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05/06/2016

Verdades que o egoísmo esconde - 3

Resultado de imagem para egoísmo

É mais saudável ocupar-se dos outros que unicamente de si mesmo.


Fonte: REVISTA SER PERSONA

(Revisão da versão portuguesa por ama)

Pequena agenda do cristão


DOMINGO



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Viver a família.

Senhor, que a minha família seja um espelho da Tua Família em Nazareth, que cada um, absolutamente, contribua para a união de todos pondo de lado diferenças, azedumes, queixas que afastam e escurecem o ambiente. Que os lares de cada um sejam luminosos e alegres.

Lembrar-me:
Cultivar a Fé

São Tomé, prostrado a Teus pés, disse-te: Meu Senhor e meu Deus!
Não tenho pena nem inveja de não ter estado presente. Tu mesmo disseste: Bem-aventurados os que crêem sem terem visto.
E eu creio, Senhor.
Creio firmemente que Tu és o Cristo Redentor que me salvou para a vida eterna, o meu Deus e Senhor a quem quero amar com todas as minhas forças e, a quem ofereço a minha vida. Sou bem pouca coisa, não sei sequer para que me queres mas, se me crias-te é porque tens planos para mim. Quero cumpri-los com todo o meu coração.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?



Doutrina – 165

CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA

Compêndio


PRIMEIRA PARTE: A PROFISSÃO DA FÉ
SEGUNDA SECÇÃO: A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ
CAPÍTULO PRIMEIRO CREIO EM DEUS PAI

O homem


69. Como é que, no homem, a alma e o corpo formam uma unidade?


A pessoa humana é um ser ao mesmo tempo corpóreo e espiritual. O espírito e a matéria, no homem, formam uma única natureza. Esta unidade é tão profunda que, graças ao princípio espiritual que é a alma, o corpo, que é material, se torna um corpo humano e vivo e participa na dignidade de imagem de Deus.

Não te apoquentes por verem as tuas faltas

Quanto mais me exaltarem, meu Jesus, humilha-me mais no meu coração, fazendo-me saber o que tenho sido e o que serei, se Tu me deixares. (Caminho, 591)

Não te esqueças de que és... o depósito do lixo. – Por isso, se porventura o Jardineiro – divino lança mão de ti, e te esfrega e te limpa... e te enche de magníficas flores..., nem o aroma nem a cor que embelezam a tua fealdade devem pôr-te orgulhoso.
– Humilha-te; não sabes que és o caixote do lixo? (Caminho, 592)

Quando te vires como és, há-de parecer-te natural que te desprezem. (Caminho, 593)

Não és humilde quando te humilhas, mas quando te humilham e o aceitas por Cristo. (Caminho, 594)

Não te apoquentes por verem as tuas faltas. A ofensa a Deus e a desedificação que podes ocasionar, isso é que te deve doer.


– De resto, que saibam como és e te desprezem. – Não tenhas pena de seres nada, porque assim Jesus tem que pôr tudo em ti. (Caminho, 596)

Evangelho, comentário, L. espiritual


Tempo Comum

Evangelho: Lc 7, 11-17

11 No dia seguinte foi para uma cidade, chamada Naim. Iam com Ele os Seus discípulos e muito povo. 12 Quando chegou perto da porta da cidade, eis que era levado a sepultar um defunto, filho único de uma viúva; e ia com ela muita gente da cidade. 13 Tendo-a visto, o Senhor, movido de compaixão para com ela, disse-lhe: «Não chores». 14 Aproximou-Se, tocou no caixão, e os que o levavam pararam. Então disse: «Jovem, Eu te ordeno, levanta-te». 15 E o que tinha estado morto sentou-se, e começou a falar. Depois, Jesus, entregou-o à sua mãe. 16 Todos ficaram possuídos de temor e glorificavam a Deus, dizendo: «Um grande profeta apareceu entre nós, e Deus visitou o Seu povo». 17 Esta opinião a respeito d'Ele espalhou-se por toda a Judeia e por toda a região circunvizinha.

Comentário:

Também a nós o Senhor nos diz constantemente:

‘Levanta-te; estás aí na vera do caminho à espera que venham ter contigo quando deverias ser tu a procurar os teus irmãos para lhes prestares a assistência que possam precisar´.

Quantas pessoas esperam por nós?

Talvez para algo sem grande importância: uma palavra amiga, um gesto de solidariedade, um sorriso de compreensão.

Como podemos saber – e fazer o que o Senhor espera de nós – se não nos movemos – levantamos – saímos do nosso torpor e comodismo e nos “fazemos ao caminho” da vida como seres humanos solidários e atentos ao nosso próximo?

(ama, comentário sobre Lc 7, 11-17, 2016.04.11)

Leitura espiritual




INTRODUÇÃO AO CRISTIANISMO

"Creio em Deus" – Hoje

SEGUNDA PARTE

JESUS CRISTO

CAPÍTULO PRIMEIRO

"Creio em Jesus Cristo seu Filho Unigénito, Nosso Senhor".

IV. Caminhos da Cristologia

2. Cristologia e Soteriologia

Do ponto assim alcançado torna-se visível o entrelaçamento de uma antítese criada pela história, antítese aliás bastante aparentada com a que acabamos de analisar. No correr da evolução histórica da fé em Cristo destacou-se sempre mais o que se costumou chamar "cristologia" e "soteriologia". Cristologia seria a doutrina do ser de Jesus, que foi isolada sempre mais como uma excepção teológica, transformando-se em objecto de especulacção sobre algo estranho, incompreensível e limitado exclusivamente a Jesus. Soteriologia seria o estudo da salvação: tendo tratado da charada ontológica, isto é como homem e Deus poderiam ser um só em Jesus, perguntaram-se, completamente separados do problema, o que Jesus fez e de que maneira o efeito de sua acção nos alcança. A separação de ambas as questões, a colocação de pessoa e obra como objeto de considerações e tratados separados, teve como consequência tornarem-se ambos incompreensíveis e irrealizáveis. Basta examinar um pouco os tratados de dogmática para constatar quão complicadas se tornaram as teorias sobre ambos, por ter-se olvidado que só poderiam ser compreendidos quando juntos. Lembro apenas a forma sob a qual a doutrina da salvação geralmente se apresenta na consciência cristã. Baseia-se na chamada teoria da satisfação desenvolvida por Anselmo de Cantuária no limiar da Idade Média, e que determinou com exclusividade crescente a consciência ocidental. Vista na sua forma clássica, não apresenta aspecto unilateral, mas considerada na forma grosseira criada posteriormente pela consciência geral, ela assume feição de um mecanismo cruel que se nos afigura mais e mais irrealizável.
Anselmo de Cantuária (mais ou menos de 1033 a 1109) tinha em mente deduzir a obra de Cristo através de razões necessárias (rationibus necessariis), mostrando de maneira irrefutável que essa obra se devia realizar exactamente como se realizou. O seu pensamento poderia ser reduzido às seguintes grandes linhas: pelo pecado do homem, cometido contra Deus, foi infinitamente ferida a ordem da justiça e Deus ofendido infinitamente. Por detrás disso esconde-se a ideia de que a medida da ofensa deve ser avaliada pelo ofendido; outras são as consequências da ofensa a um mendigo e outras a um chefe de estado. O peso da ofensa varia de acordo com o que foi atingido. Sendo Deus o infinito, também a ofensa a ele infligida pelo pecado tem um peso infinito. O direito assim violado deve ser restaurado, porque Deus é o Deus da ordem e da justiça, é aliás a própria justiça. Ora, de acordo com o tamanho da ofensa, impõe-se uma reparação infinita. Para tanto o homem não é capaz. Tem capacidade de ofender infinitamente (para o que a sua força é bastante), mas não é capaz de oferecer uma reparação infinita: o que ele, o finito, oferecer, será sempre apenas finito. A sua capacidade destruidora ultrapassa o seu poder criativo. Portanto, permanecerá uma distância infinita entre todas as reparações que o homem tentar e a grandeza de sua culpa, distância que ele jamais conseguirá vencer: qualquer gesto de reparação somente lhe revelará a impossibilidade de fechar o abismo que ele mesmo rasgou.

Então, a ordem deverá ficar para sempre destruída, o homem eternamente encerrado no abismo de sua culpa? Neste ponto Anselmo avança para a figura de Cristo. Eis a sua resposta: o próprio Deus apaga a injustiça, não (como ele poderia fazer) por meio de uma simples anistia incapaz de sobrepujar por dentro o crime cometido, mas fazendo com que o infinito se torne homem e, como homem, pertencente à raça dos pecadores e, no entanto, possuidor da infinita capacidade de reparação, que está ausente no simples homem, preste ele a necessária reparação. Assim a redenção dá-se totalmente por graça e, simultaneamente, como restauração do direito. Anselmo acreditava assim ter respondido à difícil questão "cur Deus homo?", questão sobre o "por que" da encarnação e da cruz. O seu ponto de vista imprimiu um cunho decisivo ao segundo milénio da cristandade ocidental a qual se tornou convencida de que Cristo devia morrer na cruz para reparar a infinita ofensa do pecado e restaurar assim a ordem abalada.

Não se deve negar que a teoria anselmiana reúne decisivos pontos de vista bíblicos e humanos; quem a examinar com certa paciência, se convencerá disto mais facilmente. Neste sentido, enquanto tentativa de reunir todos os elementos da revelação bíblica numa grande síntese, profunda e sistemática, continuará merecendo respeito. Será difícil perceber que, apesar de todos os recursos filosóficos e jurídicos postos aqui em acção, permanece como linha mestra aquela verdade expressa na Bíblia pela palavrinha "para", com a qual o livro sagrado manifesta que, como homens, não só vivemos imediatamente de Deus, mas uns dos outros e, finalmente, daquele único que viveu para todos? E quem não veria que, no esquema da teoria da satisfação, continua clara a linha do pensamento bíblico da eleição, para a qual a escolha não representa um privilégio do eleito, mas a vocação para existir para os outros? E o chamamento para aquele "para", ao qual o homem serenamente se deixa levar, cessando de agarrar-se, e ousando o salto para fora de si mesmo, rumo ao infinito, pelo qual, e só por ele, conseguirá encontrar-se. Mas, mesmo concedendo tudo isto, não se poderá negar que o sistema jurídico construído por Anselmo, perfeitamente lógico em seu aspecto divino-humano, distorce as perspectivas e pode mergulhar a imagem de Deus numa luz sinistra, graças à sua lógica de ferro. Ainda teremos de voltar a este ponto, quando tratarmos do sentido da cruz. Por ora, basta lembrar que a situação se apresentará de modo todo diverso, se, em vez da separação na obra e pessoa de Jesus, se tornar visível que em Jesus Cristo não se trata de uma acção separada dele, de um acto que Deus deve exigir por estar pessoalmente comprometido com a ordem; que não se trata – para falar com Gabriel Marcel – do ter da humanidade, mas do seu ser. E como se tornará outro o panorama, se apelarmos para expressão paulina que nos ensina a compreender a Cristo como o "último homem" (eschatos Adam: 1Cor 15,45) – como o homem definitivo a conduzir a humanidade ao seu futuro, que consiste em ser, não homem apenas, mas um com Deus.

3. Cristo, "o último Homem”.

Atingimos aqui o ponto em que podemos tentar uma síntese do que temos em mente com a confissão: "Creio em Jesus Cristo, Filho unigénito de Deus, nosso Senhor". Após tudo o que se disse até aqui, eis o que se poderia dizer em primeiro lugar: Fé cristã crê em Jesus de Nazaré enquanto o homem exemplar – assim poderia reproduzir-se objectivamente a expressão paulina "o último homem" há pouco citada. Mas, justamente como o exemplar, como o protótipo, Cristo ultrapassa o limite do "ser-homem", assim e só deste modo ele realmente é o homem exemplar. Pois o homem está dentro de si tanto menos, quanto mais está no outro. Volta a si somente afastando-se de si. Só pelo outro e pelo existir no outro ele chega a si.

O que vale, finalmente, em último e mais profundo sentido. Se o outro for apenas alguém, pode transformar-se em auto-perdição do homem. Em última análise, o homem está sintonizado para o outro, para o realmente outro, para Deus; está em si tanto mais, quanto mais estiver no completamente outro, em Deus. Portanto, ele é todo ele mesmo, se cessar de estar em si, de fechar-se em si, de afirmar-se a si, se tornar a pura abertura para Deus. Dito ainda de outro modo: o homem chega a si, ultrapassando-se a si. Ora Jesus Cristo é o homem que se ultrapassou a si e que assim chegou completamente a si.

O Rubicão da encarnação é transposto primeiramente pela passagem do animal para o Logos, da mera vida para o espírito. Da "argila" formou-se o homem no momento em que um ser não somente "estava ali", mas estava aberto para o todo, superando a mera presença e a satisfação de suas necessidades. Ora, este passo pelo qual, pela primeira vez, Logos, razão, espírito penetrou neste mundo, somente alcança a sua plena realizacção, quando o próprio Logos, a razão criadora total, e o homem se entrelaçam. A completa hominização do homem supõe a hominização de Deus; somente por meio dela foi transposto definitivamente o Rubicão do "animalesco" para o "lógico", sendo levado à sua máxima possibilidade aquele começo que irrompeu quando, pela primeira vez, um ser de pó e argila, olhando para além de si e do seu mundo ambiente, foi capaz de dizer "tu" a Deus. A abertura para o todo, para o ilimitado, perfaz o homem. O homem é homem pelo facto de chegar infinitamente para além de si, e, por conseguinte, é tanto mais homem quanto menos for fechado, limitado em si. Portanto – repitamo-lo – é homem ao máximo, e mais, o verdadeiro homem, aquele que for o mais "ilimitado", que não somente toque o infinito – o Infinito! – mas que seja um com ele: Jesus Cristo. Nele a meta da hominização foi verdadeiramente alcançada.

Há, porém, ainda um segundo elemento a considerar. Até agora tentamos compreender, a partir da ideia do "homem exemplar", aquela primeira ultrapassagem fundamental do que é próprio, a qual a fé conhece como determinativa para a figura de Jesus, a saber, a que reúne, nele, o ser-homem com o ser-Deus, em uma unidade. Contudo, já aí ressoava uma ulterior ultrapassagem. Sendo Jesus o homem exemplar, no qual se revela plenamente a verdadeira figura do homem, e com ele a ideia de Deus, não pode, em tal caso, estar destinado a figurar como excepção absoluta, como uma curiosidade, em que Deus nos demonstra o que é possível. Em tal caso, a sua existência interessa à humanidade inteira. O Novo Testamento torna-o reconhecível, chamando-o de "Adão"; na Bíblia o termo exprime a unidade da natureza inteira do homem, de forma que se fala do conceito bíblico de uma "personalidade corporativa". Ora, Jesus ser chamado "Adão" denota que está destinado a concentrar em si a natureza inteira de Adão. O que significa: aquela realidade, hoje em grande parte inconcebível para nós, que Paulo denomina de "Corpo de Cristo", representa um postulado interno dessa existência que não pode permanecer como excepção, mas deve atrair e "concentrar em si" a humanidade inteira (cfr. Jo 12,32).

(cont)

joseph ratzinger, Tübingen, verão de 1967.

(Revisão da versão portuguesa por ama)