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26/01/2017

A raça dos filhos de Deus

Filhos de Deus. Portadores da única chama capaz de iluminar os caminhos terrenos das almas, do único fulgor, no qual nunca poderão dar-se escuridões, penumbras nem sombras. Nosso Senhor serve-se de nós como archotes, para que essa luz ilumine... De nós depende que muitos não permaneçam em trevas, mas que andem por sendas que levem até à vida eterna. (Forja, 1)


Jesus Christus, Deus Homo, Jesus Cristo, Deus-Homem! Eis uma magnalia Dei, uma das maravilhas de Deus em que temos de meditar e que temos de agradecer a este Senhor que veio trazer a paz na terra aos homens de boa vontade, a todos os homens que querem unir a sua vontade à Vontade boa de Deus. Não só aos ricos, nem só aos pobres! A todos os homens, a todos os irmãos! Pois irmãos somos todos em Jesus; filhos de Deus, irmãos de Cristo. Sua Mãe é nossa Mãe.

Na terra há apenas uma raça: a raça dos filhos de Deus. Todos devemos falar a mesma língua: a que o nosso Pai que está nos Céus nos ensina; a língua dos diálogos de Jesus com seu Pai; a língua que se fala com o coração e com a cabeça; a que estais a usar agora na vossa oração. É a língua das almas contemplativas, dos homens espirituais por se terem dado conta da sua filiação divina; uma língua que se manifesta em mil moções da vontade, em luzes vivas do entendimento, em afectos do coração, em decisões de rectidão de vida, de bem-fazer, de alegria, de paz. (Cristo que passa, 13)

Evangelho e comentário

Tempo comum

Evangelho: Lc 10, 1-9

1 Depois disto, o Senhor escolheu outros setenta e dois, e mandou-os dois a dois à Sua frente por todas as cidades e lugares onde havia de ir. 2 Disse-lhes: «Grande é na verdade a messe, mas os operários poucos. Rogai, pois, ao dono da messe que mande operários para a Sua messe. 3 Ide; eis que Eu vos envio como cordeiros entre lobos. 4 Não leveis bolsa, nem alforge, nem calçado, e não saudeis ninguém pelo caminho.5 Na casa em que entrardes, dizei primeiro: A paz seja nesta casa. 6 Se ali houver algum filho da paz, repousará sobre ele a vossa paz; senão, tornará para vós.7 Permanecei na mesma casa, comendo e bebendo do que tiverem, porque o operário é digno da sua recompensa. Não andeis de casa em casa. 8 Em qualquer cidade em que entrardes e vos receberem, comei o que vos puserem diante; 9 curai os enfermos que nela houver, e dizei-lhes: Está próximo de vós o reino de Deus.

Comentário:

A Liturgia apresenta-nos uma vez mais o mesmo texto e tem uma especial razão para tal.

De facto, todos os cristãos, podemos considerar-nos como sendo esses “setenta e dois” que o Senhor escolhe para que vamos pelo mundo, o mundo em que vivemos, espalhando a Boa Nova do Reino de Deus.

Assim nos diz como fazer e como proceder não escondendo nem as dificuldades nem os obstáculos de toda a ordem que se nos levantarão pelo caminho.

(ama comentário sobre LC 10 1-9, 2015.02.24)



Leitura espiritual


Leitura espiritual


A Cidade de Deus 

Vol. 1

LIVRO IV

CAPÍTULO XXIX

Falsidade do auspício que pareceu indicar aos Romanos a for­taleza e a estabilidade do Império.

Que é isso a que eles chamaram maravilhoso auspício e que eu recordei um pouco acima — que Marte, Término e Juventas se recusaram a ceder o seu lugar ao próprio Júpiter, rei dos deuses? É este o significado, dizem eles: a estirpe de M arte, isto é, a estirpe romana, a ninguém cederá o lugar que ocupa; ninguém, mercê do deus Término, alterará as fronteiras romanas; e, mercê da deusa Juventas, a juventude romana perante ninguém cederá. Vejamos lá: têm Júpiter como rei dos seus deuses e dispensador do seu império, ao passo que os auspícios o apresentam como adversário ao qual é belo não ceder! Mesmo que isto fosse verdade, nada têm a temer. Efectivamente, não chegarão a confessar que os deuses que não quiseram ceder o lugar a Júpiter, tiveram que ceder a Cristo. Estes deuses puderam, sem que aliás se tocasse nas fronteiras do Império, ceder a Cristo, abandonando-lhe a morada dos seus lugares santos e sobretudo dos corações dos crentes. Antes que Cristo chegasse em carne, antes mesmo que fossem escritas estas coisas que extraímos dos livros deles, mas depois, todavia, de este auspício ter sido proferido no tempo do rei Tarquínio, por diversas vezes foi o exército romano derrotado, isto é, posto em fuga. Revelou-se falso o auspício segundo o qual Juventas não cederia a Júpiter. A estirpe de M arte foi esmagada na própria Roma pelo ímpeto das vagas de Gauleses. As fronteiras do Império encolheram quando muitas cidades se renderam e se passaram para Aníbal. Assim se desvaneceu a beleza dos auspí­cios e se manteve contra Júpiter, não a contumácia dos deuses, mas dos de­mónios. Porque uma coisa é não ceder e outra é retomar o lugar cedido. Aliás, posteriormente, as fronteiras do Império Romano foram alteradas no Oriente por vontade de Adriano. Efectivamente, cedeu três magníficas províncias — a Arménia, a Mesopotâmia e a Assíria — ao Império dos Persas. Assim, esse deus Término — que, segundo diziam, protegia as fronteiras romanas e, segundo esse belíssimo auspício, não tinha cedido o seu lugar a Júpiter, — parece ter receado mais Adriano, rei dos homens, do que Júpiter, rei dos deuses. Recuperadas em outra ocasião estas províncias, novamente voltou o deus Término a retroceder, quase nos nossos tempos, quando Juliano, que se entregava aos oráculos dos deuses, ordenou, com imoderada ousadia, que fossem queimados os navios em que se transportavam os víveres. Quando, logo depois, ele foi m orto por uma flecha inimiga, o exército, privado de provisões, ficou reduzido a tamanha carência, que ninguém teria escapado, quando o exército, perturbado pela m orte do imperador, era acometido de todos os lados pelos inimigos, se se não fixassem por um tratado de paz as fronteiras do Império por onde ainda hoje perduram, por um preço não tão grande como o que Adriano pagou, mas sim mediante um compromisso.

A um falso augúrio deu origem o facto de não ter cedido a Júpiter o deus Término, que afinal cedeu à vontade de Adriano, à temeridade de Juliano e à necessidade de Joviano. Os mais perspicazes e respeitáveis romanos bem o notaram. Mas pouco podiam contra as tradições duma cidade obrigada aos ritos demoníacos. Porque, embora sentissem a falsidade desses ritos, não deixavam de acreditar que deviam prestar um culto religioso, próprio de Deus, à natureza criada e estabelecida sob o governo e a de pendencia do único Deus verdadeiro , com o diz o Apóstolo:

Servindo à criatura em vez de ao Criador que é bendito para sempre [i].

Era necessário o auxílio deste verdadeiro Deus pelo qual seriam enviados homens santos e verdadeiramente piedosos que morressem pela verdadeira religião, para que a falsa religião fosse extirpada da alma dos vivos.

CAPÍTULO XXX

Que é que confessam pensar dos deuses dos gentios os seus próprios adoradores.

O áugure Cícero mofa dos augúrios e mofa dos homens que pautam os passos da sua vida pelos gritos dos corvos e das gralhas. Mas este académico, que sustenta que tudo é incerto, não é digno de qualquer autoridade nestes assuntos. No livro segundo da sua obra De natura deorum [ii], aparece a discutir Q. Lucílio Balbo, que — embora admita algumas superstições, quer de ordem física quer de ordem filosófica, conforme a natureza das coisas — se indigna, todavia, contra a insti­tuição dos ídolos e contra a crença em fábulas. Diz ele:

Então não vedes como a razão se desviou das coisas boas e úteis por si descobertas, para os deuses inventados e fictícios? Este facto gerou falsas opiniões, erros turvos, e superstições próprias de velhotas. Pois conhecem-se as formas dos deuses, as suas idades, o seu vestuário e enfeites, e, além disso, as suas genealogias, os seus casamentos, os seus parentescos, — tudo isto à semelhança da humana fraqueza. Representam-no-los de alma perturbada. Dos deuses recebemos os desejos, os desgostos, as cóleras. Como nos referem as fábulas, não só os deuses tomaram parte em guerras e em combates; não somente, como no-lo conta Homero, defenderam dois exércitos inimigos, um dum lado e outro do outro, como até sustentaram guerras suas próprias (por exemplo, contra os Titãs e os Gigantes). Não só se conta mas também se crê insensatamente nestas coisas, plenas de frivolidades e de suma ligeireza [iii].

Vede, entretanto, o que confessam os que defendem os deuses dos gentios. Depois de ter afirmado que estas cren­ças se ligam à superstição, declara Cícero que a sua doutrina pessoal, inspirada nos estóicos, ao que parece, se liga à religião:

Não foram apenas os filósofos mas também os nossos antepas­sados que separaram a superstição da religião. Efectivamente, os que passavam os dias inteiros a orar e a imolar para que os seus filhos lhes sobrevivessem (essent superstites) foram alcunhados de supersticiosos [iv].

Quem não compreende os esforços que ele faz, com medo de ferir as tradições da cidade, para louvar a religião dos antepassados e separá-la da superstição, sem, todavia, encontrar a forma como fazê-lo? Porque, se os antepassados chamavam supersticiosos àqueles que
passavam os dias inteiros a orar e a imolar [v]

não serão também os que inventaram (o que ele reprova) essas estátuas dos deuses de diversas idades, de vestuário diferente, essas geneologias e casamentos e parentescos dos deuses? Na verdade, quando se inculpa tudo isto de superstição, esta culpa abrange os antepassados que instituíram e veneraram ídolos e abrange-o a ele também, que, apesar de toda a eloquência que emprega para se libertar dos ídolos, pregava, todavia, que era necessário venerá-los. Nem ousaria murmurar na assembleia do povo o que com retumbância proferia no seu eloquente discurso.

Por isso demos nós, cristãos, graças ao Senhor nosso Deus — não ao Céu e à Terra, como disserta este escritor, mas Àquele que criou o Céu e a T erra e que, pela profunda humildade de Cristo, pela pregação dos apóstolos, pela fé dos mártires que morreram pela verdade e vivem na verdade — a essas superstições que Balbo dificilmente, como que a balbuciar, repreende, não só as arrancou dos corações religiosos, mas até dos templos supersticiosos, pela livre submissão dos seus.


(cont)

(Revisão da versão portuguesa por ama)





[i] Rom 1, 25
[ii] Acerca da Natureza dos deuses, Marco Túlio Cícero.
[iii] Cícero, De natura deorum, II, 28.
[iv] Ib., II, 28.
[v] Ib, II, 28.

Actos dos Apóstolos

Actos dos Apóstolos

III. MISSÕES DE PAULO [i]

Capítulo 14

1.ª Viagem Missionária: [ii]

Regresso a Antioquia da Síria

21Depois de terem anunciado a Boa-Nova àquela cidade e de terem feito numerosos discípulos, Paulo e Barnabé voltaram a Listra, Icónio e Antioquia. 22Fortaleciam a alma dos discípulos, encorajavam-nos a manterem-se firmes na fé, porque, diziam eles: «Temos de sofrer muitas tribulações para entrarmos no Reino de Deus.» 23Depois de lhes terem constituído anciãos em cada igreja, pela imposição das mãos, e de terem feito orações acompanhadas de jejum, recomendaram-nos ao Senhor, em quem tinham acreditado.

24A seguir, atravessaram a Pisídia, chegaram à Panfília e, 25depois de anunciarem a palavra em Perga, desceram a Atália. 26De lá, foram de barco para Antioquia, de onde tinham partido, confiados na graça de Deus, para o trabalho que agora acabavam de realizar. 27Assim que chegaram, reuniram a igreja e contaram tudo o que Deus fizera com eles, e como abrira aos pagãos a porta da fé. 28E demoraram-se bastante tempo com os discípulos.



[i] (13,1-28,31)
[ii] 13,1-14,28

Segredos para envelhecer - 5

Envelhecer na esperança

Esta é a forma cristã de envelhecer. A pessoa espera uma resposta aos enigmas do destino, da vida, da morte.

A esperança cumpre na transcendência os desejos mais profundos, fundados em promessas divinas, de ser eternos e felizes.
O idoso que envelhece na esperança aceita as suas limitações, doenças, sofrimentos.
Carrega tudo isso na sua velhice porque entende o sentido positivo da dor e o caminhar rumo a este final feliz.

É humano, sofre e resiste à morte, mas isso é diferente de sofrer sem um objectivo. São obstáculos do caminho antes de chegar à meta.

Envelhecer sem ou com esperança é semelhante a duas árvores iguais, plantadas em boa terra, cuidadas com esmero e que dão fruto excelente.

No entanto, com o tempo, vão-se esgotando.

Uma seca e cai ao chão, estéril.

A outra possui uma semente oculta, que, levada por um vento irresistível, brota noutra terra com uma beleza e um esplendor jamais vistos.

Fonte: LA FAMILIA

(tradução por ama)

Pequena agenda do cristão




Quinta-Feira



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)


Propósito:
Participar na Santa Missa.


Senhor, vendo-me tal como sou, nada, absolutamente, tenho esta percepção da grandeza que me está reservada dentro de momentos: Receber o Corpo, o Sangue, a Alma e a Divindade do Rei e Senhor do Universo.
O meu coração palpita de alegria, confiança e amor. Alegria por ser convidado, confiança em que saberei esforçar-me por merecer o convite e amor sem limites pela caridade que me fazes. Aqui me tens, tal como sou e não como gostaria e deveria ser.
Não sou digno, não sou digno, não sou digno! Sei porém, que a uma palavra Tua a minha dignidade de filho e irmão me dará o direito a receber-te tal como Tu mesmo quiseste que fosse. Aqui me tens, Senhor. Convidaste-me e eu vim.


Lembrar-me:
Comunhões espirituais.


Senhor, eu quisera receber-vos com aquela pureza, humildade e devoção com que Vos recebeu Vossa Santíssima Mãe, com o espírito e fervor dos Santos.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?