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02/11/2015

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Publicações em Nov 02

São Josemaria – Textos

AMA (Reflectindo - Preocupações)

Exort Apost Pastores dbo Vobis (São João Paulo I), Temas para meditar – Sacerdote

AMA - Comentários ao Evangelho Mt 11, AMA - Comentários ao Evangelho Mt 11 25-30, São Josemaria - Leitura espiritual (Temas actuais do cristianismo)

AT - Salmos – 2

Doutrina - Dom de línguas


Agenda Segunda-Feira

Antigo testamento / Salmos

Salmo 2


1 Por que se amotinam as nações e os povos tramam em vão?

2 Os reis da terra tomam posição e os governantes conspiram unidos contra o Senhor e contra o seu ungido, e dizem:

3 "Façamos em pedaços as suas correntes, lancemos de nós as suas algemas!"

4 Do seu trono nos céus o Senhor põe-se a rir e troça deles.

5 Em sua ira os repreende e em seu furor os aterroriza, dizendo:

6 "Eu mesmo estabeleci o meu rei em Sião, no meu santo monte".

7 Proclamarei o decreto do Senhor: Ele me disse: "Tu és meu filho; eu hoje te gerei.

8 Pede-me, e te darei as nações como herança e os confins da terra como tua propriedade.

9 Tu as quebrarás com vara de ferro e as despedaçarás como a um vaso de barro".

10 Por isso, ó reis, sejam prudentes; aceitem a advertência, autoridades da terra.

11 Adorem o Senhor com temor; exultem com tremor.


12 Beijem o filho, para que ele não se ire e vocês não sejam destruídos de repente, pois num instante acende-se a sua ira. Como são felizes todos os que nele se refugiam!

Pequena agenda do cristão


SeGUNDa-Feira

  
(Coisas muito simples, curtas, objectivas)


Propósito:
Sorrir; ser amável; prestar serviço.

Senhor que eu faça ‘boa cara’, que seja alegre e transmita aos outros, principalmente em minha casa, boa disposição.

Senhor que eu sirva sem reserva de intenção de ser recompensado; servir com naturalidade; prestar pequenos ou grandes serviços a todos mesmo àqueles que nada me são. Servir fazendo o que devo sem olhar à minha pretensa “dignidade” ou “importância” “feridas” em serviço discreto ou desprovido de relevo, dando graças pela oportunidade de ser útil.

Lembrar-me:
Papa, Bispos, Sacerdotes.

Que o Senhor assista e vivifique o Papa, santificando-o na terra e não consinta que seja vencido pelos seus inimigos.

Que os Bispos se mantenham firmes na Fé, apascentando a Igreja na fortaleza do Senhor.

Que os Sacerdotes sejam fiéis à sua vocação e guias seguros do Povo de Deus.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?



Queres deveras ser santo?

Queres deveras ser santo? – Cumpre o pequeno dever de cada momento faz o que deves e está no que fazes. (Caminho, 815)

Tens obrigação de te santificar. – Tu, também. – Quem pensa que é tarefa exclusiva de sacerdotes e religiosos? A todos, sem excepção, disse o Senhor: "Sede perfeitos, como meu Pai Celestial é perfeito".. (Caminho, 291)

Rectificar. – Todos os dias um pouco. – Eis o teu trabalho constante, se deveras queres tornar-te santo. (Caminho, 290)

Ser fiel a Deus exige luta. E luta corpo a corpo, homem a homem – homem velho e homem de Deus – palmo a palmo, sem claudicar. (Sulco, 126)

Hoje não bastam mulheres ou homens bons. Além disso, não é suficientemente bom quem se contenta em ser quase... bom; é preciso ser "revolucionário". Ante o hedonismo, ante a carga pagã e materialista que nos oferecem, Cristo quer inconformistas! Rebeldes de Amor! (Sulco, 128)

Se não for para construir uma obra muito grande, muito de Deus – a santidade –, não vale a pena entregar-se.

Por isso, a Igreja, ao canonizar os Santos, proclama a heroicidade da sua vida. (Sulco, 611)


Doutrina - 1

O polémico dom de línguas

Ele existe, mas é preciso saber compreendê-lo bem
Jesus disse: “Estes são os sinais que acompanharão os que creem: em meu nome expulsarão demónios, falarão línguas novas...” (Mc 16, 17).
Com relação ao dom de línguas, é preciso recordar que ele é real, mas é preciso saber entender bem esta questão. A Igreja aceita que existem dons ou carismas extraordinários, como o dom de fazer milagres ou falar em línguas (Catecismo 2003). Mas o dom de línguas, por razões óbvias, é o mais polémico.
Os casos de pessoas com dom de línguas não são frequentes; por isso, é preciso discernir cada caso.
Muitos santos receberam este dom, a Igreja reconhece-o, mas é preciso ter cautela. São Paulo falava em línguas (cf. 1 Cor 14, 18. 39), bem como Santo António de Lisboa, Vicente Ferrer e Francisco Xavier, entre outros.
Falar em línguas é um dom do Espírito Santo. Não deve ser confundido com um ministério. Quando o Espírito Santo concede este dom, há diferentes possibilidades de que seja aplicado. Uma delas é orar em línguas – dom que parece ser actualmente o mais “comum”.
São Paulo fala de 5 tipos de oração quando os fiéis oram em línguas:
1. Estar orando sob a influência do Espírito Santo para orar segundo a vontade de Deus (Rm 8, 26-27).
2. Edificar-se a si próprios (1 Cor 14).
3. Proclamar as maravilhas de Deus (Actos 2, 11).
4. Falar directamente com Deus (1Cor 14, 2).
5. Louvar Deus (Actos 10, 46).
O dom de línguas fora da oração não consiste em falar os idiomas que conhecemos, mas em línguas desconhecidas por quem tem o dom; porém, a pessoa é entendida por aqueles que falam tal idioma, como se estivesse falando em sua própria língua. Isso foi o que aconteceu no Pentecostes.
Quem fala em línguas não entende o que diz nem percebe que está falando em outro idioma; e quem o ouve tampouco sabe que ele não fala aquele idioma.
Este fenómeno supõe que a “tradução” aos diferentes idiomas é obra do próprio Espírito Santo, sem nenhuma intervenção humana.
Quando São Paulo fala, por exemplo, dos “gemidos inefáveis”, refere-se a expressões em pleno êxtase quando a pessoa, com grande amor a Deus, ora intensamente. É algo parecido às palavras carinhosas, sem nenhum sentido, pronunciadas entre pessoas que se amam.
Mas atenção: o dom de línguas não pode ser confundido com a possibilidade de falar, no pleno sentido da palavra, outras línguas – inclusive línguas inexistentes ou mortas – sem tê-las aprendido. Isso é considerado até demoníaco e costuma acontecer com pessoas possuídas, ainda que tal possessão não pareça ser tão ostentosa.
Quando se trata de possessão demoníaca, há outros comportamentos presentes, como actividades sacrílegas e paranormais, espiritismo, satanismo, esoterismo.



Reflectindo - 125

Preocupações

A preocupação é um estado de alma complexo, não se pode definir com um simples corolário.

Depende de tantos factores, é influenciado por inúmeras circunstâncias, corresponde a diversos motivos e, sobretudo, está intimamente relacionado com a formação pessoal.

Não há uma preocupação igual a outra, embora com a mesma causa ou origem, basta que mude um dos factores para que a sua dimensão ou peso variem.


(cont)

Evangelho, comentário, L. espiritual


Tempo comum XXXI Semana

Todos os fiéis defuntos

Evangelho: Mt 11, 25-30

25 Então Jesus, falando novamente, disse: «Eu Te louvo ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste estas coisas aos sábios e aos prudentes, e as revelaste aos pequeninos. 26 Assim é, ó Pai, porque assim foi do Teu agrado. 27 «Todas as coisas Me foram entregues por Meu Pai; e ninguém conhece o Filho senão o Pai; nem ninguém conhece o Pai senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar. 28 O «Vinde a Mim todos os que estais fatigados e oprimidos, e Eu vos aliviarei. 29 Tomai sobre vós o Meu jugo, e aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração, e achareis descanso para as vossas almas. 30 Porque o Meu jugo é suave, e o Meu fardo leve».

Comentário:

Quem não tem a experiência de que é absolutamente verdade o que o Senhor diz nos dois últimos versículos deste trecho de São Mateus?
Quando nos entregamos nas Suas mãos com abandono e confiança totais os nossos problemas e vicissitudes ficam como que esbatidas e perdem a “força” que nos condicionava.
Podem continuar a existir mas já não nos oprimem nem tiram a paz interior e, então, aos poucos vamos caminhando para uma solução que até então parecia não existir.

Note-se bem que o Senhor não promete resolver os nossos problemas – compete-nos a nós embora possamos e devamos pedir o Seu auxílio - mas sim dar-nos a paz e a tranquilidade que nos falta.

(ama, comentário sobre Mt 11, 28-30, 2015.07.16)


Leitura espiritual


São Josemaria Escrivá

Temas actuais do cristianismo ([i])

96             
A infecundidade matrimonial - pelo que pode implicar de frustração - é fonte, por vezes, de desavenças e incompreensões. Qual é, em sua opinião, o sentido que devem dar ao matrimónio os esposos cristãos que não têm descendência?

Em primeiro lugar, dir-lhes-ei que não devem dar-se por vencidos com demasiada facilidade. É preciso pedir a Deus que lhes conceda descendência, que os abençoe - se for essa a sua vontade - como abençoou os Patriarcas do Antigo Testamento. Depois, é conveniente que recorram a um bom médico, elas e eles. Se, apesar de tudo, o Senhor não lhes dá filhos, não devem ver nisso nenhuma frustração, devem ficar satisfeitos, descobrindo nesse facto precisamente a Vontade de Deus em relação a eles. Muitas vezes, o Senhor não dá filhos porque pede mais. Pede que se tenha o mesmo esforço e a mesma entrega delicada ajudando o próximo, sem o júbilo bem humano de ter tido filhos. Não há, pois, motivo para se sentirem fracassados, nem para dar lugar à tristeza.

Se os esposos têm vida interior, compreenderão que Deus os insta, levando-os a fazer da sua vida um generoso serviço cristão, um apostolado diferente do que realizariam com os seus filhos, mas igualmente maravilhoso.

Que olhem à sua volta, e descobrirão imediatamente pessoas que necessitam de ajuda, de caridade e de carinho. Há, além disso, muitas ocupações apostólicas em que podem trabalhar. E, se sabem pôr o coração nessa tarefa, se se sabem dar generosamente aos outros, esquecendo-se de si próprios, terão uma fecundidade esplêndida, uma paternidade espiritual que encherá a sua alma de verdadeira paz.

As soluções concretas podem ser diferentes em cada caso, mas, no fundo, todas se reduzem a ocupar-se dos outros com afã de servir, com amor. Deus recompensa sempre aqueles que têm a generosa humildade de não pensarem em si mesmos, dando às suas almas uma profunda alegria.

97             
Há casais em que a mulher - por qualquer razão - se encontra separada do marido, em situações degradantes e insustentáveis. Nesses casos, torna-se-lhes difícil aceitar a indissolubilidade do vínculo matrimonial. Estas mulheres separadas do marido lamentam que se lhes negue a possibilidade de construir um novo lar. Que resposta daria a estas situações?

Diria a essas mulheres, compreendendo o seu sofrimento, que também podem ver nessa situação a Vontade de Deus, que nunca é cruel, porque Deus é Pai amoroso. É possível que por algum tempo a situação seja especialmente difícil, mas, se recorrerem ao Senhor e à sua Santa Mãe, não lhes faltará a ajuda da graça.

A indissolubilidade do matrimónio não e um capricho da Igreja e nem sequer uma mera lei positiva eclesiástica. É de lei natural, de direito divino, e corresponde perfeitamente à nossa natureza e à ordem sobrenatural da graça. Por isso, na imensa maioria dos casos, é condição indispensável de felicidade dos cônjuges, e de segurança, mesmo espiritual, para os filhos. E sempre - ainda nesses casos dolorosos de que falámos - a aceitação rendida da vontade de Deus traz consigo uma profunda satisfação, que nada pode substituir. Não é um recurso, não é uma simples consolação, é a essência da vida cristã.

Se essas mulheres já têm filhos a seu cargo, hão-de ver nisso uma exigência contínua de entrega amorosa, maternal, então especialmente necessária para suprir nessas almas as deficiências de um lar dividido. E hão-de entender generosamente que essa indissolubilidade, que para elas implica sacrifício, é para a maior parte das famílias uma defesa da sua integridade, algo que enobrece o amor dos esposos e impede o desamparo dos filhos.

Este assombro em face da aparente dureza do preceito cristão da indissolubilidade não é novo. Os Apóstolos estranharam quando Jesus o confirmou. Pode parecer uma carga, um jugo; mas o próprio Cristo disse que o seu jugo é suave e a sua carga leve.

Por outro lado, reconhecendo embora a inevitável dureza de bastantes situações - as quais, em não poucos casos, se poderiam e deveriam ter evitado -, é necessário não dramatizar demasiado. A vida de uma mulher nessas condições será realmente mais dura que a de outra mulher maltratada, ou que a vida de quem padece algum dos outros grandes sofrimentos físicos ou morais que a existência traz consigo?

O que verdadeiramente torna uma pessoa infeliz - e até uma sociedade inteira - é essa busca ansiosa de bem-estar, o cuidado de eliminar, seja como for, tudo o que nos contrariar. A vida apresenta mil facetas, situações diversíssimas, umas árduas, outras, talvez só na aparência, fáceis. A cada uma delas corresponde a sua própria graça; cada uma é uma chamada original de Deus, uma ocasião inédita de trabalhar, de dar o testemunho divino da caridade. A quem sentir a angústia de uma situação difícil, eu aconselharia que procurasse também esquecer-se um pouco dos seus próprios problemas para se preocupar com os problemas dos outros. Fazendo isto, terá mais paz e, sobretudo, santificar-se-á.

98             
Um dos bens fundamentais da família está em gozar de uma paz familiar estável. Contudo, infelizmente, não é raro que, por motivos de carácter político ou social, uma família se encontre dividida. Como pensa que se possam superar esses conflitos?

A minha resposta não pode ser senão uma: conviver, compreender, desculpar. O facto de que alguém pense de maneira diferente da minha - especialmente quando se trata de coisas que são objecto da liberdade de opinião - não justifica de modo nenhum uma atitude de inimizade pessoal, nem sequer de frieza ou de indiferença. A minha fé cristã diz-me que é necessário viver a caridade com todos, inclusive com aqueles que não têm a graça de crer em Jesus Cristo. Como se não há-de viver a caridade quando, unidos pelo mesmo sangue e a mesma fé, há divergências em coisas opináveis? Mais ainda, como nesses terrenos ninguém pode pretender estar na posse da verdade absoluta, o convívio mútuo, cheio de afecto, é um meio concreto para aprender dos outros o que eles nos podem ensinar, e também para que os outros aprendam, se quiserem, o que cada um daqueles que com eles convivem lhes pode ensinar, que sempre será alguma coisa.

Não é cristão, nem sequer humano, que uma família se divida por estas questões. Quando se compreende a fundo o valor da liberdade, quando se ama apaixonadamente esse dom divino da alma, ama-se o pluralismo que a liberdade traz consigo.

Vou dar o exemplo daquilo que se vive no Opus Dei, que é uma grande família de pessoas unidas pelo mesmo fim espiritual. Naquilo que não é de fé, cada um pensa e actua como quer, com a liberdade e a responsabilidade pessoal mais completas. E o pluralismo que, lógica e sociologicamente, deriva deste facto, não constitui nenhum problema para a Obra. Mais, esse pluralismo é uma manifestação de bom espírito. Precisamente porque o pluralismo não é temido, mas amado como legítima consequência da liberdade pessoal, as diversas opiniões dos sócios não impedem no Opus Dei a máxima caridade no convívio, a compreensão mútua. Liberdade e caridade - estamos a falar sempre do mesmo. E são de facto condições essenciais: viver com a liberdade que Jesus Cristo para nós ganhou, e viver a caridade que Ele nos deu como mandamento novo.

99             
Acaba de falar da unidade familiar como de um grande valor. Isto pode dar ocasião à minha pergunta seguinte como é que o Opus Dei não organiza actividades de formação espiritual onde participem juntamente marido e mulher?

Nisto, como em tantas outras coisas, nós os cristãos temos a possibilidade de escolher entre várias soluções, de acordo com as preferências ou opiniões próprias, sem que ninguém possa pretender impor-nos um sistema único. É preciso fugir, como da peste, dessa maneira de conceber a pastoral e, em geral, o apostolado, que não parece mais do que uma nova edição, corrigida e aumentada, do partido único na vida religiosa.

Sei que há grupos católicos que organizam retiros espirituais e outras actividades formativas para casais. Parece-me muitíssimo bem que, usando da sua liberdade, façam o que consideram conveniente e que também vão a essas actividades os que encontram nelas um meio que os ajuda a viver melhor a sua vocação cristã. Mas considero que não é essa a única possibilidade e nem sequer é evidente que seja a melhor.

Há muitas facetas da vida eclesial que os casais, e inclusivamente toda a família, podem e, às vezes, devem viver juntos, como seja a participação no Sacrifício Eucarístico e em outros actos do culto. Penso, no entanto, que determinadas actividades de formação espiritual são mais eficazes se a elas forem separadamente o marido e a mulher. Por um lado, afirma-se mais o carácter fundamentalmente pessoal da própria santificação, da luta ascética, da união com Deus, que depois reverterá a favor dos outros, mas onde a consciência de cada um não pode ser substituída. Por outro lado, assim é mais fácil adequar a formação às exigências e às necessidades pessoais de cada um, e inclusivamente à sua própria psicologia. Isto não quer dizer que, nessas actividades, se prescinda do estado matrimonial dos assistentes - nada mais longe do espírito do Opus Dei.

Há quarenta anos que venho dizendo de palavra e por escrito que cada homem, cada mulher, tem de se santificar na sua vida habitual, nas condições concretas da sua existência quotidiana; que, portanto, os esposos têm de se santificar vivendo com perfeição as suas obrigações familiares. Nos retiros espirituais e em outros meios de formação que o Opus Dei organiza e aos quais assistem pessoas casadas, procura-se sempre que os esposos tomem consciência da dignidade da sua vocação matrimonial e que com a ajuda de Deus se preparem para vivê-la melhor.

Em muitos aspectos, as exigências e as manifestações práticas do amor conjugal são diferentes para o homem e para a mulher. Com meios de formação específicos, pode-se ajudar cada um a descobri-los eficazmente na realidade da sua vida, de modo que essa separação de umas horas ou de uns dias fá-los estar mais unidos e amarem-se mais e melhor ao longo de todo o outro tempo, com um amor também cheio de respeito.

Repito que nisto não pretendemos sequer que o nosso modo de actuar seja o único bom, ou que toda a gente o deva adoptar. Parece-me simplesmente que dá muito bons resultados e que há razões sólidas - além de uma longa experiência - para proceder assim, mas não ataco a opinião contrária.

Além disso, devo dizer que, se no Opus Dei seguimos este critério para determinadas iniciativas de formação espiritual, em variadíssimas actividades de outro género os casais participam e colaboram como tais. Penso, por exemplo, no trabalho que se faz com os pais dos alunos em colégios dirigidos por membros do Opus Dei, nas reuniões, conferências, tríduos, etc., especialmente dedicados aos pais dos estudantes que vivem em Residências dirigidas pela Obra.

Como vê, quando a natureza da actividade requer a presença do casal, são marido e mulher quem participa nestes trabalhos. Mas este tipo de reuniões e iniciativas é diferente dos que se dirigem directamente à formação espiritual pessoal.

100           
Continuando a tratar da vida familiar, queria agora centrar a minha pergunta na educação dos filhos e nas relações entre pais e filhos. A alteração da situação familiar em nossos dias leva, algumas vezes, a que não seja fácil o entendimento mútuo, e inclusivamente gera a incompreensão, dando-se aquilo a que se tem chamado conflito de gerações. Como se pode superar isto?

O problema é antigo, se bem que talvez agora se apresente com mais frequência ou de forma mais aguda, por causa da rápida evolução que caracteriza a sociedade actual. É perfeitamente compreensível e natural que os jovens e os adultos vejam as coisas de modo diferente. Sempre assim foi. O mais surpreendente seria que um adolescente pensasse da mesma maneira que uma pessoa madura. Todos sentimos impulsos de rebeldia para com os mais velhos quando começamos a formar o nosso critério com autonomia, e todos também, com o correr dos anos, compreendemos que os nossos pais tinham razão em muitas coisas, que eram fruto da sua experiência e do amor por nós. Por isso compete em primeiro lugar aos pais - que já passaram por esse transe - facilitar o entendimento, com flexibilidade, com espírito jovial, evitando esses possíveis conflitos com amor inteligente.

Aconselho sempre os pais que procurem tornar-se amigos dos filhos. Pode-se harmonizar perfeitamente a autoridade paterna, que a própria educação requer, com um sentimento de amizade que exige pôr-se de alguma maneira ao mesmo nível dos filhos. Os jovens - mesmo os que parecem mais indóceis e desprendidos - desejam sempre essa aproximação com os pais. O segredo costuma estar na confiança. Que os pais saibam educar num clima de familiaridade, que nunca dêem a impressão de que desconfiam, que dêem liberdade e que ensinem a administrá-la com responsabilidade pessoal. É preferível que se deixem enganar alguma vez. A confiança que se põe nos filhos faz com que eles próprios se envergonhem de terem abusado, e se corrijam. Pelo contrário, se não têm liberdade, se vêem que não se confia neles, sentir-se-ão levados a enganar sempre.

Essa amizade de que falo, esse saber pôr-se ao nível dos filhos facilitando-lhes que falem confiadamente dos seus pequenos problemas, torna possível algo que me parece de grande importância: que sejam os pais quem dê a conhecer aos filhos a origem da vida, de um modo gradual, adaptando-se à sua mentalidade e à sua capacidade de compreender, antecipando-se um pouco à sua natural curiosidade. É necessário evitar que os filhos rodeiem de malícia esta matéria, que aprendam uma coisa em si mesma nobre e santa por uma má confidência dum amigo ou duma amiga. Isto mesmo costuma ser um passo importante para firmar a amizade entre pais e filhos, impedindo uma separação exactamente no despertar da vida moral.

Por outro lado, os pais têm também de procurar manter o coração jovem, para que lhes seja mais fácil receber com simpatia as aspirações nobres e inclusivamente as extravagâncias dos filhos. A vida muda e há muitas coisas novas que talvez não nos agradem - é possível até que não sejam objectivamente melhores que outras de antes - mas que não são más, são simplesmente outros modos de viver sem transcendência de maior. Em não poucas ocasiões, os conflitos aparecem porque se dá importância a ninharias que se superam com um pouco de perspectiva e de sentido de humor.

(cont)




[i] Entrevista realizada por Pilar Salcedo, publicada em Telva (Madrid), em 1 de Fevereiro de 1968 e reproduzida em Mundo Cristiano (Madrid) em 1 de Março do mesmo ano.

Temas para meditar - 531

Sacerdote



O sacerdote tem de ser capaz de amar as pessoas com um coração novo, grande e puro, com um autêntico esquecimento de si mesmo, com dedicação plena, contínua a fiel, juntamente com uma espécie de “ciúme” divino [i], com uma ternura que reveste inclusivamente os matizes do afecto materno, capaz de assumir as dores de parto até que Cristo seja formado nos fiéis [ii]. 

(são joão paulo ii, Exort. Apost. Pastores Dabo Vobis, 1992.03.25, nr. 22)




[i] cfr. 2 Cor 11, 2
[ii] cfr. Gal 4, 19