosa na terra.

2 Assim, quando acabou todo o trigo que os filhos de Jacob tinham trazido do Egipto, o seu pai disse-lhes: "Voltem e comprem um pouco mais de comida para nós".

3 Mas Judá disse-lhe: "O homem advertiu-nos severamente: 'Não voltem à minha presença, a não ser que tragam o vosso irmão'.

4 Se enviares o nosso irmão connosco, desceremos e compraremos comida para ti.

5 Mas, se não o enviares connosco, não iremos, porque foi assim que o homem falou: 'Não voltem à minha presença, a não ser que tragam o vosso irmão' ".

6 Israel perguntou: "Por que me causaram esse mal, contando àquele homem que tinham outro irmão?"

7 E responderam-lhe: "Ele interrogou-nos sobre nós e sobre a nossa família. E também nos perguntou: 'O vosso pai ainda está vivo? Tendes outro irmão?' Nós simplesmente respondemos ao que ele nos perguntou. Como poderíamos saber que ele exigiria que levásse­mos o nosso irmão?

8 Então disse Judá a Israel, seu pai: "Deixa o jovem ir comigo e partiremos imediatamente, a fim de que tu, nós e as nossas crianças sobrevivamos e não venhamos a morrer.

9 Eu comprometo-me pessoalmente pela segurança dele; podes considerar-me responsável por ele. Se eu não o trouxer de volta e não o colocar bem aqui na tua presença, serei culpado diante de ti pelo resto da minha vida.

10 Como se vê, se não tivéssemos demorado tanto, já teríamos ido e voltado duas vezes".

11 Então Israel, seu pai, disse-lhes: "Se tem que ser assim, que seja! Coloquem alguns dos melhores produtos da nossa terra na bagagem e levem-nos como presente ao tal homem: um pouco de bálsamo, um pouco de mel, algumas especiarias e mirra, algumas nozes de pistacho e amêndoas.

12 Levem prata em dobro, e devolvam a prata que foi colocada de volta na boca da vossa bagagem. Talvez isso tenha acontecido por engano.

13 Tomem também o vosso irmão e voltem àquele homem.

14 Que o Deus todo-poderoso vos conceda misericórdia diante daquele homem, para que ele permita que o vosso outro irmão e Benjamim voltem com vocês. Quanto a mim, se ficar sem filhos, sem filhos ficarei".

15 Então os homens desceram ao Egipto, levando o presente, prata em dobro e Benjamim, e foram à presença de José.

16 Quando José viu Benjamim com eles, disse ao administrador da sua casa: "Leva estes homens à minha casa, mata um animal e prepara-o; eles almoçarão comigo ao meio-dia".

17 Ele fez o que lhe fora ordenado e levou-os à casa de José.

18 Eles ficaram com medo, quando foram levados à casa de José, e pensa­ram: "Trouxeram-nos aqui por causa da prata que foi devolvida às nossas bagagens na primeira vez. Ele quer atacar-nos, subjugar-nos, tornar-nos escravos e tomar de nós os nossos jumentos".

19 Por isso, dirigiram-se ao administrador da casa de José e disseram-lhe à entrada da casa:

20 "Ouça, senhor! A primeira vez que viemos aqui foi realmente para comprar comida.

21 Mas, no lugar em que paramos para pernoitar, abrimos as nossas bagagens e cada um de nós encontrou a prata que tinha trazido, na quantia exacta. Por isso a trouxemos de volta connosco, além de mais prata, para comprar comida. Não sabemos quem pôs a prata na nossa bagagem".

22 "Fiquem tranquilos", disse o administrador. "Não tenham medo. O vosso Deus, o Deus do vosso pai, foi quem lhes deu um tesouro nas suas bagagens, porque a vossa prata eu a recebi." Então soltou Simeão e levou-o à presença deles.

23 Em seguida, levou-os à casa de José, deu-lhes água para lavarem os pés e forragem para os seus jumentos.

24 Eles então prepararam o presente para a chegada de José ao meio-dia, porque ficaram sabendo que iriam almoçar ali.

25 Quando José chegou, presentearam-no com o que tinham trazido e curvaram-se diante dele até o chão.

26 Ele então perguntou-lhes como passavam e disse em seguida: "Como vai o vosso pai, o homem idoso de quem me falaram? Ainda está vivo?"

27 Eles responderam: "O teu servo, nosso pai, ainda vive e passa bem". E curvaram-se para lhe prestarem honra.

28 Olhando em redor e vendo o seu irmão Benjamim, filho da sua mãe, José perguntou: "É este o irmão mais novo de quem me falaram?" E acrescentou: "Deus lhe conceda graça, meu filho".

29 Profundamente emocionado por causa de seu irmão, José apressou-se em sair à procura de um lugar para chorar, e, entrando em seu quarto, chorou.

30 Depois de lavar o rosto, saiu e, controlando-se, disse: "Sirvam a comida".

31 Serviram-no a ele em separado dos seus irmãos e também dos egípcios que comiam com ele, porque os egípcios não podiam comer com os hebreus, pois isso era sacrilégio para eles.

32 Os seus irmãos foram colocados à mesa perante ele por ordem de idade, do mais velho ao mais moço, e olhavam perplexos uns para os outros.

33 Então serviram-lhes da comida da mesa de José, e a porção de Benjamim era cinco vezes maior que a dos outros. E eles festejaram e beberam à vontade.

 (Revisão da versão portuguesa por ama)








Maio - Santo Rosário - Quarto Mistério Gozoso


Apresentação de Jesus no Templo

Com a humildade simples de sempre, foste, Senhora, cumprir a Lei: Passados os dias estabelecidos depois do nascimento, a jovem Mãe tem de purificar-se no Templo. Pelo filho deve oferecer um casal de pombas ou rolas brancas e ser circuncidado.

E tu, Senhora, foste purificar-te ao Templo!

Tu, sem mancha de pecado, sem qualquer defeito que pudesse macular a brancura do teu coração e a limpidez da tua alma, não hesitaste um segundo em cumprir o que estava escrito que os filhos da Casa de Israel fizessem!

Quantas vezes eu não pensei que estava dispensado de rezar mais, de me humilhar, de me declarar disponível para o Senhor; quantas vezes não pensei comigo mesmo que sou melhor que estes, porque eu faço, eu penso, eu desejo muito mais e melhor!

Tudo porque o meu coração tem uma carapaça que turva a sua limpidez. A minha alma cheia de equimoses de pecados antigos e recentes; feridas e lanhos de defeitos que não consigo rebater nem ultrapassar.
Não consigo porque não dedico a essa luta um esforço humilde, continuado e perseverante que me leve a estar sempre pronto para a luta contra a minha falta de carácter.

Toda a tua vida, Senhora minha, é uma lição de humildade simples e serena. Não fazes nada de extraordinário, não dás nas vistas, não sobressais no meio das outras mulheres e, no entanto, cumpres com alegria e simplicidade todas as prescrições da Lei como se tuas obrigações fossem. E nisto está o teu segredo, Maria: Cumprir o que Deus manda, sem discutir, sem argumentar, a tempo e horas, quando e como deve ser feito.

Esta singela disponibilidade cumpridora dos deveres é sem dúvida, a característica mais extraordinária da Mãe do meu Senhor e minha Mãe.
Não a vemos nunca em êxtase em frente das multidões, sentada numa cadeira especial, ou nos primeiros lugares das assembleias. Não. Uma mulher simples, em que as coisas, os actos e as palavras não são estudados ou arquitectados de acordo e com conveniências ou objectivos.
Apenas uma serena certeza: Obedecer com prontidão e total disponibilidade.
E, no entanto, esta mulher é a Mãe de Deus!
Que lugar mais alto, que maior honra, que pergaminho, que nome ilustre pode comparar-se: A Mãe de Deus!

Ah Senhora minha, conseguiste com a tua serena calma, impor ao mundo um nome doce e vigoroso ao mesmo tempo que se nos coloca na boca com amoroso deleite, ou com esperançada angústia?

Nos nossos lábios um último grito, um último apelo, dos aflitos, dos que sofrem, dos que, em último recurso, para ti apelam. Dos que, acabrunhados pela dor buscam lenitivo. Dos que, esmagados pela alegria te agradecem. Dos que, como eu, doidos de amor apenas pronunciam o teu nome lentamente, deixando-o ecoar por todo o seu ser até ao mais profundo do seu coração.

Obedecer. Obedecer prontamente, sem hesitações ou desvios. Não dai a pouco, ou mais logo quando houver mais tempo, mais sossego, melhor luz… todas as mil desculpas que invento para adiar o que tem de ser feito já.

Obedecer!
É isto, Senhora, que procuro. É isto, Senhora, que quero: Obedecer.

Para isso, bem o sei, preciso expurgar de mim todos os invólucros que me cingem, as preocupações com coisas pequenas, as cobardias constantes, as faltas de atenção, as interrupções, os devaneios. Para isto é preciso estar pronto.
Só tu, Senhora minha, podes ajudar-me a conseguir este estado de alma. Só tu podes ajudar-me a eliminar tudo aquilo que tenho a mais e que tanto é, que não me deixa ver o essencial, o que realmente vale a pena. A ti recorro, Mãe Santíssima, para que me conduzas pela mão ao Templo da Purificação, onde eu, com os olhos finalmente libertos de escamas e o coração nu, de fora do peito, veja com toda a clareza a Vontade de Deus meu Senhor.
Tenho a certeza que serei também purificado e o fogo interior que se me acende no peito, incendiará todo o meu ser, purificando-me assim de todas as minhas faltas.

Doutrina – 134

CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA

Compêndio


PRIMEIRA PARTE: A PROFISSÃO DA FÉ
SEGUNDA SECÇÃO: A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ
CAPÍTULO PRIMEIRO CREIO EM DEUS PAI

OS SÍMBOLOS DA FÉ

38. Com que nome Deus se revela?

Deus revela-se a Moisés como o Deus vivo, «o Deus de Abraão, o Deus de Isaac, o Deus de Jacob». [1] Ao mesmo Moisés, Deus revela também o seu nome misterioso: «Eu Sou aquele que Sou». [2] O nome inefável de Deus, já nos tempos do Antigo Testamento, foi substituído pela palavra Senhor. Assim, no Novo Testamento, Jesus, chamado Senhor, aparece como verdadeiro Deus.



[1] Ex 3,6
[2] YHWH

Pequena agenda do cristão


Quinta-Feira



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)


Propósito:
Participar na Santa Missa.


Senhor, vendo-me tal como sou, nada, absolutamente, tenho esta percepção da grandeza que me está reservada dentro de momentos: Receber o Corpo, o Sangue, a Alma e a Divindade do Rei e Senhor do Universo.
O meu coração palpita de alegria, confiança e amor. Alegria por ser convidado, confiança em que saberei esforçar-me por merecer o convite e amor sem limites pela caridade que me fazes. Aqui me tens, tal como sou e não como gostaria e deveria ser.
Não sou digno, não sou digno, não sou digno! Sei porém, que a uma palavra Tua a minha dignidade de filho e irmão me dará o direito a receber-te tal como Tu mesmo quiseste que fosse. Aqui me tens, Senhor. Convidaste-me e eu vim.


Lembrar-me:
Comunhões espirituais.


Senhor, eu quisera receber-vos com aquela pureza, humildade e devoção com que Vos recebeu Vossa Santíssima Mãe, com o espírito e fervor dos Santos.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?




O trono de Maria é a Cruz

Pede humildemente ao Senhor que te aumente a Fé. – E depois, com novas luzes apreciarás bem as diferenças entre as sendas do mundo e o teu caminho de apóstolo. (Caminho, 508)

O trono de Maria, como o de seu Filho, é a Cruz. E durante o resto da sua existência, até que subiu ao Céu em corpo e alma, a sua silenciosa presença é o que nos impressiona mais. S. Lucas, que a conhecia bem, anota que Ela está junto dos primeiros discípulos, em oração. Assim termina os seus dias terrenos Aquela que havia de ser louvada pelas criaturas até à eternidade.


Como contrasta a esperança de Nossa Senhora com a nossa impaciência! Com frequência exigimos que Deus nos pague imediatamente o pouco bem que fizemos. Mal aflora a primeira dificuldade, queixamo-nos. Muitas vezes somos incapazes de aguentar o esforço, de manter a esperança, porque nos falta fé: bem-aventurada és tu, porque acreditaste que se cumpririam as coisas que te foram ditas da parte do Senhor. (Amigos de Deus, 286)

Evangelho, comentário, L. espiritual


Páscoa

Evangelho: Jo 16, 16-20

16 «Um pouco, e já não Me vereis; outra vez um pouco, e ver-Me-eis, porque vou para o Pai». 17 Disseram então entre si alguns dos Seus discípulos: «Que é isto que Ele nos diz: Um pouco, e já não Me vereis, e outra vez um pouco, e ver-Me-eis? Que significa também: Porque vou para o Pai?». 18 Diziam pois: «Que é isto que Ele diz: Um pouco? Não sabemos o que Ele quer dizer». 19 Jesus, conhecendo que queriam interrogá-l'O, disse-lhes: «Vós perguntais uns aos outros porque é que Eu disse: Um pouco, e já não Me vereis, e outra vez um pouco, e ver-Me-eis. 20 Em verdade, em verdade vos digo que haveis de chorar e gemer, e o mundo se há-de alegrar; haveis de estar tristes, mas a vossa tristeza há-de converter-se em alegria.

Comentário:

Jesus Cristo está a falar-nos da “alegria cristã” que é própria dos que acreditam nele e O seguem.

E porquê?

Porque, para o cristão, Jesus Cristo está sempre presente em todos os momentos e circunstâncias da sua vida, participa – quer participar – das ocorrências, pequenas ou grandes, importantes ou de escasso relevo, de tudo o que diga respeito aos Seus Fiéis.

E, se mais fora necessário, o cristão sabe que pode receber directamente o Seu próprio Corpo, Alma e Divindade no Santíssimo Sacramento da Eucaristia.

(ama, comentário sobre Jo 16, 16-20, 2014.05.29)


Leitura espiritual



SANTO AGOSTINHO – CONFISSÕES

LIVRO DÉCIMO-TERCEIRO

CAPÍTULO XXVI

O dom e o fruto

Nutrem-se com esses alimentos os que neles se alegram; neles não encontram alegria os homens cujo deus é o seu ventre. E até entre os que oferecem esses frutos, o fruto não é o que eles dão, mas o espírito com que o oferece. Por isso, naquele que servia o seu Deus e não o seu ventre percebo claramente a fonte da sua alegria; e participo fortemente do seu regozijo. Paulo recebera os presentes que os filipenses lhes tinham mandado por intermédio de Epafrodito. Vejo bem a razão da sua alegria. E é dela que se nutria, porque ele diz com verdade: “Alegrei-me muito no Senhor, vendo enfim reflorescer para mim a vossa estima, da qual já andáveis desgostados”.

Eles, de facto, tinham estado realmente aborrecidos e, tornados áridos, não produziam mais o fruto das boas obras; e Paulo alegra-se por eles, porque as suas simpatias tornaram a florescer, e não por o terem socorrido na sua indigência. Porque ele diz em seguida: “Não é por causa das privações que sofro que falo assim: aprendi a contentar-me com o que tenho. Sei acomodar-me às privações, e sei viver na abundância. Em tudo e por tudo habituei-me à saciedade e à fome, à abundância e à penúria. Tudo posso naquele que me fortalece”.

Qual então o motivo da tua alegria, ó grande Paulo? De onde vem tal júbilo, de que te alimentas, ó homem renovado para o conhecimento de Deus, conforme a imagem do teu Criador, alma viva que possui tal domínio de si, língua alada que exprime os mistérios? É certamente a tais almas que se deve este alimento. O que foi para ti esse alimento substancioso? A alegria.

Ouçamos o que segue: “Contudo, fizestes bem ao partilhar das minhas tribulações” – Esta é a fonte da alegria, isto é o que o nutre, as boas obras, e não o conforto que aliviou a sua miséria. Ele diz: “Na tribulação dilatastes o meu coração” – pois ele aprendeu a viver na abundância e sofrer as privações, em ti, que o confortas. – “Bem sabeis, filipenses – diz ele – que nos primórdios da minha pregação do Evangelho, quando deixei a Macedónia, nenhuma Igreja me assistiu com os seus bens quanto ao dar e receber, com excepção de vós, que, várias vezes me enviaste, para Tessalónica, com que suprir às minhas necessidades”. – Alegra-se agora por voltarem à prática de boas acções, felicitando-se por eles terem reflorido como campo fértil e verdejante.

Referia-se por acaso às próprias necessidades quando dizia: “Socorrestes às minhas necessidades”? – Será este o motivo da sua alegria? Certamente que não. E como o sabemos?

Porque ele diz em seguida: “Eu não procuro a dádiva, mas o fruto”. – Aprendi de ti, meu Deus, a discernir a dádiva do fruto. O dom é a própria coisa dada por aquele que acode às nossas necessidades; é o dinheiro, a comida, a bebida, a roupa, um abrigo, e auxílio. O fruto é a vontade boa e recta do doador. O bom Mestre não se limita a dizer: “Aquele que receber um profeta” – mas acrescenta: “Aquele que receber um justo...” – mas acrescenta: “na qualidade de justo”. – E assim, aquele receberá a recompensa do profeta, e o outro, a do justo. Ele não diz apenas: “Aquele que der um copo de água fresca a um dos meus pequeninos” – mas acrescenta: “na qualidade de discípulo”. – E prossegue: “Na verdade vos digo: este não ficará sem recompensa”.

– Dom é receber o profeta, receber o justo, dar um copo de água fresca a um discípulo; fruto é fazer isso em consideração da sua qualidade de profeta, de justo, de discípulo. É com este fruto que Elias era alimentado pela viúva: ela sabia que alimentava um homem de Deus, e por isso o fazia. Os alimentos, porém, que lhe eram levados pelo corvo, não passavam de dom, e não era o Elias interior, mas o Elias exterior que recebia esse alimento, o que poderia morrer se lhe faltasse esse alimento.

CAPÍTULO XXVII

Peixes e cetáceos

Por isso, Senhor, direi diante de ti a verdade. Por vezes, ignorantes e infiéis que, para serem iniciados e conquistados para a fé, precisam desses rituais de iniciação e de milagres mirabolantes, simbolizados, a meu ver, pelos peixes e pelos cetáceos, acolhem os teus servos e os socorrem, ou os auxiliam nas necessidades da vida presente, sem saber por que o fazem nem em vista de que devem agir. Desse modo, nem aqueles os alimentam, nem estes são alimentados por eles, pois os primeiros não são movidos por vontade santa e recta, e os segundos não se alegram com os dons recebidos, não descobrindo neles fruto algum. Ora, a alma só se alimenta com o que lhe traz alegria. É esta a razão pela qual os peixes e os cetáceos se nutrem de alimentos que a terra só pode produzir depois de separados e purificados de amargura das águas do mar.

CAPÍTULO XXVIII

A bondade da criação

Viste, meu Deus, que tudo o que criaste te pareceu excelente. Também nós vemos a tua criação, e ela nos parece excelente. Para cada espécie de obra criada, disseste: “Faça-se” e quando elas se fizeram, viste que eram boas. Sete vezes está escrito – eu contei-as – que viste a excelência da tua obra; e na oitava vez contemplaste toda a criação, e disseste que, no seu conjunto, era não apenas boa, mas muito boa. Tomadas separadamente, as tuas obras eram boas; consideradas no seu conjunto, elas eram boas e até excelentes. O mesmo julgamento se pode fazer da beleza dos corpos. Um corpo, formado de membros todos belos, é muito mais bonito que cada um desses membros cuja harmoniosa organização forma o conjunto, embora, considerados à parte, também eles tenham sua beleza própria.

CAPÍTULO XXIX

A palavra de Deus e o tempo

Procurei ver com atenção se foram sete ou oito as vezes que constataste a bondade das tuas obras quando elas te agradaram. Mas não encontrei uma sequência temporal não tua visão, de onde pudesse deduzir que foi esse o número de vezes que viste as tuas criaturas. Então disse: “Senhor, não será verdadeira a tua Escritura, inspirada por ti, que és a própria verdade? Porque então me dizes que a tua visão das coisas não está sujeita ao tempo, enquanto a tua Escritura me diz que dia por dia viste a bondade das tuas obras? E calculei quantas vezes o fizeste.”

A isto respondes-me, porque és meu Deus, falando com voz forte no ouvido interior do teu servo, rompendo a minha surdez, exclamas-me: “Ó homem, o que a minha Escritura diz, eu digo o mesmo.

Mas ela fala no tempo, enquanto este não atinge o meu verbo, que permanece em mim, eterno como eu. Assim, o que vês pelo meu Espírito, sou eu quem o vê; o que dizes pelo meu Espírito, sou eu quem o diz. Mas o que vês no tempo, eu não o vejo no tempo; e o que dizes no tempo, eu não digo no tempo.”

CAPÍTULO XXX

Erro dos maniqueus

Ouvi, Senhor, meu Deus, a tua voz, e recolhi no meu coração uma gota de doçura da tua verdade. Compreendi que há uns aos quais as tuas obras desagradam. Eles sustentam que fizeste muitas delas constrangido pela necessidade, como a estrutura dos céus, a ordem dos astros; afirmam que não as criaste por ti mesmo, mas que elas já existiam alhures, criadas por outra fonte; que te limitaste a reuni-las, a ordená-las, a entrelaçá-las; que com elas construíste as muralhas do mundo, depois de teres vencido os teus inimigos, para que essa construção os mantivesse captivos, e não mais pudessem revoltar-se contra ti; que não criaste nem organizaste outros seres, como os corpos carnais, os animais pequenos e tudo o que se prende à terra por meio de raízes; que foi um espírito hostil, uma outra natureza, não criada por ti, e que se opõe a ti nas regiões inferiores do mundo, que as gerou e organizou. Esses insensatos falam assim porque não veem as tuas obras através do teu Espírito, nem te reconhecem neles.

CAPÍTULO XXXI

A luz do espírito divino

O oposto sucede aos que veem as tuas obras através do teu Espírito, pois és tu é quem as vê neles. Portanto, quando veem que elas são boas, tu também vês essa bondade; em tudo o que lhes agrada por tua causa, tu és que nos agradas, e o que nos agrada através do teu Espírito é em nós que te agrada. Com efeito, quem dentre os homens sabe das coisas do homem, senão o espírito do homem que nele habita? Do mesmo modo o que pertence a Deus ninguém o sabe, a não ser o Espírito de Deus. “Quanto a nós, diz ainda Paulo, não recebemos e espírito deste mundo, mas o Espírito de Deus, para que conheçamos os dons que nos vêm de Deus”.

E isto fez-me perguntar: Posto que certamente ninguém sabe das coisas de Deus, com excepção do Espírito de Deus, como então nós conhecemos os dons que nos vêm de Deus? Eis a resposta que recebi: As coisas que sabemos pelo seu Espírito, ninguém as sabe a não ser o Espírito de Deus. É pois justo que foi dito aos que falavam, inspirados pelo Espírito de Deus: “Não sois vós os que falais” – e aos que obtêm o seu saber do Espírito de Deus: “Não sois vós os que sabeis”. – E com igual razão se diz aos que veem através do Espírito de Deus: “Não sois vós os que veem”. Assim, em tudo o que vemos de bom pelo Espírito de Deus, não somos nós que vemos, mas Deus.

Por isso, uma coisa é julgar mau o que é bom, como o fazem aqueles de quem falei acima, e outra coisa é o homem ver o que é bom. Todavia, muitos amam a tua criação porque é boa, mas não te amam nessa criação; e por isso preferem gozar dela que de ti. Há ainda outro caso, quando alguém vê que uma coisa é boa, mas é Deus que nele vê que essa coisa é boa, e é Deus que é amado na sua criação. Ele só o pode ser graças ao Espírito que Deus nos deu, porque o amor de Deus foi derramado nos nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado. Por ele, vemos que tudo o que de algum modo existe é bom, pois recebe o seu ser daquele que é, não de um modo qualquer, mas de modo absoluto.

(Revisão de versão portuguesa por ama)



Conselhos para enfrentar a morte de forma cristã - 9

Conselhos para enfrentar a morte de forma cristã

9. Evitar práticas supersticiosas ou espíritas para diminuir a nossa dor

Algumas empresas, visando lucro, oferecem rituais que não são compatíveis com a verdadeira vida cristã. E a tentação de recorrer a práticas do espiritismo para ter um suposto contacto com o falecido também pode ser forte. Mas a dor não pode desviar-nos da nossa fé, e a nossa confiança deve estar sempre posta em Deus, na Sua graça e nas Suas promessas.

Fonte: pildorasdefe


(Revisão da versão portuguesa por ama)