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28/11/2016

Que nunca deixe de praticar a caridade

Não é compatível amar a Deus com perfeição e deixar-se dominar pelo egoísmo – ou pela apatia – na relação com o próximo. (Sulco, 745)

A verdadeira amizade implica também um esforço cordial por compreender as convicções dos nossos amigos, mesmo que não cheguemos a partilhá-las nem a aceitá-las. (Sulco, 746)

Nunca permitas que a erva ruim cresça no caminho da amizade: sê leal. (Sulco, 747)

Um propósito firme na amizade: que no meu pensamento, nas minhas palavras, nas minhas obras para com o próximo – seja ele quem for –, não me comporte como até agora, quer dizer, nunca deixe de praticar a caridade, nunca dê entrada na minha alma à indiferença. (Sulco, 748)

A tua caridade deve ser adequada, ajustada, às necessidades dos outros...; não às tuas. (Sulco, 749)

Filhos de Deus! Uma condição que nos transforma em algo mais transcendente do que em simples pessoas que se suportam mutuamente... Escuta o Senhor: "Vos autem dixi amicos!" – somos seus amigos, que, como Ele, dão gostosamente a vida pelos outros, tanto nas horas heróicas como na convivência corrente. (Sulco, 750)


Evangelho e comentário

Tempo do Advento

Evangelho: Mt 8, 5-11

5 Tendo entrado em Cafarnaum, aproximou-se d'Ele um centu­rião, e fez-Lhe uma súplica, 6 dizendo: «Senhor, o meu servo jaz em casa paralítico e sofre muito». 7 Jesus disse-lhe: «Eu irei e o curarei». 8 Mas o centurião, respondeu: «Senhor, eu não sou digno de que entres na minha casa; diz, porém, uma só palavra, e o meu servo será cu­rado. 9 Pois também eu sou um homem sujeito a outro, mas tenho sol­dados às minhas ordens, e digo a um: “Vai”, e ele vai; e a outro: “Vem”, e ele vem; e ao meu servo: “Faz isto”, e ele o faz». 10 Jesus, ouvindo estas palavras, admirou-Se, e disse para os que O seguiam: «Em verdade vos digo: Não achei fé tão grande em Israel. 11 Digo-vos, pois, que virão muitos do Oriente e do Ocidente, e se sentarão com Abraão, Isaac e Jacob no Reino dos Céus,

Comentário:

É interessante que a Liturgia tenha escolhido para o terceiro dia do Advento justamente este trecho de São Mateus.


De alguma forma começou um ciclo especial de espera e esperança e para que esta espera e esta esperança sejam de facto vivas e actuantes a Fé “joga” um papel importantíssimo.


Sem uma Fé sólida e coerente como a do Centurião dificilmente podemos preparar-nos para receber condignamente O que há-de vir: o Nosso Salvador

(ama, comentário sobre Mt 8, 5-11, 01.12.2014)






Leitura espiritual


DE MAGISTRO

(DO MESTRE)

CAPÍTULO IX

SE DEVEMOS PREFERIR AS COISAS, OU O

CONHECIMENTO DELAS, AOS SINAIS

AGOSTINHO

– Queria, pois, que bem compreendesse que são mais importantes as coisas significadas do que seus sinais.
Tudo o que existe em função de outra coisa, necessariamente tem valor menor que a coisa pela qual existe, se concordas com isso.

ADEODATO

– Parece-me impróprio concordar com isto sem refletir.
Quando, por exemplo, se diz:
coenum” (lamaçal), parece-me que este nome seja em muito superior à coisa que significa.
De facto, o que desagrada ao ouvirmos esta palavra não é o som; “coenum”, mudando apenas uma letra, torna-se “coelum” (céu), mas é evidente a enorme diferença que há entre as coisas que estes dois nomes significam. Por isso eu não teria por essa palavra toda a repulsa que tenho ao que significa, e, portanto, eu a prefiro a isso; pois menos desagrada o seu som do que ver ou tocar a coisa que significa.

AGOSTINHO

– Falas com sabedoria. Assim, não seria correcto afirmarmos que todas as coisas têm valor superior aos sinais que as exprimem.

ADEODATO

– Assim parece.

AGOSTINHO

– Diz-me, então, qual seria a intenção dos que deram um nome a coisa tão feia e desagradável? Tu os aprovas ou desaprovas?

ADEODATO

– Na verdade, não me acho em condição nem de aprová-los nem de desaprová-los, e também não sei que intenção tiveram.

AGOSTINHO

– Poderás, ao menos, dizer-me qual a tua intenção, a finalidade de pronunciares esse nome?

ADEODATO

– Sim; ao pronunciá-lo, quero avisar ou ensinar ao meu interlocutor aquilo que julgo necessário avisá-lo ou ensiná-lo.

AGOSTINHO

– Como? O facto de ensinar e avisar, ou de receber tal ensinamento, facilmente expresso com este nome, não deveria talvez ser-te mais caro que a própria palavra?

ADEODATO

– Admito que o conhecimento obtido por este sinal seja preferível ao próprio sinal, mas não preferível à coisa em si.

AGOSTINHO

– Então, no que acima afirmamos, embora seja falso que devemos sempre preferir as coisas aos seus sinais, é verdade que tudo o que existe em função de outra coisa tenha valor menor que a coisa pela qual existe.
O conhecimento, pois, do lamaçal, para o qual foi instituído esse nome, há de ser considerado mais que a palavra que, por sua vez, vimos ser preferível ao próprio lamaçal. E é bem esse o motivo do conhecimento ser preferível ao sinal de que estamos tratando, pois este existe devido àquele e não aquele por causa deste.
Assim, aquele glutão, devotado ao ventre, conforme relata o Apóstolo, quando disse que vivia para comer, foi contestado por um homem sóbrio, que lhe ouviu as palavras e, não tolerando-as, assim o redarguiu:
“Bem melhor seria que comesses para viver”; e vemos que o sóbrio falou assim seguindo essa mesma regra (regra que estabelece que tudo o que é devido a outra coisa, como no caso de comer que é subordinado ao viver – é inferior à coisa pela qual existe).
O comilão desagradou porque avaliava tão miseravelmente sua vida, que a tinha em menor conta que os prazeres do paladar, afirmando viver para comer.
O homem sóbrio é digno de louvor porque, compreendendo qual das duas coisas (comer e viver) é feita para a outra, ou seja, qual está subordinada à outra, alertou que devíamos comer para viver e não viver para comer.
Do mesmo modo, tu e todo homem sensato que aprecie as coisas pelo seu valor e justo lado, se um charlatão afirmasse:
“Ensino para falar”, lhe responderias:
“Homem, não seria melhor falar para ensinar?”
Ora, se tais coisas são verdadeiras, como aliás reconheces, observa quanto as palavras têm menor importância, em comparação com aquilo por que as usamos; sendo que o próprio uso das palavras já é mais importante do que elas próprias.
As palavras, pois, existem para que as usemos, e as usamos para ensinar.
Por isso, ensinar é melhor que falar, e assim o discurso é melhor que a palavra.
Muito melhor que as palavras é, portanto, a doutrina.
Mas quero ouvir de ti se por acaso tenhas algo a opor.

ADEODATO

– Concordo em que a doutrina seja preferível às palavras; mas talvez se possa levantar objecção contra a regra que diz:
“tudo o que existe em função de outra coisa é inferior aquilo pelo qual existe”.

AGOSTINHO

– Trataremos disto a seu tempo e com mais detalhes: por enquanto, o que concedes já basta para que eu chegue aonde me proponho.
Concordas, pois, que o conhecimento das coisas é mais importante que os sinais que as exprimem.
Por isso, o conhecimento das coisas significadas deve ser preferido ao conhecimento dos sinais, não te parece?

ADEODATO

– Mas eu disse, por acaso, que o conhecimento das coisas não é superior ao dos sinais, ou melhor, que é superior aos próprios sinais?
Por isto hesito em concordar contigo neste ponto.
Se o nome “lamaçal” é melhor que seu significado, por que o conhecimento deste nome não haveria de ser também melhor que o da coisa, embora o nome em si seja inferior aquele conhecimento?
Lidamos aqui com quatro termos: nome, coisa, conhecimento do nome e conhecimento da coisa.
Como o primeiro é superior ao segundo, por que também o terceiro não seria superior ao quarto? E, em não lhe sendo superior, acaso lhe estaria subordinado?

(Revisão de versão portuguesa por ama)

Lições de São João Paulo II - 4

Lições de São João Paulo II



4 – Um jovem cristão deixa de ser jovem, e há muito não é cristão, quando se deixa enganar pelo princípio fácil e cómodo, de que “o fim justifica os meios”.



(12 Lições de são joão paulo II)


(revisão da versão portuguesa por ama)

Diálogos apostólicos

Diálogos apostólicos II Parte
24 - [1]

Acaba este mês de Novembro e parece-me ter chegado a uma conclusão: não há qualquer motivo para ter medo da morte. Achas que conclui acertadamente?

Respondo:

Claro que sim e fico muito contente por isso.

Viver é uma contínua graça de Deus porque só Ele nos mantém vivos.
Donde viver – como disse antes – como Ele quer e deseja só pode ser muito bom para nós.

Tranquilamente, dia a dia, minuto a minuto, sem perder tempo com o dia de amanhã que não sabemos se chegará mas com o de hoje aquele que estamos a viver. 

Esse é que importa. 

Projectos, sonhos, quimeras podem ser muito bonitos mas de nada valerão sem esse labor diário e constante por levar uma vida digna e correcta. [i]


[1] Nota: Normalmente, estes “Diálogos apostólicos”, são publicados sob a forma de resumos e excertos de conversas semanais. Hoje, porém, dado o assunto, pareceu-me de interesse publicar quase na íntegra.



[i] ama, diálogos apostólicos,

Bento XVI – Pensamentos espirituais 122

Um incrível realismo


A verdadeira novidade do Novo Testamento não reside em novas ideias, mas na própria figura de Cristo, que dá carne e sangue aos conceitos - um incrível realismo.

Encíclica Deus Caritas Est, n.a 12

(Fevereiro de 2006)


 (in “Bento XVI, Pensamentos Espirituais”, Lucerna 2006)

Pequena agenda do cristão


SeGUNDa-Feira



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)


Propósito:
Sorrir; ser amável; prestar serviço.

Senhor que eu faça ‘boa cara’, que seja alegre e transmita aos outros, principalmente em minha casa, boa disposição.

Senhor que eu sirva sem reserva de intenção de ser recompensado; servir com naturalidade; prestar pequenos ou grandes serviços a todos mesmo àqueles que nada me são. Servir fazendo o que devo sem olhar à minha pretensa “dignidade” ou “importância” “feridas” em serviço discreto ou desprovido de relevo, dando graças pela oportunidade de ser útil.

Lembrar-me:
Papa, Bispos, Sacerdotes.

Que o Senhor assista e vivifique o Papa, santificando-o na terra e não consinta que seja vencido pelos seus inimigos.

Que os Bispos se mantenham firmes na Fé, apascentando a Igreja na fortaleza do Senhor.

Que os Sacerdotes sejam fiéis à sua vocação e guias seguros do Povo de Deus.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?