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11/11/2011

Qual é a melhor forma de governo?

Duas coisas devem ser consideradas acerca da boa ordenação dos príncipes numa cidade ou povo. Uma das quais é que todos tenham alguma parte no principado. Com efeito, por meio disso conserva-se a paz do povo e todos amam e guardam tal ordenação, como se diz no livro II da Política. Outra coisa é o que se considera segundo a espécie de regime ou de ordenação dos príncipes. Como há diversas espécies de regime, como diz o Filósofo, as principais são o reino, no qual um só governa com poder; e a aristocracia, isto é, o poder dos melhores, na qual alguns poucos governam com poder. Donde a melhor ordenação dos 
príncipes numa cidade ou reino é aquela na qual um é posto como chefe com poder, o qual a todos preside; e sob o mesmo estão todos os que governam com poder; e assim tal principado pertence a todos, quer porque podem ser escolhidos dentre todos, quer porque também são escolhidos por todos. Tal é, com efeito, o melhor governo, bem combinado: de reino, enquanto um só preside; de aristocracia, enquanto muitos governam com poder; e de democracia, isto é, com o poder do povo, enquanto os príncipes podem ser eleitos dentre as pessoas do povo, e ao povo pertence a eleição dos príncipes.
Moisés
Miguel Ângelo
E isto foi instituído segundo a lei divina. Moisés, com efeito, e seus sucessores governam o povo como governando singularmente a todos, o que é uma espécie de reino. Eram escolhidos setenta e dois anciãos segundo a virtude: diz-se no livro do Deuteronómio (1, 15): “Tirei de vossas tribos homens sábios e nobres e os constituí príncipes”; e isso era aristocrático. Entretanto, era democrático que esses tivessem sido escolhidos dentre todo o povo; diz-se no livro do Êxodo (18, 21): “Providencie de todo o povo homens sábios” etc.; e também que o povo os escolhia; donde se diz no livro do Deuteronómio (1, 13): “Daí dentre vós homens sábios” etc. Portanto, fica claro que foi a melhor ordenação dos príncipes que a lei instituiu.

(Do artigo “A lei antiga ordenou convenientemente a respeito dos príncipes?” da Suma Teológica – 1ª 2ae, q.105 a.1)

Novíssimos - Juízo Particular 7

Julgamento de Gualter - profissional de futebol. [i]

A baliza parecia-lhe muito pequena e o guarda-redes desmesuradamente grande como que ocupando todo o espaço disponível. Não entendia o que se estava a passar consigo. Sentia como que um peso tremendo que quase o esmagava.

Mas… não podia falhar! Este golo no derradeiro minuto do desafio era a porta para o triunfo no campeonato.
Tomou balanço, com os trejeitos do costume, e avançou para a bola com a calam costumada.

Já não viu a bola a entrar na baliza nem ouviu a gritaria da multidão de adeptos entusiasmados festejando o golo.
Jazia caído no chão derrubado por um AVC fulminante.

Desde miúdo que Gualter revelara um especial jeito para a bola, na escola, os estudos não eram o seu forte mas no recreio não havia quem se lhe comparasse na habilidade no futebol.
Todos os momentos livres – e eram muitos – passava-os na rua em frente da modesta casa dos pais a jogar futebol com uma bola de trapos com os outros miúdos da aldeia.

Com doze anos feitos e, finalmente, a “primária” concluída apareceu lá em casa um sujeito muito bem-falante que se demorou mais de hora e meia a conversar com o pai.
Este não resistiu às aliciantes propostas do homem e o Gualter lá embarcou no flamante automóvel a caminho da cidade.

Na secção juvenil do grande clube deu logo nas vistas e, muito rapidamente, assim que a idade permitiu, entrou no primeiro desafio da equipa principal.
Como tivesse marcado um golo o seu lugar ficou instantaneamente assegurado e, a partir daí, foi um sucessivo acumular de desafios, dribles fantásticos, golos memoráveis.
Os media começaram a falar dele com frequência e não passou um ano que não fosse aliciado por um famoso clube estrangeiro com um ordenado de príncipe das arábias.

A sua vida era um conto de fadas, o dinheiro acumulava-se no banco não só fruto dos salários fabulosos mas também dos principescos proventos de publicidade que iam desde marcas de roupas caríssimas, cosméticos, automóveis…

O Juiz falou:
“O que se acaba de ouvir não serve para nada…”

Gualter admirava-se de o Ser resplandecente que estivera a relatar a sua vida não tivesse mencionado os prémios, as taças, as medalhas que enchiam toda uma divisão da sua luxuosa mansão.

Mas, o Juiz, prosseguia:

“Não consta uma obra de caridade, um auxílio solidário, uma preocupação com alguém…”

“Tenho de dizer algo - ouviu-se numa voz tão suave que parecia uma brisa sussurrante – o Gualter teve uma filha e quis que fosse baptizada.
A sua família queria pôr-lhe um desses nomes que parecem estar de moda mas ele insistiu – e impôs – que lhe fosse dado o meu nome…”

O Juiz disse então:

"Como em Caná da Galileia fiz o que me pediu, faça-se agora como a Minha Mãe desejar".


[i] Levanta-se a questão da vida para além da morte. É uma das grandes interrogações que alguma vez durante a sua vida o homem se coloca.
É natural porque o ser humano é dotado de espírito, alma, que tem preocupações mais para além do imediatamente sensível.
Para os cristãos a segurança da Fé fá-los compreender que está destinado à eternidade, ou seja, embora o corpo pereça e acabe a vida terrena, a sua alma não morrerá jamais e, naturalmente, tende a voltar para o seu Criador, Deus.
Sim... a lógica propõe o que a fé garante, porque não se concebe o Criador abandonar a criatura a um desaparecimento puro e simples.
O restante do problema é o que se refere ao "destino" da alma e que é "marcado" na conclusão do juízo a que é sujeita pelo próprio Criador, logo que, após a separação do corpo, se apresenta perante Si.
No imaginário livro da vida, ao contrário do que que é mais comum, não existem colunas de "deve" e "haver" onde é feita uma espécie de contabilidade, não! O que existe é uma lista completa dos bens recebidos em vida, os dons, graças, auxílios, inspirações e meios com que o Senhor foi dotando cada um de forma especial e única.
Cada ser humano recebe um "pacote" específico, para si em exclusivo.
Deus Nosso Senhor não dispensa os Seus benefícios adrede ou de uma forma sistemática ou mecânica. Cada ser humano é objecto de atenção exclusiva e única por parte do Criador que lhe concede os Seus dons e benefícios conforme a Sua Soberana Vontade determina.
Esta misteriosa magnitude de Deus tem uma razão de ser.
O homem não é capaz por si mesmo de evoluir, de melhorar sem que um estímulo o leve a tal.
Este estímulo surge exactamente no estreitamento das suas relações com Deus.
Quanto mais se relaciona mais recebe e, quanto mais se recebe mais se deseja intimar com Deus.
Por isso no Evangelho consta «àquele que tem, lhe será dado; e ao que não tem, ainda aquilo mesmo que julga ter, lhe será tirado» Lc 8, 16-18.

Para chegar a Deus, o caminho seguro, é Maria Sua e nossa Mãe! 

Sancta Maria iter para tutum! (Santa Maria, prepara-me um caminho seguro)

Mortificação e penitência

Reflectindo





O Senhor escuta as petições das almas mortificadas e penitentes.





(álvaro del portillo, Carta 16.04.1978, citando S. josemaria)

Pensamentos inspirados à procura de Deus

À procura de Deus


Vale muito mais ser,

do que apenas parecer.









jma

Música e entretenimento

Paco de Lucía - Concierto de Aranjuez Part 2


selecção ALS 

Devemos amar a Santa Missa

Textos de S. Josemaria Escrivá

Luta por conseguir que o Santo Sacrifício do Altar seja o centro e a raiz da tua vida interior, de maneira que toda a jornada se converta num acto de culto – prolongamento da Missa que ouviste e preparação para a seguinte –, que vai transbordando em jaculatórias, em visitas ao Santíssimo, no oferecimento do teu trabalho profissional e da tua vida familiar... (Forja, 69)

Não compreendo como se possa viver cristãmente sem sentir a necessidade de uma amizade constante com Jesus na Palavra e no Pão, na oração e na Eucaristia. E entendo perfeitamente que, ao longo dos séculos, as sucessivas gerações de fiéis tenham vindo a concretizar essa piedade eucarística. Umas vezes com práticas multitudinárias, professando publicamente a sua fé; outras, com gestos silenciosos e calados, na sagrada paz do templo ou na intimidade do coração. Antes de mais, devemos amar a Santa Missa, que deve ser o centro do nosso dia. Se vivemos bem a Missa, como não havemos depois de continuar o resto da jornada com o pensamento no Senhor, com o desejo ardente de não nos afastarmos da sua presença, para trabalhar como Ele trabalhava e amar como Ele amava? Aprendemos então a agradecer ao Senhor essa sua outra delicadeza: não quis limitar a sua presença ao momento do Sacrifício do Altar, mas decidiu permanecer na Hóstia Santa que se reserva no Tabernáculo, no Sacrário. (Cristo que passa, n. 154)

© Gabinete de Informação do Opus Dei na Internet

Evangelho do dia e comentário













T. Comum– XXXII Semana



Evangelho: Lc 17, 26-37

26 Como sucedeu nos dias de Noé, assim sucederá também quando vier o Filho do Homem. 27 Comiam e bebiam, tomavam mulher e marido, até ao dia em que Noé entrou na arca; e veio o dilúvio, que exterminou a todos. 28 Como sucedeu também no tempo de Lot; comiam e bebiam, compravam, vendiam, plantavam e edificavam; 29 mas, no dia em que Lot saiu de Sodoma, choveu fogo e enxofre do céu, que exterminou a todos. 30 Assim será no dia em que se manifestar o Filho do Homem. 31 Nesse dia quem estiver no terraço e tiver os seus móveis em casa, não desça a tomá-los; da mesma sorte, quem estiver no campo, não volte atrás. 32 Lembrai-vos da mulher de Lot. 33 Quem procurar salvar a sua vida, perdê-la-á; quem a perder, salvá-la-á. 34 Eu vos digo: Nessa noite, de duas pessoas que estiverem num leito, uma será tomada e a outra deixada. 35 Duas mulheres estarão a moer juntas, uma será tomada e a outra deixada!». 36 Omitido na Neo-Vulgata. 37 Os discípulos disseram-Lhe: «Onde será isso, Senhor?». Ele respondeu-lhes: «Onde quer que estiver o corpo, juntar-se-ão aí também as águias».

Comentário:

Há pelo menos dois milénios que alguns homens procuram com afã dados e elementos que lhes permitam determinar quando será o “fim do mundo”.
Servem-se de textos, cálculos cabalísticos, leitura dos astros, magias, premonições…

Porquê?

Porque o reconhecimento da temporalidade da vida humana é difícil para quem não tem fé.

Já os que a têm sabem que “fim do mundo”, de facto, há-de acontecer quando o seu Criador assim dispôs mas, na realidade, ele acontece a todo o momento em que um ser humano morre.
Aí acaba o mundo temporal, passageiro e começa a viagem sem fim da eternidade.

É com este momento derradeiro – que também não sabemos quando será – que convém preocupar-nos desde agora em que não sabemos se este preciso momento será o último da nossa vida.

(ama, comentário sobre Lc 17, 26-37, 2011.10.10)

Pensamentos inspirados à procura de Deus

À procura de Deus





Lembra-te que o teu ser,
se reflecte no teu viver.

jma

Educar a afectividade 2

CONVERSÃO DO CORAÇÃO


A moral cristã ensina que a desordem do nosso mundo afectivo mergulha as suas raízes no pecado original. O coração humano é capaz de indubitável nobreza, dos mais elevados graus de heroísmo e de santidade, mas também das maiores baixezas e dos instintos mais desumanizados.
O Novo Testamento recolhe em várias ocasiões diversas palavras de Jesus Cristo em que insistia pedindo com vigor a conversão interior do coração e dos desejos:  «Ouvistes que foi dito: “Não cometerás adultério”. Eu, porém, digo-vos que todo aquele que olhar para uma mulher cobiçando-a, já cometeu adultério com ela no seu coração [1].
Nosso Senhor sublinha que não basta abster-se de agir mal, ou ater-se a umas normas na conduta exterior, mas que há que mudar o coração, «porque do interior do coração do homem, é que procedem os maus pensamentos, os furtos, as fornicações, os homicídios, os adultérios, as avarezas, as perversidades, as fraudes, as libertinagens, a inveja, a maledicência, a soberba, a insensatez. Todos estes males procedem de dentro e contaminam o homem» [2]

Os Seus ensinamentos são um constante apelo à conversão do coração, a única que faz o homem realmente bom: «O homem bom, do bom tesouro do seu coração tira o bem; o homem mau, do mau tesouro do seu coração tira o mal: porque a boca fala da abundância do coração» [3].  Sublinham a necessidade radical de purificar-se interiormente: «Vós fazeis-vos passar por justos diante dos homens; mas Deus conhece os vossos corações» [4].

Os atos imorais surgem dos pensamentos retorcidos que o coração incuba. Por isso tem tanta importância a educação dos seus afetos. E por isso o Apóstolo Pedro diz a Ananias, quando é surpreendido na sua falsidade: «Por que motivo puseste em teu coração fazer tal coisa?» [5]

A moral cristã não olha para os sentimentos com desconfiança. Pelo contrário, dá uma importância fundamental ao seu cuidado e à sua educação, pois têm uma enorme transcendência na vida moral. Orientar e educar a afectividade supõe um trabalho de purificação, porque o pecado introduziu a cizânia da desordem no coração de todos os homens e é, portanto, necessário curá-lo. Por isso escreveu S. Josemaria: «Não te digo que me tires os afetos, Senhor, porque com eles posso servir-Te, mas que os purifiques» [6].

Trata-se de construir sobre o fundamento firme das exigências da dignidade do homem, do respeito e da sintonia com tudo o que exige a sua natureza e lhe é próprio. E o melhor estilo afectivo, o melhor carácter, será aquele que nos situe numa órbita mais próxima dessa singular dignidade que corresponde ao ser humano. Na medida em que o consigamos, tornar-se-á mais acessível a felicidade e a santidade.


a. aguiló



[1] Mt 5, 27-28
[2] Mc 7, 21-23. 
[3] Lc 6, 45.
[4] Lc 16, 15.
[5] Act  5, 4.
[6] S. Josemaria, Forja, n. 750.