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07/03/2015

2015.03.07




O que pode ver hoje em NUNC COEPI



Bendita perseverança a do burrico - o Josemaria - Textos

Evangelho, com. L esp. (Exort. Evangelii Gaudium) - AMA - Comentários ao Evangelho Lc 15 1-3 11-32, Leit. Espiritual - Exort. Apost. Evangelii gaudium (Papa Francisco)

Nenhum libertador se faz rei 3 - Luigino Bruni - (Nenhum libertador se faz Rei)

Tratado do verbo encarnado 136 - Suma Teológica - Tratado do Verbo Encarnado - Quest 220 - Art 4, São Tomás de Aquino

Temas para meditar - 386 - Casiano, Instutitiones (Casiano), Soberba


Pequena agenda do cristão - Agenda Sábado

Bendita perseverança a do burrico

Se não for para construir uma obra muito grande, muito de Deus – a santidade –, não vale a pena entregar-se. Por isso, a Igreja, ao canonizar os Santos, proclama a heroicidade da sua vida. (Sulco, 611)

Se a vida não tivesse por fim dar glória a Deus, seria desprezível; mais ainda, detestável. (Caminho, 783)

Bendita perseverança a do burrico de nora! – Sempre ao mesmo passo. Sempre as mesmas voltas. – Um dia e outro; todos iguais.

Sem isso, não haveria maturidade nos frutos, nem louçania na horta, nem o jardim teria aromas.

Leva este pensamento à tua vida interior. (Caminho, 998)

Qual é o segredo da perseverança? O Amor. – Enamora-te. e não "O" deixarás. (Caminho, 999)

A entrega é o primeiro passo de uma corrida de sacrifício, de alegria, de amor, de união com Deus. E, assim, toda a vida se enche de uma bendita loucura, que faz encontrar felicidade onde a lógica humana não vê senão negação, padecimento, dor. (Sulco, 2)

– Qual é o fundamento da nossa fidelidade?

– Dir-te-ia, a traços largos, que se baseia no amor de Deus, que faz vencer todos os obstáculos: o egoísmo, a soberba, o cansaço, a impaciência...


Um homem que ama calca-se a si próprio; sabe que, até amando com toda a sua alma, ainda não sabe amar bastante. (Forja, 532)

Evangelho, com. L esp. (Exort. Evangelii Gaudium)


Tempo de Quaresma II Semana


Evangelho: Lc 15 1-3 11-32

1 Aproximavam-se d'Ele os publicanos e os pecadores para O ouvir. 2 Os fariseus e os escribas murmuravam, dizendo: «Este recebe os pecadores e come com eles». 3 Então propôs-lhes esta parábola: 11 «Um homem tinha dois filhos. 12 O mais novo disse ao pai: Pai, dá-me a parte dos bens que me cabe. O pai repartiu entre eles os bens. 13 Passados poucos dias, juntando tudo o que era seu, o filho mais novo partiu para uma terra distante e lá dissipou os seus bens vivendo dissolutamente. 14 Depois de ter consumido tudo, houve naquele país uma grande fome e ele começou a passar necessidade. 15 Foi pôr-se ao serviço de um habitante daquela terra, que o mandou para os seus campos guardar porcos. 16 «Desejava encher o seu ventre das alfarrobas que os porcos comiam, mas ninguém lhas dava. 17 Tendo entrado em si, disse: Quantos jornaleiros há em casa de meu pai que têm pão em abundância e eu aqui morro de fome! 18 Levantar-me-ei, irei ter com meu pai, e dir-lhe-ei: Pai, pequei contra o céu e contra ti, 19 já não sou digno de ser chamado teu filho, trata-me como um dos teus jornaleiros. 20 «Levantou-se e foi ter com o pai. Quando ele estava ainda longe, o pai viu-o, ficou movido de compaixão e, correndo, lançou-se-lhe ao pescoço e beijou-o. 21 O filho disse-lhe: Pai, pequei contra o céu e contra ti; já não sou digno de ser chamado teu filho. 22 Porém, o pai disse aos servos: Trazei depressa o vestido mais precioso, vesti-lho, metei-lhe um anel no dedo e os sapatos nos pés. 23 Trazei também um vitelo gordo e matai-o. Comamos e façamos festa, 24 porque este meu filho estava morto, e reviveu; tinha-se perdido, e foi encontrado. E começaram a festa. 25 «Ora o filho mais velho estava no campo. Quando voltou, ao aproximar-se de casa, ouviu a música e os coros. 26 Chamou um dos servos, e perguntou-lhe que era aquilo. 27 Este disse-lhe: Teu irmão voltou e teu pai mandou matar o vitelo gordo, porque o recuperou com saúde. 28 Ele indignou-se, e não queria entrar. Mas o pai, saindo, começou a pedir-lhe. 29 Ele, porém, respondeu ao pai: Há tantos anos que te sirvo, nunca transgredi nenhuma ordem tua e nunca me deste um cabrito para eu me banquetear com os meus amigos, 30 mas logo que veio esse teu filho, que devorou os seus bens com meretrizes, mandaste-lhe matar o vitelo gordo. 31 Seu pai disse-lhe: Filho, tu estás sempre comigo e tudo o que é meu é teu. 32 Era, porém, justo que houvesse banquete e festa, porque este teu irmão estava morto e reviveu; tinha-se perdido e foi encontrado».

Comentário:

Durante a Quaresma a Liturgia apresenta-nos esta Parábola por várias vezes.
Nada mais adequado a um Tempo Litúrgico que nos fala de reconvenção, arrependimento, mudança de vida, correcção dos erros e defeitos que este texto em que São Lucas refere de forma magistral as palavras do Senhor exactamente acerca desses temas.
Não é nunca demais, saborear cada frase, determo-nos em cada palavra interiorizando o que realmente o Senhor nos diz, fazendo como que uma síntese, de modo a guardar-mos bem no nosso coração e entendimento o que Ele nos quer dizer: Deus é um Pai generoso que não nega nada aos Seus filhos e qeu está sempre pronto a perdoar quando estes fazem mau uso do que lhes dá.

(ama, comentário sobre, Lc 15, 1-3.11-32, 2013.03.10)

Leitura espiritual



EXORTAÇÃO APOSTÓLICA EVANGELII GAUDIUM
DO SANTO PADRE FRANCISCO
AO EPISCOPADO, AO CLERO ÀS PESSOAS CONSAGRADAS E AOS FIÉIS LEIGOS SOBRE O ANÚNCIO DO EVANGELHO NO MUNDO ACTUAL

62. Na cultura dominante, ocupa o primeiro lugar aquilo que é exterior, imediato, visível, rápido, superficial, provisório.
O real cede o lugar à aparência.
Em muitos países, a globalização comportou uma acelerada deterioração das raízes culturais com a invasão de tendências pertencentes a outras culturas, economicamente desenvolvidas mas eticamente debilitadas.
Assim se exprimiram, em distintos Sínodos, os Bispos de vários continentes.
Há alguns anos, os Bispos da África, por exemplo, retomando a Encíclica Sollicitudo rei socialis,


[1] assinalaram que muitas vezes se quer transformar os países africanos em meras «peças de um mecanismo, partes de uma engrenagem gigantesca.
Isto verifica-se com frequência também no domínio dos meios de comunicação social, os quais, sendo na sua maior parte geridos por centros situados na parte norte do mundo, nem sempre têm na devida conta as prioridades e os problemas próprios desses países e não respeitam a sua fisionomia cultural».[2]

53 De igual modo, os Bispos da Ásia sublinharam «as influências externas que estão a penetrar nas culturas asiáticas.
Vão surgindo formas novas de comportamento resultantes da orientação dos mass-media (…).
Em consequência disso, os aspectos negativos dos mass-media e espectáculos estão a ameaçar os valores tradicionais».[3]

63. A fé católica de muitos povos encontra-se hoje perante o desafio da proliferação de novos movimentos religiosos, alguns tendentes ao fundamentalismo e outros que parecem propor uma espiritualidade sem Deus.
Isto, por um lado, é o resultado duma reacção humana contra a sociedade materialista, consumista e individualista e, por outro, um aproveitamento das carências da população que vive nas periferias e zonas pobres, sobrevive no meio de grandes preocupações humanas e procura soluções imediatas para as suas necessidades.
Estes movimentos religiosos, que se caracterizam pela sua penetração subtil, vêm colmar, dentro do individualismo reinante, um vazio deixado pelo racionalismo secularista.
Além disso, é necessário reconhecer que, se uma parte do nosso povo baptizado não sente a sua pertença à Igreja, isso deve-se também à existência de estruturas com clima pouco acolhedor nalgumas das nossas paróquias e comunidades, ou à atitude burocrática com que se dá resposta aos problemas, simples ou complexos, da vida dos nossos povos.
Em muitas partes, predomina o aspecto administrativo sobre o pastoral, bem como uma sacramentalização sem outras formas de evangelização.

64. O processo de secularização tende a reduzir a fé e a Igreja ao âmbito privado e íntimo.
 Além disso, com a negação de toda a transcendência, produziu-se uma crescente deformação ética, um enfraquecimento do sentido do pecado pessoal e social e um aumento progressivo do relativismo; e tudo isso provoca uma desorientação generalizada, especialmente na fase tão vulnerável às mudanças da adolescência e juventude.
Como justamente observam os Bispos dos Estados Unidos da América, enquanto a Igreja insiste na existência de normas morais objectivas, válidas para todos, «há aqueles que apresentam esta doutrina como injusta, ou seja, contrária aos direitos humanos básicos.
Tais alegações brotam habitualmente de uma forma de relativismo moral, que se une consistentemente a uma confiança nos direitos absolutos dos indivíduos.
Nesta perspectiva, a Igreja é sentida como se estivesse promovendo um convencionalismo particular e interferisse com a liberdade individual».[4]
Vivemos numa sociedade da informação que nos satura indiscriminadamente de dados, todos postos ao mesmo nível, e acaba por nos conduzir a uma tremenda superficialidade no momento de enquadrar as questões morais.
Por conseguinte, torna-se necessária uma educação que ensine a pensar criticamente e ofereça um caminho de amadurecimento nos valores.

65. Apesar de toda a corrente secularista que invade a sociedade, em muitos países – mesmo onde o cristianismo está em minoria – a Igreja Católica é uma instituição credível perante a opinião pública, fiável no que diz respeito ao âmbito da solidariedade e preocupação pelos mais indigentes.
Em repetidas ocasiões, ela serviu de medianeira na solução de problemas que afectam a paz, a concórdia, o meio ambiente, a defesa da vida, os direitos humanos e civis, etc.
E como é grande a contribuição das escolas e das universidades católicas no mundo inteiro!
E é muito bom que assim seja.
Mas, quando levantamos outras questões que suscitam menor acolhimento público, custa-nos a demonstrar que o fazemos por fidelidade às mesmas convicções sobre a dignidade da pessoa humana e do bem comum.

66. A família atravessa uma crise cultural profunda, como todas as comunidades e vínculos sociais.
No caso da família, a fragilidade dos vínculos reveste-se de especial gravidade, porque se trata da célula básica da sociedade, o espaço onde se aprende a conviver na diferença e a pertencer aos outros e onde os pais transmitem a fé aos seus filhos.
O matrimónio tende a ser visto como mera forma de gratificação afectiva, que se pode constituir de qualquer maneira e modificar-se de acordo com a sensibilidade de cada um.
Mas a contribuição indispensável do matrimónio à sociedade supera o nível da afectividade e o das necessidades ocasionais do casal.
Como ensinam os Bispos franceses, não provém «do sentimento amoroso, efémero por definição, mas da profundidade do compromisso assumido pelos esposos que aceitam entrar numa união de vida total».[5]

67. O individualismo pós-moderno e globalizado favorece um estilo de vida que debilita o desenvolvimento e a estabilidade dos vínculos entre as pessoas e distorce os vínculos familiares.
A acção pastoral deve mostrar ainda melhor que a relação com o nosso Pai exige e incentiva uma comunhão que cura, promove e fortalece os vínculos interpessoais.
Enquanto no mundo, especialmente nalguns países, se reacendem vá- rias formas de guerras e conflitos, nós, cristãos, insistimos na proposta de reconhecer o outro, de curar as feridas, de construir pontes, de estreitar laços e de nos ajudarmos «a carregar as cargas uns dos outros» [6].
Além disso, vemos hoje surgir muitas formas de agregação para a defesa de direitos e a consecução de nobres objectivos.
Deste modo se manifesta uma sede de participação de numerosos cidadãos, que querem ser construtores do desenvolvimento social e cultural.

Desafios da inculturação da fé

68. O substrato cristão dalguns povos – sobretudo ocidentais – é uma realidade viva.
Aqui encontramos, especialmente nos mais necessitados, uma reserva moral que guarda valores de autêntico humanismo cristão.
Um olhar de fé sobre a realidade não pode deixar de reconhecer o que semeia o Espírito Santo.
Significaria não ter confiança na sua acção livre e generosa pensar que não existem autênticos valores cristãos, onde uma grande parte da população recebeu o Baptismo e exprime de variadas maneiras a sua fé e solidariedade fraterna.
Aqui há que reconhecer muito mais que «sementes do Verbo», visto que se trata duma autêntica fé católica com modalidades próprias de expressão e de pertença à Igreja.
Não convém ignorar a enorme importância que tem uma cultura marcada pela fé, porque, não obstante os seus limites, esta cultura evangelizada tem, contra os ataques do secularismo actual, muitos mais recursos do que a mera soma dos crentes.
Uma cultura popular evangelizada contém valores de fé e solidariedade que podem provocar o desenvolvimento duma sociedade mais justa e crente, e possui uma sabedoria peculiar que devemos saber reconhecer com olhar agradecido.

69. Há uma necessidade imperiosa de evangelizar as culturas para inculturar o Evangelho.
Nos 58 países de tradição católica, tratar-se-á de acompanhar, cuidar e fortalecer a riqueza que já existe e, nos países de outras tradições religiosas ou profundamente secularizados, há que procurar novos processos de evangelização da cultura, ainda que suponham projectos a longo prazo.
Entretanto não podemos ignorar que há sempre uma chamada ao crescimento: toda a cultura e todo o grupo social necessitam de purificação e amadurecimento.
No caso das culturas populares de povos católicos, podemos reconhecer algumas fragilidades que precisam ainda de ser curadas pelo Evangelho: o machismo, o alcoolismo, a violência doméstica, uma escassa participação na Eucaristia, crenças fatalistas ou supersticiosas que levam a recorrer à bruxaria, etc.
Mas o melhor ponto de partida para curar e ver-se livre de tais fragilidades é precisamente a piedade popular.

70. Certo é também que, às vezes, se dá maior realce a formas exteriores das tradições de grupos concretos ou a supostas revelações privadas, que se absolutizam, do que ao impulso da piedade cristã. Há certo cristianismo feito de devoções – próprio duma vivência individual e sentimental da fé – que, na realidade, não corresponde a uma autêntica «piedade popular».
Alguns promovem estas expressões sem se preocupar com a promoção social e a formação dos fiéis, fazendo-o nalguns casos para obter benefícios económicos ou algum poder sobre os outros.
Também não podemos ignorar que, nas últimas décadas, se produziu uma ruptura na transmissão geracional da fé cristã no povo católico.
 É inegável que muitos se sentem desiludidos e deixam de se identificar com a tradição católica, que cresceu o número de pais que não baptizam os seus filhos nem os ensinam a rezar, e que há um certo êxodo para outras comunidades de fé.
Algumas causas desta ruptura são a falta de espaços de diálogo familiar, a influência dos meios de comunicação, o subjectivismo relativista, o consumismo desenfreado que o mercado incentiva, a falta de cuidado pastoral pelos mais pobres, a inexistência dum acolhimento cordial nas nossas instituições, e a dificuldade que sentimos em recriar a adesão mística da fé num cenário religioso pluralista.

Desafios das culturas urbanas

71. A nova Jerusalém, a cidade santa [7], é a meta para onde peregrina toda a humanidade.
É interessante que a revelação nos diga que a plenitude da humanidade e da história se realiza numa cidade.
Precisamos de identificar a cidade a partir dum olhar contemplativo, isto é, um olhar de fé que descubra Deus que habita nas suas casas, nas suas ruas, nas suas praças.
A presença de Deus acompanha a busca sincera que indivíduos e grupos efectuam para encontrar apoio e sentido para a sua vida.
Ele vive entre os citadinos promovendo a solidariedade, a fraternidade, o desejo de bem, de verdade, de justiça.
Esta presença não precisa de ser criada, mas descoberta, desvendada. Deus não Se esconde de quantos O buscam com coração sincero, ainda que o façam tacteando, de maneira imprecisa e incerta.

72. Na cidade, o elemento religioso é mediado por diferentes estilos de vida, por costumes ligados a um sentido do tempo, do território e das relações que difere do estilo das populações rurais.
Na vida quotidiana, muitas vezes os citadinos lutam para sobreviver e, nesta luta, esconde-se um sentido profundo da existência que habitualmente comporta também um profundo sentido religioso.
Precisamos de o contemplar para conseguirmos um diálogo parecido com o que o Senhor teve com a Samaritana, junto do poço onde ela procurava saciar a sua sede [8].

73. Novas culturas continuam a formar-se nestas enormes geografias humanas onde o cristão já não costuma ser promotor ou gerador de sentido, mas recebe delas outras linguagens, símbolos, mensagens e paradigmas que oferecem novas orientações de vida, muitas vezes em contraste com o Evangelho de Jesus.

Uma cultura inédita palpita e está em elaboração na cidade.

O Sínodo constatou que as transformações destas grandes áreas e a cultura que exprimem são, hoje, um lugar privilegiado da nova evangelização.[9]
Isto requer imaginar espaços de oração e de comunhão com características inovadoras, mais atraentes e significativas para as populações urbanas.
Os ambientes rurais, devido à influência dos mass-media, não estão imunes destas transformações culturais que também operam mudanças significativas nas suas formas de vida.
(cont)

(Revisão da versão portuguesa por ama)

Notas:



[1] Carta enc. Sollicitudo rei socialis (30 de Dezembro de 1987), 22: AAS 80 (1988), 539.
[2] João Paulo II, Exort. ap. pós-sinodal Ecclesia in Africa (14 de Setembro de 1995), 52: AAS 88 (1996), 32-33.
[3] João Paulo II, Exort. ap. pós-sinodal Ecclesia in Asia (6 de Novembro de 1999), 7: AAS 92 (2000), 458.54
[4] Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos, Ministry to Persons with a Homosexual Inclination: Guidelines for Pastoral Care (2006), 17.55
[5] Conferência dos Bispos de França, Nota Élargir le mariage aux personnes de même sexe? Ouvrons le débat! (28 de Setembro de 2012).57
[6] Gal 6, 2
[7] cf. Ap 21, 2-4
[8] cf. Jo 4, 7-26
[9] Cf. Propositio 25.61

Nenhum libertador se faz rei 3

Moisés é o libertador da escravidão e o guia na travessia do deserto; não é o soberano do novo reino de Canaã.

Os profetas são os companheiros no êxodo, na travessia do deserto; habitam em tenda móvel de arameu errante.
A sua tarefa é tirar-nos da escravidão, proteger-nos dos ídolos, levar-nos à reconciliação e a recomeçar, depois de traições colectivas, conduzir-nos até ao limiar da nova terra, apontá-la aos nossos olhos.
Sem ir além. A terra deles é a que está entre os campos de trabalho forçado e Canaã, entre o Nilo e o Jordão.
São os homens e as mulheres do atravessamento nocturno do rio da libertação, da passagem, do limiar.
Para não se tornar um ídolo e tomar o lugar da voz – o grande risco de qualquer profeta – ele deve "morrer”, deve pôr-se de lado, apagar-se e ser apagado num momento preciso.
É o último grande decisivo acto que garante definitivamente que as palavras escutadas e transmitidas ao povo não eram da sua voz, que falava no lugar de outro ("pro-phetés"), que as suas palavras eram grandes porque não eram suas.

Todos os fundadores morrem antes do Jordão; e se o ultrapassarem tornando-se reis da nova terra prometida, significa que ou aquela terra não é a da promessa, ou eles são falsos profetas.
A terra onde se chega é a da promessa se o profeta não chegar lá. Não por estranha punição de Deus (Moisés sempre foi justo), mas pela natureza íntima da vocação.
Neste aspecto Moisés vai mais longe que Noé, o qual subiu também para a arca que tinha construído.

(cont)

luigino bruniIn "Avvenire", 

(Revisão da verão portuguesa por ama)

Tratado do verbo encarnado 136

Questão 22: Do sacerdócio de Cristo

Art. 4 — Se o efeito do sacerdócio de Cristo não só pertencia aos outros, mas também a ele próprio.

O quarto discute-se assim. — Parece que o efeito do sacerdócio de Cristo não pertencia só aos outros, mas também a ele próprio.

1. — Pois, é ofício do sacerdote orar pelo povo, segundo aquilo da Escritura: Os sacerdotes estavam fazendo oração enquanto o sacrifício se consumava. Ora, não somente orou pelos outros, mas também por si mesmo, como se disse e como expressamente o afirma o Apóstolo, quando escreve que nos dias da sua mortalidade ofereceu com um grande brado e com lágrimas preces e rogos a Deus que o podia salvar da morte. Logo, o sacerdócio de Cristo teve o efeito não só para os outros mas também para si.

2. Demais. — Cristo ofereceu-se a si mesmo em sacrifício, na sua paixão. Ora, pela sua paixão mereceu não somente pelos outros, mas também para si, como se estabeleceu. Logo, o sacerdócio de Cristo produziu efeito não só para os outros mas também para si.

3. Demais. — O sacerdócio da lei antiga foi figura do sacerdócio de Cristo. Ora, o sacerdote da lei antiga oferecia sacrifício não só pelos outros, mas também por si mesmo, no dizer da Escritura: O pontífice entra no santuário para orar por si e pela sua casa e por todo o ajuntamento de Israel. Logo, também o sacerdócio de Cristo produziu efeito não só para ele próprio, mas ainda para os outros.

Mas, em contrário, lê-se no Sínodo Efesino: Quem disser que Cristo ofereceu sacrifício por si e não, antes, só por nós — pois não precisava de sacrifício quem era isento de pecado — esse seja anátema. Ora, o ofício do sacerdote consistia sobretudo em oferecer sacrifícios. Logo, o sacerdócio de Cristo nenhum efeito produziu para Cristo.

Como dissemos, o sacerdote é constituído medianeiro entre Deus e o povo. Ora, precisa de um medianeiro quem por si só não pode chegar a Deus; e por isso depende do sacerdócio e participa do efeito dele. Ora, de tal não precisava Cristo e assim diz o Apóstolo: Chegando-se por si mesmo a Deus, vivendo sempre para interceder por nós. Por isso não cabia a Cristo beneficiar do efeito do sacerdócio; ao contrário, comunicava-o ele aos outros. Pois, o agente primeiro, em qualquer género, é, nesse género, influente e não recipiente; assim, o sol ilumina e não é iluminado e o fogo não é aquecido, que aquece. Ora, Cristo é a fonte de todo sacerdócio; pois, se figura dele era o sacerdócio da lei, o sacerdote da lei nova obra, na pessoa dele, segundo o Apóstolo: Pois eu a indulgência de que usei, se de alguma tenho usado, foi por amor de vós em pessoa de Cristo. Por isso não cabia a Cristo beneficiar do efeito do sacerdócio.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJECÇÃO. — A oração, embora própria dos sacerdotes, contudo não é o ofício peculiar deles; pois, qualquer pode orar por si e por outrem, segundo a Escritura: Orai uns pelos outros para serdes salvos. E assim, poderíamos dizer que a oração, na qual Cristo rogou por si, não era acto de sacerdócio seu. Mas essa resposta fica excluída pelas Palavras que o Apóstolo, depois de ter dito — Tu és sacerdote eternamente, segundo a ordem de Melquisedeque acrescenta: O qual nos dias da sua mortalidade, preces etc., como acima; e assim, a oração feita por Cristo pertencia-lhe ao sacerdócio. E por isso devemos dizer, que os outros sacerdotes participam-lhe o efeito do sacerdócio, não enquanto sacerdotes, mas enquanto pecadores, como mais abaixo diremos. Ora Cristo, absolutamente falando, não teve nenhum pecado. Mas teve na sua carne a semelhança do pecado. Por isso não devemos, em sentido absoluto, afirmar que participou do efeito do sacerdócio; mas só, de certo modo, isto é, pela passibilidade da carne. Donde o dizer assinaladamente: Que o podia salvar da morte.

RESPOSTA À SEGUNDA. — Na oblacção do sacrifício de qualquer sacerdote podemos considerar duas coisas: o próprio sacrifício oferecido e a devotação do oferente. Ora, o efeito próprio do sacerdócio é o resultado próprio do sacrifício. Ora, Cristo alcançou, pela sua paixão, a glória do ressurgir; não quase em virtude do sacrifício, oferecido a modo de satisfação, mas pela própria devotação, pelo qual sofreu a paixão humildemente e segundo a caridade.

RESPOSTA À TERCEIRA. — A figura não pode adequar-se à verdade. Por isso o sacerdócio figurado da lei antiga não podia chegar à perfeição de não precisar do sacrifício satisfatório, do qual Cristo não precisava. Donde, não há semelhanças de razão em ambos os casos. E tal é o que diz o Apóstolo: A lei constituiu sacerdotes a homens que têm enfermidade; mas a palavra do juramento, que é depois da lei, constitui ao Filho perfeito eternamente.

Nota: Revisão da versão portuguesa por ama.


Temas para meditar - 386


Soberba 




A soberba arremete por todos os flancos e o seu vencedor encontra-a em tudo quando o cerca.


(casianoInstituciones, 11, 3, trad ama)

Pequena agenda do cristão

SÁBADO
  

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)


Propósito:
Honrar a Santíssima Virgem.

A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador, porque pôs os olhos na humildade da Sua serva, de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações. O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas, santo é o Seu nome. O Seu Amor se estende de geração em geração sobre os que O temem. Manifestou o poder do Seu braço, derrubou os poderosos do seu trono e exaltou os humildes, aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias. Acolheu a Israel Seu servo, lembrado da Sua misericórdia, como tinha prometido a Abraão e à sua descendência para sempre.

Lembrar-me:

Santíssima Virgem Mãe de Deus e minha Mãe.

Minha querida Mãe: Hoje queria oferecer-te um presente que te fosse agradável e que, de algum modo, significasse o amor e o carinho que sinto pela tua excelsa pessoa.
Não encontro, pobre de mim, nada mais que isto: O desejo profundo e sincero de me entregar nas tuas mãos de Mãe para que me leves a Teu Divino Filho Jesus. Sim, protegido pelo teu manto protector, guiado pela tua mão providencial, não me desviarei no caminho da salvação.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?