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Temas para reflectir e meditar

Conversão



Não podes converter-te enquanto não estiveres sinceramente arrependido.




(Tadeus Dajczer, Meditações sobre a Fé, Paulus, 4ª Ed., pg. 90)


Pequena agenda do cristão


TeRÇa-Feira


(Coisas muito simples, curtas, objectivas)




Propósito:

Aplicação no trabalho.

Senhor, ajuda-me a fazer o que devo, quando devo, empenhando-me em fazê-lo bem feito para to poder oferecer.

Lembrar-me:
Os que estão sem trabalho.

Senhor, lembra-te de tantos e tantas que procuram trabalho e não o encontram, provê às suas necessidades, dá-lhes esperança e confiança.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?





As almas santas têm que ser felizes


Contava-te que até pessoas que não receberam o baptismo, me disseram comovidas: "É verdade, eu compreendo que as almas santas têm que ser felizes, porque olham os acontecimentos com uma visão que está por cima das coisas da terra, porque vêem as coisas com olhos de eternidade". - Oxalá não te falte esta visão! - acrescentei depois - para que sejas consequente com o tratamento de predilecção que recebeste da Trindade. (Forja, 1017)

Asseguro-te que, se nós, os filhos de Deus, quisermos, contribuiremos poderosamente para iluminar o trabalho e a vida dos homens, com o resplendor divino - eterno! - que o Senhor quis depositar nas nossas almas.

Mas "quem diz que mora em Jesus, deve seguir o caminho que Ele seguiu", como ensina S. João: caminho que conduz sempre à glória, passando - sempre também - através do sacrifício. (Forja, 1018)

Meu Senhor Jesus: faz com que sinta, que secunde de tal modo a tua graça, que esvazie o meu coração..., para que o enchas Tu, meu Amigo, meu Irmão, meu Rei, meu Deus, meu Amor! (Forja, 913).

Evangelho e comentário


TEMPO COMUM



Evangelho: Mc 2, 23-28

23 Ora num dia de sábado, indo Jesus através das searas, os discípulos puseram-se a colher espigas pelo caminho. 24 Os fariseus diziam-lhe: «Repara! Porque fazem eles ao sábado o que não é permitido?» 25 Ele disse: «Nunca lestes o que fez David, quando teve necessidade e sentiu fome, ele e os que estavam com ele? 26 Como entrou na casa de Deus, ao tempo do Sumo Sacerdote Abiatar, e comeu os pães da oferenda, que apenas aos sacerdotes era permitido comer, e também os deu aos que estavam com ele?» 27 E disse-lhes: «O sábado foi feito para o homem e não o homem para o sábado. 28 O Filho do Homem até do sábado é Senhor.»

Comentário:

São Marcos continua a narrar factos que têm a ver com o Sábado e nós não podemos esconder um certo "cansaço" por este autêntico "encarniçamento" dos detractores e inimigos de Jesus.
Mas, ao mesmo tempo, constatamos, que, de facto, não encontram nenhum outro motivo para O confrontar.

E temos de convir que criticar ou perseguir alguém porque faz o bem e opera milagres, não terá muitos apoiantes.

(AMA, comentário sobre Mc 2, 23-28, 17.01.2018)

Leitura espiritual


Rezar: como e porquê

Pergunta:

Permita-me pedir-lhe que nos confie pelo menos um pouco do segredo do seu coração. Face à convicção que na sua pessoa – como na de qualquer Papa – vive o mistério no qual que a fé crê, surge espontaneamente a pergunta:
Como é capaz de aguentar um peso semelhante, que a partir do ponto de vista humano será quase insuportável?
Nenhum homem na terra, nem sequer nenhum dos mais altos representantes das diferentes religiões, tem uma responsabilidade semelhante; ninguém está em tão estreita relação com O próprio Deus, apesar das sua declarações sobre a “co-responsabilidade” de todos os baptizados, se bem que cada um ao seu nível.

Santidade, se mo permite:
Como se dirige a Jesus?
Como dialoga na oração com esse Cristo que entregou a Pedro (para que chegassem até à sua pessoa, através da sucessão apostólica) «as chaves do Reino dos céus», conferindo-lhe o poder de «atar e desatar» todas as coisas?

Resposta:

Faz-me uma pergunta sobre a oração, pergunta ao Papa como reza. Agradeço-lhe a pergunta.
Talvez convenha iniciar a resposta com o que São Paulo escreve na Carta aos Romanos.
O Apóstolo entra directamente in medias res quando diz:
«O Espírito vem em ajuda da nossa debilidade porque nem sequer sabemos o que nos convém pedir, mas o próprio Espírito intercede com insistência por nós, com gemidos inefáveis» [i]


O que é a oração?
Comummente considera-se uma conversa.
Numa conversa há sempre um “eu” e um “tu”. Neste caso um Tu com T maiúsculo.
A experiência da oração ensina que se inicialmente o “eu” parece o elemento mais importante, logo nos damos conta que na realidade as coisas são de outro modo.
Mais importante é o “Tu”, porque a nossa oração parte da iniciativa de Deus.
São Paulo na Carta aos Romanos ensina exactamente isto.
Segundo o Apóstolo, a oração reflecte toda a realidade criada, tem em certo sentido uma função cósmica.

O homem é sacerdote de toda a criação, fala em nome dela mas enquanto guiado pelo Espírito.
Dever-se-ia meditar detidamente sobre esta passagem da Carta aos Romanos para entrar no centro profundo do que é a oração.
Leiamos: «A própria criação espera com impaciência a revelação dos filhos de Deus; pois foi submetida à caducidade – não por sua vontade, mas pelo querer daquele que lha impôs -, e fomenta a esperança de ser também ela libertada da escravidão da corrupção, para entrar na liberdade da glória dos filhos de Deus.
Sabemos efectivamente que toda a criação geme e sofre até hoje as dores do parto; não só ela, mas também nós, que possuímos as primícias do Espirito, gememos interiormente esperando a adopção dos filhos, a redenção do nosso corpo.
Porque na esperança fomos salvos» [ii]
E aqui encontramos de novo as palavras do Apóstolo já citadas:

«O espírito vem em ajuda da nossa debilidade, porque nem sequer sabemos o que nos convém pedir, mas o próprio Espírito intercede por nós com insistência, «com gemidos inefáveis»[iii]

Na oração, pois, o verdadeiro protagonista é Deus.
O protagonista é Cristo, que constantemente liberta a criatura da escravidão da corrupção e a conduz para a liberdade, para a glória dos filhos de Deus.
Protagonista é o Espírito Santo, que «vem em ajuda da nossa debilidade».
Nós começamos a rezar com a impressão que é uma iniciativa nossa: ao contrário, é sempre uma iniciativa de Deus em nós.
É exactamente assim como escreve São Paulo
Esta iniciativa reintegra-nos na nossa dignidade especial.
Sim, introduz-nos na dignidade superior dos filhos de Deus, filhos de Deus que são o que toda a criação espera.




(Cfr entrevista de Vittorio Messori a São João Paulo II, CRUZANDO EL UMBRAL DE LA ESPERANZA, Outubro de 1994)

(Tradução do castelhano por AMA)



[i] 8,26
[ii] 8, 19-24
[iii] 8, 26