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Temas para reflectir e meditar


Sobre a oração  – 3

Tal como temos sempre algo a pedir também temos obrigação de agradecer.

Somos filhos de Deus e os filhos têm sempre sobejos motivos para agradecer aos pais.

Acresce que Este Pai Amantíssimo só quer o nosso bem e tudo o que faz ou permite tem como objectivo a nossa felicidade.

AMA, reflexões, Dez 2018

Evangelho e comentário




TEMPO DA QUARESMA



São José – Esposo da Virgem Maria

Evangelho: Lc 2, 41-51

41 Os pais de Jesus iam todos os anos a Jerusalém, pela festa da Páscoa. 42 Quando Ele chegou aos doze anos, subiram até lá, segundo o costume da festa. 43 Terminados esses dias, regressaram a casa e o menino ficou em Jerusalém, sem que os pais o soubessem. 44 Pensando que Ele se encontrava na caravana, fizeram um dia de viagem e começaram a procurá-lo entre os parentes e conhecidos. 45 Não o tendo encontrado, voltaram a Jerusalém, à sua procura. 46 Três dias depois, encontraram-no no templo, sentado entre os doutores, a ouvi-los e a fazer-lhes perguntas. 47 Todos quantos o ouviam, estavam estupefactos com a sua inteligência e as suas respostas. 48 Ao vê-lo, ficaram assombrados e sua mãe disse-lhe: «Filho, porque nos fizeste isto? Olha que teu pai e eu andávamos aflitos à tua procura!» 49 Ele respondeu-lhes: «Porque me procuráveis? Não sabíeis que devia estar em casa de meu Pai?» 50 Mas eles não compreenderam as palavras que lhes disse. 51 Depois desceu com eles, voltou para Nazaré e era-lhes submisso. Sua mãe guardava todas estas coisas no seu coração.

Comentário:

Três dias de angústia e preocupação extremas, foi o que a Santíssima Virgem e São José passaram ao perder Jesus.

Decerto a Senhora sabia no íntimo do seu coração que encontraria o seu Filho – não tinha ainda chegado a hora de O ver partir – tal como constava nas Escrituras.

Mas… era o seu Filho e uma Mãe sofre e alegra-se, vive em função desse ser que trouxe ao mundo.

Três dias!
E nós? Quantas quão amiúde perdemos Jesus e, por vezes, durante tanto tempo?

O que fazemos?

A Senhora não sabia onde O encontrar mas, nós sabemos muito bem onde Ele está sempre, sempre à nossa espera.

Peçamos ao Imaculado Coração de Maria que nos leve sempre pela mão de modo a encontrar o Seu Filho sem demora nem tardança.

(AMA, comentário Lc 2 41-51, 09.06.2018)


Faz o que deves e está no que fazes


Fazei tudo por Amor. – Assim não há coisas pequenas: tudo é grande. – A perseverança nas pequenas coisas, por Amor, é heroísmo. (Caminho, 813)

Queres deveras ser santo? – Cumpre o pequeno dever de cada momento faz o que deves e está no que fazes. (Caminho, 815)

A santidade "grande" consiste em cumprir os "pequenos deveres" de cada instante. (Caminho, 817)

Dizes-me: quando se apresentar a ocasião de fazer algo de grande... então sim! – Então! Pretendes fazer-me crer, e crer tu seriamente, que poderás vencer na Olimpíada sobrenatural, sem a preparação diária, sem treino? (Caminho, 822)

Viste como ergueram aquele edifício de grandeza imponente? – Um tijolo, e outro. Milhares. Mas um a um. – E sacos de cimento, um a um. E blocos de pedra, que pouco representam na mole do conjunto. – E pedaços de ferro. – E operários que trabalham, dia a dia, as mesmas horas... Viste como levantaram aquele edifício de grandeza imponente?... À força de pequenas coisas! (Caminho, 823)

Não tens reparado em que "ninharias" está o amor humano? – Pois também em "ninharias" está o Amor divino. (Caminho, 824)

Pequena agenda do cristão


TeRÇa-Feira


(Coisas muito simples, curtas, objectivas)




Propósito:

Aplicação no trabalho.

Senhor, ajuda-me a fazer o que devo, quando devo, empenhando-me em fazê-lo bem feito para to poder oferecer.

Lembrar-me:
Os que estão sem trabalho.

Senhor, lembra-te de tantos e tantas que procuram trabalho e não o encontram, provê às suas necessidades, dá-lhes esperança e confiança.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?





Leitura espiritual



EXORTAÇÃO APOSTÓLICA PÓS-SINODAL

AMORIS LÆTITIA

DO SANTO PADRE FRANCISCO

AOS BISPOS AOS PRESBÍTEROS E AOS DIÁCONOS

ÀS PESSOAS CONSAGRADAS AOS ESPOSOS CRISTÃOS E A TODOS OS FIÉIS LEIGOS SOBRE O AMOR NA FAMÍLIA 


CAPÍTULO IV


O AMOR NO MATRIMÓNIO

Casar-se por amor.

Paulo exortava com veemência: «O Senhor vos faça crescer e superabundar de caridade uns para com os outros»;[i] e acrescenta: «A respeito do amor (...), exortamo-vos, irmãos, a progredir sempre mais».[ii]

Sempre mais.

O amor matrimonial não se estimula falando, antes de mais nada, da indissolubilidade como uma obrigação, nem repetindo uma doutrina, mas robustecendo-o por meio dum crescimento constante sob o impulso da graça.[iii]
O amor que não cresce, começa a correr perigo; e só podemos crescer correspondendo à graça divina com mais actos de amor, com actos de carinho mais frequentes, mais intensos, mais generosos, mais ternos, mais alegres. O marido e a mulher «tomam consciência da própria unidade e cada vez mais a realizam».
O dom do amor divino que se derrama nos esposos é, ao mesmo tempo, um apelo a um constante desenvolvimento deste dom da graça.
Não fazem bem certas fantasias sobre um amor idílico e perfeito, privando-o assim de todo o estímulo para crescer. Uma ideia celestial do amor terreno esquece que o melhor ainda não foi alcançado, o vinho sazonado com o tempo. Como recordaram os bispos do Chile, «não existem as famílias perfeitas que a publicidade falaciosa e consumista nos propõe. Nelas, não passam os anos, não existe a doença, a tribulação nem a morte. (...) A publicidade consumista mostra uma realidade ilusória que não tem nada a ver com a realidade que devem enfrentar no dia-a-dia os pais e as mães de família».
É mais saudável aceitar com realismo os limites, os desafios e as imperfeições, e dar ouvidos ao apelo para crescer juntos, fazer amadurecer o amor e cultivar a solidez da união, suceda o que suceder.[iv]

O diálogo.

O diálogo é uma modalidade privilegiada e indispensável para vi­ver, exprimir e maturar o amor na vida matrimonial e familiar. Mas requer uma longa e diligente aprendizagem. Homens e mulheres, adultos e jovens têm maneiras diversas de comunicar, usam linguagens diferentes, regem-se por códigos distintos. O modo de perguntar, a forma de responder, o tom usado, o momento escolhido e muitos outros factores podem condicionar a comunicação. Além disso, é sempre necessário cultivar algumas atitudes que são expressão de amor e tornam possível o diálogo autêntico.
Reservar tempo, tempo de qualidade, que permita escutar, com paciência e atenção, até que o outro tenha manifestado tudo o que precisava de comunicar. Isto requer a ascese de não começar a falar antes do momento apropriado. Em vez de começar a dar opiniões ou conselhos, é preciso assegurar-se de ter escutado tudo o que o outro tem necessidade de dizer. Isto implica fazer silêncio interior, para escutar sem ruídos no coração e na mente: despojar-se das pressas, pôr de lado as próprias necessidades e urgências, dar espaço.
Muitas vezes um dos cônjuges não precisa duma solução para os seus problemas, mas de ser ouvido. Tem de sentir que se apreendeu a sua mágoa, a sua desilusão, o seu medo, a sua ira, a sua esperança, o seu sonho. Todavia é frequente ouvir estes queixumes: «Não me ouve. E quando parece que o faz, na realidade está a pensar noutra coisa». «Falo-lhe e tenho a sensação de que está à espera que acabe de vez». «Quando lhe falo, tenta mudar de assunto ou dá-me respostas rápidas para encerrar a conversa».

Desenvolver o hábito de dar real importância ao outro.

Trata-se de dar valor à sua pessoa, reconhecer que tem direito de existir, pensar de maneira autónoma e ser feliz. É preciso nunca subestimar aquilo que diz ou reivindica, ainda que seja necessário exprimir o meu ponto de vista. A tudo isto subjaz a convicção de que todos têm algo para dar, pois têm outra experiência da vida, olham doutro ponto de vista, desenvolveram outras preocupações e possuem outras capacidades e intuições. É possível reconhecer a verdade do outro, a importância das suas preocupações mais profundas e a motivação de fundo do que diz, inclusive das palavras agressivas. Para isso, é preciso colocar-se no seu lugar e interpretar a profundidade do seu coração, individuar o que o apaixona, e tomar essa paixão como ponto de partida para aprofundar o diálogo.
Amplitude mental, para não se encerrar obsessivamente numas poucas ideias, e flexibilidade para poder modificar ou completar as pró­prias opiniões. É possível que, do meu pensamento e do pensamento do outro, possa surgir uma nova síntese que nos enriqueça a ambos. A unidade, a que temos de aspirar, não é uniformidade, mas uma «unidade na diversidade» ou uma «diversidade reconciliada».
Neste estilo enriquecedor de comunhão fraterna, seres diferentes encontram-se, respeitam-se e apreciam-se, mas mantendo distintos matizes e acentos que enriquecem o bem comum. Temos de nos libertar da obrigação de ser iguais. Também é necessária sagacidade para advertir a tempo eventuais «interferências», a fim de que não destruam um processo de diálogo. Por exemplo, reconhecer os maus sentimentos que poderiam surgir e relativizá-los, para não prejudicarem a comunicação. É importante a capacidade de expressar aquilo que se sente, sem ferir; utilizar uma linguagem e um modo de falar que possam ser mais facilmente aceites ou tolerados pelo outro, embora o conteúdo seja exigente; expor as próprias críticas, mas sem descarregar a ira como uma forma de vingança, e evitar uma linguagem moralizante que procure apenas agredir, ironizar, culpabilizar, ferir. Há tantas discussões no casal que não são por questões muito graves; às vezes trata-se de pequenas coisas, pouco relevantes, mas o que altera os ânimos é o modo de as dizer ou a atitude que se assume no diálogo.

Ter gestos de solicitude pelo outro e demonstrações de carinho.

O amor supera as piores barreiras. Quando se pode amar alguém ou quando nos sentimos amados por essa pessoa, conseguimos entender melhor o que ela quer exprimir e fazer-nos compreender. É preciso superar a fragilidade que nos leva a temer o outro como se fosse um «concorrente».
É muito importante fundar a própria segurança em opções profundas, convicções e valores, e não no desejo de ganhar uma discussão ou no facto de nos darem razão.
Por último, reconheçamos que, para ser profícuo o diálogo, é preciso ter algo para se dizer; e isto requer uma riqueza interior que se alimenta com a leitura, a reflexão pessoal, a oração e a abertura à sociedade. Caso contrário, a conversa torna-se aborrecida e inconsistente. Quando cada um dos cônjuges não cultiva o próprio espírito e não há uma variedade de relações com outras pessoas, a vida familiar torna-se endogâmica e o diálogo fica empobrecido.

Amor apaixonado.

O Concílio Vaticano II ensinou que este amor conjugal «compreende o bem de toda a pessoa e, por conseguinte, pode conferir especial dignidade às manifestações do corpo e do espírito, enobrecendo-as como elementos e sinais peculiares do amor conjugal».

Deve haver qualquer motivo para um amor sem prazer nem paixão se revelar insuficiente a simbolizar a união do coração humano com Deus: «Todos os místicos afirmaram que o amor sobrenatural e o amor celeste encontram os símbolos que procuram[v] mais no amor matrimonial do que na ami­zade, no sentimento filial ou na dedicação a uma causa. E o motivo encontra-se precisamente na sua totalidade».
Sendo assim, por que não determo-nos a falar dos sentimentos e da sexualidade no matrimónio?


(cont)

(revisão da versão portuguesa por AMA)



[i] (1 Ts 3, 12)
[ii] (1 Ts 4, 9.10)
[iii] Discurso às famílias do mundo inteiro por ocasião da sua peregrinação a Roma no Ano da Fé (26 de Outubro de 2013): AAS 105 (2013), 978. 135 Summa theologiae, II-II, q. 24, art. 7.
[iv] Conc. Ecum. Vat. II, Const. past. sobre a Igreja no mundo contemporâneo Gaudium et spes, 48. 137 Conferência Episcopal do Chile, La vida y la familia: regalos de Dios para cada uno de nosotros (21 de Julho de 2014).
[v] Const. past. sobre a Igreja no mundo contemporâneo Gaudium et spes,